Classificação dos tipos de risco no Mapa de Riscos e critérios de registro

Capítulo 3

Tempo estimado de leitura: 11 minutos

+ Exercício

Como classificar riscos no Mapa de Riscos (categorias aplicáveis)

No Mapa de Riscos, a classificação serve para organizar a comunicação dos perigos de forma padronizada, permitindo leitura rápida por qualquer pessoa. A regra prática é: classifique pelo “tipo de agente/energia” predominante (categoria) e descreva o perigo com objetividade (fonte + condição + consequência), evitando repetir o mesmo risco com nomes diferentes.

Categorias mais usadas no ambiente de trabalho

  • Riscos físicos: formas de energia e condições ambientais. Exemplos: ruído, vibração, calor/frio, radiações, pressões anormais, umidade, iluminação inadequada (quando causar dano).
  • Riscos químicos: substâncias e misturas que podem entrar no organismo por inalação, pele, ingestão ou contato ocular. Exemplos: solventes, poeiras, fumos metálicos, gases, névoas, vapores, produtos de limpeza concentrados.
  • Riscos biológicos: microrganismos e materiais biológicos. Exemplos: vírus, bactérias, fungos, parasitas, sangue e fluidos, resíduos orgânicos, material perfurocortante contaminado.
  • Riscos ergonômicos: exigências do trabalho sobre o corpo e a mente. Exemplos: levantamento de cargas, posturas forçadas, repetitividade, ritmo intenso, trabalho em pé prolongado, interface inadequada (altura de bancada, alcance), demandas cognitivas elevadas.
  • Riscos de acidentes (ou mecânicos/segurança): condições que podem causar lesões imediatas. Exemplos: partes móveis sem proteção, quedas (mesmo nível/altura), choque elétrico, atropelamento por veículos internos, incêndio/explosão, aprisionamento, cortes, projeção de partículas.

Critério de desempate (quando um perigo “parece” caber em mais de uma categoria): escolha a categoria que melhor representa a fonte principal do dano. Ex.: “vazamento de solvente inflamável” pode envolver químico e acidente; no mapa, registre como acidente se o foco for incêndio/explosão, e como químico se o foco for exposição por inalação/pele. Se ambos forem relevantes, registre como dois perigos distintos, cada um com consequência diferente (sem duplicar a fonte com nomes variados).

Como evitar duplicidades (mesma fonte com termos diferentes)

Duplicidade acontece quando a mesma fonte de perigo aparece várias vezes com rótulos diferentes, dificultando priorização e confundindo quem lê. Para evitar, padronize vocabulário e consolide sinônimos.

Regras práticas anti-duplicidade

  • Uma fonte, um nome padrão: defina um termo “oficial” e use sempre. Ex.: usar sempre “ruído” (não alternar com “barulho”, “som alto”).
  • Separar “perigo” de “efeito”: “ruído” é o perigo; “perda auditiva” é consequência. Não registre “perda auditiva” como se fosse o risco em si.
  • Consolidar por fonte e condição: se a fonte é a mesma e a condição é equivalente, faça um único registro. Ex.: “piso molhado” e “escorregamento” podem virar um registro: “piso molhado sem sinalização → queda ao mesmo nível”.
  • Não duplicar por EPI: “sem protetor auricular” não é um perigo separado; é uma condição de controle insuficiente do perigo “ruído”.
  • Não duplicar por setor se a fonte é compartilhada: quando a mesma fonte afeta áreas contíguas (ex.: compressor), registre no ponto de origem e indique abrangência/área afetada, em vez de repetir em cada sala com nomes diferentes.
  • Usar uma lista de termos controlados: mantenha um glossário interno com 20–50 termos mais comuns (ruído, calor, poeira, solvente, queda de altura, aprisionamento, etc.).

Checklist rápido para “mesmo risco ou risco diferente?”

PerguntaSe “sim”Se “não”
A fonte é a mesma?ContinueProvavelmente é outro perigo
A condição de exposição é equivalente?ContinueSepare (condições diferentes)
A consequência principal é a mesma?Consolide em um registroSepare por consequência (sem renomear a fonte)

Como escrever descrições objetivas: fonte + condição + consequência

Uma descrição objetiva reduz interpretações e facilita ação. Use a estrutura:

FONTE (o que gera o perigo) + CONDIÇÃO (como/onde/quando ocorre a exposição) + CONSEQUÊNCIA (o que pode acontecer)

Modelo de escrita (com exemplos)

  • Físico: “Ruído de prensa + operação contínua sem enclausuramento + perda auditiva/estresse”.
  • Químico: “Vapores de solvente + aplicação manual em área com ventilação insuficiente + irritação respiratória/cefaleia”.
  • Biológico: “Resíduo orgânico + manuseio sem segregação e com contato com pele + infecções/dermatites”.
  • Ergonômico: “Caixas de 25 kg + levantamento do chão acima de 10 vezes/hora + lombalgia/distensões”.
  • Acidente: “Correia/polia exposta + limpeza com máquina energizada + aprisionamento/amputação”.

