O que é “conclusão com síntese, consequência e fechamento”
A conclusão é o último parágrafo da redação e tem uma função específica: arrematar o texto de modo que o leitor perceba que a argumentação chegou a um ponto final lógico. Para isso, uma conclusão eficiente costuma combinar três movimentos: síntese (retomar o essencial do que foi defendido), consequência (mostrar o que decorre do problema e/ou da tese) e fechamento (encerrar com uma frase final que finalize o raciocínio sem abrir novos assuntos).
Esses três movimentos não significam “repetir o texto” nem “inventar um novo argumento”. A síntese é uma retomada enxuta; a consequência é um desdobramento coerente do que já foi dito; e o fechamento é um ponto final argumentativo. Quando bem executada, essa estrutura evita dois erros comuns: (1) terminar de forma abrupta, como se faltasse uma peça; (2) terminar “esticando” o texto com informações novas, o que costuma gerar incoerência e fuga do recorte.
Diferença entre síntese e repetição
Síntese é selecionar o núcleo da tese e dos eixos argumentativos e reescrevê-los de forma mais compacta, com outras palavras. Repetição é copiar a tese da introdução ou refazer frases do desenvolvimento. Em concurso, a síntese é preferível porque demonstra domínio do encadeamento: você mostra que sabe “fechar o circuito” do texto sem depender de copiar trechos anteriores.
O papel da consequência
A consequência é o trecho que dá “peso” à conclusão. Ela pode aparecer como: (a) impacto social, institucional ou individual do problema; (b) risco de manutenção do cenário; (c) benefício esperado caso a tese seja considerada; (d) implicação lógica do que foi defendido. O ponto-chave é: a consequência precisa ser compatível com o recorte e com o que foi argumentado. Se o texto discutiu um problema em nível nacional, a consequência não deve, do nada, virar um caso local; se o texto tratou de políticas públicas, a consequência não deve virar apenas moralização individual.
O que é fechamento (e o que não é)
Fechamento é a frase final que encerra o parágrafo com sensação de completude. Pode ser uma reafirmação final da tese, uma síntese do caminho percorrido ou uma formulação que indique necessidade/urgência/inevitabilidade de enfrentar o problema. O fechamento não é: (1) introduzir um novo exemplo; (2) abrir uma pergunta retórica que não será respondida; (3) trazer um dado novo; (4) mudar o foco do texto; (5) “moral da história” genérica (“é preciso conscientizar a sociedade”).
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Estrutura prática em 3 blocos (modelo aplicável)
Uma forma segura de construir esse tipo de conclusão é pensar em três blocos dentro do mesmo parágrafo. Eles podem ser separados por conectores e pontuação, mas devem formar um todo fluido.
- Bloco 1 — Síntese: retome tese + dois eixos centrais (em 1 a 2 frases).
- Bloco 2 — Consequência: explicite o que acontece se o problema persistir e/ou o que se ganha ao enfrentá-lo (1 frase forte, objetiva).
- Bloco 3 — Fechamento: finalize com uma frase que encerre o raciocínio, sem abrir novas frentes (1 frase).
Em termos de tamanho, a conclusão costuma funcionar bem com 4 a 6 linhas (ou algo próximo disso, dependendo do padrão do concurso). O objetivo é ser suficiente para fechar, mas não longa a ponto de virar um “terceiro desenvolvimento”.
Passo a passo para escrever a conclusão sem travar
Passo 1 — Reescreva a tese em uma frase mais curta
Pegue a ideia central defendida no texto e transforme em uma frase direta. Evite detalhes e exemplos. Pense: “Se eu tivesse que resumir minha posição em uma linha, qual seria?”
Exemplo (tema hipotético: evasão escolar): “A evasão escolar se mantém porque falhas de suporte socioeconômico e fragilidades institucionais impedem a permanência do estudante.”
Passo 2 — Liste os dois pilares do desenvolvimento em palavras-chave
Sem recontar o texto, anote duas palavras ou expressões que representem seus eixos argumentativos (os “porquês” centrais). Isso evita repetição e ajuda a sintetizar.
