CFTV Analógico (HD-TVI/HD-CVI/AHD): cabos, conectores e limitações

Capítulo 2

Tempo estimado de leitura: 10 minutos

+ Exercício

O que é “analógico moderno” (HD-TVI/HD-CVI/AHD)

Quando falamos em CFTV analógico hoje, normalmente estamos falando de tecnologias como HD-TVI, HD-CVI e AHD. Elas permitem transmitir vídeo em alta definição (ex.: 1080p, 4MP, 5MP — dependendo do conjunto câmera/DVR) usando a mesma lógica de cabeamento do analógico tradicional: um cabo coaxial levando o sinal de vídeo até um DVR. Na prática, isso facilita upgrades em locais que já têm infraestrutura coaxial instalada.

O vídeo segue pelo coaxial em formato “analógico modulado” (não é IP), e o DVR é quem faz a recepção, a conversão/decodificação, a gravação e a disponibilização para visualização local e remota (quando o DVR tem rede).

O que trafega no cabo

  • Vídeo: pelo coaxial (normalmente com conector BNC).
  • Alimentação: geralmente separada (12V DC ou 24V AC, conforme a câmera), por cabo paralelo ou via fonte centralizada.
  • Áudio/controle: pode existir em alguns cenários, mas não é o padrão “automático” como em IP; depende do modelo e da instalação.

Cabos usados: coaxial e UTP com baluns

Coaxial (padrão mais comum)

O cabo coaxial é o caminho mais direto para HD-TVI/HD-CVI/AHD. Ele tem boa imunidade a ruído quando comparado a pares trançados sem conversão adequada e, por isso, costuma ser a escolha mais previsível em campo.

  • Tipos comuns: RG59 (muito usado), RG6 (melhor para distâncias maiores e menor atenuação, porém mais grosso).
  • Estrutura: condutor central (sinal), dielétrico, malha/blindagem (retorno e proteção contra interferência).
  • Boas práticas: evitar emendas; se inevitáveis, fazer com conectores apropriados e proteção mecânica.

UTP com baluns (quando não há coaxial)

Em alguns projetos, existe cabeamento UTP (par trançado) disponível e a ideia é reaproveitar. Para isso, usa-se balun (adaptador que faz a conversão de impedância e a adaptação do sinal para trafegar no par trançado).

  • Balun passivo: mais simples e barato; funciona bem em distâncias menores e ambientes com menos interferência.
  • Balun ativo: usa eletrônica para compensar perdas; indicado para distâncias maiores e cenários mais críticos.
  • Cuidados: manter o par dedicado por câmera (evitar misturar com dados), respeitar o padrão do fabricante e evitar passar UTP junto de cabos de energia.

Mesmo com baluns, a alimentação da câmera normalmente continua separada (não é PoE). Em alguns casos, dá para levar alimentação pelo mesmo UTP em pares livres, mas isso exige cálculo de queda de tensão e boa prática de separação/bitola.

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Conectores e padrões de alimentação

BNC (vídeo)

O conector mais comum para vídeo analógico moderno é o BNC. Ele pode ser de compressão, crimpagem ou parafuso (estes últimos são mais comuns em instalações rápidas, mas podem ser menos confiáveis a longo prazo).

  • Erros comuns: malha encostando no condutor central (curto), crimpagem frouxa, uso de BNC incompatível com o diâmetro do cabo.
  • Dica prática: ao terminar o cabo, garanta que a malha/blindagem faça contato firme com o corpo do conector e que o condutor central fique bem preso e centralizado.

P4 (alimentação 12V DC)

Muitas câmeras analógicas usam 12V DC com conector P4 (geralmente 5,5 mm externo e 2,1 mm interno, mas confirme no equipamento). O padrão mais comum é positivo no centro.

  • Erros comuns: inversão de polaridade, fonte subdimensionada, cabo fino demais gerando queda de tensão.
  • Boa prática: identificar polaridade com etiqueta e padronizar cores (ex.: vermelho positivo, preto negativo).

Fonte individual vs fonte centralizada

  • Fonte individual: simples para poucas câmeras; manutenção pontual, porém mais tomadas e mais pontos de falha espalhados.
  • Fonte centralizada (caixa de fonte): organiza a alimentação em um ponto; facilita nobreak e manutenção, mas exige atenção com distribuição, fusíveis/saídas e dimensionamento.

