Checklists Padronizados para Rondas e Vigilância Preventiva

Capítulo 10

Tempo estimado de leitura: 10 minutos

+ Exercício

O que é um checklist padronizado e por que ele melhora a ronda

Checklist padronizado é uma lista estruturada de itens a verificar, com critérios claros de marcação e campos mínimos para registro. Ele transforma a observação do vigilante em um registro comparável ao longo do tempo, reduzindo variações entre turnos e pessoas. Na prática, um bom checklist ajuda a: garantir que pontos essenciais não sejam esquecidos; facilitar auditoria e supervisão; acelerar a tomada de decisão quando há não conformidade; gerar dados para correções recorrentes (ex.: mesma porta encontrada destrancada em horários específicos).

Critérios de boa padronização (o que não pode faltar)

1) Itens observáveis (evitar subjetividade)

Prefira itens que possam ser verificados visualmente, por teste simples ou por leitura de indicador. Evite termos vagos como “ambiente ok”.

  • Ruim: “Área segura”.
  • Bom: “Portão do perímetro fechado e travado (cadeado/lacre íntegro)”.
  • Bom: “Extintor com manômetro na faixa verde e acesso desobstruído”.

2) Linguagem objetiva e padronizada

Use frases curtas, sempre no mesmo padrão: Objeto + condição esperada. Ex.: “Quadro elétrico: porta fechada e sem sinais de aquecimento”. Evite sinônimos diferentes para a mesma coisa (ex.: “trancado/fechado com chave/fechado e lacrado”) se isso não for um critério distinto.

3) Campos obrigatórios de registro

Defina campos mínimos para que o checklist seja válido e rastreável:

  • Data e hora (preferencialmente com início e fim da verificação).
  • Local (área, subárea e ponto/ID do checkpoint).
  • Status do item (Conforme/Não conforme/Não aplicável).
  • Evidência (descrição objetiva e/ou referência a foto/vídeo/medição).
  • Ação tomada (o que foi feito no momento, por quem, e para quem foi comunicado).

4) Níveis de resposta consistentes (C/NC/NA)

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  • Conforme (C): atende ao critério esperado.
  • Não conforme (NC): não atende ao critério esperado (exige evidência e ação).
  • Não aplicável (NA): item não se aplica ao local/condição (ex.: “doca” em dia sem operação, ou “gerador” em site sem gerador).

5) Evidência e anexos (quando usar)

Defina regra simples: toda NC deve ter evidência mínima. Evidência pode ser: foto do cadeado rompido, número do lacre, leitura de manômetro, registro de alarme, identificação do painel, ou descrição objetiva do achado. Campo de anexos deve permitir referência (ex.: “Foto 01”, “Vídeo 02”, “Áudio 03”) e, se aplicável, número de chamado/ordem de serviço.

Como construir checklists por tipo de área (modelo prático)

Uma forma eficiente é criar um checklist-base com campos comuns e, em seguida, módulos por área. Assim, você mantém o padrão e só varia o conteúdo técnico.

Passo a passo para montar o checklist por área

  • Passo 1 — Defina a unidade de verificação: área (ex.: Perímetro) e subáreas (ex.: Portões, Cercas, Iluminação externa).
  • Passo 2 — Liste itens observáveis por subárea: cada item deve ter critério claro de “conforme”.
  • Passo 3 — Atribua criticidade (opcional, mas recomendado): Alta/Média/Baixa para priorização de resposta e supervisão.
  • Passo 4 — Defina evidência mínima para NC: foto obrigatória, registro de número, ou descrição padronizada.
  • Passo 5 — Defina ações padrão por tipo de NC: ex.: “Isolar área”, “Comunicar manutenção”, “Registrar ocorrência e informar supervisão”.
  • Passo 6 — Teste em campo e ajuste: rode por 1 semana e revise itens que geram dúvida, duplicidade ou demora excessiva.

Exemplos de itens por tipo de área

Perímetro (cercas, muros, portões, iluminação externa)

  • Cerca/muro: sem danos visíveis, sem pontos de escalada facilitada (objetos encostados).
  • Portões: fechados e travados; dobradiças e trilhos sem sinais de violação.
  • Lacres/cadeados: íntegros e com numeração conferida (quando aplicável).
  • Iluminação externa: funcionando (pontos críticos sem lâmpadas apagadas).
  • Vegetação: não obstruindo câmeras, sensores ou visibilidade.

Doca (acesso de carga/descarga, portas, sinalização, área de manobra)

  • Portas de doca: fechadas quando sem operação; travas funcionais.
  • Área de doca: sem volumes abandonados fora de área designada.
  • Sinalização e demarcação: visíveis; rotas de pedestres desobstruídas.
  • Controle de acesso: credenciais/visitantes conforme procedimento local (registrar exceções como NC).
  • Integridade de selos/lacres de cargas (quando aplicável): conferidos e registrados.

