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Bombeiros Militares: Guia Completo de Preparação para Concursos Públicos

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Avaliação psicológica e perfil profissiográfico para Bombeiros Militares

Capítulo 19

Tempo estimado de leitura: 10 minutos

+ Exercício

Conceito e finalidade da avaliação psicológica no concurso

A avaliação psicológica em concursos para Bombeiros Militares é um procedimento técnico, realizado por psicólogo(a) habilitado(a), com o objetivo de verificar se o(a) candidato(a) apresenta condições psicológicas compatíveis com as exigências do cargo. Ela não busca “perfeição” nem ausência de emoções; busca identificar padrões de funcionamento (atenção, controle emocional, tomada de decisão, relacionamento interpessoal) que favoreçam atuação segura em atividades de risco, sob pressão e em equipe.

Em geral, a avaliação considera: capacidade de manter desempenho em situações críticas, tolerância ao estresse, disciplina, responsabilidade, estabilidade emocional, cooperação, comunicação, respeito a normas e capacidade de seguir comando. O resultado costuma ser expresso como “apto” ou “inapto”, conforme critérios definidos no edital e em normas técnicas aplicáveis.

Perfil profissiográfico: o que é e como se relaciona à função

O perfil profissiográfico é a descrição das características psicológicas e comportamentais consideradas necessárias (ou desejáveis) para o desempenho seguro e eficaz das atribuições do Bombeiro Militar. Ele é construído a partir das demandas reais do trabalho, como: exposição a risco, necessidade de decisões rápidas, atuação em ambientes hostis, contato com vítimas, trabalho em turnos, hierarquia e disciplina, e integração em equipes.

Exemplos de demandas típicas do cargo

  • Ambiente de risco e imprevisibilidade: necessidade de manter autocontrole e atenção mesmo com ruído, calor, fumaça, pressão de tempo e presença de público.
  • Trabalho em equipe: coordenação, comunicação objetiva, confiança mútua e capacidade de receber e cumprir ordens.
  • Tomada de decisão sob estresse: avaliar rapidamente riscos, priorizar ações e evitar impulsividade.
  • Contato com sofrimento humano: empatia com limites, sem perda de funcionalidade ou condutas inadequadas.
  • Rotina disciplinada: aderência a normas, procedimentos e padrões de segurança.

Objetivos principais da avaliação psicológica

  • Compatibilidade com funções de risco: verificar se o funcionamento psicológico reduz a probabilidade de condutas perigosas (para si, para a equipe e para terceiros).
  • Prevenção de falhas operacionais: identificar fatores que possam comprometer atenção, julgamento, controle emocional e cooperação.
  • Adequação ao trabalho em equipe e à disciplina: avaliar postura frente a regras, autoridade, feedback e convivência.
  • Mapeamento de recursos pessoais: resiliência, flexibilidade, capacidade de lidar com frustração e persistência.

Formatos usuais de avaliação: como normalmente acontece

O formato varia conforme o edital e a banca, mas costuma combinar entrevista e aplicação de instrumentos psicológicos. A avaliação pode ocorrer em um único dia ou em etapas. É comum haver regras de conduta e identificação (documento oficial, assinatura de termos, orientações sobre tempo e preenchimento).

1) Entrevista psicológica

A entrevista busca compreender aspectos da história de vida e do funcionamento atual do(a) candidato(a), com foco em comportamentos e atitudes relevantes para o cargo. Pode ser individual e, em alguns casos, incluir dinâmica ou observação em grupo (quando previsto).

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Temas frequentes (em nível descritivo): rotina e responsabilidades, experiências de trabalho/estudo, manejo de conflitos, reação a críticas, tomada de decisão, relacionamento interpessoal, percepção de regras e autoridade, estratégias de enfrentamento de estresse.

2) Testes de atenção (concentração, seletiva, alternada)

Instrumentos de atenção avaliam a capacidade de manter foco, selecionar estímulos relevantes e alternar entre tarefas. Em contexto operacional, atenção é crucial para leitura de sinais de perigo, conferência de equipamentos, cumprimento de protocolos e comunicação clara.

Em geral, são tarefas com tempo controlado, exigindo rapidez e precisão (por exemplo, localizar símbolos, comparar padrões, identificar alvos em meio a distrações). O desempenho costuma considerar acertos, erros e omissões.

