O que é triagem na chegada (e por que ela evita problemas)
Triagem na chegada é o processo de identificar rapidamente quem está solicitando acesso, para quê, com qual nível de urgência e quais riscos e requisitos mínimos precisam ser atendidos antes de liberar a passagem. Na prática, a triagem transforma a entrada em um fluxo controlado: reduz filas, evita liberações indevidas, melhora a rastreabilidade e ajuda a priorizar situações críticas sem perder o controle.
Uma triagem eficiente tem três objetivos simultâneos: classificar o tipo de acesso (visitante, prestador, entrega, morador/colaborador, motorista), validar requisitos mínimos (documentos, autorização, destino, responsável) e definir prioridade (o que entra primeiro e por quê) mantendo a entrada organizada.
Classificação rápida: tipos de acesso e o que muda na triagem
1) Morador/colaborador
- Foco: confirmar identidade e vínculo (credencial, cadastro, placa, biometria conforme regra local).
- Risco típico: uso indevido de credencial, carona não autorizada, veículo divergente.
- Requisito mínimo: identificação válida e compatível com cadastro; em caso de exceção, validação com responsável interno.
2) Visitante
- Foco: autorização do anfitrião/responsável, destino e horário.
- Risco típico: visita não esperada, destino incorreto, tentativa de acesso a áreas restritas.
- Requisito mínimo: documento de identificação + confirmação do responsável + registro de entrada.
3) Prestador de serviço
- Foco: ordem de serviço/solicitação, empresa, escopo, áreas acessadas, tempo estimado.
- Risco típico: acesso a áreas técnicas, ferramentas, circulação ampliada.
- Requisito mínimo: identificação + autorização (responsável interno/contrato/OS) + regras de segurança aplicáveis (EPI quando exigido, cadastro prévio quando previsto).
4) Entrega (encomendas, insumos, perecíveis)
- Foco: destinatário, protocolo de recebimento, integridade do volume, janela de recebimento.
- Risco típico: entrega para pessoa errada, entrada indevida do entregador, volumes suspeitos.
- Requisito mínimo: identificação do entregador/transportadora quando aplicável + destinatário confirmado + procedimento de recebimento definido (quem recebe, onde recebe, registro).
5) Motorista (aplicativo, táxi, transporte contratado, frete)
- Foco: quem será buscado/levado, autorização, local de parada, tempo de permanência.
- Risco típico: circulação indevida, parada em local proibido, confusão de passageiro.
- Requisito mínimo: identificação do serviço/placa quando aplicável + confirmação do passageiro/destino + regras de embarque/desembarque.
Passo a passo prático da triagem na chegada (fluxo em 60–120 segundos)
Passo 1 — Abordagem e pergunta de classificação
Faça uma pergunta que já classifica o acesso e direciona o restante do roteiro:
- “Qual o tipo de acesso: visita, serviço, entrega, morador/colaborador ou motorista?”
- “Qual o destino e quem é o responsável que vai receber/autorizar?”
Passo 2 — Identificar urgência e prioridade
Antes de aprofundar, verifique se há urgência real:
- “É emergência médica, manutenção crítica ou entrega perecível com prazo?”
- “Existe risco imediato (vazamento, curto, elevador parado, incêndio, pessoa passando mal)?”
Se for prioridade alta, aplique o protocolo de prioridade (ver seção “Regras de prioridade”) sem abandonar o registro mínimo.
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Passo 3 — Validar requisitos mínimos (sem burocracia excessiva)
Valide o mínimo necessário para liberar ou direcionar para espera:
- Identificação: documento oficial, crachá, cadastro, placa (conforme política local).
- Autorização: confirmação do anfitrião/responsável interno (nome, unidade/setor, ramal/contato).
- Destino: unidade, sala, área, doca, almoxarifado, recepção interna.
- Horário/janela: dentro do permitido? há agendamento?
- Condições de acesso: restrições de área, necessidade de acompanhamento, EPI, regras de carga/descarga.
Passo 4 — Avaliar risco e aplicar controles proporcionais
Use uma lógica simples: quanto maior o risco, maior o controle. Exemplos de controles proporcionais:
- Baixo risco: visitante com autorização confirmada e destino claro → registro e liberação.
