Controle de versões e organização de arquivos na impressão 3D para negócios

Capítulo 10

Tempo estimado de leitura: 10 minutos

+ Exercício

Por que controle de versões e organização de arquivos importam no dia a dia

Em um negócio de impressão 3D, o mesmo item pode ser reimpresso semanas depois, ajustado por feedback do cliente, ou investigado após uma falha. Sem organização e versionamento, você perde tempo procurando arquivos, corre o risco de imprimir um modelo antigo e fica sem evidências para diagnosticar problemas. Controle de versões é a prática de identificar claramente qual “estado” do arquivo foi usado em cada pedido, registrando mudanças e mantendo um pacote completo que permita repetir a produção com consistência.

A meta prática é simples: cada pedido deve apontar para uma versão específica do modelo e do perfil de fatiamento, e você deve conseguir reimprimir a mesma peça (ou auditar um defeito) apenas abrindo a pasta do pedido.

O que deve ser versionado (e o que não precisa)

Arquivos que devem ter versão

  • Modelo 3D: STL/3MF para impressão; STEP (ou equivalente CAD) quando você edita geometria.
  • Perfil do fatiador: preset/export do slicer (ex.: .ini/.json/.curaprofile/.3mf com configurações).
  • Projeto do fatiador (quando aplicável): arquivo que guarda orientação, suportes, modificadores, múltiplas peças etc. (muitas equipes usam 3MF para isso).
  • G-code: o arquivo efetivamente impresso (principalmente quando você precisa rastrear exatamente o que foi para a máquina).

Arquivos que podem ser “derivados”, mas ainda assim úteis

  • Preview: imagem do fatiamento, captura de tela das camadas, ou export do preview.
  • Fotos: peça pronta, peça com defeito, montagem, embalagem.
  • Notas de produção: parâmetros reais usados (bico, filamento/lote, máquina, data/hora, observações).

Estrutura de pastas recomendada (modelo pronto para copiar)

Uma estrutura eficiente separa: (1) biblioteca de modelos e versões, (2) pedidos (onde você “congela” o que foi usado), e (3) recursos compartilhados (perfis base, materiais, máquinas). Abaixo um exemplo que funciona bem para pequenos negócios.

3D_NEGOCIO/  ├─ 00_ADMIN/  │   ├─ Templates/  │   └─ Padroes_Nomenclatura/  ├─ 01_BIBLIOTECA_MODELOS/  │   ├─ CLIENTE_OU_MARCA/  │   │   ├─ PRODUTO_X/  │   │   │   ├─ CAD_STEP/  │   │   │   ├─ EXPORT_STL_3MF/  │   │   │   ├─ CHANGELOG/  │   │   │   └─ REFERENCIAS/  ├─ 02_PERFIS_FATIADOR/  │   ├─ SLICER_NOME/  │   │   ├─ MAQUINA_A/  │   │   │   ├─ Materiais/  │   │   │   └─ Perfis_Base/  ├─ 03_PEDIDOS/  │   ├─ 2026/  │   │   ├─ 2026-01/  │   │   │   ├─ 2026-01-28_#1042_CLIENTE_NOME_PRODUTO_X/  │   │   │   │   ├─ 01_Arquivos_Recebidos/  │   │   │   │   ├─ 02_Modelo_Versionado/  │   │   │   │   ├─ 03_Fatiamento/  │   │   │   │   ├─ 04_Gcode_Impresso/  │   │   │   │   ├─ 05_Previews/  │   │   │   │   ├─ 06_Fotos/  │   │   │   │   └─ 07_Notas_e_Checks/  └─ 99_ARQUIVO_MORTO/      └─ Antigos_e_Obsoletos/

Como usar na prática

  • Biblioteca guarda as versões “oficiais” do produto (com histórico).
  • Pedidos guardam um “snapshot” do que foi usado naquele pedido (mesmo que a biblioteca evolua depois).
  • Perfis do fatiador ficam centralizados para evitar que cada pedido crie um perfil “solto” sem rastreio; no pedido você salva uma cópia/export do perfil efetivo.

Convenção de nomes (STL/STEP/3MF, perfis e G-code)

Uma convenção boa precisa ser: legível, ordenável por data, e com campos suficientes para evitar ambiguidade. Evite espaços e caracteres especiais; use _ e datas no formato AAAA-MM-DD.

