O que são rondas na entrada e por que elas existem
Ronda na entrada é uma verificação periódica e padronizada do ambiente imediato do controle de acesso (portas, portões, fechaduras, iluminação, câmeras visíveis, áreas de espera e pontos cegos) para identificar falhas de segurança, sinais de tentativa de invasão e condições que favoreçam incidentes. Diferente de “andar sem objetivo”, a ronda é curta, focada, registrada e feita sem comprometer o atendimento do posto.
O objetivo é reduzir oportunidades para arrombamento, invasão, acesso não autorizado e situações de risco, detectando cedo: anomalias físicas (marcas, danos, folgas), comportamentos suspeitos e mudanças no ambiente (luz queimada, câmera obstruída, portão que não fecha, objetos deixados em local incomum).
Princípios para rondas eficientes sem abandonar o posto
1) Ronda curta, frequente e previsível para você (não para terceiros)
Prefira rondas rápidas (2 a 5 minutos) em intervalos definidos pelo procedimento local, com foco em pontos críticos. Evite rotinas rígidas e “horários marcados” que possam ser observados por quem pretende burlar a segurança.
2) Campo de visão e controle do atendimento
Antes de sair, garanta que o acesso principal esteja sob controle: portões/portas em modo seguro, barreiras ativas, e que você consiga retornar rapidamente. Se houver fluxo de pessoas/veículos, priorize o atendimento e adie a ronda por poucos minutos, registrando o motivo quando aplicável.
3) Ronda em “camadas”
Divida a área em camadas: (a) linha do acesso (porta/portão), (b) entorno imediato (calçada, recuo, área de espera), (c) pontos cegos e laterais. Em horários de maior movimento, execute apenas a camada (a) e (b); em horários de menor movimento, inclua (c).
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4) Segurança pessoal
Não faça ronda em locais isolados sem condições mínimas de segurança. Se houver risco, solicite apoio conforme o protocolo interno. A ronda não deve colocar o profissional em situação vulnerável.
O que verificar: checklist por elementos
Portas, portões e barreiras
- Fechamento completo: verifique se encosta e trava sem esforço, sem “rebote” ou necessidade de empurrar repetidamente.
- Folgas e desalinhamento: observe se há folga anormal, porta “caída”, portão raspando no chão, batentes soltos.
- Travas e eletroímãs: teste o acionamento (quando permitido) e confirme se a trava mantém o fechamento.
- Dobradiças, trilhos e roldanas: ruídos novos, parafusos ausentes, desgaste visível, trilho obstruído.
- Fechos auxiliares: cadeados, correntes, travas internas e pinos; verifique integridade e sinais de manipulação.
Fechaduras e pontos de arrombamento
- Marcas recentes: riscos, amassados, arranhões ao redor do cilindro, batente ou maçaneta.
- Resíduos incomuns: limalha metálica, pó, fragmentos de plástico/metal próximos à fechadura.
- Chaves “presas” ou giro irregular: pode indicar dano interno ou tentativa de violação.
Iluminação e visibilidade
- Luzes queimadas ou piscando: registre e solicite manutenção; áreas escuras aumentam pontos cegos.
- Sombras e ofuscamento: verifique se refletores estão apontados corretamente e não cegam o operador ou câmeras.
- Iluminação de emergência: quando aplicável, confirme presença e condição aparente.
Câmeras visíveis e ambiente monitorado
- Obstruções: teias, sujeira, folhas, adesivos, objetos ou placas improvisadas bloqueando visão.
- Posicionamento: câmeras “viradas” para outro lado, inclinadas ou com suporte frouxo.
- Indícios de sabotagem: cabos aparentes mexidos, caixas abertas, marcas de impacto.
Área de espera e entorno do acesso
- Organização: bancos, cones, correntes e demarcações no lugar (quando existirem).
- Objetos abandonados: sacolas, caixas, mochilas, ferramentas; trate como ocorrência e siga o protocolo local.
- Veículos parados sem motivo: especialmente com ocupantes observando o acesso.
- Rotas de aproximação: verifique se há obstáculos que facilitem esconderijo (entulho, vegetação alta, painéis soltos).
Pontos cegos e laterais
- Ângulos mortos: locais fora do alcance visual direto do posto e das câmeras.
- Barreiras improvisadas: tapumes, placas, caçambas, caminhões estacionados criando esconderijos.
- Acessos secundários: portinholas, portas de serviço, grades laterais, passagens técnicas.
Passo a passo prático de uma ronda focada na entrada (2 a 5 minutos)
Passo 1: Preparar o posto (30 a 60 segundos)
- Garanta que o acesso principal esteja em condição segura (portas/portões fechados conforme rotina).
