Objetivo da identificação e validação de dados
Identificar é confirmar, com evidências, que a pessoa presente é quem diz ser e que os dados informados permitem rastreabilidade do acesso (quem entrou, por qual motivo, quando, para onde e sob qual autorização). Na prática, isso envolve três frentes: conferência do documento, comparação com a pessoa e registro mínimo e padronizado para consulta futura.
Documentos aceitos e critérios de aceitação
Tipos de documentos (exemplos comuns)
- Documento oficial com foto: RG/Carteira de Identidade, CNH, Passaporte, Carteira de órgão de classe (quando reconhecida como documento de identificação).
- Documento digital: versões oficiais em aplicativos governamentais, quando a política do local permitir e houver como conferir autenticidade (QR code/validação no app, quando aplicável).
- Credenciais internas: crachá de colaborador/terceirizado, desde que vinculado a cadastro prévio e com regras claras de validade (não substitui documento oficial em situações definidas pela política).
O que não deve ser aceito como identificação principal (salvo regra interna específica)
- Fotos de documentos na galeria do celular (sem validação oficial).
- Cartões sem foto e sem identificação civil (ex.: cartões de academia, cartões de benefício sem foto).
- Documentos muito danificados a ponto de impedir leitura e conferência.
Conferência visual do documento: checklist rápido
Use um roteiro fixo para reduzir falhas. A conferência visual deve ser objetiva e repetível.
1) Foto e semelhança
- Compare formato do rosto, olhos, nariz, boca e linha do cabelo. Mudanças de barba, óculos e cabelo são comuns; foque em traços estruturais.
- Observe se a foto parece substituída, colada ou com bordas irregulares (em documentos físicos).
2) Integridade do documento
- Verifique se há rasgos, laminação irregular, marcas de adulteração, numeração apagada ou campos sobrepostos.
- Confira se o documento está legível: nome, número, órgão emissor, data de nascimento.
3) Validade e datas
- Quando houver data de validade (ex.: CNH, passaporte), confirme se está vigente.
- Se o documento não tiver validade, use o critério de integridade e legibilidade; em caso de dúvida, aplique protocolo de escalonamento.
4) Coerência dos dados
- Nome e data de nascimento coerentes com a pessoa e com o que foi informado na triagem.
- Se houver divergência de grafia (ex.: “Luiz” vs “Luis”), trate como inconsistência e valide com fonte adicional (cadastro prévio, autorização do responsável, segundo identificador).
Comparação com a pessoa presente: como fazer sem constrangimento
A comparação deve ser direta e respeitosa, sem comentários sobre aparência. Procedimento prático:
- Peça que a pessoa retire rapidamente itens que dificultem a conferência (óculos escuros, boné, máscara), quando aplicável e permitido.
- Posicione-se de forma que a iluminação ajude a ver o rosto e o documento.
- Compare a foto com o rosto por 3 a 5 segundos, focando em traços fixos.
- Confirme verbalmente um dado do documento (ex.: “Por favor, confirme sua data de nascimento”).
Se a pessoa demonstrar resistência, mantenha o procedimento: a conferência é requisito para liberar acesso. Quando houver conflito, aplique escalonamento conforme protocolo.
Coleta mínima de dados para registro (princípio do mínimo necessário)
Registre apenas o necessário para controle e auditoria, evitando excesso de dados sensíveis. Um conjunto mínimo típico inclui:
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- Nome completo (sem abreviações).
- Documento: tipo e número (e órgão emissor, se exigido).
- Empresa (quando visitante a trabalho ou prestador).
- Motivo/assunto e unidade/destino (ex.: bloco, sala, apartamento, setor).
- Responsável interno que autorizou/receberá.
- Horário de entrada e, depois, horário de saída.
- Placa do veículo (se entrar com veículo) e tipo (carro/moto/utilitário).
Evite registrar informações como filiação, endereço residencial, foto do documento, ou observações pessoais, a menos que a política interna e a legislação aplicável justifiquem e exista proteção adequada.
Boas práticas de registro: padronização e campos obrigatórios
Campos obrigatórios recomendados
| Campo | Regra | Exemplo |
|---|---|---|
| Nome completo | Sem abreviações; conforme documento | “Mariana Souza Pereira” |
| Tipo e nº do documento | Selecionar tipo + digitar número | “CNH 01234567890” |
| Empresa (se aplicável) | Nome jurídico/padrão interno | “Alfa Manutenção Ltda.” |
| Destino | Unidade/setor/sala | “Bloco B, Sala 203” |
| Responsável | Nome + setor/unidade | “Carlos Lima (TI)” |
| Motivo | Categoria padronizada | “Manutenção / Ar-condicionado” |
| Entrada | Automático ou manual com formato | “27/01/2026 09:14” |
| Placa (se veículo) | Formato padrão; sem espaços | “ABC1D23” |
Padronização que evita retrabalho
- Nomes: sempre “Nome Sobrenome” completo; não usar apelidos.