Papel do DVR no sistema analógico

O DVR é o “centro” do sistema analógico moderno. Ele recebe os canais de vídeo (BNC), processa o sinal, grava e permite visualização. Alguns pontos práticos:

  • Compatibilidade de tecnologia: nem todo DVR aceita TVI/CVI/AHD ao mesmo tempo; muitos são “multi-HD”, mas é preciso confirmar.
  • Resolução suportada por canal: um DVR pode aceitar 5MP em alguns canais e menos em outros, ou limitar FPS em resoluções maiores.
  • Recursos de detecção: detecção de movimento e analíticos variam; em analógico, parte do “inteligente” pode estar no DVR, parte na câmera (quando suportado).
  • Saídas e rede: HDMI/VGA para monitor local e porta de rede para acesso remoto (o vídeo continua vindo por coaxial, não por IP).

Distâncias típicas e limitações de alcance

O alcance real depende de: qualidade do cabo, bitola, conectores, interferência, resolução/FPS e padrão (TVI/CVI/AHD). Como referência prática (não absoluta):

MeioCenárioFaixa típicaObservações
Coaxial RG591080p~100 a 300 mQualidade do cabo e conectores impacta muito; acima disso pode haver perda/ruído.
Coaxial RG61080p~200 a 500 mMenor atenuação; mais robusto, porém mais difícil de passar em eletrodutos apertados.
UTP + balun passivo1080p~50 a 200 mVaria bastante; sensível a interferência e qualidade do balun.
UTP + balun ativo1080p~200 a 400 mMelhor para longas distâncias; exige alimentação do balun ativo.

Em resoluções maiores (4MP/5MP/8MP), a tendência é reduzir a distância máxima estável, especialmente com cabo de baixa qualidade ou instalações com interferência.

Interferências, aterramento básico e cuidados de instalação

Principais fontes de interferência

  • Cabos de energia próximos: paralelismo longo com 127/220V, motores, bombas, elevadores, ar-condicionado.
  • Laços de terra (ground loop): diferenças de potencial entre pontos de aterramento geram barras/rolagens na imagem.
  • Conectores mal feitos: blindagem interrompida, mau contato, oxidação.
  • Emendas expostas: entrada de umidade, corrosão e variação de impedância.

Aterramento e equipotencialização (visão prática)

Em CFTV analógico, problemas de “imagem com barras” ou ruído podem estar ligados a aterramento inadequado. O objetivo é reduzir diferenças de potencial e melhorar a imunidade a ruído.

  • Padronize o ponto de alimentação: sempre que possível, alimente câmeras e DVR a partir do mesmo sistema elétrico (mesmo quadro/circuito) para reduzir diferença de potencial.
  • Use proteção contra surtos: em áreas com descargas atmosféricas ou rede instável, protetores adequados para vídeo e alimentação ajudam a evitar queima e ruído.
  • Evite “aterrar por improviso”: não conecte malha do coaxial em qualquer metal/estrutura sem critério; isso pode piorar laço de terra.

Se houver suspeita de laço de terra, uma solução comum é o uso de isolador de ground loop no vídeo (BNC) ou revisão do esquema de aterramento e alimentação.

Cuidados de instalação que evitam retrabalho

  • Separação de rotas: passe coaxial/UTP longe de energia; quando cruzar, cruze em 90°.
  • Raio de curvatura: não dobre coaxial “no canto”; isso pode deformar o dielétrico e aumentar perdas.
  • Identificação: etiquete cabos por canal e local (ex.: CAM01-FRENTE).
  • Proteção externa: em área externa, use conduíte e caixas de passagem; vede entradas para evitar água.
  • Teste antes de fechar: valide imagem e alimentação antes de fechar forro, eletroduto ou caixa.

Passo a passo prático: instalação de uma câmera analógica HD por coaxial

1) Planejar o ponto e o trajeto

  • Defina o local da câmera e o local do DVR.
  • Escolha o caminho do cabo evitando paralelismo com energia e pontos de umidade.
  • Estime a distância para decidir RG59 vs RG6 e a bitola do cabo de alimentação.