3) Testes de raciocínio (lógico/abstrato, verbal, espacial)

Avaliam como a pessoa identifica padrões, resolve problemas e toma decisões com base em informações. No trabalho do Bombeiro Militar, raciocínio se relaciona a interpretar cenários, priorizar ações, compreender instruções e adaptar-se a mudanças.

São comuns itens de sequência, analogias, matrizes, relações espaciais e problemas com regras. O foco é descritivo: verificar consistência e eficiência do pensamento, não “conhecimento de conteúdo escolar”.

4) Instrumentos de personalidade (inventários, escalas e técnicas expressivas, quando previstas)

Instrumentos de personalidade buscam descrever tendências comportamentais relativamente estáveis, como: impulsividade versus autocontrole, sociabilidade, assertividade, tolerância à frustração, estabilidade emocional, necessidade de aprovação, rigidez versus flexibilidade, estilo de enfrentamento e cooperação.

Dependendo do instrumento, as respostas podem ser em formato de concordância com afirmações, escolha entre alternativas ou produção de material (quando previsto). O resultado é interpretado tecnicamente, considerando consistência das respostas e convergência com outros dados (entrevista e demais testes).

5) Observação comportamental durante a aplicação

Além dos instrumentos, o(a) psicólogo(a) pode registrar comportamentos observáveis: pontualidade, respeito às instruções, manejo de ansiedade, interação com outros candidatos, organização, persistência e reação a contratempos (por exemplo, mudança de sala, espera, regras de silêncio).

Critérios de compatibilidade com funções de risco e trabalho em equipe

Os critérios são definidos pelo edital e pelo perfil profissiográfico. Em termos práticos, a compatibilidade costuma envolver um conjunto de indicadores, e não um único resultado isolado. A seguir, exemplos de dimensões frequentemente consideradas (sem esgotar possibilidades):

Autocontrole e estabilidade emocional

  • Manter comportamento funcional sob pressão.
  • Evitar reações explosivas, desorganização ou paralisação diante de estressores.
  • Reconhecer limites e buscar apoio quando necessário, sem comprometer a missão.

Responsabilidade, disciplina e aderência a normas

  • Respeito a regras e procedimentos de segurança.
  • Capacidade de seguir comando e atuar de forma padronizada.
  • Postura ética e previsível em situações críticas.

Trabalho em equipe e comunicação

  • Cooperação, confiança e respeito mútuo.
  • Comunicação objetiva, especialmente em situações de risco.
  • Capacidade de receber feedback e ajustar condutas.

Tomada de decisão e julgamento

  • Equilíbrio entre rapidez e prudência.
  • Priorização e avaliação de risco.
  • Evitar impulsividade e condutas temerárias.

Atenção e confiabilidade operacional

  • Consistência em tarefas repetitivas e críticas (checagens, conferências, protocolos).
  • Baixa propensão a distrações em ambientes com múltiplos estímulos.
  • Capacidade de alternar foco sem perder precisão.

Passo a passo prático: como se portar durante a avaliação

Antes do dia da avaliação

  • Leia o edital e comunicados: verifique documentos exigidos, horários, local, restrições (celular, relógio, objetos), e se há orientações específicas.
  • Organize documentação: documento oficial com foto e o que mais for solicitado (comprovantes, formulários, caneta, se permitido).
  • Planeje deslocamento: considere margem para imprevistos; atrasos podem gerar eliminação conforme regras do certame.

No local e durante a aplicação

  • Siga instruções literalmente: em testes com tempo e regras de marcação, erros de preenchimento podem invalidar respostas.
  • Mantenha postura respeitosa e colaborativa: trate equipe e demais candidatos com civilidade; evite discussões e ironias.
  • Responda com honestidade e consistência: instrumentos de personalidade frequentemente possuem mecanismos de consistência; respostas contraditórias podem prejudicar a interpretação.
  • Administre o ritmo: em tarefas cronometradas, priorize precisão com fluidez; não interrompa a aplicação para questionamentos fora do momento indicado.
  • Evite condutas que violem regras: uso de celular, comunicação indevida, tentativa de copiar ou interferir no ambiente pode gerar eliminação.

Na entrevista psicológica

  • Seja objetivo(a): responda ao que foi perguntado, com exemplos concretos quando solicitado.
  • Assuma responsabilidades: ao falar de conflitos ou dificuldades, descreva como lidou e o que aprendeu, sem transferir culpa de forma automática.
  • Evite exageros: afirmar ausência total de medo, estresse ou falhas pode soar pouco realista; o foco é funcionalidade e manejo.
  • Se não entender uma pergunta: peça esclarecimento de forma educada, em vez de responder por suposição.