Campos recomendados

  • ID do produto (interno): ex. P0123
  • Nome curto: ex. Suporte_Celular
  • Versão: ex. v1, v2 ou v1.1
  • Revisão por data (opcional, mas forte para auditoria): ex. r2026-01-28
  • Material/variante (quando muda geometria ou tolerância): ex. PLA, PETG, Folga0p30
  • Máquina/bico (principalmente em G-code): ex. MaqA, Nozzle0p4

Exemplos prontos

  • STEP (editável): P0123_Suporte_Celular_v2_r2026-01-28.step
  • STL (export para impressão): P0123_Suporte_Celular_v2_r2026-01-28_PLA.stl
  • 3MF (projeto do fatiador com orientação/suportes): P0123_Suporte_Celular_v2_r2026-01-28_Projeto.3mf
  • Perfil do fatiador (export): Perfil_MaqA_PLA_0p20_v5_r2026-01-28.curaprofile (ajuste a extensão ao seu fatiador)
  • G-code: 2026-01-28_#1042_P0123_v2_MaqA_PLA_0p20_No0p4.gcode

Versionamento simples: v1, v2 e revisão por data

Quando usar v1, v2, v3…

Use v1, v2, v3 quando houver mudança relevante para o cliente ou para a produção, por exemplo:

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  • mudança de encaixe/tolerância;
  • reforço estrutural;
  • alteração de dimensões;
  • mudança de orientação recomendada (porque você alterou a geometria para imprimir melhor).

Quando usar revisão por data (rAAAA-MM-DD)

Use a revisão por data para rastrear pequenas iterações e manter clareza de “qual arquivo exatamente” foi usado, mesmo dentro da mesma versão. Exemplo: você mantém v2, mas ajusta um detalhe interno e quer saber qual export foi para o pedido.

  • v2 = “família” da versão.
  • r2026-01-28 = “build”/revisão específica.

Regra prática para não se perder

  • Se você alterou a geometria: aumente versão (v2v3) e gere nova revisão por data.
  • Se você não alterou a geometria, mas mudou apenas fatiamento: mantenha a versão do modelo e versiona o perfil/projeto do fatiador separadamente.

Registro de mudanças (changelog): o que mudou e por quê

Um registro de mudanças evita “memória oral”. Ele deve responder: o que mudou, por que mudou e qual pedido motivou (quando aplicável). Pode ser um arquivo CHANGELOG.txt ou CHANGELOG.md dentro da pasta do produto na biblioteca.

Template simples (copiar e colar)

PRODUTO: P0123 - Suporte_Celular  RESPONSAVEL: ____  UNIDADE: mm  ---  [v2 | r2026-01-28]  Data: 2026-01-28  Motivo: Cliente relatou folga no encaixe / vibração  O que mudou: - Aumentado ressalto lateral em +0,40 mm - Ajustada folga do encaixe de 0,20 para 0,30 mm  Impacto esperado: Menos folga, montagem mais firme  Pedidos relacionados: #1042  Arquivos gerados: - P0123_Suporte_Celular_v2_r2026-01-28.step - P0123_Suporte_Celular_v2_r2026-01-28_PLA.stl - P0123_Suporte_Celular_v2_r2026-01-28_Projeto.3mf

Boas práticas rápidas

  • Escreva o changelog no momento da alteração, não depois.
  • Se a mudança foi para corrigir falha, registre o sintoma observado (ex.: empenamento, camada fraca, quebra no ponto X).
  • Se a mudança foi estética, registre o critério (ex.: “reduzir marcas de suporte na face frontal”).

Vinculando cada pedido a uma versão (rastreabilidade)

O pedido precisa “apontar” para: versão do modelo, revisão, e qual perfil/projeto foi usado. Isso pode ser feito com um arquivo de metadados dentro da pasta do pedido, por exemplo Pedido_#1042.json ou README.txt.

Modelo de ficha do pedido (texto simples)

PEDIDO: #1042  DATA: 2026-01-28  CLIENTE: Nome  ITEM: P0123 - Suporte_Celular  MODELO: P0123_Suporte_Celular_v2_r2026-01-28_PLA.stl  CAD: P0123_Suporte_Celular_v2_r2026-01-28.step  PROJETO_SLICER: P0123_Suporte_Celular_v2_r2026-01-28_Projeto.3mf  PERFIL_EXPORTADO: Perfil_MaqA_PLA_0p20_v5_r2026-01-28.curaprofile  GCODE_IMPRESSO: 2026-01-28_#1042_P0123_v2_MaqA_PLA_0p20_No0p4.gcode  MAQUINA: MaqA  BICO: 0.4  MATERIAL: PLA (lote/nota: ____ )  OBS: Suporte em árvore; brim 6 mm; orientação X 90°

Mesmo que você use um sistema de pedidos externo, essa ficha dentro da pasta garante que o pacote é autossuficiente para reimpressão e auditoria.

“Pacote do pedido” padrão: o que salvar sempre

O pacote do pedido é um conjunto mínimo de arquivos e evidências para permitir: (1) reimpressão consistente, (2) comparação entre pedidos, (3) auditoria de problemas. Padronize para que qualquer pessoa da equipe encontre tudo no mesmo lugar.