- Observe rapidamente o fluxo: se houver chegada iminente, aguarde para não interromper o atendimento.
- Leve um meio de registro (bloco, formulário impresso ou sistema) e, quando aplicável, lanterna.
Passo 2: Linha do acesso (60 a 90 segundos)
- Inspecione visualmente fechaduras, batentes, dobradiças e trilhos.
- Verifique se o portão/porta fecha e trava corretamente (teste apenas se o procedimento permitir).
- Observe sinais recentes: marcas, folgas, peças faltando, ruídos anormais.
Passo 3: Entorno imediato e área de espera (60 a 90 segundos)
- Varra com os olhos a área de espera e a calçada/recuo: pessoas paradas, veículos observando, objetos abandonados.
- Confirme iluminação funcionando e sem pontos de sombra críticos.
- Cheque se há obstáculos criando esconderijos próximos ao acesso.
Passo 4: Pontos cegos prioritários (30 a 60 segundos)
- Olhe rapidamente laterais e cantos que não aparecem do posto.
- Procure sinais de tentativa de acesso: grades mexidas, portinholas entreabertas, marcas em muros.
Passo 5: Retorno e registro (30 a 60 segundos)
- Retorne ao posto e registre: horário, itens verificados, anomalias e ações tomadas.
- Se houver anomalia, classifique (baixa, média, alta criticidade) e acione manutenção/apoio conforme o caso.
Lista de verificação por turno (início, meio e fim)
Use a lista como padrão mínimo. Adapte ao local (quantidade de portões, acessos secundários, áreas técnicas).
Início do turno (checagem de prontidão)
- Portas/portões: fechamento e travamento; integridade de dobradiças/trilhos; ausência de folgas anormais.
- Fechaduras e cadeados: sem marcas de violação; funcionamento normal (quando permitido testar).
- Iluminação: lâmpadas funcionando; refletores alinhados; áreas críticas iluminadas.
- Câmeras visíveis: sem obstrução; suportes firmes; sem sinais de sabotagem.
- Área de espera: limpa, organizada, sem objetos abandonados.
- Pontos cegos: verificação rápida de laterais e acessos secundários.
- Condições do entorno: veículos suspeitos, pessoas observando, alterações no ambiente (tapumes, entulho, vegetação).
Meio do turno (checagem de manutenção e comportamento)
- Repetir itens críticos: portões/portas, iluminação e pontos cegos.
- Foco em mudanças: o que apareceu desde o início do turno (novo veículo parado, objeto deixado, luz que apagou).
- Área de espera: permanência prolongada de pessoas sem justificativa; tentativas de aproximação do portão.
- Integridade do perímetro imediato: grades, muros e portinholas próximas ao acesso.
Fim do turno (checagem de entrega de posto)
- Portas/portões: confirmar condição final (fechado/travado conforme rotina do local).
- Ocorrências: revisar registros do turno e pendências (manutenção solicitada, acompanhamento necessário).
- Iluminação: confirmar funcionamento para o próximo período (especialmente se entrar horário noturno).
- Câmeras visíveis: confirmar sem obstruções e com posicionamento correto.
- Área de espera e entorno: remover/encaminhar achados conforme protocolo; registrar itens não resolvidos.
Como registrar ocorrências de forma útil (modelo prático)
Registro bom é objetivo, verificável e acionável. Evite termos vagos como “estranho” sem descrever o que foi visto.
Campos mínimos recomendados
- Data e horário
- Local exato: “portão social”, “porta lateral direita”, “ponto cego ao lado da guarita”, etc.
- Tipo: manutenção, segurança, comportamento suspeito, integridade física, iluminação, câmera.
- Descrição objetiva: o que foi observado (marcas, danos, pessoa/veículo, direção, ações).
- Evidências: número da câmera relacionada, foto (se permitido), identificação de testemunhas.
- Ação tomada: “isolado”, “portão mantido fechado”, “apoio acionado”, “manutenção solicitada”.
- Resultado/pendência: resolvido, aguardando manutenção, monitorar, repassar ao próximo turno.
Exemplos de registro (bem escrito)
| Situação | Registro recomendado |
|---|---|
| Luz queimada | “19:40 — Iluminação: refletor do acesso de pedestres (lado esquerdo) apagado. Área ficou com sombra no canto próximo ao muro. Solicitação de manutenção aberta às 19:45. Até reparo, ronda a cada 30 min no ponto cego.” |
| Sinal de violação | “02:15 — Porta lateral de serviço: marcas recentes de ferramenta no batente e cilindro com arranhões. Porta permanece fechada, mas com folga maior que o normal. Apoio acionado às 02:18; área preservada sem manusear a fechadura. Monitoramento por câmera X intensificado.” |
| Comportamento suspeito | “21:05 — Veículo sedan escuro estacionado em frente ao acesso por 12 min, ocupantes observando o portão e usando celular. Ao notar movimentação, saiu sentido avenida. Placa não identificada. Registrado e informado para intensificar vigilância no entorno.” |
Sinais de tentativa de invasão, arrombamento ou preparação
Indícios físicos comuns
- Marcas de alavanca em batentes, grades, portões e fechaduras.
