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Bombeiros Militares: Guia Completo de Preparação para Concursos Públicos

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Combate a incêndio e comportamento do fogo para Bombeiros Militares

Capítulo 10

Tempo estimado de leitura: 14 minutos

+ Exercício

Triângulo e tetraedro do fogo

Para entender o combate a incêndio, comece pelos elementos que sustentam a combustão. O triângulo do fogo reúne: combustível (o que queima), comburente (oxigênio do ar, em geral) e calor (energia para iniciar e manter a reação). O tetraedro do fogo acrescenta o quarto elemento: a reação em cadeia (processo químico autoalimentado que mantém a combustão).

Ideia-chave para prova e operação: extinguir é remover ou reduzir pelo menos um desses elementos. Em incêndios reais, muitas vezes você atua em mais de um: resfriar com água (calor), abafar com espuma (oxigênio), retirar/isolamento do combustível (combustível) e interromper reação em cadeia (pó químico e alguns agentes especiais).

Exemplo prático

  • Panela com óleo em chamas: retirar o calor (desligar fonte), abafar (tampa/manta) e evitar água (risco de projeção e expansão violenta).
  • Incêndio em papel/lixo: resfriar com água e, se necessário, afastar materiais adjacentes (reduzir combustível).

Propagação de calor e leitura do incêndio

O fogo se espalha porque o calor se transfere para novos combustíveis, elevando sua temperatura até a ignição. As principais formas de propagação de calor são:

  • Condução: transferência através de um sólido. Ex.: viga metálica aquecida levando calor a outro cômodo.
  • Convecção: transporte pelo movimento de gases quentes e fumaça. Ex.: gases quentes subindo por escada e aquecendo o pavimento superior.
  • Radiação: energia térmica em ondas, sem contato. Ex.: calor irradiado quebrando vidros e aquecendo cortinas próximas.

Na prática, a convecção costuma dominar em ambientes compartimentados: a camada de fumaça quente se acumula no teto, desce com o aumento de temperatura e pode levar a eventos extremos (flashover). A radiação é crítica em incêndios com muita carga térmica e em exposições (proteção de edificações vizinhas).

Sinais operacionais úteis (terminologia comum)

  • Camada neutra: zona onde a pressão interna se iguala à externa; acima tende a sair fumaça, abaixo tende a entrar ar.
  • Fumaça: cor, densidade, velocidade e pulsação ajudam a inferir temperatura e ventilação. Fumaça escura, densa e sob pressão sugere alta energia e ventilação limitada.
  • Rolagem de chamas (rollover): línguas de fogo na camada de gases, indicando gases inflamáveis aquecidos.

Classes de incêndio (classificação e implicações)

A classificação orienta o agente extintor e a técnica. Um resumo prático:

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  • Classe A: sólidos combustíveis comuns (papel, madeira, tecido). Forma brasas. Melhor: água (resfriamento), espuma também pode atuar.
  • Classe B: líquidos inflamáveis/combustíveis e gases inflamáveis (gasolina, solventes, GLP). Melhor: espuma (abafamento) e pó químico; água em jato direto pode espalhar líquido.
  • Classe C: equipamentos energizados. Melhor: agentes não condutores (CO2, pó químico). Após desenergizar, o material passa a ser A ou B conforme o combustível.
  • Classe D: metais pirofóricos/combustíveis (magnésio, sódio, titânio). Melhor: pós especiais; água pode reagir violentamente em alguns casos.
  • Classe K (ou F, conforme norma local): óleos e gorduras de cozinha. Melhor: agente específico (saponificação) e abafamento; água é perigosa.

Armadilhas frequentes em prova

  • “Classe C” não é um tipo de material, e sim uma condição: energizado.
  • Água conduz eletricidade: em C, use jato adequado e distância segura apenas se for procedimento previsto; preferir CO2/pó e desenergizar.
  • Em B, a técnica (neblina/espuma) importa tanto quanto o agente.