Regras de linguagem para manter objetividade

  • Evite adjetivos vagos: “alto”, “muito”, “perigoso” sem referência. Prefira condição observável: “sem guarda”, “piso molhado”, “trabalho acima de 2 m”.
  • Evite “causas genéricas”: “falta de atenção” não é fonte nem condição controlável. Troque por condição do sistema: “sinalização ausente”, “procedimento inexistente”, “layout com cruzamento de fluxo”.
  • Uma frase, um perigo: não junte vários agentes na mesma linha (“ruído e poeira e calor…”). Separe por fonte.
  • Use termos verificáveis: “sem exaustão local”, “proteção removida”, “cabo danificado”, “armazenamento acima da capacidade”.

Passo a passo prático para classificar e registrar sem duplicar

Passo 1 — Identifique a fonte principal

Pergunte: “o que, fisicamente, gera o perigo?” (máquina, substância, microrganismo, tarefa, condição do ambiente, energia). Escreva a fonte com um termo padrão do seu glossário.

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Passo 2 — Defina a categoria pela natureza do agente

Classifique em físico/químico/biológico/ergonômico/acidente conforme a natureza predominante. Se houver duas consequências relevantes de naturezas diferentes, trate como dois registros (mesma fonte, consequências distintas), mantendo consistência de nome.

Passo 3 — Descreva a condição de exposição

Registre o “como/onde/quando” de forma observável: tarefa, frequência, ponto do processo, falha de barreira, ausência de proteção, ventilação, segregação, altura, energia disponível (energizado/desenergizado).

Passo 4 — Declare a consequência plausível

Escolha consequências típicas e coerentes com a fonte e condição. Evite listas longas; priorize 1–2 consequências principais para leitura rápida.

Passo 5 — Verifique duplicidade antes de finalizar

  • Compare com registros existentes: a fonte já está no mapa com outro nome?
  • Se sim, consolide e ajuste a descrição para cobrir a condição real (sem criar “apelidos”).
  • Se a condição for diferente (ex.: “piso molhado” em doca externa vs. “piso oleoso” em manutenção), mantenha dois registros, mas com fonte/condição claramente distintas.

Passo 6 — Decida onde registrar: mapa vs. anexos técnicos

Use critérios objetivos (abaixo) para manter o mapa legível e, ao mesmo tempo, tecnicamente completo.

Critérios claros: o que entra no mapa e o que vai para anexos técnicos

O que deve entrar no Mapa de Riscos

  • Perigos relevantes para a rotina: presentes no dia a dia da área, mesmo que controlados.
  • Perigos com potencial de dano significativo: mesmo que a probabilidade seja baixa, se a consequência for grave (ex.: queda de altura, choque elétrico, explosão).
  • Perigos que exigem comportamento imediato: pontos onde a pessoa precisa “ver e agir” (ex.: área de empilhadeira, partes móveis, produtos químicos em uso).
  • Perigos com exposição coletiva: afetam várias pessoas (ex.: ruído ambiental, poeira em suspensão, calor em área produtiva).
  • Perigos com histórico de incidentes: recorrência indica necessidade de destaque.

O que normalmente fica em anexos técnicos (sem poluir o mapa)

  • Detalhes de medições e laudos: dosimetria de ruído, avaliações quantitativas, relatórios laboratoriais, curvas de ventilação, cálculos.
  • Listas completas de produtos e FISPQ: no mapa, cite a família/uso (“solvente de limpeza”), e no anexo mantenha a lista por código/fornecedor.
  • Inventários extensos: relação de máquinas, ferramentas e componentes; no mapa, destaque apenas fontes críticas.
  • Procedimentos e permissões: PT, APR, bloqueio e etiquetagem; no mapa, referencie a necessidade (“atividade requer bloqueio”), e deixe o procedimento no anexo/sistema.
  • Planos de manutenção e inspeções: periodicidades, checklists e registros.

Regra de ouro para decidir

Se a informação é necessária para entender o perigo e se proteger no local, entra no mapa. Se é necessária para comprovar tecnicamente, detalhar parâmetros ou auditar controles, vai para anexo.