- Suporte socioeconômico insuficiente
- Gestão/acolhimento escolar falho
Passo 3 — Transforme as palavras-chave em uma síntese de 1 a 2 frases
Agora, una tese + pilares em linguagem de conclusão. Use verbos de retomada: “Dessa forma”, “Assim”, “Portanto”.
Exemplo: “Portanto, a evasão escolar não é um evento isolado, mas resultado da combinação entre vulnerabilidade socioeconômica e respostas institucionais insuficientes para garantir permanência e aprendizagem.”
Passo 4 — Escolha uma consequência coerente (negativa e/ou positiva)
Selecione uma consequência que seja consequência direta do que você defendeu. Você pode optar por:
- Consequência negativa (se nada mudar): perpetuação de desigualdades, baixa qualificação, aumento de vulnerabilidade, sobrecarga de serviços públicos etc.
- Consequência positiva (se enfrentar): melhora de indicadores, mobilidade social, fortalecimento institucional, redução de desigualdades etc.
Exemplo (negativa): “Sem enfrentamento, o abandono escolar tende a perpetuar ciclos de pobreza e limitar a formação de capital humano, com impacto direto na produtividade e na cidadania.”
Note que a consequência não trouxe um novo “motivo” para a evasão; apenas mostrou o desdobramento do cenário já discutido.
Passo 5 — Escreva o fechamento com frase final “de ponto final”
O fechamento deve soar como encerramento. Uma técnica simples é usar uma frase que reafirme a necessidade de ação ou de mudança de rota, sem detalhar medidas (a menos que o seu tipo de redação exija proposta, o que varia por banca).
Exemplo: “Assim, enfrentar as causas estruturais da evasão é condição para que a escola cumpra sua função de inclusão e desenvolvimento social.”
Passo 6 — Revise com um checklist de 30 segundos
- Retomei a tese sem copiar frases?
- Não introduzi argumento novo?
- A consequência decorre do que foi defendido?
- O fechamento encerra, sem perguntas e sem “gancho” para outro assunto?
- O parágrafo está proporcional (não virou longo demais)?
Modelos de conclusão (com variações) para adaptar
A seguir, modelos prontos de estrutura. A ideia é usar como “esqueleto” e substituir os termos pelo seu tema e recorte.
Modelo 1 — Síntese + consequência negativa + fechamento de urgência
Portanto, [retomada da tese com 2 eixos em síntese]. Caso esse cenário persista, [consequência negativa direta]. Desse modo, torna-se indispensável [fechamento com necessidade de enfrentamento], a fim de [efeito final coerente].Modelo 2 — Síntese + consequência positiva + fechamento de viabilidade
Assim, [síntese da tese e dos eixos]. Ao enfrentar tais entraves, é possível [consequência positiva realista]. Logo, [fechamento que reafirma a direção do texto] para que [resultado alinhado ao recorte].Modelo 3 — Síntese em uma frase + consequência em contraste + fechamento assertivo
Em síntese, [tese compacta]. Se, por um lado, a manutenção do problema implica [consequência negativa], por outro, sua superação favorece [consequência positiva]. Portanto, [fechamento assertivo sem abrir novos tópicos].Exemplos completos (tema hipotético) com análise do que funciona
Exemplo A — Tema: desinformação e democracia
Conclusão (parágrafo): “Portanto, a desinformação compromete a qualidade do debate público ao distorcer a percepção coletiva dos fatos e fragilizar a confiança em instituições e fontes confiáveis. Mantido esse cenário, decisões políticas tendem a se apoiar em crenças manipuladas, ampliando a polarização e reduzindo a capacidade de construção de consensos mínimos. Assim, conter a circulação de conteúdos enganosos e fortalecer práticas informacionais responsáveis é condição para a preservação de uma esfera pública democrática.”
Por que funciona:
- Síntese: retoma dois eixos (distorção de fatos + fragilização de confiança) sem repetir o desenvolvimento.
- Consequência: mostra efeito direto (decisões políticas baseadas em crenças manipuladas; polarização).
- Fechamento: encerra com “condição para” e não abre novo argumento.
