Controle de Acesso na Prática: Rotinas de Ronda na Entrada e Verificações de Segurança

Capítulo 11

Tempo estimado de leitura: 11 minutos

+ Exercício

O que são rondas na entrada e por que elas existem

Ronda na entrada é uma verificação periódica e padronizada do ambiente imediato do controle de acesso (portas, portões, fechaduras, iluminação, câmeras visíveis, áreas de espera e pontos cegos) para identificar falhas de segurança, sinais de tentativa de invasão e condições que favoreçam incidentes. Diferente de “andar sem objetivo”, a ronda é curta, focada, registrada e feita sem comprometer o atendimento do posto.

O objetivo é reduzir oportunidades para arrombamento, invasão, acesso não autorizado e situações de risco, detectando cedo: anomalias físicas (marcas, danos, folgas), comportamentos suspeitos e mudanças no ambiente (luz queimada, câmera obstruída, portão que não fecha, objetos deixados em local incomum).

Princípios para rondas eficientes sem abandonar o posto

1) Ronda curta, frequente e previsível para você (não para terceiros)

Prefira rondas rápidas (2 a 5 minutos) em intervalos definidos pelo procedimento local, com foco em pontos críticos. Evite rotinas rígidas e “horários marcados” que possam ser observados por quem pretende burlar a segurança.

2) Campo de visão e controle do atendimento

Antes de sair, garanta que o acesso principal esteja sob controle: portões/portas em modo seguro, barreiras ativas, e que você consiga retornar rapidamente. Se houver fluxo de pessoas/veículos, priorize o atendimento e adie a ronda por poucos minutos, registrando o motivo quando aplicável.

3) Ronda em “camadas”

Divida a área em camadas: (a) linha do acesso (porta/portão), (b) entorno imediato (calçada, recuo, área de espera), (c) pontos cegos e laterais. Em horários de maior movimento, execute apenas a camada (a) e (b); em horários de menor movimento, inclua (c).

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4) Segurança pessoal

Não faça ronda em locais isolados sem condições mínimas de segurança. Se houver risco, solicite apoio conforme o protocolo interno. A ronda não deve colocar o profissional em situação vulnerável.

O que verificar: checklist por elementos

Portas, portões e barreiras

  • Fechamento completo: verifique se encosta e trava sem esforço, sem “rebote” ou necessidade de empurrar repetidamente.
  • Folgas e desalinhamento: observe se há folga anormal, porta “caída”, portão raspando no chão, batentes soltos.
  • Travas e eletroímãs: teste o acionamento (quando permitido) e confirme se a trava mantém o fechamento.
  • Dobradiças, trilhos e roldanas: ruídos novos, parafusos ausentes, desgaste visível, trilho obstruído.
  • Fechos auxiliares: cadeados, correntes, travas internas e pinos; verifique integridade e sinais de manipulação.

Fechaduras e pontos de arrombamento

  • Marcas recentes: riscos, amassados, arranhões ao redor do cilindro, batente ou maçaneta.
  • Resíduos incomuns: limalha metálica, pó, fragmentos de plástico/metal próximos à fechadura.
  • Chaves “presas” ou giro irregular: pode indicar dano interno ou tentativa de violação.

Iluminação e visibilidade

  • Luzes queimadas ou piscando: registre e solicite manutenção; áreas escuras aumentam pontos cegos.
  • Sombras e ofuscamento: verifique se refletores estão apontados corretamente e não cegam o operador ou câmeras.
  • Iluminação de emergência: quando aplicável, confirme presença e condição aparente.

Câmeras visíveis e ambiente monitorado

  • Obstruções: teias, sujeira, folhas, adesivos, objetos ou placas improvisadas bloqueando visão.
  • Posicionamento: câmeras “viradas” para outro lado, inclinadas ou com suporte frouxo.
  • Indícios de sabotagem: cabos aparentes mexidos, caixas abertas, marcas de impacto.

Área de espera e entorno do acesso

  • Organização: bancos, cones, correntes e demarcações no lugar (quando existirem).
  • Objetos abandonados: sacolas, caixas, mochilas, ferramentas; trate como ocorrência e siga o protocolo local.
  • Veículos parados sem motivo: especialmente com ocupantes observando o acesso.
  • Rotas de aproximação: verifique se há obstáculos que facilitem esconderijo (entulho, vegetação alta, painéis soltos).

Pontos cegos e laterais

  • Ângulos mortos: locais fora do alcance visual direto do posto e das câmeras.
  • Barreiras improvisadas: tapumes, placas, caçambas, caminhões estacionados criando esconderijos.
  • Acessos secundários: portinholas, portas de serviço, grades laterais, passagens técnicas.

Passo a passo prático de uma ronda focada na entrada (2 a 5 minutos)

Passo 1: Preparar o posto (30 a 60 segundos)

  • Garanta que o acesso principal esteja em condição segura (portas/portões fechados conforme rotina).
  • Observe rapidamente o fluxo: se houver chegada iminente, aguarde para não interromper o atendimento.
  • Leve um meio de registro (bloco, formulário impresso ou sistema) e, quando aplicável, lanterna.