Escritórios (salas administrativas, recepção, áreas comuns)

  • Portas de acesso restrito: fechadas e com controle ativo (sem “calço” improvisado).
  • Janelas: fechadas fora do horário; sem sinais de arrombamento.
  • Armários/arquivos sensíveis: fechados quando exigido.
  • Objetos de valor/equipamentos: sem abandono em áreas de circulação (se política interna exigir).
  • Rotas de fuga: desobstruídas; portas corta-fogo sem travamento indevido.

Salas técnicas (elétrica, TI, CFTV, geradores, bombas)

  • Acesso: porta fechada; controle de acesso funcionando; sem presença não autorizada.
  • Quadros/painéis: sem alarmes visíveis; sem odor de queimado; sem aquecimento anormal perceptível.
  • Cabos e racks: organizados; sem cabos soltos em passagem; sem improvisos.
  • Ambiente: sem infiltração; sem água no piso; ventilação/climatização operante (quando houver indicador).
  • Extintores e sinalização: presentes, acessíveis e dentro do padrão.

Estacionamento (interno/externo, vagas, circulação, pedestres)

  • Iluminação: pontos críticos iluminados; lâmpadas apagadas registradas.
  • Câmeras (quando visíveis): sem obstrução; domos íntegros; sem sinais de vandalismo.
  • Portões/cancelas: operantes; sem travamento indevido; sem acesso “por fora”.
  • Áreas de pedestres: faixas e rotas desobstruídas; sinalização visível.
  • Veículos suspeitos/abandonados: identificados e registrados conforme política local.

Como construir checklists por tipo de risco (módulos transversais)

Além do checklist por área, crie módulos por risco para garantir consistência em diferentes locais. Esses módulos podem ser anexados a qualquer área quando aplicável.

Passo a passo para montar o checklist por risco

  • Passo 1 — Defina o risco e o que é observável: sinais, condições e indicadores verificáveis.
  • Passo 2 — Converta em itens com critério de conformidade: “o que deve estar verdadeiro”.
  • Passo 3 — Defina gatilhos de ação: quais NC exigem ação imediata vs. registro e encaminhamento.
  • Passo 4 — Padronize evidências: foto do extintor, leitura de indicador, número de painel, etc.

Módulo de risco: Incêndio

  • Extintores: presentes, acesso desobstruído, manômetro na faixa adequada, lacre/pino íntegro.
  • Hidrantes/mangueiras (se houver): armário acessível e lacre íntegro.
  • Rotas de fuga: desobstruídas; portas corta-fogo sem travas indevidas.
  • Materiais combustíveis: armazenados em local adequado; sem acúmulo anormal em áreas técnicas.
  • Sinais de aquecimento/curto: odor de queimado, fumaça, marcas em tomadas/painéis (registrar como NC).

Módulo de risco: Acesso (intrusão e controle de entrada)

  • Portas e portões: fechados e travados; sem calços; sem fechaduras danificadas.
  • Credenciais: uso conforme regra local; exceções registradas.
  • Barreiras físicas: sem violação (grades, cercas, lacres).
  • Áreas restritas: sem presença não autorizada; sinalização de restrição visível.
  • Pontos cegos: obstruções novas (caixas, pallets) que criem cobertura para intrusão.

Módulo de risco: Energia (continuidade e segurança elétrica)

  • Quadros elétricos: portas fechadas; sem sinais de aquecimento; sem ruídos anormais.
  • No-break/UPS (se houver): sem alarmes visíveis; indicadores dentro do normal (quando houver display).
  • Gerador (se houver): sem vazamentos visíveis; área limpa; acesso restrito.
  • Cabos e extensões: sem improvisos em áreas de circulação; sem cabos danificados aparentes.
  • Ambiente técnico: sem água no piso; sem infiltração próxima a equipamentos.

Módulo de risco: Integridade física (quedas, colisões, agressões, condições inseguras)

  • Piso: seco e sem obstáculos; sinalização de “piso molhado” quando aplicável.
  • Escadas/corrimãos: íntegros; iluminação adequada.
  • Áreas de manobra: sem obstruções; separação pedestre/veículo respeitada.
  • Portas e vidros: sem trincas perigosas; sem ferragens expostas.
  • Condições de conflito: aglomeração, discussão, comportamento agressivo (registrar como NC e acionar protocolo local).

Estrutura recomendada do checklist (campos e layout)

Campos fixos (cabeçalho)

  • Unidade/Planta:
  • Área:
  • Subárea/Ponto (ID):
  • Data:
  • Hora início:
  • Hora fim:
  • Responsável (nome e matrícula/ID):
  • Condições (opcional): clima/iluminação/ocupação (útil para perímetro e estacionamento).

