Este capítulo trabalha com situações-modelo típicas do ambiente bancário, em complexidade progressiva, para treinar raciocínio clínico-ocupacional, tomada de decisão, documentação e interface normativa/previdenciária. O foco é aplicar conceitos já estudados, sem reexplicar teoria geral, por meio de casos com perguntas no estilo concurso e gabarito comentado.
Caso 1: DORT em caixa/atendimento com necessidade de adequação ergonômica
Enunciado
Empregada de 34 anos, atendente de agência, há 6 anos na função. Queixa de dor em punhos e antebraços há 4 meses, pior ao final do expediente e em dias de maior demanda. Refere parestesias noturnas ocasionais em 1º a 3º dedos da mão direita. Nega trauma. Ao exame: dor à palpação em região de epicôndilo lateral direito, teste de Phalen discretamente positivo à direita, força preservada, sem déficit neurológico objetivo. Relata que a estação de trabalho tem teclado alto, apoio de punho rígido e cadeira com ajuste travado. Pausas são “na prática” difíceis devido à fila. Já usou AINE por conta própria. Procura o médico do trabalho para avaliação e orientação.
Conceito aplicado
Quadro compatível com distúrbio osteomuscular relacionado ao trabalho (DORT) em contexto de repetitividade, postura e organização do trabalho. A conduta ocupacional deve integrar avaliação clínica, identificação de fatores de risco no posto, medidas de controle (engenharia/organização) e registro/documentação adequada, com foco em prevenção de agravamento e manutenção segura da capacidade laboral.
Passo a passo prático (conduta e documentos)
1) Delimitar o problema clínico e funcional: caracterizar sintomas, fatores de piora/melhora, impacto funcional (digitação, manuseio de numerário, mouse), sinais de alarme (déficit motor, atrofia, dor noturna intensa persistente). Registrar exame físico direcionado.
2) Hipóteses e necessidade de complementação: suspeitar de tendinopatia/epicondilalgia e possível síndrome do túnel do carpo inicial. Solicitar exames complementares apenas quando mudarem conduta (ex.: eletroneuromiografia se suspeita moderada/forte de compressão mediana com repercussão funcional ou para diferenciar diagnósticos).
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3) Medidas imediatas no trabalho: recomendar adequação do posto (altura de cadeira/mesa, teclado e mouse, apoio adequado, posicionamento de monitor), pausas programadas e alternância de tarefas. Formalizar necessidade de intervenção ergonômica com base em NR-17 (medidas de adaptação do trabalho às características psicofisiológicas).
4) Encaminhamentos: acionar ergonomia/SESMT para avaliação do posto (ex.: AET quando indicado), e encaminhar para assistência (ortopedia/medicina física/fisioterapia) conforme gravidade e persistência.
5) Aptidão e restrições temporárias: se houver piora com repetitividade, emitir ASO com aptidão com restrições temporárias (ex.: limitar digitação contínua, evitar movimentos repetitivos intensos, garantir pausas, alternar atendimento com tarefas administrativas), com reavaliação em prazo definido.
6) Documentos: registro em prontuário ocupacional; comunicação formal ao empregador/gestão sobre medidas de controle (sem expor diagnóstico detalhado além do necessário); solicitação de avaliação ergonômica; relatório médico assistencial quando necessário; e, se houver suspeita consistente de nexo e critérios internos/legais aplicáveis, avaliar emissão/encaminhamento de Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) conforme fluxos institucionais.
7) Ética: manter sigilo sobre detalhes clínicos; informar ao gestor apenas restrições e recomendações de adaptação; evitar prometer benefício previdenciário; registrar orientações e consentimento.
Perguntas (estilo concurso)
1) (Múltipla escolha) Em uma trabalhadora bancária com quadro sugestivo de DORT e fatores de risco evidentes no posto, a medida ocupacional mais alinhada à NR-17 é:
- A) Afastar imediatamente por 90 dias e aguardar melhora espontânea.
- B) Solicitar ressonância magnética de rotina antes de qualquer intervenção no posto.
- C) Implementar adequações ergonômicas e organizacionais (posto, pausas, alternância) e reavaliar clinicamente.
- D) Manter trabalho sem mudanças e orientar apenas analgésico.
2) (Discursiva curta) Cite três exemplos de restrições temporárias plausíveis para esse caso, mantendo a trabalhadora em atividade com segurança.
3) (Múltipla escolha) Sobre documentação e sigilo, é correto:
- A) Informar ao gestor o diagnóstico completo e resultados de testes clínicos para justificar a restrição.
- B) Informar ao gestor apenas as restrições funcionais e recomendações de adaptação, preservando detalhes clínicos.