Exemplo B — Tema: mobilidade urbana e desigualdade
Conclusão (parágrafo): “Dessa forma, a precariedade da mobilidade urbana aprofunda desigualdades ao impor maior tempo de deslocamento e custos indiretos às populações periféricas, além de reduzir o acesso efetivo a oportunidades de trabalho e serviços. Se não houver enfrentamento consistente, a cidade tende a reproduzir barreiras territoriais que segregam e limitam a circulação de direitos. Logo, melhorar a mobilidade não é apenas questão de infraestrutura, mas de equidade e de acesso real à vida urbana.”
Por que funciona:
- Síntese: tempo/custo + acesso a oportunidades (dois eixos claros).
- Consequência: “reproduzir barreiras territoriais” é desdobramento lógico, não um tema novo.
- Fechamento: frase final define o sentido do texto e fecha com força.
Erros frequentes e como corrigir rapidamente
Erro 1 — “Conclusão resumo do resumo” (genérica demais)
Como aparece: “Diante disso, é preciso melhorar essa situação para o bem da sociedade.”
Problema: não retoma tese nem eixos; não há consequência; fechamento vazio.
Correção prática: inclua 2 elementos concretos do seu texto (os eixos) e 1 consequência direta.
Erro 2 — Introduzir argumento novo na última hora
Como aparece: no último parágrafo surge um terceiro fator que não foi trabalhado (por exemplo, “além disso, a mídia…” sem ter sido discutida antes).
Problema: quebra de coerência e sensação de improviso.
Correção prática: transforme o “novo argumento” em consequência (efeito) ou remova.
Erro 3 — Finalizar com pergunta retórica
Como aparece: “Até quando a sociedade vai aceitar isso?”
Problema: abre uma pergunta sem resposta; soa como desabafo.
Correção prática: substitua por frase assertiva de fechamento: “Enfrentar X é indispensável para Y”.
Erro 4 — Tom moralizante e abstrato
Como aparece: “Falta consciência e empatia.”
Problema: generaliza, não fecha o raciocínio do texto e pode parecer julgamento.
Correção prática: volte ao recorte e aos eixos: “Sem medidas que ataquem X e Y, ocorre Z”.
Erro 5 — Conclusão longa demais (vira novo desenvolvimento)
Como aparece: parágrafo com 10–12 linhas, cheio de explicações e exemplos.
Problema: perde impacto e aumenta risco de incoerência.
Correção prática: mantenha 3 blocos: 2 frases de síntese + 1 de consequência + 1 de fechamento. Corte exemplos e detalhes.
Técnicas de estilo para dar força ao fechamento sem exagero
Use verbos de fechamento
Alguns verbos ajudam a sinalizar encerramento: “evidencia-se”, “conclui-se”, “impõe-se”, “torna-se indispensável”, “revela-se”, “configura-se”. Use com moderação para não soar artificial.
Prefira frases finais afirmativas
Uma frase final forte costuma ter estrutura afirmativa e direta. Exemplos de moldes:
- “Enfrentar [problema] é condição para [resultado].”
- “Sem [ação/condição], [efeito negativo] tende a se intensificar.”
- “Somente com [direção geral], será possível [efeito positivo].”
Evite intensificadores vazios
Expressões como “muito”, “extremamente”, “totalmente” podem enfraquecer se não houver precisão. Prefira substantivos e verbos mais exatos (“agrava”, “perpetua”, “limita”, “compromete”).
Mini-roteiro para treinar (exercício guiado)
Para treinar conclusões com síntese, consequência e fechamento, use este roteiro em 5 minutos após escrever qualquer redação:
- 1 minuto: escreva a tese do texto em 12 a 18 palavras.
- 1 minuto: anote dois eixos do desenvolvimento em 2 palavras cada.
- 1 minuto: escreva uma frase de síntese juntando tese + eixos.
- 1 minuto: escreva uma frase de consequência (negativa ou positiva) sem trazer causa nova.
- 1 minuto: escreva uma frase final de fechamento com “condição para”, “imprescindível”, “logo”, “assim”.
Depois, una as três frases em um parágrafo, ajustando conectores e retirando repetições. O objetivo do treino é automatizar a lógica do fechamento para que, na prova, você não dependa de inspiração.