Passo 2: Linha do acesso (60 a 90 segundos)

  • Inspecione visualmente fechaduras, batentes, dobradiças e trilhos.
  • Verifique se o portão/porta fecha e trava corretamente (teste apenas se o procedimento permitir).
  • Observe sinais recentes: marcas, folgas, peças faltando, ruídos anormais.

Passo 3: Entorno imediato e área de espera (60 a 90 segundos)

  • Varra com os olhos a área de espera e a calçada/recuo: pessoas paradas, veículos observando, objetos abandonados.
  • Confirme iluminação funcionando e sem pontos de sombra críticos.
  • Cheque se há obstáculos criando esconderijos próximos ao acesso.

Passo 4: Pontos cegos prioritários (30 a 60 segundos)

  • Olhe rapidamente laterais e cantos que não aparecem do posto.
  • Procure sinais de tentativa de acesso: grades mexidas, portinholas entreabertas, marcas em muros.

Passo 5: Retorno e registro (30 a 60 segundos)

  • Retorne ao posto e registre: horário, itens verificados, anomalias e ações tomadas.
  • Se houver anomalia, classifique (baixa, média, alta criticidade) e acione manutenção/apoio conforme o caso.

Lista de verificação por turno (início, meio e fim)

Use a lista como padrão mínimo. Adapte ao local (quantidade de portões, acessos secundários, áreas técnicas).

Início do turno (checagem de prontidão)

  • Portas/portões: fechamento e travamento; integridade de dobradiças/trilhos; ausência de folgas anormais.
  • Fechaduras e cadeados: sem marcas de violação; funcionamento normal (quando permitido testar).
  • Iluminação: lâmpadas funcionando; refletores alinhados; áreas críticas iluminadas.
  • Câmeras visíveis: sem obstrução; suportes firmes; sem sinais de sabotagem.
  • Área de espera: limpa, organizada, sem objetos abandonados.
  • Pontos cegos: verificação rápida de laterais e acessos secundários.
  • Condições do entorno: veículos suspeitos, pessoas observando, alterações no ambiente (tapumes, entulho, vegetação).

Meio do turno (checagem de manutenção e comportamento)

  • Repetir itens críticos: portões/portas, iluminação e pontos cegos.
  • Foco em mudanças: o que apareceu desde o início do turno (novo veículo parado, objeto deixado, luz que apagou).
  • Área de espera: permanência prolongada de pessoas sem justificativa; tentativas de aproximação do portão.
  • Integridade do perímetro imediato: grades, muros e portinholas próximas ao acesso.

Fim do turno (checagem de entrega de posto)

  • Portas/portões: confirmar condição final (fechado/travado conforme rotina do local).
  • Ocorrências: revisar registros do turno e pendências (manutenção solicitada, acompanhamento necessário).
  • Iluminação: confirmar funcionamento para o próximo período (especialmente se entrar horário noturno).
  • Câmeras visíveis: confirmar sem obstruções e com posicionamento correto.
  • Área de espera e entorno: remover/encaminhar achados conforme protocolo; registrar itens não resolvidos.

Como registrar ocorrências de forma útil (modelo prático)

Registro bom é objetivo, verificável e acionável. Evite termos vagos como “estranho” sem descrever o que foi visto.

Campos mínimos recomendados

  • Data e horário
  • Local exato: “portão social”, “porta lateral direita”, “ponto cego ao lado da guarita”, etc.
  • Tipo: manutenção, segurança, comportamento suspeito, integridade física, iluminação, câmera.
  • Descrição objetiva: o que foi observado (marcas, danos, pessoa/veículo, direção, ações).
  • Evidências: número da câmera relacionada, foto (se permitido), identificação de testemunhas.
  • Ação tomada: “isolado”, “portão mantido fechado”, “apoio acionado”, “manutenção solicitada”.
  • Resultado/pendência: resolvido, aguardando manutenção, monitorar, repassar ao próximo turno.

Exemplos de registro (bem escrito)

SituaçãoRegistro recomendado
Luz queimada“19:40 — Iluminação: refletor do acesso de pedestres (lado esquerdo) apagado. Área ficou com sombra no canto próximo ao muro. Solicitação de manutenção aberta às 19:45. Até reparo, ronda a cada 30 min no ponto cego.”
Sinal de violação“02:15 — Porta lateral de serviço: marcas recentes de ferramenta no batente e cilindro com arranhões. Porta permanece fechada, mas com folga maior que o normal. Apoio acionado às 02:18; área preservada sem manusear a fechadura. Monitoramento por câmera X intensificado.”
Comportamento suspeito“21:05 — Veículo sedan escuro estacionado em frente ao acesso por 12 min, ocupantes observando o portão e usando celular. Ao notar movimentação, saiu sentido avenida. Placa não identificada. Registrado e informado para intensificar vigilância no entorno.”