- C) Registrar apenas no ASO, dispensando prontuário.
- D) Encaminhar cópia do prontuário ao RH para facilitar providências.
Gabarito comentado
1) C. A NR-17 orienta adaptação das condições de trabalho às características do trabalhador, com intervenções no posto e na organização (pausas, alternância, mobiliário). Afastamento pode ser necessário em casos graves, mas não é a primeira resposta automática sem tentativa de controle do risco e avaliação funcional.
2) Exemplos: (i) limitar digitação contínua (ex.: blocos curtos com pausas programadas); (ii) alternar tarefas com menor repetitividade (atendimento/triagem/atividades administrativas); (iii) evitar força de pinça sustentada e manuseio repetitivo intenso; (iv) garantir pausas micro e macro; (v) ajuste obrigatório de cadeira/teclado/mouse e apoio adequado. O essencial é que a restrição seja funcional, mensurável e com prazo de reavaliação.
3) B. O médico do trabalho deve preservar sigilo e compartilhar apenas o necessário para proteção da saúde e gestão do trabalho (restrições e recomendações). Prontuário é obrigatório e protegido; não deve ser compartilhado com RH/gestão.
Caso 2: Transtorno de ansiedade e retorno gradual ao trabalho
Enunciado
Gerente de relacionamento, 41 anos, retornará após 45 dias de afastamento por quadro ansioso com insônia, irritabilidade e crises de pânico em deslocamento para a agência. Em acompanhamento psiquiátrico, com medicação e psicoterapia. Traz relatório do médico assistente sugerindo retorno progressivo por 4 semanas e evitar atendimento em “pico” inicialmente. O trabalhador relata medo de recaída e diz que a equipe está reduzida. O gestor solicita “apto sem restrições” por necessidade operacional.
Conceito aplicado
Retorno ao trabalho em saúde mental exige avaliação de capacidade funcional, identificação de gatilhos ocupacionais e plano de reintegração com medidas graduais e monitoramento. O médico do trabalho deve equilibrar proteção da saúde, viabilidade operacional e ética (autonomia, sigilo, não discriminação), documentando justificativas técnicas.
Passo a passo prático (retorno gradual)
1) Avaliar estabilidade clínica e funcional: sintomas atuais, adesão ao tratamento, efeitos colaterais, risco de crise no trabalho, sono, concentração, ideação suicida (se presente, manejo imediato e rede de cuidado).
2) Integrar informação assistencial: considerar relatório do psiquiatra/psicólogo, sem “terceirizar” decisão. Se necessário, solicitar esclarecimentos objetivos (capacidade, limitações, tempo estimado).
3) Definir plano de retorno gradual: carga horária progressiva, tarefas de menor estresse inicial, evitar metas agressivas no início, previsibilidade de agenda, pausas, apoio de liderança, ponto focal para acompanhamento.
4) Formalizar restrições e prazo: ASO com aptidão com restrições temporárias e reavaliação (ex.: 2 a 4 semanas). Restrições devem ser funcionais (ex.: evitar atendimento em pico, limitar exposição a situações gatilho, reduzir jornada temporariamente).
5) Monitorar e reavaliar: consultas de seguimento curtas e objetivas; ajustar plano conforme resposta; se houver piora, reavaliar necessidade de afastamento/encaminhamento.
6) Ética e conflito com gestor: não ceder a pressão por “apto sem restrições” se houver risco. Comunicar ao gestor apenas o plano funcional e prazos, sem diagnóstico detalhado. Registrar divergências e justificativa técnica.
Perguntas (estilo concurso)
1) (Múltipla escolha) No retorno ao trabalho após afastamento por transtorno de ansiedade, a conduta mais adequada é:
- A) Exigir alta psiquiátrica completa para qualquer retorno, sem exceções.
- B) Retorno imediato em jornada integral para “reacostumar” rapidamente.
- C) Retorno gradual com restrições temporárias, plano de acompanhamento e reavaliação.
- D) Proibir qualquer ajuste por ser “problema pessoal”.
2) (Discursiva curta) Descreva um exemplo de plano de retorno gradual de 4 semanas para função bancária com alta demanda, incluindo jornada e tipo de atividade.
3) (Múltipla escolha) Diante de pressão do gestor por aptidão plena, o médico do trabalho deve:
- A) Atender ao pedido do gestor para evitar conflito.
- B) Negar qualquer informação e não registrar nada.
- C) Manter decisão técnica, registrar fundamentos e comunicar apenas restrições funcionais e prazos.
- D) Informar diagnóstico e medicações ao gestor para convencê-lo.
