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PRF - Guia Completo de Preparação para o Concurso da Polícia Rodoviária Federal

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Concurso PRF: Estrutura do edital e competências exigidas

Capítulo 1

Tempo estimado de leitura: 11 minutos

+ Exercício

O que é o edital e como ele “vira” prova

O edital é o documento normativo que define as regras do concurso e, principalmente, o recorte do que pode ser cobrado. Ele costuma reunir: (1) regras do certame (inscrição, fases, critérios), (2) estrutura das provas (disciplinas, número de itens, pesos), (3) conteúdo programático, (4) critérios de avaliação (pontuação, eliminação, recursos) e (5) referências a atos normativos (leis, decretos, resoluções) que sustentam o programa e as atribuições do cargo.

Ler o edital de forma técnica significa transformar o texto em um “mapa de cobrança”: identificar onde estão as disciplinas, como cada uma pesa na nota, quais formatos de questão aparecem e quais competências (conhecimentos, habilidades e atitudes) são esperadas do futuro policial rodoviário federal.

Como o edital costuma ser organizado (e o que extrair de cada parte)

1) Disposições gerais e regras do certame

Essa parte define o que é eliminatório, o que é classificatório e quais condições podem impedir a posse. Para leitura técnica, foque em: critérios de eliminação, exigências documentais, prazos e regras de recursos. Isso evita estudar “no escuro” sem entender como a banca pontua e corta candidatos.

2) Estrutura das fases

Em concursos da PRF, é comum haver múltiplas etapas (prova objetiva, redação/discursiva, TAF, avaliações médica/psicológica, investigação social e curso de formação, conforme o edital). Para interpretação técnica, o ponto central é: quais fases têm nota e quais têm caráter apenas eliminatório, além de como uma fase condiciona a outra (ex.: nota mínima por bloco, cláusulas de barreira, convocação por classificação).

3) Provas: disciplinas, número de itens e pesos

O edital geralmente apresenta um quadro com disciplinas/áreas, quantidade de questões e, às vezes, peso por área. Extraia três informações: (a) volume de itens por disciplina, (b) peso relativo (quando houver), (c) existência de nota mínima por disciplina/área. Isso permite medir relevância sem montar cronograma.

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4) Conteúdo programático

É a lista de tópicos que podem ser cobrados. A leitura técnica aqui é “granular”: separar tópicos amplos (ex.: Direito Administrativo) em subitens (atos administrativos, poderes, licitações, etc.) e marcar termos que indicam profundidade (ex.: “conceitos”, “aplicações”, “jurisprudência”, “legislação”).

5) Critérios de correção e penalidades

Em provas objetivas, verifique se há penalização por erro (modelo “certo/errado”) ou se é múltipla escolha sem desconto. Em discursivas, identifique a matriz de correção (conteúdo, estrutura, gramática) e os motivos de nota zero. Esses detalhes mudam a forma como os conteúdos se conectam ao tipo de questão.

6) Referências normativas e anexos

Editais podem citar leis, decretos, resoluções, portarias e manuais. A leitura técnica pede que você liste esses documentos e entenda se são: (a) base direta do conteúdo (cobrança literal), (b) base indireta (contexto), (c) norma de procedimento do concurso (regras administrativas).

Competências exigidas: como o edital sinaliza o perfil do cargo

Mesmo quando o edital não usa a palavra “competência”, ele indica o que será exigido por meio de: atribuições do cargo, conteúdos programáticos e tipos de avaliação. Para a PRF, o recorte costuma envolver competências como interpretação normativa, tomada de decisão com base legal, leitura de dados e relatórios, comunicação escrita (discursiva), e raciocínio lógico aplicado a situações.

Uma forma prática de enxergar competências é associar cada disciplina a um “uso” típico no trabalho: por exemplo, normas de trânsito e legislação correlata tendem a exigir aplicação de regras; português tende a exigir compreensão e produção textual; informática pode exigir domínio de conceitos e segurança da informação; direitos constitucional/administrativo exigem leitura de princípios e regras com aplicação em casos.

Passo a passo para ler e interpretar o edital de forma técnica

Passo 1: Faça uma leitura “de varredura” para localizar as seções-chave

  • Marque onde estão: quadro de disciplinas/itens/pesos, conteúdo programático, critérios de aprovação, regras de recursos, e anexos.
  • Identifique se há nota mínima global e por área/disciplina.
  • Localize o modelo de prova (múltipla escolha, certo/errado, discursiva) e se há penalização por erro.