Agentes extintores e mecanismos de extinção

Os principais agentes e como atuam no tetraedro:

  • Água: resfriamento (reduz calor). Em neblina, também pode ajudar a deslocar oxigênio localmente e reduzir radiação.
  • Espuma: forma uma película que separa combustível do oxigênio (abafamento) e reduz vaporização em líquidos (B).
  • Pó químico seco (PQS): interrompe reação em cadeia e pode abafar parcialmente. Muito útil em B e C.
  • CO2: desloca oxigênio e resfria superficialmente; bom para C e pequenos focos em B, com atenção ao risco de asfixia em locais confinados.
  • Agentes especiais (classe D e K): formulados para reações específicas (isolamento, saponificação, etc.).

Seleção rápida (raciocínio de prova)

  • Se há brasas e penetração necessária: água (A).
  • Se há superfície líquida com vapores: espuma (B).
  • Se há energia elétrica: CO2/PQS e desenergização (C).
  • Se há metal reativo: pó especial (D).

Técnicas de extinção: resfriamento, abafamento, isolamento e ataque

As técnicas combinam agente, padrão de jato e posicionamento. Conceitualmente:

  • Resfriamento: reduzir temperatura do combustível e dos gases (água).
  • Abafamento: reduzir oxigênio disponível (espuma, CO2, manta, fechamento controlado).
  • Isolamento/retirada: remover combustível ou criar aceiros e afastamentos.
  • Inibição química: interromper reação em cadeia (PQS).

Ataque direto, indireto e combinado

  • Direto: aplicação no material em combustão. Ex.: fogo em colchão (A) com jato sólido ou neblina curta para penetrar e resfriar.
  • Indireto: aplicação na camada de gases/ambiente para resfriar gases e reduzir energia (neblina), comum em compartimentos com alta temperatura.
  • Combinado: pulsos na camada de gases e, em seguida, aplicação no combustível, buscando controlar o ambiente e extinguir o foco.

Passo a passo prático: ataque interno básico (nível conceitual)

  • 1) Avaliar: tipo de ocupação, provável classe do incêndio, ventilação (aberturas), vítimas, rota de fuga e sinais de fogo em gases.
  • 2) Definir linha e esguicho: selecionar diâmetro/linha e padrão (sólido/neblina) conforme objetivo (penetração vs resfriamento de gases).
  • 3) Garantir suprimento: hidrante, viatura, recalque, pressurização e reserva.
  • 4) Entrada controlada: progressão com proteção, controle de porta e aplicação de pulsos curtos na camada de gases quando necessário.
  • 5) Extinção do foco: aplicar no combustível, revirar/inspecionar (overhaul) com cuidado para não reintroduzir oxigênio em ambiente instável.
  • 6) Ventilar de forma coordenada: somente quando houver linha pronta e objetivo definido (ver seção de ventilação).

Ventilação: objetivos, tipos e coordenação

Ventilar não é “tirar fumaça” apenas; é controlar o fluxo de gases e a energia do incêndio. Ventilação mal coordenada pode aumentar a intensidade ao fornecer oxigênio.

Objetivos

  • Melhorar visibilidade e reduzir temperatura para progressão.
  • Reduzir concentração de gases tóxicos.
  • Direcionar fumaça e calor para fora, protegendo rotas e vítimas.

Tipos (visão operacional)

  • Ventilação natural: uso de aberturas existentes (portas/janelas), com controle de porta para limitar entrada de ar.
  • Ventilação vertical: abertura superior (telhado) para liberar gases quentes; exige avaliação estrutural e segurança.
  • Ventilação mecânica (pressão positiva/negativa): ventiladores para controlar fluxo; requer caminho de exaustão definido.

Passo a passo prático: ventilação coordenada (conceitual)

  • 1) Definir objetivo: apoiar ataque? busca e salvamento? proteção de escada?
  • 2) Identificar entrada e exaustão: onde o ar entra e por onde os gases sairão.
  • 3) Coordenar com a linha: abrir exaustão quando a equipe de ataque estiver pronta para aplicar água e controlar o avanço do fogo.
  • 4) Monitorar efeito: se o fogo intensificar ou a fumaça mudar para fluxo mais rápido e escuro, reavaliar e ajustar aberturas.

Flashover e backdraft: prevenção em nível conceitual

Flashover (generalização súbita)

Flashover é a transição rápida para incêndio generalizado em um compartimento, quando a camada de gases e superfícies atingem temperaturas elevadas e ocorre ignição quase simultânea de materiais. Indicadores conceituais: calor extremo, rolagem de chamas, fumaça muito quente e descendo, aumento rápido de radiação.