Gabarito comentado
1) C. Retorno gradual reduz risco de recaída e permite ajuste do trabalho às limitações temporárias. Exigir “cura completa” pode ser irrealista e discriminatório; retorno integral imediato pode aumentar risco.
2) Exemplo: Semana 1: 4h/dia, tarefas internas e previsíveis (organização de carteira, atualização de cadastros), sem atendimento em pico. Semana 2: 6h/dia, atendimento agendado e sem metas agressivas. Semana 3: 6–8h/dia, ampliar atendimento com pausas programadas e apoio de colega. Semana 4: 8h/dia, retomar gradualmente metas usuais, mantendo acompanhamento. O plano deve ser individualizado e com reavaliação.
3) C. A decisão é técnica e deve ser registrada. A comunicação ao gestor deve preservar sigilo, limitando-se a restrições e prazos necessários para adequação do trabalho.
Caso 3: Hipertensão e aptidão com restrições em atividade de alta pressão
Enunciado
Homem, 52 anos, gerente geral de agência. Hipertenso conhecido, em uso irregular de anti-hipertensivo. Em avaliação ocupacional, PA aferida em repouso: 168/104 mmHg (repetida após 10 minutos: 164/102). Relata cefaleia ocasional, sem dor torácica, sem dispneia. IMC elevado, sedentarismo. Diz que “não pode faltar” e pede para “passar apto”.
Conceito aplicado
Doença crônica comum pode exigir decisão de aptidão baseada em risco imediato e capacidade funcional, com encaminhamento para controle clínico e medidas no trabalho. A aptidão com restrições pode ser necessária quando há risco aumentado para eventos agudos ou quando a condição impede desempenho seguro em tarefas críticas.
Passo a passo prático (decisão de aptidão)
1) Confirmar medida e contexto: técnica correta de aferição, repetir medidas, avaliar sintomas e sinais de gravidade. Investigar adesão, uso de substâncias (cafeína, descongestionantes), estresse agudo.
2) Classificar risco e necessidade de urgência: PA persistentemente elevada com sintomas importantes ou sinais de lesão aguda de órgão-alvo exige encaminhamento imediato. Sem sinais de urgência/emergência, ainda assim há necessidade de intervenção rápida e controle.
3) Conduta ocupacional: orientar procura de assistência médica para ajuste terapêutico em curto prazo; recomendar monitorização pressórica; discutir medidas de estilo de vida. No trabalho, considerar restrições temporárias relacionadas a jornadas excessivas, sobrecarga e situações de estresse intenso, com reavaliação.
4) Aptidão: pode ser apto com restrições e reavaliação breve (ex.: 7–15 dias) quando não há urgência, mas há risco aumentado e necessidade de controle. Se houver risco imediato (sintomas relevantes, suspeita de urgência hipertensiva), pode ser inapto temporário com encaminhamento.
5) Documentos: registro das aferições (horário, técnica, valores), orientações dadas, encaminhamento, e definição clara de prazo de reavaliação. Comunicar ao gestor apenas restrições funcionais (ex.: evitar jornadas prolongadas/turnos extensos) sem expor detalhes clínicos desnecessários.
Perguntas (estilo concurso)
1) (Múltipla escolha) Diante de PA repetidamente 168/104 e 164/102 em avaliação ocupacional, sem sintomas graves, a conduta mais adequada é:
- A) Ignorar por ser “nervosismo” e liberar apto sem orientações.
- B) Registrar medidas, orientar avaliação clínica em curto prazo, considerar aptidão com restrições e reavaliação breve.
- C) Solicitar apenas exame de colesterol e liberar apto.
- D) Determinar afastamento previdenciário automático.
2) (Discursiva curta) Quais elementos mínimos devem constar no registro ocupacional quando a decisão de aptidão é influenciada por PA elevada?
Gabarito comentado
1) B. A decisão deve ser baseada em risco e segurança, com registro objetivo e plano de seguimento. Afastamento previdenciário não é automático; depende de incapacidade e critérios específicos.
2) Elementos mínimos: valores pressóricos (com repetição), condições de aferição (repouso, posição), sintomas associados, avaliação de gravidade (sinais de alarme), orientação/encaminhamento para assistência, decisão de aptidão (com ou sem restrições), restrições funcionais se houver, e prazo de reavaliação.
Caso 4: Suspeita de assédio com impacto na saúde
Enunciado
Analista de 29 anos procura atendimento ocupacional relatando “perseguição” do superior imediato: cobranças públicas, mensagens fora do horário, ameaças veladas de transferência e exposição de metas em grupo. Desde então, apresenta gastralgia, insônia e choro fácil. Nega ideação suicida. Diz que tem medo de formalizar denúncia e pede que o médico “resolva sem ninguém saber”. Solicita afastamento imediato.