Como tratar riscos temporários (manutenções, obras, paradas)

Riscos temporários são aqueles que surgem por um período definido (horas, dias, semanas) e podem alterar drasticamente a exposição. O erro comum é ignorá-los por “não serem rotina” ou, ao contrário, colocá-los no mapa permanente e gerar ruído de comunicação.

Classificação prática de temporalidade

  • Temporário recorrente: acontece com frequência previsível (ex.: manutenção semanal, troca de filtros mensal). Deve ser registrado no mapa se ocorre na área e expõe pessoas com regularidade, com descrição indicando a condição (“durante manutenção”).
  • Temporário não recorrente: obra, reforma, parada geral anual, comissionamento. Deve ser tratado como mapa temporário (ou sobreposição) e documentação específica.
  • Emergencial: correções urgentes, vazamentos, falhas. Tratar via gestão de mudanças/controle operacional e comunicação imediata; registrar como lição aprendida se virar recorrente.

Passo a passo para registrar riscos temporários sem distorcer o mapa permanente

Passo 1 — Defina a duração e a área afetada

Ex.: “obra civil por 3 semanas no corredor A”; “parada de 48h na linha 2”.

Passo 2 — Liste perigos temporários por categoria (com a mesma regra fonte + condição + consequência)

  • Acidente: “Trabalho em altura + montagem de andaime no mezanino + queda de altura”.
  • Químico: “Fumos de solda + soldagem em área sem exaustão local + irritação respiratória”.
  • Físico: “Ruído de martelete + demolição durante turno + perda auditiva”.
  • Acidente: “Circulação de caminhão munck + movimentação de carga em via compartilhada + atropelamento/colisão”.

Passo 3 — Escolha o formato de comunicação

  • Sobreposição temporária no mapa: camada/folha adicional com marcações apenas do período da atividade.
  • Mapa específico da atividade: para paradas e obras grandes, um mapa dedicado por frente de trabalho.
  • Sinalização temporária no local: cones, fitas, placas móveis, isolamento, rotas alternativas (sem substituir o registro documental).

Passo 4 — Defina critérios de entrada e saída

Estabeleça gatilhos claros: “entra quando a PT é emitida/obra inicia”; “sai quando a área é liberada e inspecionada”. Isso evita que riscos temporários permaneçam “eternos” no mapa.

Passo 5 — Evite duplicidade com o mapa permanente

Se o perigo já existe na rotina (ex.: empilhadeira), não crie um novo registro só porque há obra. Em vez disso, registre a nova condição no mapa temporário: “empilhadeira + rota desviada por obra + risco de colisão em curva cega”.

Exemplos de registros bem feitos (e como corrigir registros ruins)

Registro ruimProblemaRegistro recomendado (fonte + condição + consequência)Categoria
“Barulho excessivo”Vago e sem fonte“Ruído de compressor + operação contínua em sala sem isolamento acústico + perda auditiva”Físico
“Produto químico”Genérico“Vapores de desengraxante + aplicação manual sem exaustão local + irritação respiratória”Químico
“Risco de queda”Sem condição“Abertura no piso + ausência de guarda/cobertura durante manutenção + queda de altura”Acidente
“Má postura”Sem fonte/condição“Bancada baixa + montagem com tronco flexionado por >2h/dia + dor lombar”Ergonômico
“Contaminação”Sem agente“Resíduos biológicos + segregação inadequada e contato com pele + infecção/dermatite”Biológico

Mini-padrão de registro (para padronizar a equipe)

Para manter consistência entre áreas e pessoas diferentes, adote um padrão simples de preenchimento (mesmo que o mapa final seja visual):

Categoria: (Físico/Químico/Biológico/Ergonômico/Acidente)  Fonte: (termo padrão)  Condição: (tarefa + situação observável + quando)  Consequência: (1–2 principais)  Observação: (se é temporário, recorrente, área afetada)

Exemplo preenchido:

Categoria: Acidente  Fonte: Partes móveis (eixo)  Condição: ajuste com equipamento energizado e sem proteção fixa  Consequência: aprisionamento/amputação  Observação: ocorre em setup; reforçar bloqueio e proteção

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao registrar um perigo no Mapa de Riscos que poderia se encaixar em mais de uma categoria, qual critério deve orientar a escolha da classificação?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Quando um perigo parece caber em mais de uma categoria, a classificação deve seguir a fonte principal do dano. Se houver focos distintos (ex.: incêndio/explosão vs. exposição), registre como perigos separados, com consequências diferentes, sem renomear a mesma fonte.

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Envolvimento das equipes na identificação e validação do Mapa de Riscos

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