Checklist do pacote (pasta do pedido)

PastaConteúdoExemplo
01_Arquivos_RecebidosArquivos do cliente e referênciasSTL original, desenho, foto, briefing
02_Modelo_VersionadoArquivos finais do modelo usados no pedidoSTL/3MF final + STEP se aplicável
03_FatiamentoProjeto do slicer + perfil exportado3MF do projeto + preset exportado
04_Gcode_ImpressoG-code enviado à máquinaArquivo .gcode com nome rastreável
05_PreviewsImagens do preview e parâmetros-chavePNG do preview, screenshot de suportes
06_FotosFotos do resultado e eventuais defeitosFrente/verso, close de falha, montagem
07_Notas_e_ChecksFicha do pedido + observaçõesPedido_#1042.txt, checklist assinado

Parâmetros que valem a pena registrar (mesmo que já estejam no slicer)

  • máquina e identificação (se houver mais de uma);
  • bico (diâmetro e se estava novo/usado);
  • material e lote/fornecedor (quando possível);
  • orientação e tipo de suporte;
  • temperaturas e velocidade (se você ajustou “na hora”);
  • observações de pós-processo que afetem repetibilidade (ex.: “lixado 2 min na face A”).

Passo a passo prático: do novo pedido ao arquivamento correto

1) Criar a pasta do pedido com nome padronizado

Use um padrão consistente e ordenável:

  • AAAA-MM-DD_#NUMERO_CLIENTE_PRODUTO

Exemplo: 2026-01-28_#1042_CLIENTE_NOME_PRODUTO_X

2) Copiar o template de subpastas

Mantenha um template em 00_ADMIN/Templates/Template_Pedido/ e copie para dentro do pedido. Isso reduz esquecimento.

3) “Congelar” a versão do modelo usada no pedido

  • Se o produto já existe na biblioteca: copie para 02_Modelo_Versionado exatamente o arquivo da versão/revisão escolhida.
  • Se você precisou alterar o modelo: crie nova revisão (ou nova versão) na biblioteca, atualize o changelog e então copie a nova revisão para o pedido.

4) Salvar o projeto do fatiador e exportar o perfil efetivo

  • Salve o arquivo do projeto do slicer (ex.: 3MF) em 03_Fatiamento.
  • Exporte o perfil/preset usado e salve junto, com versão e revisão por data.

Isso evita o problema comum de “o preset foi alterado depois” e ninguém sabe qual configuração gerou aquele G-code.

5) Gerar e salvar o G-code com nome rastreável

Salve o G-code em 04_Gcode_Impresso com campos mínimos: data, pedido, produto, versão, máquina e material.

6) Capturar preview e evidências

  • Salve ao menos 1 imagem do preview (orientação + suportes) em 05_Previews.
  • Tire fotos do resultado (e de falhas, se houver) e salve em 06_Fotos.

7) Preencher a ficha do pedido (metadados)

Crie Pedido_#1042.txt (ou .json) em 07_Notas_e_Checks e cole os nomes dos arquivos usados. O objetivo é que alguém consiga reimprimir sem “adivinhar”.

Regras para evitar confusão entre versões (erros comuns)

Não sobrescreva arquivos finais

Nunca salve por cima de ..._v2_r2026-01-28.stl. Se mudou algo, gere r2026-02-03 (ou v3 se for mudança maior). Sobrescrever destrói rastreabilidade.

Não dependa só do nome “final.stl”

Arquivos como final.stl, final2.stl, agora_vai.stl são um sinal de que o processo não está controlado. Troque por versão + revisão.

Não misture biblioteca com pedidos

Evite editar arquivos diretamente dentro da pasta do pedido. O pedido deve ser um snapshot; a edição e o histórico ficam na biblioteca.

Mini-padrão para equipes: quem pode mudar o quê

Mesmo em equipe pequena, defina um combinado simples:

  • Biblioteca: só altera quem registra no changelog e incrementa versão/revisão.
  • Perfis base: mudanças exigem export com nova revisão por data e anotação do motivo.
  • Pedido: ninguém altera arquivos após a entrega; se houver reimpressão, crie uma subpasta Reimpressao_01 dentro do pedido ou um novo pedido vinculado, mantendo o histórico.

Exemplo completo (como fica um pedido bem documentado)

Pedido #1042 de um suporte, com pequena correção de encaixe:

  • Biblioteca atualizada: P0123_Suporte_Celular_v2_r2026-01-28.step + changelog com motivo.
  • Pasta do pedido contém: STL final, 3MF do fatiamento, perfil exportado, G-code impresso, preview e fotos.
  • Ficha do pedido aponta para os nomes exatos dos arquivos e registra máquina/material.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao organizar arquivos para garantir rastreabilidade e reimpressão consistente, qual prática atende melhor ao objetivo de que cada pedido aponte para uma versão específica do modelo e do fatiamento?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

A rastreabilidade exige que o pedido seja autossuficiente: deve conter o modelo e o fatiamento usados (projeto, perfil exportado e G-code) e metadados com os nomes exatos, permitindo reimpressão e auditoria sem depender da biblioteca ter mudado depois.

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Fluxo de produção para impressão 3D: fila, capacidade e prazos realistas

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