- Médio risco: prestador com acesso a área técnica → registro detalhado + confirmação do responsável + orientação de circulação.
- Alto risco: acesso a sala elétrica/CPD/área restrita, volume suspeito, pessoa sem identificação → não liberar; acionar responsável e aplicar procedimento interno.
Passo 5 — Registrar e direcionar (liberar, aguardar, recusar ou escalonar)
Finalize com uma decisão objetiva:
- Liberar: requisitos mínimos atendidos e prioridade definida.
- Aguardar: falta autorização/horário; orientar local de espera e manter fila organizada.
- Recusar: requisito essencial ausente (ex.: sem identificação quando exigida) ou risco não mitigado.
- Escalonar: emergência, conflito de informação, suspeita de fraude, incidente de segurança.
Checklist de triagem: perguntas essenciais e dados mínimos
Use este checklist como roteiro fixo. Ele reduz esquecimentos e padroniza a decisão.
Perguntas essenciais (roteiro)
- Tipo de acesso: “É visita, serviço, entrega, morador/colaborador ou motorista?”
- Destino: “Para qual unidade/setor/sala?”
- Responsável: “Quem vai autorizar/receber? Nome e contato?”
- Motivo/escopo: “Qual o motivo da visita/serviço? O que será feito/entregue?”
- Horário: “Está agendado? Qual a janela de atendimento?”
- Urgência: “É emergência ou manutenção crítica? Há risco imediato?”
- Tempo estimado: “Quanto tempo pretende permanecer?”
- Veículo: “Placa e modelo (se aplicável). Vai estacionar ou só embarque/desembarque?”
Documentos e comprovações (conforme política local)
- Documento de identificação: RG/CPF/CNH ou equivalente.
- Comprovação de serviço: ordem de serviço, e-mail de autorização, contrato, chamado interno.
- Comprovação de entrega: nota/romaneio, destinatário, protocolo de recebimento.
- Identificação da empresa: crachá, uniforme, dados da transportadora (quando aplicável).
Dados para registro
| Campo | Exemplo | Observação |
|---|---|---|
| Nome | João Silva | Conforme documento |
| Tipo de acesso | Prestador | Classificação inicial |
| Documento | CNH 000000 | Quando exigido |
| Empresa/Transportadora | XYZ Manutenção | Para prestadores/entregas |
| Destino | Bloco B, sala 203 | Evita circulação indevida |
| Responsável | Maria (RH) | Quem autorizou/recebe |
| Horário | 10:20 | Entrada e saída |
| Placa | ABC1D23 | Se houver veículo |
| Observações | Entrega perecível | Ajuda na prioridade |
Regras de prioridade: quem passa primeiro e como justificar
Prioridade não é “furar fila”; é aplicar critérios objetivos para reduzir risco e impacto operacional. Defina categorias e aplique sempre o mesmo padrão.
Prioridade 1 — Emergência (atendimento imediato)
- Ambulância/atendimento médico (pessoa passando mal, acidente).
- Corpo de bombeiros/brigada (incêndio, fumaça, alarme confirmado).
- Ocorrência de segurança (ameaça, invasão, violência).
Regra prática: liberar o acesso emergencial conforme protocolo interno e registrar o mínimo possível sem atrasar o atendimento (ex.: placa, equipe, horário, destino). Se necessário, um segundo agente assume o registro enquanto o primeiro organiza o fluxo.
Prioridade 2 — Manutenção crítica e risco operacional
- Falha elétrica com risco (curto, cheiro de queimado, falta geral).
- Vazamento relevante (água/gás) ou risco estrutural.
- Elevador parado com pessoas retidas.
- Sistemas essenciais indisponíveis (portões, controle de acesso, CFTV, rede crítica).
Regra prática: confirmar rapidamente o chamado e o responsável interno; liberar com direcionamento direto ao ponto de intervenção e restrição de circulação.
Prioridade 3 — Entregas com janela curta (perecíveis e cadeia fria)
- Perecíveis (alimentos, medicamentos, itens refrigerados).
