Auditoria, Conformidade e Melhoria Contínua do Plano de Rondas Preventivas

Capítulo 13

Tempo estimado de leitura: 10 minutos

+ Exercício

O que é auditoria e conformidade no plano de rondas preventivas

Auditar a execução do plano de rondas é verificar, com evidências, se o que foi planejado está sendo realizado como definido e se está gerando o resultado esperado (detectar desvios, reduzir vulnerabilidades e responder a ocorrências). Conformidade é o grau de aderência aos requisitos do plano (rotas, horários, checkpoints, registros, padrões de comunicação e resposta). Melhoria contínua é o uso sistemático dos achados de auditoria e das ocorrências para ajustar o plano, mantendo controle de versões e justificativas.

Na prática, a auditoria deve responder a cinco perguntas: (1) a cobertura foi suficiente? (2) os horários foram respeitados? (3) os checkpoints foram validados com integridade? (4) os registros têm qualidade e rastreabilidade? (5) a ronda foi efetiva em detectar e tratar situações relevantes?

Escopo da auditoria: o que avaliar e quais evidências usar

1) Verificação de cobertura (onde a ronda realmente passou)

Objetivo: confirmar se as áreas previstas foram patrulhadas e se não houve “zonas cegas” recorrentes. Evidências típicas: trilhas de GPS (quando aplicável), leituras de checkpoints por área, mapas de calor de passagens, comparação entre rota planejada e rota executada.

  • Indicadores úteis: % de áreas cobertas no período; pontos com baixa recorrência; tempo médio de permanência por setor.
  • Sinais de alerta: setores críticos com baixa frequência real; passagens “em linha reta” sem varredura; repetição de trajetos mais fáceis.

2) Aderência a horários (pontualidade e janelas de tolerância)

Objetivo: verificar se as rondas ocorreram dentro das janelas definidas e se as variações foram justificadas. Evidências: carimbos de data/hora dos checkpoints, logs do sistema, escalas e registros de troca de turno.

  • Métrica recomendada: % de checkpoints dentro da janela (ex.: ±10 min) e % fora da janela com justificativa registrada.
  • Sinais de alerta: atrasos concentrados em determinados turnos; “picos” de leituras no fim do turno (indício de corrida para completar).

3) Integridade de checkpoints (autenticidade e consistência)

Objetivo: garantir que o checkpoint foi validado no local correto, no momento correto e por quem estava escalado. Evidências: identificação do agente, ID do checkpoint, geolocalização (se houver), sequência lógica de pontos, auditoria de duplicidades.

Continue em nosso aplicativo e ...
  • Ouça o áudio com a tela desligada
  • Ganhe Certificado após a conclusão
  • + de 5000 cursos para você explorar!
ou continue lendo abaixo...
Download App

Baixar o aplicativo

  • Testes comuns: detectar leituras repetidas em intervalo incompatível; leituras fora de sequência física; leituras em local improvável para o tempo decorrido.
  • Sinais de alerta: leituras “perfeitas” sempre no mesmo minuto; ausência de variação natural; leituras em pontos distantes com tempo insuficiente de deslocamento.

4) Qualidade dos registros (clareza, completude e rastreabilidade)

Objetivo: confirmar que os registros permitem reconstituir o que ocorreu, quando, onde, por quem e qual ação foi tomada. Evidências: formulários, logs digitais, anexos (fotos quando permitido), campos obrigatórios preenchidos, consistência entre registro de ronda e registro de ocorrência.

  • Critérios de qualidade: linguagem objetiva; ausência de termos vagos (“tudo ok” sem checagens); descrição de anomalias com localização precisa; ações e encaminhamentos registrados.
  • Sinais de alerta: textos copiados/colados; campos críticos em branco; divergência entre horário do registro e horário do checkpoint.

5) Efetividade na detecção (resultado operacional)

Objetivo: avaliar se a ronda está encontrando o que deveria encontrar (desvios, vulnerabilidades, comportamentos suspeitos, falhas de infraestrutura) e se as ações foram adequadas. Evidências: número e tipo de achados, taxa de recorrência do mesmo problema, tempo de resposta, qualidade do encaminhamento e fechamento.

  • Indicadores úteis: achados por 100 rondas; % de achados repetidos; tempo médio para tratar não conformidades; proporção de achados por categoria (iluminação, acesso, portas, barreiras, etc.).
  • Sinais de alerta: “zero achados” por longos períodos em ambiente com histórico de incidentes; reincidência alta do mesmo desvio sem ação corretiva.

Passo a passo prático para auditar a execução do plano

Passo 1 — Definir periodicidade, amostra e critérios

Estabeleça uma rotina mínima (ex.: auditoria semanal operacional + auditoria mensal gerencial) e defina a amostragem: turnos diferentes, dias de maior risco, rotas críticas e agentes variados. Fixe critérios objetivos (janelas de horário, cobertura mínima, campos obrigatórios, regras de integridade).