Passo 2: Transforme o quadro de provas em relevância quantitativa

Quando o edital traz número de itens e pesos, calcule a relevância relativa. Exemplo prático (ilustrativo): se uma disciplina tem 10 itens e peso 2, ela “vale” 20 unidades; outra com 20 itens e peso 1 vale 20 unidades. Assim, ambas têm impacto semelhante na nota, mesmo com quantidades diferentes.

Relevância relativa (unidades) = (nº de itens) x (peso da disciplina/área)

Se não houver peso, use apenas o número de itens como proxy de relevância, mas sempre confirme se existe nota mínima por disciplina (isso pode tornar uma disciplina “crítica” mesmo com poucos itens).

Passo 3: Classifique cada disciplina por risco de eliminação e por impacto na nota

  • Risco de eliminação: existe nota mínima específica? existe cláusula de barreira por bloco? existe corte por desempenho em uma etapa?
  • Impacto na nota: quantidade de itens e peso.
  • Volatilidade: disciplina com cobrança muito literal de lei tende a ser mais previsível; disciplina com enunciados longos e interpretação pode ser mais variável.

Essa classificação não é um plano de estudo; é um diagnóstico do edital para orientar prioridade por relevância dentro de cada disciplina.

Passo 4: Leia o conteúdo programático procurando “marcadores de profundidade”

Nem todo tópico listado tem o mesmo nível de exigência. Procure palavras que indiquem o tipo de domínio esperado:

  • “Conceitos”, “definições”, “noções”: tendência a questões diretas e introdutórias.
  • “Aplicação”, “procedimentos”, “responsabilidades”, “infrações e penalidades”: tendência a casos práticos e situações-problema.
  • “Jurisprudência”, “entendimentos”, “atualizações”: tendência a cobrança de interpretação e posicionamentos consolidados (quando explicitado).
  • Listas extensas de artigos/itens: tendência a cobrança literal e detalhista.

Passo 5: Relacione cada bloco de conteúdo ao tipo de questão

Para mapear como estudar a cobrança (sem cronograma), associe o conteúdo ao formato típico de pergunta. Exemplos práticos de relação conteúdo → questão:

  • Legislação (trânsito, penal, administrativo): enunciados com situação concreta pedindo enquadramento (infração, competência, procedimento) ou itens de “certo/errado” com redação próxima à lei.
  • Língua Portuguesa: interpretação de texto, reescrita, regência/concordância em frases contextualizadas, identificação de sentido e coesão.
  • Raciocínio Lógico/Matemática: problemas com dados e condições; itens que testam inferência, equivalência lógica, contagem, probabilidade (conforme o programa).
  • Informática: conceitos de redes/segurança, sistemas, aplicativos, e boas práticas; itens diretos de definição e itens situacionais (ex.: risco de phishing, permissões, backups).

O objetivo é prever “como a banca pergunta” a partir do que o edital lista, para não tratar todo tópico como se tivesse a mesma forma de cobrança.

Passo 6: Identifique tópicos recorrentes sem montar plano de estudo

Sem depender de um cronograma, você pode detectar recorrência por três fontes: (1) repetição de tópicos no próprio edital (itens semelhantes em subáreas), (2) tópicos que aparecem como “núcleo” em várias disciplinas (ex.: princípios, competências, procedimentos), (3) tópicos que, por natureza, geram muitas variações de questão (ex.: infrações e penalidades, atos administrativos, interpretação de texto).

Procedimento prático:

  • Copie o conteúdo programático para um documento e destaque termos repetidos (ex.: “competência”, “procedimento”, “responsabilidade”, “infrações”).
  • Marque tópicos que se conectam a muitos subitens (ex.: um tópico que serve de base para vários outros).
  • Separe tópicos “de decoreba” (listas, prazos, classificações) de tópicos “de aplicação” (casos, interpretação). Isso ajuda a prever o tipo de erro mais comum.

Passo 7: Mapeie os documentos normativos citados para consulta

Quando o edital cita normas, trate isso como uma lista de fontes oficiais. O mapeamento serve para saber o que consultar e em que versão.

Passo a passo:

  • Faça uma lista com: nome da norma, número, ano, e tema (ex.: “Lei X/ano — assunto”).
  • Classifique cada norma como: cobrança direta (conteúdo programático menciona explicitamente), cobrança indireta (aparece em atribuições/contexto), ou norma administrativa do concurso (regras do certame).
  • Defina a fonte de consulta: preferencialmente repositórios oficiais (diário oficial, site do órgão responsável, portal de legislação).
  • Registre se o edital exige redação “atualizada” até uma data específica; se não houver data, considere a versão vigente até a publicação do edital.