Conceito aplicado
Queixas de assédio exigem acolhimento, avaliação clínica e de risco, orientação sobre canais institucionais e proteção do trabalhador, com conduta ética e documentação cuidadosa. O médico do trabalho não atua como investigador, mas pode identificar repercussões na saúde, recomendar medidas de proteção e encaminhar para instâncias competentes, preservando sigilo e evitando revitimização.
Passo a passo prático (acolhimento, risco e encaminhamentos)
1) Acolher e avaliar risco: avaliar sintomas, funcionalidade, risco de auto/heteroagressão, uso de substâncias, suporte social. Se houver risco significativo, encaminhar imediatamente para assistência especializada/urgência.
2) Registrar fatos de forma técnica: documentar relato do trabalhador como “refere que...”, com datas aproximadas, contexto e repercussões. Evitar juízo conclusivo (“houve assédio”) sem apuração institucional.
3) Medidas de proteção no trabalho: se houver impacto funcional relevante, considerar restrições temporárias (ex.: mudança de setor/turno, evitar contato direto com suposto agressor, teletrabalho quando aplicável) e reavaliação. A medida deve ser justificada por saúde e segurança, não como punição.
4) Encaminhar para canais adequados: orientar sobre canais internos (ouvidoria, compliance, corregedoria, comissões) e apoio psicossocial. Se houver violência/ameaça concreta, orientar medidas de segurança e, se necessário, autoridades competentes, respeitando regras institucionais e legais.
5) Sigilo e limites: explicar que o médico pode precisar comunicar recomendações funcionais ao empregador para proteção, mas não divulgará detalhes íntimos. Não prometer “resolver sem ninguém saber” se houver necessidade de medidas institucionais para cessar o risco.
6) Documentos: prontuário com registro do relato e avaliação; relatório de encaminhamento para assistência; comunicação ao empregador apenas com restrições/recomendações; quando aplicável, registro de notificação interna conforme protocolos.
Perguntas (estilo concurso)
1) (Múltipla escolha) Em suspeita de assédio com repercussão na saúde, é correto afirmar que o médico do trabalho deve:
- A) Concluir formalmente que houve assédio e punir o gestor.
- B) Ignorar o relato por não ser “assunto médico”.
- C) Acolher, avaliar risco, registrar tecnicamente, orientar canais competentes e propor medidas de proteção quando necessárias.
- D) Divulgar o relato ao RH com detalhes para acelerar providências.
2) (Discursiva curta) Como registrar adequadamente no prontuário ocupacional um relato de assédio sem extrapolar a competência investigativa?
Gabarito comentado
1) C. O médico não é instância investigativa, mas tem dever de cuidado, prevenção de agravos e orientação. Deve preservar sigilo e comunicar apenas o necessário para proteção.
2) Registro adequado: usar linguagem descritiva e atribuída ao paciente (“trabalhador refere...”), incluir repercussões clínicas e funcionais, datas/contexto quando possível, avaliação de risco e condutas (encaminhamentos, recomendações). Evitar afirmar causalidade ou autoria como fato consumado sem apuração.
Caso 5: Afastamento e repercussão previdenciária (nexo, documentos e conduta ética)
Enunciado
Escriturário de 38 anos, com dor lombar aguda após final de semana, relata que piorou ao permanecer sentado por longos períodos na agência. Foi atendido em pronto atendimento e recebeu atestado de 7 dias. Retorna ao médico do trabalho pedindo “afastamento pelo INSS” e “CAT para garantir estabilidade”, alegando que a dor é por causa da cadeira. Não há relato de evento súbito no trabalho. Exame: limitação dolorosa, sem déficit neurológico, sem sinais de síndrome da cauda equina. Histórico: episódios prévios de lombalgia. Estação de trabalho com cadeira antiga, sem manutenção recente.
Conceito aplicado
A repercussão previdenciária depende de incapacidade e critérios legais, e a caracterização como acidentária exige análise de nexo (técnico e/ou epidemiológico) e elementos documentais. O médico do trabalho deve orientar o trabalhador, registrar adequadamente, indicar medidas de controle do risco e agir com ética: nem negar direitos quando cabíveis, nem emitir documentos sem base técnica.
Passo a passo prático (interface ocupacional-previdenciária)
1) Diferenciar incapacidade de desconforto: avaliar se há incapacidade para as atividades essenciais (sentar prolongado, movimentação, deslocamento), e se há sinais de gravidade que indiquem urgência.
