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Preparatório Nacional para Concursos da Polícia Militar em todo o Brasil

Novo curso

30 páginas

Cidadania, Direitos Humanos e Ética no Serviço Público

Capítulo 12

Tempo estimado de leitura: 6 minutos

+ Exercício

Cidadania: conceito e aplicação no cotidiano policial

Cidadania é o exercício de direitos e deveres que permite a participação do indivíduo na vida social, política e comunitária. No contexto da Polícia Militar, cidadania aparece tanto na forma como o cidadão é atendido quanto na postura do agente público ao aplicar a lei com respeito à dignidade humana.

Elementos práticos da cidadania no serviço policial

  • Igualdade de tratamento: atendimento sem discriminação por raça/cor, gênero, orientação sexual, religião, origem, condição social ou aparência.
  • Respeito ao devido processo: agir dentro das competências legais, evitando “atalhos” que violem garantias.
  • Participação e diálogo: orientar, informar e encaminhar o cidadão para serviços adequados, quando cabível.
  • Responsabilização: registrar corretamente ocorrências e prestar contas do ato administrativo e operacional.

Exemplo prático

Em uma abordagem, o policial explica de forma objetiva o motivo da ação, solicita documentos quando houver fundamento, mantém linguagem respeitosa e encerra a interação com orientação clara (por exemplo, sobre como recuperar um documento ou como registrar um boletim), reduzindo conflito e aumentando a confiança pública.

Direitos Humanos: noções essenciais para concursos e para a rua

Direitos Humanos são direitos inerentes a todas as pessoas, voltados à proteção da dignidade, liberdade e igualdade. Para provas, é comum a cobrança de princípios e de situações práticas: uso da força, tratamento de pessoas vulneráveis, integridade física, legalidade, não discriminação e garantias básicas em abordagens e conduções.

Princípios que costumam ser cobrados

  • Dignidade da pessoa humana: base para interpretar condutas e limites de atuação.
  • Legalidade e necessidade: agir com fundamento e apenas no necessário para o objetivo legítimo.
  • Proporcionalidade: resposta compatível com o risco e a resistência apresentada.
  • Não discriminação: proibição de tratamento desigual injustificado.
  • Proteção de vulneráveis: atenção especial a crianças/adolescentes, idosos, pessoas com deficiência, pessoas em sofrimento mental e vítimas de violência.

Direitos Humanos em ocorrências comuns

  • Abordagem: deve ter motivação operacional (fundada suspeita, prevenção, fiscalização em contexto definido), com respeito e sem humilhação.
  • Busca pessoal: realizada dentro dos critérios legais e com técnica, evitando exposição desnecessária.
  • Uso da força: escalonado, com prioridade para meios menos lesivos, cessando quando o objetivo for alcançado.
  • Condução: preservação da integridade física, comunicação clara do motivo e registro fiel do ocorrido.
  • Custódia e integridade: dever de proteção; maus-tratos e tortura são vedados e geram responsabilização.

Exemplo prático

Em uma ocorrência de desentendimento familiar, a equipe separa as partes, identifica sinais de risco, evita exposição pública, orienta sobre medidas de proteção e registra com precisão, priorizando a segurança da vítima e a prevenção de novas agressões.

Ética no Serviço Público: conduta, deveres e riscos

Ética no serviço público é o conjunto de valores e padrões de conduta que orienta o agente estatal a agir com integridade, imparcialidade e foco no interesse público. Na Polícia Militar, ética se traduz em decisões rápidas e corretas, mesmo sob pressão, e em rejeição a vantagens indevidas.

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Pilares da ética aplicados à atividade policial

  • Impessoalidade: tratar todos conforme a lei, sem favorecimentos ou perseguições.
  • Integridade: não aceitar propina, presentes indevidos ou “favores” em troca de facilidades.
  • Transparência e registro: relatar fatos com fidelidade, sem omissões intencionais.
  • Responsabilidade: assumir consequências do ato e cumprir protocolos.
  • Sigilo funcional: proteger informações sensíveis, compartilhando apenas com quem tem necessidade institucional.

