Cenários Práticos: Simulações de Rondas e Padronização de Respostas

Capítulo 14

Tempo estimado de leitura: 12 minutos

+ Exercício

Como usar simulações para padronizar respostas

Simulações de ronda são exercícios controlados que reproduzem ocorrências prováveis para treinar: tomada de decisão sob pressão, comunicação objetiva, controle de área, preservação do local e qualidade do registro. O foco não é “pegar o culpado”, e sim executar uma resposta consistente, segura e auditável, reduzindo variações entre turnos e profissionais.

Neste capítulo, cada cenário traz: objetivo do treino, passo a passo de execução, pontos de comunicação, critérios de isolamento/preservação e itens obrigatórios de registro. Ao final, há rubricas (critérios de avaliação) e um modelo de “pacote final” de documentação.

Regras do jogo (para todas as simulações)

  • Segurança pessoal primeiro: não entrar em áreas com risco iminente (fumaça, possível agressor, estrutura comprometida) sem suporte adequado.
  • Comunicação curta e rastreável: informar “o quê, onde, quando, risco, ação em curso, apoio necessário”.
  • Controle de acesso: limitar circulação, evitar contaminação do local e manter trilha de quem entrou/saiu.
  • Registro em tempo real: anotar horários e ações conforme ocorrem; evitar reconstrução posterior de memória.
  • Escalonamento: acionar supervisão, manutenção, brigada/SSO e forças públicas conforme gravidade e protocolo local.

Cenário 1: Porta aberta fora de horário

Objetivo da simulação

Treinar verificação segura, controle de acesso, checagem de integridade do ambiente e registro completo sem “normalizar” a anomalia.

Passo a passo prático

  • 1) Confirmar o fato sem se expor: parar a uma distância segura, observar sinais (luzes acesas, ruídos, movimentação, danos na fechadura, objetos fora do lugar).
  • 2) Comunicar imediatamente: informar local exato (porta, setor, referência), condição (aberta/entreaberta), horário e se há sinais de violação.
  • 3) Controlar o acesso: posicionar-se para impedir entrada de terceiros; se houver risco de intruso, manter distância e aguardar apoio.
  • 4) Verificação do entorno: checar área adjacente (corredor, janelas próximas, rotas de fuga) sem entrar sozinho em ambiente potencialmente comprometido.
  • 5) Isolar e preservar: se houver indício de violação, não tocar em maçaneta/fechadura; restringir passagem e registrar quem se aproximou.
  • 6) Ação corretiva: se for apenas falha operacional (porta esquecida) e não houver indícios, proceder ao fechamento conforme regra local e registrar o responsável quando identificável.
  • 7) Registrar: incluir fotos (se permitido), horários, condição da porta, sinais observados, pessoas acionadas e providências.

Comunicação (exemplo de mensagem)

Base, aqui Posto 2. 22:17, porta de acesso do Almoxarifado (corredor B, ao lado do hidrante) encontrada entreaberta. Sem sinais visíveis de arrombamento no momento. Mantendo controle do acesso e solicitando supervisor para verificação conjunta.

O que observar para preservar evidências

  • Marcas na fechadura, batente, dobradiças; presença de ferramentas/objetos.
  • Pegadas, sujeira recente, itens deslocados próximos à entrada.
  • Registro de câmeras: anotar quais câmeras cobrem o ponto e o intervalo de tempo relevante.

Cenário 2: Iluminação externa falha

Objetivo da simulação

Treinar mitigação imediata do risco (ponto cego), acionamento de manutenção e reforço de ronda/monitoramento até correção.

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Passo a passo prático

  • 1) Confirmar abrangência: identificar quais luminárias estão apagadas e qual trecho ficou vulnerável (portões, docas, estacionamento, perímetro).
  • 2) Comunicar e registrar o risco: informar “ponto cego criado” e impacto (redução de visibilidade, aumento de risco de intrusão/queda).
  • 3) Mitigação imediata: reforçar presença no trecho, ajustar rota para passar mais vezes, usar iluminação auxiliar permitida (lanterna), e solicitar apoio/monitoramento por CFTV.
  • 4) Acionar manutenção: abrir chamado com dados técnicos (poste/luminária, referência, tipo de falha: apagada/intermitente).
  • 5) Isolar se houver risco de acidente: se a falha gerar risco de queda/atropelamento, sinalizar e restringir circulação conforme procedimentos locais.
  • 6) Reavaliar após intervenção: registrar horário de normalização ou persistência e ações adicionais.