2) Passar o cabo de vídeo (coaxial)

  • Passe o coaxial inteiro, evitando emendas.
  • Deixe folga técnica nas pontas (ex.: 30–50 cm) para terminar conectores com conforto.

3) Terminar conectores BNC

  • Decape o cabo na medida do conector.
  • Garanta que a malha não encoste no condutor central.
  • Fixe o BNC (compressão/crimpagem) e faça teste de firmeza mecânica.

4) Providenciar alimentação

  • Escolha fonte individual ou centralizada conforme quantidade de câmeras.
  • Calcule corrente total (somatório das câmeras) e adicione margem.
  • Verifique queda de tensão: quanto maior a distância e menor a bitola, maior a perda (sintoma: câmera reinicia à noite com IR ligado).

5) Conectar no DVR e configurar o canal

  • Conecte o BNC no canal correspondente.
  • Se o DVR for multi-tecnologia, selecione o padrão (TVI/CVI/AHD) se necessário.
  • Ajuste resolução/FPS conforme suporte do DVR e da câmera.

6) Testes de imagem e estabilidade

  • Teste de dia e à noite (IR ligado) para validar alimentação.
  • Observe ruídos, barras, tremulação: se aparecer, revise conectores, rota e proximidade com energia.
  • Movimente o cabo próximo aos conectores para detectar mau contato.

Passo a passo prático: usando UTP com balun

1) Escolher o tipo de balun

  • Para distâncias curtas e ambiente limpo: balun passivo.
  • Para distâncias maiores ou ambiente com ruído: balun ativo.

2) Definir pares e padronizar

  • Reserve um par por câmera para vídeo (conforme recomendação do balun).
  • Evite compartilhar o mesmo cabo com rede de dados no mesmo trecho, se possível.

3) Instalar e testar

  • Conecte balun na câmera e no DVR (BNC).
  • Teste imagem; se houver fantasma/ruído, reduza distância, melhore rota, ou migre para balun ativo/coaxial.

Vantagens e limitações práticas do analógico moderno

Vantagens

  • Reaproveitamento de infraestrutura: excelente quando já existe coaxial instalado e em bom estado.
  • Custo por ponto: câmeras e DVR costumam ser competitivos, especialmente em projetos de muitos pontos.
  • Instalação direta: “plug and play” no sentido de ligar BNC e ver imagem, com menos variáveis de rede.
  • Diagnóstico simples: problemas frequentemente se resumem a cabo, conector, fonte e canal do DVR.

Limitações

  • Alimentação separada: exige mais cabos e atenção com queda de tensão.
  • Escalabilidade física: cada câmera ocupa um canal e um cabo dedicado até o DVR (topologia mais “estrela”).
  • Flexibilidade menor: mudanças de layout podem exigir recabeamento até o DVR.
  • Recursos avançados variam: integrações e analíticos podem ser mais limitados do que em soluções IP, dependendo do DVR/câmera.

Quando faz sentido usar analógico em projetos reais

Cenários em que o analógico costuma ser a melhor escolha

  • Upgrade rápido em local com coaxial existente: trocar câmeras e DVR mantendo cabos reduz custo e tempo.
  • Pequenos comércios e residências: 4 a 16 câmeras com distâncias moderadas e necessidade de solução simples.
  • Ambientes com equipe sem foco em rede: quando se quer evitar configuração de rede por câmera.
  • Obras com infraestrutura definida: quando o projeto elétrico já prevê rotas e shafts para coaxial.

Sinais de que o analógico pode não ser o ideal

  • Necessidade de câmeras muito distribuídas: longas distâncias até o DVR ou múltiplos prédios sem rota de coaxial.
  • Expansão frequente: adicionar pontos pode exigir novos cabos até o DVR e troca por DVR maior.
  • Demanda por recursos avançados por câmera: dependendo do nível de analíticos e integração desejados.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Em um sistema de CFTV analógico moderno (HD-TVI/HD-CVI/AHD), qual afirmação descreve corretamente como o vídeo é transportado e qual é o papel do DVR?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

No analógico moderno, o vídeo não é IP: ele trafega pelo coaxial até o DVR. O DVR é o centro do sistema, pois faz a recepção/decodificação, gravação e pode liberar acesso remoto via rede.

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CFTV IP: câmeras de rede, ONVIF, NVR e modos de gravação

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