  • Dica prática: use amostragem estratificada: 50% das rondas em áreas críticas, 30% em horários de maior incidência, 20% aleatório.

Passo 2 — Coletar evidências e “congelar” o período auditado

Extraia os dados do período (checkpoints, horários, rota executada, registros e ocorrências) e armazene em pasta/registro de auditoria com controle de acesso. Isso evita alterações posteriores sem rastreabilidade.

Passo 3 — Rodar testes de conformidade (automáticos e manuais)

Combine verificações automáticas (regras e filtros) com revisão humana (coerência e contexto). Exemplo de testes:

  • Cobertura: comparar lista de setores previstos vs. setores visitados; identificar setores com cobertura abaixo do mínimo.
  • Horários: listar checkpoints fora da janela; agrupar por turno e por agente.
  • Integridade: detectar leituras duplicadas; intervalos impossíveis; sequência incompatível.
  • Registros: checar campos obrigatórios; procurar termos genéricos; validar anexos quando aplicável.
  • Efetividade: cruzar achados com ocorrências; verificar reincidência e tempo de tratamento.

Passo 4 — Validar em campo (auditoria acompanhada e inspeção pontual)

Realize auditorias acompanhadas (observação direta) em parte da amostra: o auditor acompanha a ronda sem interferir, registrando aderência ao plano e qualidade da observação. Faça também inspeções pontuais em checkpoints: confirmar posicionamento, acessibilidade, sinalização e se o ponto faz sentido operacionalmente.

  • Checklist do auditor em campo: tempo real de deslocamento entre pontos; pontos com obstáculos; locais com baixa visibilidade; condições que induzem atalhos.

Passo 5 — Classificar achados e abrir não conformidades (NC)

Padronize a classificação para priorizar correções. Um modelo simples:

TipoExemploImpactoTratamento
NC CríticaSetor crítico sem ronda recorrenteRisco imediatoAção imediata + revisão do plano
NC MaiorCheckpoints fora da janela sem justificativaReduz previsibilidade/controlePlano de ação em curto prazo
NC MenorCampo não preenchido sem impacto diretoPerda de rastreabilidadeCorreção + reforço de treinamento
ObservaçãoMelhoria sugeridaOportunidadeAvaliar e priorizar

Passo 6 — Reunião de análise (rotina de revisão)

Conduza uma reunião curta e objetiva, com pauta fixa e dados visuais (tabelas, gráficos, mapa de calor). Participantes típicos: supervisão, auditor/qualidade, representantes de turno e responsável pelo plano.

  • Pauta sugerida (30–45 min): (1) indicadores do período; (2) top 5 não conformidades; (3) reincidências; (4) ocorrências relevantes e lições; (5) decisões de ajuste; (6) responsáveis e prazos.
  • Regra: toda decisão deve gerar registro e, quando alterar o plano, gerar nova versão controlada.

Passo 7 — Plano de ação com prazos e responsáveis (5W2H simplificado)

Para cada NC, crie um plano de ação rastreável. Use um formato simples:

NC: (código) - descrição objetiva do desvio e evidência (data/hora/local)  Quem (responsável):  O quê (ação corretiva):  Por quê (causa provável):  Onde (setor/rota):  Quando (prazo):  Como (passos):  Como medir (critério de aceite):

Inclua ações corretivas (corrigir o problema) e preventivas (evitar recorrência). Exemplo: reposicionar checkpoint (corretiva) + ajustar janela de horário e treinar equipe (preventiva).

Passo 8 — Verificação de eficácia (follow-up)

Após o prazo, reaudite o item: a NC foi resolvida e não voltou a ocorrer? A verificação de eficácia deve ter critério mensurável (ex.: 95% de checkpoints dentro da janela por 4 semanas; zero falhas de leitura no ponto X por 30 dias).

Como transformar achados e ocorrências em melhoria contínua do plano

Recalibrar rotas: quando e como ajustar

Use achados de auditoria e ocorrências para ajustar o desenho operacional sem “quebrar” a rastreabilidade. Situações típicas que pedem recalibração:

  • Baixa cobertura recorrente: rota longa demais para o tempo disponível; necessidade de dividir em duas rotas ou reduzir pontos.
  • Integridade comprometida: checkpoint mal posicionado (fácil de burlar) ou com falhas de leitura; reposicionar e validar em campo.
  • Ocorrências concentradas: incidentes em um corredor/portão específico; incluir variação de passagem e pontos de observação adicionais.

Passo a passo para recalibrar rota:

  • 1) Identificar o problema com dados (mapa de calor, atrasos, falhas).
  • 2) Formular hipótese (ex.: deslocamento inviável entre P3 e P4 no horário de pico).
  • 3) Testar em piloto (ex.: 1 semana com rota alternativa A/B).
  • 4) Medir impacto (cobertura, pontualidade, achados relevantes).
  • 5) Aprovar e versionar a mudança (com justificativa e data de vigência).