Condutas vedadas e situações de risco

  • Vantagem indevida: dinheiro, bens, descontos, “cortesias” ou serviços para influenciar atuação.
  • Abuso de autoridade: exceder limites legais, constranger sem base, usar força desnecessária.
  • Desvio de finalidade: usar recursos públicos para interesse particular.
  • Quebra de sigilo: repassar dados de ocorrência, investigações ou informações pessoais sem autorização.
  • Conflito de interesses: atuar em situação em que haja interesse pessoal, familiar ou econômico relevante.

Passo a passo prático: tomada de decisão ética em ocorrências

Use este roteiro mental para reduzir erros, padronizar condutas e demonstrar profissionalismo.

1) Verifique a base legal e a competência

  • Qual é o fato? Qual norma/procedimento se aplica?
  • Minha atuação é necessária agora? Há alternativa institucional (encaminhamento, apoio, acionamento de órgão competente)?

2) Identifique riscos e vulnerabilidades

  • Há risco iminente à vida ou integridade?
  • Há crianças, idosos, pessoas com deficiência, vítima de violência ou pessoa em sofrimento mental?

3) Escolha a medida menos lesiva eficaz

  • Comece por comunicação e comandos claros.
  • Escalone apenas se houver resistência/ameaça, e pare quando cessar o risco.

4) Garanta respeito e não discriminação

  • Evite linguagem ofensiva, ironias e exposição desnecessária.
  • Padronize critérios: o que você faria se fosse outra pessoa na mesma situação?

5) Preserve provas e registre com fidelidade

  • Descreva fatos observáveis (o que viu, ouviu, apreendeu), horários e local.
  • Evite suposições; se houver dúvida, registre como informação de terceiros.

6) Preste contas e encaminhe corretamente

  • Oriente o cidadão sobre próximos passos (registro, medidas protetivas, atendimento médico, assistência social).
  • Acione apoio quando necessário e cumpra fluxos internos.

Passo a passo prático: abordagem cidadã (com foco em respeito e segurança)

1) Preparação e posicionamento

  • Observe ambiente, rotas, comportamento e riscos.
  • Posicione-se com segurança, evitando atitudes intimidatórias sem necessidade.

2) Comunicação inicial

  • Apresente-se de forma objetiva (quando viável) e informe o motivo da abordagem.
  • Use tom firme, porém respeitoso; dê instruções claras e curtas.

3) Procedimentos com proporcionalidade

  • Solicite documentos e realize verificação conforme protocolo.
  • Se houver busca, faça com técnica, preservando a dignidade e evitando exposição.

4) Encerramento e orientação

  • Se nada constar, finalize com orientação breve e respeitosa.
  • Se houver encaminhamento, explique o motivo e o procedimento, mantendo registro adequado.

Como o tema aparece em prova: padrões de cobrança

O que o examinador costuma avaliar

  • Reconhecimento de condutas compatíveis com dignidade, legalidade e proporcionalidade.
  • Identificação de abuso, discriminação, excesso e desvio de finalidade.
  • Capacidade de aplicar princípios a casos concretos (situações-problema).

Modelo de situação-problema (para treinar)

Cenário: durante fiscalização, um motorista oferece “um valor” para evitar autuação. Resposta esperada: recusar a vantagem, manter a atuação regular, registrar o fato conforme protocolo e acionar superior/órgão competente, preservando evidências e evitando negociação.

Checklist rápido (memorização): Legalidade → Necessidade → Proporcionalidade → Respeito → Registro → Encaminhamento

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Durante uma fiscalização, um motorista oferece dinheiro para evitar a autuação. Qual conduta está mais alinhada à ética no serviço público e aos Direitos Humanos?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

A conduta correta exige integridade e impessoalidade: recusar vantagem indevida, agir dentro da legalidade e registrar com fidelidade, prestando contas e acionando os canais institucionais.

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