Registro mínimo recomendado

  • Localização precisa (ex.: “poste P-07, lateral norte, entre doca 2 e portão de pedestres”).
  • Condição (apagada/intermitente), clima, visibilidade e impacto operacional.
  • Mitigações adotadas (reforço de ronda, apoio CFTV, sinalização).
  • Protocolo de manutenção: número do chamado, responsável e prazo.

Cenário 3: Veículo suspeito nas proximidades

Objetivo da simulação

Treinar observação, coleta de informações sem confronto, comunicação e escalonamento, evitando abordagem insegura.

Passo a passo prático

  • 1) Observar antes de agir: manter distância, buscar cobertura, avaliar ocupantes, comportamento (parado sem motivo, rondando, faróis apagados, tentativa de acesso).
  • 2) Coletar dados: placa, modelo, cor, características (adesivos, danos), número de ocupantes, direção de deslocamento, horário e local exato.
  • 3) Comunicar: repassar dados e solicitar orientação (supervisão/CFTV/apoio). Evitar linguagem vaga (“estranho”); descrever fatos.
  • 4) Controlar acesso: reforçar portões e pontos de entrada; orientar equipe interna a não abrir acessos sem validação.
  • 5) Não confrontar sozinho: abordagem só se prevista e com condições de segurança (apoio, iluminação, rota de recuo). Caso contrário, monitorar e aguardar.
  • 6) Preservar evidências: se houver tentativa de invasão, registrar imagens, horários e trajetos; evitar perseguição.
  • 7) Registrar: incluir dados coletados, ações, pessoas acionadas e resultado (veículo saiu, permaneceu, foi identificado).

Comunicação (exemplo)

Central, 01:42. Veículo sedan prata, placa ABC1D23, parado há ~8 min na rua lateral do portão 3, faróis apagados, 2 ocupantes. Sem tentativa de acesso até o momento. Solicito verificação por CFTV e orientação para reforço no portão 3.

Cenário 4: Ruído em sala técnica

Objetivo da simulação

Treinar resposta a anomalias em áreas críticas (TI/energia/telecom), evitando contaminação do local e prevenindo danos maiores (superaquecimento, falha elétrica, sabotagem).

Passo a passo prático

  • 1) Avaliar risco antes de entrar: cheiro de queimado, calor anormal, fumaça, alarmes, vibração. Se houver sinais de risco elétrico/incêndio, não entrar e acionar equipe responsável.
  • 2) Comunicar: informar tipo de ruído (batida, zumbido, estalos), intensidade, periodicidade e localização exata.
  • 3) Acesso controlado: se entrada for necessária e permitida, entrar com cautela, sem tocar em painéis/equipamentos; manter porta sob controle e limitar pessoas.
  • 4) Isolar: restringir acesso ao corredor/porta; registrar quem entrou e por quê.
  • 5) Acionar especialistas: manutenção elétrica, TI/infra, supervisão. Se houver risco iminente, acionar brigada/SSO.
  • 6) Preservar evidências: não desligar/acionar disjuntores sem autorização; registrar indicadores (luzes de painel, alarmes), sem manipular.
  • 7) Registrar: horários, condições ambientais, ações tomadas, responsáveis acionados e orientação recebida.

Exemplo de registro objetivo

03:18 – Ruído intermitente (estalos) identificado na sala técnica de energia, próximo ao quadro QD-2. Sem odor de queimado, sem fumaça, temperatura aparente normal. Acesso controlado, sem manipulação de equipamentos. Manutenção elétrica acionada às 03:20 (chamado #54821). Área sinalizada e acesso restrito.

Cenário 5: Indício de arrombamento no perímetro

Objetivo da simulação

Treinar preservação do local, controle de perímetro e escalonamento correto, evitando destruir vestígios (marcas, pegadas, ferramentas).