Sinais de tentativa de invasão, arrombamento ou preparação

Indícios físicos comuns

  • Marcas de alavanca em batentes, grades, portões e fechaduras.
  • Parafusos ausentes, suportes frouxos, dobradiças com pinos mexidos.
  • Trilhos obstruídos propositalmente (pedras, madeira) para impedir fechamento total.
  • Fita, cola, papelão ou objetos finos próximos a trincos (tentativa de travar/enganar fechamento).
  • Câmera “virada”, suja de forma incomum, ou com sinais de toque/impacto.
  • Iluminação desligada sem motivo aparente (disjuntor acionado, sensor coberto).

Indícios comportamentais no entorno

  • Pessoa rondando sem destino, observando rotinas, testando portões, puxando maçanetas.
  • Duplas: um distrai no acesso enquanto outro observa laterais/pontos cegos.
  • Uso de capuz/boné para ocultar rosto, permanência em ângulos fora das câmeras.
  • Veículo com ocupantes aguardando e observando, repetindo passagens (“voltas” no quarteirão).

Como agir ao perceber sinais de invasão/arrombamento (procedimento seguro)

1) Priorize segurança e preservação

  • Não confronte sozinho nem tente “testar” a resistência do local danificado.
  • Evite tocar em fechaduras, batentes, ferramentas ou objetos suspeitos (preserva evidências e reduz risco).
  • Mantenha portas/portões em condição segura e reduza acessos desnecessários.

2) Aumente controle do acesso imediatamente

  • Restrinja abertura de portões ao mínimo necessário e com atenção redobrada.
  • Direcione pessoas para área segura e visível, evitando aproximação do ponto suspeito.
  • Se houver mais de um acesso, priorize o mais controlável e suspenda uso de acessos secundários quando permitido.

3) Acione apoio conforme o protocolo local

  • Comunique a supervisão/segurança local e, quando previsto, autoridades competentes.
  • Informe de forma objetiva: local exato, o que foi visto, horário aproximado e se há suspeitos nas proximidades.

4) Intensifique monitoramento e registre

  • Observe câmeras relacionadas e anote: horários, direção de fuga, características de pessoas/veículos.
  • Registre a ocorrência com detalhes e marque como alta criticidade quando houver dano/violação.

5) Se houver suspeito no local

  • Mantenha distância e barreiras físicas; evite discussão.
  • Use comunicação curta e firme para orientar limites (“por favor, permaneça na área de espera”).
  • Não saia do posto para perseguir; mantenha o controle do acesso e aguarde apoio.

Equilibrando vigilância e atendimento: técnicas de operação

Ronda por gatilhos (além do horário)

Além das rondas programadas, faça microchecagens quando ocorrerem gatilhos: luz apagou, chuva forte, barulho metálico, veículo parado por tempo incomum, movimentação em ponto cego, mudança no fluxo.

Microchecagens de 10 a 20 segundos

  • Olhar rápido para batente/fechadura ao abrir/fechar o portão.
  • Varredura visual da área de espera antes de autorizar qualquer entrada.
  • Checagem de iluminação e sombras ao anoitecer.

Regra do “posto nunca vazio” (adaptação prática)

  • Se estiver sozinho e o local exigir presença contínua, substitua rondas longas por microchecagens e verificação por ângulos (janelas, visor, câmeras).
  • Quando houver apoio, combine: um mantém atendimento e outro executa a ronda, com retorno e registro imediato.
  • Se precisar se ausentar por necessidade operacional, faça isso no menor tempo possível e com o acesso em modo seguro.

Como lidar com fila sem perder segurança

  • Em pico de movimento, priorize integridade do acesso: portão não deve ficar aberto “para agilizar”.
  • Faça rondas completas em janelas de menor fluxo; no pico, execute apenas a camada crítica (linha do acesso e área de espera).
  • Se notar comportamento suspeito durante atendimento, interrompa a rotina de forma segura: reduza aberturas, peça que aguardem e acione apoio.

Roteiro rápido de ronda (para imprimir)

Ronda Entrada — 2 a 5 min 1) Linha do acesso: porta/portão fecha e trava? marcas? folgas? 2) Fechaduras/cadeados: sinais de violação? giro irregular? 3) Iluminação: luz queimada/sombra crítica/ofuscamento? 4) Câmeras visíveis: obstrução? suporte solto? sinais de sabotagem? 5) Área de espera: objetos abandonados? permanência sem motivo? 6) Pontos cegos: laterais/cantos/acessos secundários ok? 7) Registro: horário + achados + ação tomada + pendências

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Durante uma ronda na entrada, qual conduta melhor equilibra vigilância e atendimento sem abandonar o posto?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

A rotina indicada é de rondas rápidas (2 a 5 min), por camadas conforme o fluxo, sem deixar o acesso descontrolado. A verificação deve ser objetiva e registrada, com foco em pontos críticos e anomalias.

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