- Parafusos ausentes, suportes frouxos, dobradiças com pinos mexidos.
- Trilhos obstruídos propositalmente (pedras, madeira) para impedir fechamento total.
- Fita, cola, papelão ou objetos finos próximos a trincos (tentativa de travar/enganar fechamento).
- Câmera “virada”, suja de forma incomum, ou com sinais de toque/impacto.
- Iluminação desligada sem motivo aparente (disjuntor acionado, sensor coberto).
Indícios comportamentais no entorno
- Pessoa rondando sem destino, observando rotinas, testando portões, puxando maçanetas.
- Duplas: um distrai no acesso enquanto outro observa laterais/pontos cegos.
- Uso de capuz/boné para ocultar rosto, permanência em ângulos fora das câmeras.
- Veículo com ocupantes aguardando e observando, repetindo passagens (“voltas” no quarteirão).
Como agir ao perceber sinais de invasão/arrombamento (procedimento seguro)
1) Priorize segurança e preservação
- Não confronte sozinho nem tente “testar” a resistência do local danificado.
- Evite tocar em fechaduras, batentes, ferramentas ou objetos suspeitos (preserva evidências e reduz risco).
- Mantenha portas/portões em condição segura e reduza acessos desnecessários.
2) Aumente controle do acesso imediatamente
- Restrinja abertura de portões ao mínimo necessário e com atenção redobrada.
- Direcione pessoas para área segura e visível, evitando aproximação do ponto suspeito.
- Se houver mais de um acesso, priorize o mais controlável e suspenda uso de acessos secundários quando permitido.
3) Acione apoio conforme o protocolo local
- Comunique a supervisão/segurança local e, quando previsto, autoridades competentes.
- Informe de forma objetiva: local exato, o que foi visto, horário aproximado e se há suspeitos nas proximidades.
4) Intensifique monitoramento e registre
- Observe câmeras relacionadas e anote: horários, direção de fuga, características de pessoas/veículos.
- Registre a ocorrência com detalhes e marque como alta criticidade quando houver dano/violação.
5) Se houver suspeito no local
- Mantenha distância e barreiras físicas; evite discussão.
- Use comunicação curta e firme para orientar limites (“por favor, permaneça na área de espera”).
- Não saia do posto para perseguir; mantenha o controle do acesso e aguarde apoio.
Equilibrando vigilância e atendimento: técnicas de operação
Ronda por gatilhos (além do horário)
Além das rondas programadas, faça microchecagens quando ocorrerem gatilhos: luz apagou, chuva forte, barulho metálico, veículo parado por tempo incomum, movimentação em ponto cego, mudança no fluxo.
Microchecagens de 10 a 20 segundos
- Olhar rápido para batente/fechadura ao abrir/fechar o portão.
- Varredura visual da área de espera antes de autorizar qualquer entrada.
- Checagem de iluminação e sombras ao anoitecer.
Regra do “posto nunca vazio” (adaptação prática)
- Se estiver sozinho e o local exigir presença contínua, substitua rondas longas por microchecagens e verificação por ângulos (janelas, visor, câmeras).
- Quando houver apoio, combine: um mantém atendimento e outro executa a ronda, com retorno e registro imediato.
- Se precisar se ausentar por necessidade operacional, faça isso no menor tempo possível e com o acesso em modo seguro.
Como lidar com fila sem perder segurança
- Em pico de movimento, priorize integridade do acesso: portão não deve ficar aberto “para agilizar”.
- Faça rondas completas em janelas de menor fluxo; no pico, execute apenas a camada crítica (linha do acesso e área de espera).
- Se notar comportamento suspeito durante atendimento, interrompa a rotina de forma segura: reduza aberturas, peça que aguardem e acione apoio.
Roteiro rápido de ronda (para imprimir)
Ronda Entrada — 2 a 5 min 1) Linha do acesso: porta/portão fecha e trava? marcas? folgas? 2) Fechaduras/cadeados: sinais de violação? giro irregular? 3) Iluminação: luz queimada/sombra crítica/ofuscamento? 4) Câmeras visíveis: obstrução? suporte solto? sinais de sabotagem? 5) Área de espera: objetos abandonados? permanência sem motivo? 6) Pontos cegos: laterais/cantos/acessos secundários ok? 7) Registro: horário + achados + ação tomada + pendências