Prevenção (conceitual): resfriar a camada de gases com aplicação adequada de água em neblina/pulsos curtos, controlar ventilação (não criar entrada de ar descontrolada) e manter rota de escape.

Backdraft (explosão de fumaça)

Backdraft ocorre quando há combustão incompleta em ambiente pobre em oxigênio, acumulando gases inflamáveis; ao entrar ar (abertura de porta/janela), pode haver ignição explosiva. Sinais conceituais: fumaça sob pressão, pulsante, escurecida, janelas enegrecidas, pouca chama visível apesar de muito calor.

Prevenção (conceitual): controle de porta, ventilação planejada (preferir exaustão alta quando possível), resfriamento de gases antes de abrir totalmente e posicionamento fora do eixo de abertura.

Mangotinhos, linhas, esguichos e noções de pressão

Mangotinho

Mangotinho é uma linha semirrígida (geralmente em carretel) usada para primeira intervenção em princípios de incêndio, com rapidez de emprego. É comum em edificações e viaturas. Limitações típicas: menor vazão e alcance em comparação a linhas maiores, podendo ser insuficiente para incêndios desenvolvidos.

Linhas de mangueira

As linhas variam em diâmetro e finalidade (ataque, proteção, abastecimento). Em termos de prova, o raciocínio é: maior diâmetro tende a permitir maior vazão e menor perda de carga relativa, porém com menor mobilidade.

Esguichos (noções)

  • Jato sólido: maior alcance e penetração; útil para atingir o foco e resfriar materiais (A) e para proteção a distância.
  • Neblina: gotas menores, maior área de contato, útil para resfriar gases e reduzir radiação; exige técnica para não “empurrar” fogo ou atrapalhar visibilidade.
  • Regulável: permite alternar padrões conforme a fase do combate.

Noções de pressão e perdas

Pressão adequada no esguicho é necessária para obter vazão e padrão de jato. No caminho, há perdas de carga por atrito na mangueira, conexões, desnível e acessórios. Consequência prática: linhas longas, muitos lances e desnível exigem maior pressão de bombeamento para manter desempenho no esguicho.

Erros comuns: pressão insuficiente (jato “morto”, baixa vazão) e pressão excessiva (recuo elevado, perda de controle e risco à equipe).

Hidrantes e sistemas básicos de combate a incêndio

Em operações urbanas, o suprimento pode vir de hidrantes públicos e de sistemas prediais. Conceitos essenciais:

  • Hidrante de coluna/público: ponto de tomada na via para abastecimento da viatura ou linha direta, dependendo do procedimento local.
  • Rede de hidrantes prediais: pode alimentar hidrantes internos/externos; requer verificação de pressurização (bombas), registros e condições de uso.
  • Sistema de mangotinho predial: destinado a primeiros combates por ocupantes/brigada; pode ser aproveitado, mas deve-se avaliar vazão/alcance e segurança.

Passo a passo prático: estabelecimento de suprimento por hidrante (conceitual)

  • 1) Reconhecer e sinalizar: localizar hidrante, avaliar acessibilidade e segurança viária.
  • 2) Conectar: usar adaptadores e chaves adequadas, garantindo vedação e acoplamento correto.
  • 3) Abrir gradualmente: evitar golpe de aríete e danos; checar vazamentos.
  • 4) Monitorar: observar pressão/vazão disponíveis e ajustar estratégia (mais de um hidrante, reforço por viatura, etc.).

Procedimentos de segurança no combate a incêndio

Segurança é parte da tomada de decisão. Pontos cobrados com frequência:

  • EPI e EPR: uso correto e checagem antes da entrada; gerenciamento de ar (tempo de trabalho e reserva).
  • Dupla e comunicação: atuação em equipe, rádio, sinais e plano de contingência.
  • Controle de porta: reduzir entrada de ar até a linha estar pronta; diminui risco de aceleração do incêndio.
  • Consciência situacional: observar mudanças de fumaça, calor, sons e integridade estrutural.
  • Rota de fuga e ponto de referência: manter orientação em baixa visibilidade; não avançar sem referência.
  • Risco elétrico e gás: identificar quadros, botijões, tubulações; solicitar corte quando possível.
  • Colapso: atenção a sinais (rachaduras, deformações, estalos, queda de revestimentos) e estabelecer zonas de segurança.