Exemplo de registro (modelo):

Norma: [Nome] — [Número/Ano] — Tema: [assunto central] — Tipo: (direta/indireta/concurso) — Fonte: [link oficial] — Observação: [vigência/alterações]

Checklist de leitura do edital (para não deixar pontos críticos passar)

  • Identifique todas as etapas e o caráter de cada uma (eliminatório/classificatório).
  • Confirme modelo de prova objetiva (múltipla escolha ou certo/errado) e existência de penalização por erro.
  • Verifique número de questões por disciplina e pesos por área (se houver).
  • Procure notas mínimas: global, por área, por disciplina e critérios de desempate.
  • Localize cláusulas de barreira (quantos seguem para a próxima fase).
  • Leia critérios de correção da discursiva (se houver): itens avaliados, nota zero, limites de linhas.
  • Liste todos os documentos exigidos e condições que impedem posse.
  • Copie o conteúdo programático e marque termos que indicam profundidade (conceitos, aplicação, procedimentos, etc.).
  • Liste normas citadas (leis/decretos/resoluções/portarias) e classifique como cobrança direta/indireta.
  • Verifique se há atualizações legislativas consideradas até uma data específica.
  • Confirme regras de recursos: prazos, forma de envio, o que pode ser questionado.

Critérios para priorização por relevância dentro de cada disciplina (sem cronogramas)

Critério 1: Peso/quantidade de itens (impacto estatístico)

Dentro de uma disciplina, priorize subtemas que costumam gerar mais itens porque são “centrais” e se desdobram em vários enunciados. Mesmo sem olhar provas anteriores, o próprio programa indica centralidade quando um tópico aparece com muitos subitens.

Critério 2: Exigência de nota mínima (risco de eliminação)

Se houver nota mínima por área/disciplina, trate os tópicos mais básicos e mais frequentes como prioridade de segurança: conceitos fundamentais, classificações principais e regras gerais que servem de base para exceções.

Critério 3: Densidade normativa (probabilidade de cobrança literal)

Tópicos com muitos artigos, prazos, competências e listas tendem a gerar questões literais e pegadinhas de redação. Priorize: definições legais, hipóteses, exceções e diferenças entre institutos próximos.

Critério 4: Potencial de aplicação em casos (probabilidade de questões situacionais)

Quando o programa menciona procedimentos, infrações, penalidades, responsabilidades e atuação do agente, a cobrança tende a vir em forma de cenário. Priorize: passo a passo do procedimento, autoridade competente, consequências e prazos.

Critério 5: Interseção com outras disciplinas (efeito “multiplicador”)

Subtemas que dialogam com outras áreas aumentam retorno: por exemplo, princípios e competências aparecem em diferentes ramos do Direito; interpretação textual impacta enunciados de todas as disciplinas. Dentro de cada disciplina, marque tópicos que são pré-requisito para entender outros itens do programa.

Critério 6: Ambiguidade e risco de confusão (onde mais se erra)

Priorize tópicos com conceitos parecidos e distinções finas (ex.: categorias, espécies, competências, prazos diferentes). Um sinal de risco é quando o edital lista termos próximos em sequência, sugerindo comparação.

Como transformar o conteúdo programático em um “mapa de cobrança” utilizável

Uma técnica simples é criar uma tabela (mesmo em texto) com quatro colunas: tópico do edital, tipo de cobrança provável, norma associada (se houver) e observações de profundidade. Exemplo de modelo:

Tópico do edital | Cobrança provável | Base normativa | Observações (nível/termos do edital)

Preencha com base no texto do edital: se o tópico cita lei específica, registre; se o tópico fala em “procedimentos”, marque como situacional; se fala em “conceitos”, marque como definicional. Esse mapa ajuda a manter a leitura do edital conectada ao que aparece na prova, sem precisar criar um cronograma.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao interpretar o edital de forma técnica para direcionar os estudos, qual ação melhor transforma o quadro de provas (itens e pesos) em uma medida de relevância?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

A leitura técnica propõe quantificar a relevância usando itens × peso. Quando não há peso, o número de itens serve como proxy, mas é essencial checar nota mínima por disciplina/área, pois isso pode tornar uma disciplina crítica mesmo com poucos itens.

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