2) Estimar necessidade de afastamento: atestados curtos podem ser suficientes em lombalgia aguda sem sinais neurológicos. Afastamento prolongado deve ser justificado por incapacidade persistente e evolução clínica.
3) Avaliar nexo de forma estruturada: considerar história temporal, exposição (postura sentada prolongada, mobiliário inadequado), registros de ergonomia/manutenção, e histórico prévio. Nexo pode ser contributivo (trabalho agrava condição pré-existente) ou inexistente; registrar raciocínio.
4) Documentos necessários (quando aplicável): relatórios assistenciais com diagnóstico e limitações funcionais; registros ocupacionais (restrições, recomendações); evidências do posto (avaliação ergonômica, fotos internas conforme política, registros de manutenção); e, quando houver base técnica e fluxo institucional, CAT. Evitar emitir CAT apenas por solicitação do trabalhador sem elementos mínimos.
5) Conduta no trabalho: recomendar adequação do mobiliário, pausas, alternância de postura, e, se necessário, restrição temporária (ex.: limitar tempo sentado contínuo, permitir pausas e alongamentos, tarefa com maior mobilidade).
6) Orientação previdenciária com ética: explicar que benefício por incapacidade depende de avaliação pericial e duração do afastamento; orientar como reunir documentação objetiva (relatórios, exames, descrição de limitações). Não prometer resultado pericial.
7) Comunicação com a gestão: informar apenas restrições e necessidades de adaptação do posto; não compartilhar diagnóstico detalhado sem consentimento e necessidade.
Perguntas (estilo concurso)
1) (Múltipla escolha) Trabalhador solicita CAT e afastamento previdenciário em lombalgia sem evento típico e com histórico prévio. A conduta mais adequada do médico do trabalho é:
- A) Emitir CAT sempre que o trabalhador pedir, para “garantir direitos”.
- B) Negar qualquer relação com trabalho sem avaliar o posto e sem registrar raciocínio.
- C) Avaliar incapacidade e nexo com base em elementos clínicos e ocupacionais, orientar documentação e adotar medidas de controle/adequação; emitir CAT quando houver base técnica e conforme fluxo.
- D) Encaminhar diretamente ao INSS sem qualquer documentação.
2) (Discursiva curta) Cite quatro documentos/informações que fortalecem a análise de nexo e a tomada de decisão ocupacional nesse caso.
3) (Múltipla escolha) Sobre conduta ética na interface previdenciária, é correto:
- A) Prometer ao trabalhador que “vai conseguir benefício” se levar um relatório.
- B) Explicar critérios, orientar documentação objetiva e registrar limitações funcionais, sem garantir desfecho pericial.
- C) Omitir informações clínicas para “não prejudicar” a empresa.
- D) Compartilhar com o gestor o diagnóstico e CID para justificar adaptações.
Gabarito comentado
1) C. A emissão de CAT e a orientação previdenciária devem ser baseadas em avaliação técnica e documentação. Há situações em que o trabalho contribui/agrava, mas isso precisa ser sustentado por elementos objetivos e análise do contexto.
2) Exemplos: (i) descrição detalhada das atividades (tempo sentado, pausas, metas, alternância); (ii) avaliação ergonômica do posto e registros de adequação/manutenção da cadeira; (iii) evolução clínica e relatórios assistenciais com limitações funcionais; (iv) histórico ocupacional e de episódios prévios; (v) registros de queixas anteriores e medidas adotadas; (vi) evidências de exposição (layout, mobiliário, organização do trabalho) conforme políticas internas.
3) B. O médico deve orientar com transparência e base técnica, sem prometer resultado. Sigilo deve ser preservado: adaptações podem ser justificadas por limitações funcionais sem divulgar CID/diagnóstico ao gestor.
Quadro de treino rápido: como responder discursivas curtas em prova
Estrutura sugerida (3 a 6 linhas)
1) Problema e risco: “Quadro sugere X, com risco Y no contexto Z”.
2) Base normativa: citar a NR aplicável (ex.: NR-17 para ergonomia) e princípios de sigilo/ética na comunicação.
3) Conduta: medidas no trabalho + encaminhamentos + acompanhamento.
4) Documentos: prontuário, ASO com restrições e prazo, solicitação de avaliação do posto/relatório, encaminhamentos.
Exemplo de resposta (modelo)
Trabalhador com sintomas compatíveis com DORT, agravados por repetitividade e posto inadequado. Indico adequação ergonômica e medidas organizacionais conforme NR-17, com restrições funcionais temporárias e reavaliação em 30 dias. Registro em prontuário, emito ASO com restrições mensuráveis e solicito avaliação ergonômica do posto, preservando sigilo ao comunicar apenas limitações e recomendações ao gestor.