- Entregas com horário contratado (doca, agendamento de recebimento).
Regra prática: priorizar a triagem e o encaminhamento ao local de recebimento, evitando permanência do entregador na entrada. Se houver fila, separar uma linha específica para “entregas rápidas” quando possível.
Prioridade 4 — Fluxo normal (ordem de chegada)
- Visitantes, prestadores não críticos, motoristas de embarque/desembarque, entregas comuns.
Critérios de desempate (quando duas situações competem)
- Risco à vida > risco ao patrimônio > impacto operacional > conveniência.
- Janela de tempo (perecível/agenda) > ordem de chegada.
- Menor tempo de atendimento (triagem rápida) pode ser encaixado para reduzir fila, desde que não prejudique prioridades 1 e 2.
Organização de fila e prevenção de aglomeração na entrada
Estratégia de “três zonas” (simples e eficaz)
- Zona 1 — Chegada/triagem: ponto onde a pessoa informa tipo de acesso e destino. Objetivo: classificar em poucos segundos.
- Zona 2 — Espera controlada: local definido para aguardar autorização/horário, sem bloquear passagem. Objetivo: reduzir pressão no balcão/guarita.
- Zona 3 — Liberação/direcionamento: após validação, orientar caminho (entrada social, serviço, doca, estacionamento, recepção interna).
Separação por fluxo (quando houver volume)
- Fila A: moradores/colaboradores (passagem rápida).
- Fila B: visitantes e motoristas (confirmação de responsável).
- Fila C: entregas e prestadores (registro e regras específicas).
Se não houver espaço físico para três filas, use priorização por atendimento: primeiro classificar todos (Passo 1) e depois chamar por categoria/urgência.
Regras operacionais para evitar gargalo
- Triagem em duas etapas: etapa 1 (classificar e coletar dados mínimos) e etapa 2 (validar autorização/documentos). Isso impede que uma pessoa “trave” a entrada.
- Tempo máximo por atendimento: se a validação não resolver em 1–2 minutos, mover para “espera controlada” e seguir a fila.
- Pré-orientação: ao identificar falta de documento ou autorização, informar imediatamente o que falta e como resolver, antes de continuar.
- Local de parada de veículos: definir ponto de espera para motoristas e entregas, evitando bloqueio do portão.
- Separar recebimento de encomendas: quando aplicável, direcionar entregas para um ponto específico (recebimento/almoxarifado) para reduzir circulação.
Exemplos práticos de triagem (situações comuns)
Exemplo 1 — Visitante sem autorização prévia
- Classificação: visitante.
- Perguntas-chave: destino, responsável, horário.
- Ação: registrar dados básicos, contatar responsável; se não confirmar, direcionar para espera controlada ou recusar conforme regra local.
Exemplo 2 — Prestador para manutenção crítica (vazamento)
- Classificação: prestador.
- Urgência: alta (risco de dano).
- Ação: confirmar chamado e responsável; registrar mínimo (nome, empresa, documento/placa se exigido, horário); liberar com direcionamento direto e restrição de áreas.
Exemplo 3 — Entrega perecível com janela curta
- Classificação: entrega perecível.
- Urgência: média/alta por tempo.
- Ação: confirmar destinatário e ponto de recebimento; priorizar encaminhamento; evitar permanência do entregador na entrada; registrar transportadora, horário e destinatário.
Exemplo 4 — Motorista de aplicativo buscando passageiro
- Classificação: motorista.
- Perguntas-chave: nome do passageiro, local de embarque, tempo de espera.
- Ação: direcionar para ponto de embarque/desembarque; se necessário, confirmar com o passageiro; evitar entrada desnecessária do motorista.
Modelo de roteiro de triagem (para padronizar)
1) Tipo de acesso? (visita / serviço / entrega / morador-colaborador / motorista) 2) Destino e responsável? (nome + unidade/setor + contato) 3) Está dentro do horário/janela? (agendado?) 4) Há urgência ou risco imediato? (emergência / manutenção crítica / perecível) 5) Documento/identificação conforme regra? 6) Registrar dados mínimos 7) Decisão: liberar / aguardar em área definida / recusar / escalonar