- Empresas: manter lista pré-cadastrada (quando possível) para evitar variações como “Alfa”, “ALFA LTDA”, “Alfa Manut.”.
- Placas: registrar em caixa alta e sem hífen/espaço (ex.:
ABC1D23). - Horários: usar formato único (ex.:
DD/MM/AAAA HH:MM), preferencialmente automático pelo sistema. - Motivos: usar categorias (ex.: Visita, Reunião, Entrega, Manutenção, Vistoria) e um campo curto de detalhe quando necessário.
Exemplo de registro bem feito (modelo)
Nome: Mariana Souza Pereira Documento: CNH 01234567890 Empresa: Alfa Manutenção Ltda. Motivo: Manutenção / Ar-condicionado Destino: Bloco B, Sala 203 Responsável: Carlos Lima (TI) Veículo: Sim Placa: ABC1D23 Entrada: 27/01/2026 09:14Passo a passo prático: identificação e liberação
- Solicitar documento: peça um documento oficial com foto (ou conforme política local).
- Conferir visualmente: foto, integridade, legibilidade, datas/validade e coerência.
- Comparar com a pessoa: confirmar semelhança e validar um dado (ex.: data de nascimento).
- Validar autorização: checar se há pré-autorização/cadastro ou confirmar com o responsável interno.
- Registrar dados mínimos: preencher campos obrigatórios com padronização.
- Orientar destino e regras: indicar para onde ir e eventuais restrições operacionais (ex.: aguardar liberação, acompanhar, áreas permitidas).
- Controlar saída: registrar horário de saída e eventuais ocorrências objetivas (ex.: “saída com veículo, placa conferida”).
Quando a pessoa não possui documento
Sem documento, o risco de erro de identificação aumenta. O procedimento deve ser previsível e baseado em regra interna.
Protocolo sugerido (ajuste à política do local)
- Negar liberação imediata para áreas controladas até validação alternativa.
- Oferecer alternativas permitidas: documento digital oficial (se aceito), contato com responsável para validação, ou reagendamento.
- Confirmar com o responsável (telefone/ramal/canal oficial): registrar quem autorizou e em que condições.
- Aplicar restrições quando autorizado sem documento: acesso apenas ao ponto de encontro, permanência limitada, acompanhamento obrigatório, ou outra medida definida.
- Registrar ocorrência de forma objetiva: “Visitante sem documento; responsável X autorizou acesso restrito até Y”.
Se a política do local exigir documento obrigatório, a orientação é simples: sem documento, sem acesso, com registro do motivo e encaminhamento para solução (buscar documento, retornar em outro momento).
Quando há inconsistências ou suspeita de fraude
Tipos comuns de inconsistência
- Foto não corresponde claramente à pessoa.
- Nome informado difere do documento.
- Documento com sinais de adulteração ou ilegível.
- Autorização não encontrada e responsável não confirma.
Protocolo de escalonamento (passo a passo)
- Interromper a liberação com linguagem neutra: “Preciso validar algumas informações antes de liberar o acesso.”
- Rever o documento e solicitar um segundo documento, se disponível.
- Validar com fonte independente: cadastro prévio, lista de autorizados do dia, contato com responsável interno por canal oficial.
- Acionar supervisão/segurança conforme matriz de escalonamento (ex.: supervisor de portaria, segurança patrimonial, gestor do setor).
- Definir ação conforme orientação recebida: negar acesso, liberar com restrição, ou direcionar para área de espera.
- Registrar ocorrência com fatos observáveis (sem acusações): “Documento com rasura no campo X; responsável não confirmou; acesso não liberado; supervisor Y acionado às HH:MM”.
O que evitar ao registrar e ao comunicar
- Evitar termos acusatórios: “falso”, “fraude”, “golpe” (use “inconsistência”, “divergência”, “não foi possível validar”).
- Evitar registrar características pessoais desnecessárias (comentários sobre aparência, nacionalidade, etc.).
- Evitar discutir em público; conduzir para um ponto de atendimento adequado, quando possível.
Validação de dados em sistemas e listas: cuidados práticos
Conferência de cadastro prévio
- Buscar por nome completo e, quando possível, por documento para evitar homônimos.
- Confirmar destino e responsável antes de liberar.
- Se houver divergência entre cadastro e documento, tratar como inconsistência e validar com o responsável.
Erros comuns e como prevenir
- Homônimos: sempre confirmar documento e data de nascimento quando houver nomes iguais.
- Placa digitada errada: repetir a placa em voz alta e confirmar; se possível, conferir visualmente no veículo.
- Empresa com grafias diferentes: usar lista padronizada; quando não existir, registrar nome completo e depois solicitar padronização.
- Horário manual: preferir registro automático; se manual, usar formato único e revisar antes de salvar.