Cenários operacionais (tomada de decisão)

Cenário 1: Incêndio em apartamento com porta fechada e fumaça saindo por frestas

Leitura: compartimento possivelmente subventilado, alta energia interna. Risco conceitual de backdraft/flashover ao abrir.

  • Decisão: controlar a porta, preparar linha pressurizada antes de abrir, resfriar gases conforme técnica prevista e coordenar ventilação.
  • Objetivo: reduzir temperatura e controlar fluxo de ar para permitir busca e extinção.

Cenário 2: Fogo em garagem com veículo e presença de combustíveis

Leitura: mistura de classes (A em plásticos/estofados, B em combustíveis), alta carga térmica e fumaça tóxica.

  • Decisão: proteger exposições, usar linha com vazão adequada, considerar espuma para líquidos derramados, atenção a pneus e compartimento do motor.
  • Ventilação: definir exaustão para não empurrar fumaça para rotas de fuga.

Cenário 3: Princípio de incêndio em quadro elétrico energizado

Leitura: classe C enquanto energizado, risco de choque e arco elétrico.

  • Decisão: priorizar desenergização, usar CO2/PQS, manter distância e evitar água/jato condutor.
  • Após desenergizar: reclassificar (A/B) e resfriar/inspecionar pontos quentes.

Cenário 4: Cozinha industrial com óleo em chamas

Leitura: classe K/F, risco de projeção se usar água.

  • Decisão: desligar fonte de calor, aplicar agente adequado (classe K) e abafar; isolar área e evitar movimentar o recipiente.

Questões de treino (terminologia e decisão)

1) (Terminologia) O que o tetraedro do fogo acrescenta ao triângulo do fogo?

Gabarito esperado: a reação em cadeia, além de combustível, comburente e calor.

2) (Propagação) Em um incêndio em cômodo fechado, qual mecanismo mais contribui para aquecer rapidamente o teto e formar camada de fumaça quente?

Gabarito esperado: convecção.

3) (Classe e agente) Incêndio em líquido inflamável derramado no piso: qual agente/técnica é mais indicada?

Gabarito esperado: espuma (abafamento e supressão de vapores) ou PQS conforme disponibilidade; evitar jato de água que espalhe o líquido.

4) (Classe C) Por que um incêndio em equipamento energizado é classificado como C?

Gabarito esperado: porque há risco elétrico e necessidade de agente não condutor; ao desenergizar, a classe passa a depender do material.

5) (Ventilação) Qual o principal risco de ventilar abrindo janelas/portas sem coordenação com a linha de ataque?

Gabarito esperado: aumentar o aporte de oxigênio, intensificando o incêndio e elevando risco de flashover/backdraft.

6) (Sinais) Fumaça escura, densa e pulsante saindo por frestas com pouca chama visível sugere qual fenômeno potencial?

Gabarito esperado: condição favorável a backdraft (ambiente subventilado com gases inflamáveis).

7) (Equipamentos) Em que situação o mangotinho tende a ser mais adequado do que uma linha de maior diâmetro?

Gabarito esperado: princípio de incêndio e intervenção rápida, quando a carga térmica ainda é baixa e a mobilidade é prioridade.

8) (Pressão) Cite duas causas comuns de perda de desempenho no esguicho em linhas longas.

Gabarito esperado: perda de carga por atrito na mangueira e desnível (elevação), além de conexões/acessórios.

9) (Tática) Em ataque interno, por que o controle de porta é uma medida de segurança?

Gabarito esperado: limita a entrada de ar, reduzindo a aceleração do incêndio e o risco de eventos extremos, enquanto a equipe prepara a linha.

10) (Hidrantes) Ao conectar em hidrante, por que abrir o registro gradualmente?

Gabarito esperado: para evitar golpe de aríete e instabilidades no sistema, além de permitir checagem de vazamentos e controle do fluxo.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao identificar um princípio de incêndio em um quadro elétrico ainda energizado, qual conduta e agente extintor são mais indicados para reduzir o risco elétrico durante a intervenção inicial?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Enquanto o equipamento estiver energizado, o incêndio é classe C e exige agente não condutor (CO2/PQS) e foco na desenergização. Água e jatos condutores aumentam o risco de choque e arco elétrico.

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