Compreensão de laudos/pareceres e resultados

Quando há disponibilização de documento ou devolutiva (conforme edital e normas locais), é importante compreender termos comuns:

  • Parecer psicológico: manifestação técnica sobre aptidão/inaptidão para o cargo, baseada nos dados coletados.
  • Laudo psicológico: documento mais detalhado, com identificação, descrição da demanda, procedimentos utilizados, análise e conclusão técnica, respeitando normas profissionais e sigilo.
  • Critérios do edital: a conclusão deve se relacionar ao perfil exigido e às atribuições do cargo, não a preferências pessoais do avaliador.

Em muitos concursos, o candidato recebe apenas o resultado (apto/inapto) e, quando previsto, pode ter acesso a informações técnicas em ambiente controlado, preservando sigilo de instrumentos e de terceiros. A forma de acesso e o nível de detalhamento dependem do edital.

Recursos administrativos: como funcionam quando previstos

Alguns editais preveem a possibilidade de recurso administrativo em caso de inaptidão. O recurso não é “reavaliação informal”; ele segue regras, prazos e documentação específica.

Passo a passo prático para recurso (modelo geral)

  • 1) Verifique previsão e prazo no edital: confirme se há recurso, prazo em dias, forma de protocolo e documentos aceitos.
  • 2) Solicite/acesse a fundamentação disponível: quando permitido, consulte o parecer/laudo ou a síntese técnica disponibilizada para entender quais pontos foram considerados incompatíveis.
  • 3) Reúna documentação exigida: formulários, identificação, procuração (se houver representante), e eventuais relatórios técnicos permitidos pelo edital.
  • 4) Estruture o pedido de forma objetiva: aponte itens do edital, descreva o que está sendo questionado (por exemplo, inconsistência procedimental, divergência entre dados e conclusão, eventual erro material), e anexe o que for pertinente.
  • 5) Protocole no canal correto: respeite formato (online/presencial), horários e comprovante de envio.
  • 6) Acompanhe a tramitação: verifique publicações oficiais e eventuais convocações para nova etapa, se prevista.

O recurso, quando aceito, pode resultar em manutenção do resultado, revisão documental ou convocação para nova avaliação, conforme regras do certame. É essencial basear o pedido em elementos objetivos e no que o edital permite, evitando alegações genéricas.

Cuidados importantes: sigilo, ética e limites do processo

  • Sigilo profissional: informações pessoais coletadas na avaliação são protegidas; a divulgação segue regras e limitações.
  • Instrumentos psicológicos: testes são de uso privativo do psicólogo; não é esperado (nem adequado) que o candidato tenha acesso ao conteúdo integral do material.
  • Multiplicidade de fontes: decisões técnicas costumam considerar conjunto de dados (entrevista + testes + observação), reduzindo o peso de um único indicador isolado.
  • Compatibilidade com o cargo: a avaliação não é um “diagnóstico clínico” por si só; ela se orienta pela adequação às exigências ocupacionais descritas no perfil.

Exemplos práticos de situações avaliadas (sem respostas “certas”)

Exemplo 1: pressão de tempo e mudança de plano

Em um cenário de emergência, uma estratégia inicial pode precisar ser alterada por risco inesperado. A avaliação busca indícios de flexibilidade com disciplina: adaptar-se sem perder o controle, mantendo comunicação e respeito ao comando.

Exemplo 2: conflito em equipe

Desentendimentos podem ocorrer em escalas e operações. Observa-se a tendência a resolver conflitos com diálogo e foco na missão, evitando agressividade, ironia, isolamento hostil ou quebra de hierarquia.

Exemplo 3: contato com vítima em sofrimento

Espera-se empatia e postura profissional: acolher sem se desorganizar emocionalmente, manter atenção a procedimentos e segurança, e atuar de forma coordenada com a equipe.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Qual afirmação descreve melhor a finalidade da avaliação psicológica em concursos para Bombeiros Militares e sua relação com o perfil profissiográfico?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

A avaliação busca compatibilidade com as demandas do cargo (risco, pressão, normas e equipe), analisando um conjunto de indicadores alinhados ao perfil profissiográfico e aos critérios do edital, e não a “perfeição” emocional ou apenas conhecimento escolar.

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