Campos por item

  • Item (texto padronizado).
  • Status: C / NC / NA.
  • Evidência: texto curto + referência de anexo (se houver).
  • Ação tomada: medida imediata, comunicação, encaminhamento.
  • Responsável acionado (se aplicável): manutenção, supervisão, brigada, TI etc.
  • Prazo (se aplicável): imediato / até X horas / até data.

Modelo de checklist (pronto para copiar e adaptar)

CHECKLIST PADRONIZADO — RONDA / VIGILÂNCIA PREVENTIVA (MODELO)  SEM TEXTO LIVRE DESNECESSÁRIO  USAR C/NC/NA  NC EXIGE EVIDÊNCIA + AÇÃO  CABEÇALHO Unidade/Planta: __________________________  Área: __________________________  Subárea/Ponto (ID): __________________________  Data: ____/____/______  Hora início: ____:____  Hora fim: ____:____  Responsável (nome/ID): __________________________  Condições (opcional): Clima: ______  Iluminação: ______  Ocupação: ______  TABELA DE VERIFICAÇÃO (marcar C/NC/NA)  # | Item (observável) | Critério de conformidade | Status (C/NC/NA) | Evidência (descrição + anexo) | Ação tomada (o que/quem/quando)  1 | Portão principal | Fechado e travado; sem sinais de violação | __ | __________________________ | __________________________  2 | Cerca/muro | Sem danos; sem objetos que facilitem escalada | __ | __________________________ | __________________________  3 | Iluminação externa | Funcionando nos pontos críticos | __ | __________________________ | __________________________  4 | Porta área restrita | Fechada; controle de acesso ativo; sem calço | __ | __________________________ | __________________________  5 | Quadro elétrico (sala técnica) | Porta fechada; sem odor/ruído/aquecimento anormal | __ | __________________________ | __________________________  6 | Extintor (ponto X) | Acesso livre; manômetro ok; lacre/pino íntegro | __ | __________________________ | __________________________  7 | Rotas de fuga | Desobstruídas; porta corta-fogo sem travas indevidas | __ | __________________________ | __________________________  8 | Estacionamento (setor Y) | Iluminação ok; sem obstruções em rotas pedestres | __ | __________________________ | __________________________  OBSERVAÇÕES (somente fatos objetivos, sem opinião): ____________________________________________________________________________  ANEXOS (referências): [ ] Foto(s)  [ ] Vídeo(s)  [ ] Áudio  [ ] Registro de alarme  [ ] Chamado/OS nº: ____________  ASSINATURA/VALIDAÇÃO (se aplicável): __________________________

Regras práticas para reduzir erros de preenchimento

Padronize o que é “NC” com exemplos

Crie um guia rápido (1 página) com exemplos típicos de NC por área. Ex.: “Porta corta-fogo com calço = NC”, “Extintor obstruído por caixa = NC”, “Lâmpada apagada em ponto crítico = NC”. Isso reduz divergência entre vigilantes.

Use IDs de pontos e nomenclatura fixa

Em vez de “porta do fundo”, use “PRT-03 (Fundos)”. Em vez de “câmera do estacionamento”, use “CFTV-EST-05”. Isso facilita evidência e manutenção.

Limite o tamanho do checklist por ronda

Se ficar longo demais, divida por subárea ou por turnos. Checklists extensos aumentam marcação automática sem verificação real. Prefira itens essenciais e observáveis.

Defina quando usar NA

NA não é “não vi” ou “não deu tempo”. NA é “não existe” ou “não se aplica naquela condição”. Se não foi verificado, deve ser tratado como NC operacional (conforme regra interna) ou como item pendente, mas não como NA.

Padronize ações mínimas para NC

Para cada tipo de NC, defina ação mínima esperada. Ex.: “Acesso violado” exige: isolar, comunicar supervisão, registrar evidência. “Iluminação apagada” exige: registrar ponto, abrir chamado, sinalizar risco se necessário.

Exemplo preenchido (para treinamento)

#ItemStatusEvidênciaAção tomada
1Portão principal fechado e travadoCSem anexoSem ação
2Iluminação externa (poste P-04)NCLâmpada apagada; Foto 01; P-04 identificadoRegistrado e comunicado à manutenção; Chamado/OS nº 18452; reforço de atenção no ponto até correção
3Extintor (corredor sala técnica)NCObstruído por caixa; Foto 02Obstrução removida imediatamente; orientação ao responsável da área; registro para recorrência
4Quadro elétrico (ST-02)CSem anexoSem ação

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao preencher um checklist padronizado durante a ronda, em qual situação o status "Não aplicável (NA)" deve ser utilizado corretamente?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

NA deve ser usado apenas quando o item não existe ou não se aplica naquela condição. Se não foi verificado, não deve ser marcado como NA; deve ser tratado conforme regra interna (pendente ou NC operacional).

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