Recalibrar frequências: aumentar, reduzir ou redistribuir

Frequência deve refletir risco real e capacidade operacional. Auditoria ajuda a evitar dois extremos: frequência alta no papel e baixa na prática (gera não conformidade), ou frequência baixa que não detecta desvios.

  • Quando aumentar: aumento de ocorrências, achados recorrentes, vulnerabilidade temporária (obra, falha de iluminação).
  • Quando reduzir/redistribuir: alta conformidade e baixa relevância de achados em determinado trecho, liberando tempo para áreas críticas.

Regra prática: antes de aumentar frequência, confirme se o problema é falta de frequência ou falta de qualidade de observação/registro. Ajustes devem ser sustentáveis no turno.

Recalibrar checklists: tornar verificações mais úteis e auditáveis

Achados repetidos e registros vagos indicam checklist mal calibrado (muito genérico, longo demais ou sem critérios observáveis). Ajustes típicos:

  • Transformar itens subjetivos em verificações objetivas (ex.: “portas ok” → “porta X fechada, trancada e sem sinais de violação”).
  • Adicionar campos condicionais (se “anomalia = sim”, exigir descrição e ação).
  • Remover itens que nunca geram valor e consomem tempo, mantendo os críticos.

Passo a passo para atualizar checklist:

  • 1) Listar itens com baixa qualidade de preenchimento ou baixa utilidade.
  • 2) Cruzar com ocorrências e achados (o que faltou observar?).
  • 3) Reescrever itens com critérios verificáveis.
  • 4) Testar por um ciclo (ex.: 2 semanas) e medir melhoria de qualidade.
  • 5) Versionar e treinar rapidamente a equipe.

Controle de versões e histórico: como manter rastreabilidade das mudanças

O que deve ser versionado

  • Rotas e variações autorizadas.
  • Lista e posicionamento de checkpoints.
  • Janelas de horário e frequências.
  • Checklists e critérios de preenchimento.
  • Regras de auditoria (critérios e tolerâncias).

Modelo prático de registro de mudança (change log)

VersãoDataO que mudouMotivo (evidência)ResponsávelVigência
v2.32026-01-10Divisão da rota Noturna B em B1 e B2Atrasos recorrentes > 25% fora da janela; auditoria semana 01Supervisor OperacionalImediata
v2.42026-01-20Reposicionamento do checkpoint CP-07Falhas de integridade (leituras incompatíveis) + inspeção em campoCoordenaçãoApós instalação

Boas práticas: manter versões anteriores arquivadas; proibir alterações “informais” sem registro; anexar evidências (relatório de auditoria, ocorrências, fotos técnicas quando aplicável); comunicar mudanças por turno e registrar ciência.

Ferramentas simples para estruturar a auditoria (sem depender de tecnologia complexa)

Matriz de auditoria (planejado vs executado)

Monte uma tabela por rota/turno com colunas mínimas: checkpoints previstos, checkpoints realizados, % dentro da janela, exceções justificadas, falhas de leitura, qualidade do registro (nota), achados relevantes e reincidências.

Scorecard de conformidade (exemplo de pesos)

Para priorizar, atribua pesos por dimensão:

  • Cobertura: 30%
  • Horários: 20%
  • Integridade de checkpoints: 20%
  • Qualidade dos registros: 20%
  • Efetividade (achados/ocorrências): 10%

Use o score para identificar rotas/turnos que precisam de intervenção primeiro, sem perder a análise qualitativa.

Tratamento de não conformidades: fluxo operacional

  • 1) Registrar NC com evidência e classificação.
  • 2) Definir contenção imediata (se crítica).
  • 3) Identificar causa (processo, recurso, treinamento, infraestrutura).
  • 4) Executar ação corretiva e preventiva.
  • 5) Verificar eficácia e encerrar com evidência.
  • 6) Se envolver mudança no plano, versionar e comunicar.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao identificar atrasos frequentes e muitos checkpoints fora da janela sem justificativa, qual ação está mais alinhada ao processo de auditoria e melhoria contínua do plano de rondas?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

O fluxo recomendado é registrar e classificar a NC com evidências, criar plano de ação rastreável (responsáveis e prazos) e fazer follow-up. Se a correção exigir mudança no plano (rotas/janelas), a alteração deve ser versionada e comunicada, mantendo rastreabilidade.

Próximo capitúlo

Cenários Práticos: Simulações de Rondas e Padronização de Respostas

Arrow Right Icon
Capa do Ebook gratuito Rondas e Vigilância Preventiva: Como Planejar, Executar e Registrar
93%

Rondas e Vigilância Preventiva: Como Planejar, Executar e Registrar

Novo curso

14 páginas

Baixe o app para ganhar Certificação grátis e ouvir os cursos em background, mesmo com a tela desligada.