Passo a passo prático

  • 1) Parar e observar: identificar o indício (tela cortada, cadeado violado, cerca amassada, portão forçado) sem tocar.
  • 2) Comunicar como ocorrência crítica: local exato, tipo de dano, se há sinais de presença recente (barulho, movimento, objetos deixados).
  • 3) Isolar o ponto: criar perímetro de segurança; impedir aproximação de curiosos e circulação no solo próximo (pegadas).
  • 4) Preservar evidências: não mexer em cadeados, telas, ferramentas; registrar fotos/ângulos; anotar condições do solo e clima.
  • 5) Reforçar vigilância: posicionar equipe em pontos de observação e rotas de fuga; solicitar apoio de CFTV e supervisão.
  • 6) Escalonar: conforme protocolo, acionar forças públicas quando aplicável e gestão responsável.
  • 7) Registrar: linha do tempo, pessoas acionadas, medidas de isolamento, e status do local até chegada de apoio.

Checklist de preservação (rápido)

  • Não tocar no ponto violado.
  • Não pisar em áreas com possíveis pegadas.
  • Controlar quem entra no perímetro e registrar nomes/horários.
  • Identificar câmeras próximas e horários para extração de imagens.

Cenário 6: Princípio de incêndio

Objetivo da simulação

Treinar resposta imediata com foco em vida, acionamento correto, isolamento e registro, sem assumir riscos indevidos.

Passo a passo prático

  • 1) Identificar e classificar rapidamente: fumaça, chama visível, cheiro forte, alarme. Priorizar evacuação e acionamentos.
  • 2) Acionar imediatamente: brigada/SSO, supervisão e, quando aplicável, bombeiros. Informar local, material envolvido (se conhecido) e se há pessoas no local.
  • 3) Isolar e orientar fluxo: bloquear acesso ao foco, direcionar pessoas para rotas seguras, manter corredores livres.
  • 4) Combate inicial (somente se treinado e seguro): usar extintor adequado apenas em foco pequeno, com rota de fuga garantida e sem fumaça densa. Se não houver segurança, recuar.
  • 5) Preservar o local após controle: não reenergizar equipamentos, não remover materiais sem autorização; manter área isolada para avaliação técnica.
  • 6) Registrar: horários (detecção, acionamentos, chegada de apoio, controle), ações executadas, equipamentos usados (tipo de extintor), e impactos (evacuação, danos).

Comunicação (exemplo)

Emergência: 17:06, princípio de incêndio com fumaça no depósito de materiais de limpeza (setor D). Alarme acionado, área isolada e evacuação iniciada. Brigada acionada. Necessário apoio imediato no local.

Rubricas de avaliação (conduta e registro)

Rubrica 1: Conduta operacional (0 a 2 por item)

Critério0 (insuficiente)1 (parcial)2 (adequado)
Segurança pessoal e avaliação de riscoExpôs-se/entrou sem avaliarAvaliou, mas com falhasAvaliou e manteve postura segura
ComunicaçãoTardia/vagaParcial (faltou local/risco/ação)Clara, objetiva, com dados e pedido de apoio
Isolamento e controle de acessoNão isolouIsolou parcialmenteIsolou corretamente e controlou fluxo
Preservação de evidênciasManipulou/contaminouPreservou parcialmentePreservou sem tocar e registrou vestígios
Escalonamento e acionamentosNão acionou/acionou erradoAcionou com atrasoAcionou corretamente e no tempo adequado
Mitigação temporária do riscoNenhuma açãoAção incompletaAção proporcional e segura até solução

Rubrica 2: Qualidade do registro (itens que não podem faltar)

  • Identificação: data, horário de início/fim, local exato, setor, ponto de referência.
  • Descrição factual: o que foi visto/ouvido/cheirado, sem suposições (“parece que”, “provavelmente”).
  • Linha do tempo: horários de detecção, comunicação, chegada de apoio, ações e encerramento.
  • Ações executadas: isolamento, controle de acesso, mitigação, orientações dadas.
  • Acionamentos: quem foi acionado, por qual meio, e retorno recebido.
  • Evidências: fotos/vídeos (se permitido), câmeras relacionadas e intervalo de tempo, vestígios observados.
  • Pessoas envolvidas: nomes/funções de quem atendeu, testemunhas, terceiros presentes (quando aplicável).
  • Resultado/status: normalizado, pendente, área interditada, manutenção em andamento, encaminhamento.

Modelo de pacote final (para entrega ao supervisor/gestão)

1) Checklist preenchido (exemplo de formulário)

CHECKLIST DE SIMULAÇÃO/OCORRÊNCIA – RONDA PREVENTIVA  Identificação: Data: ____/____/_____  Turno: ____  Ronda: ( ) Interna ( ) Externa  Agente: __________  Supervisor: __________  Cenário: ( ) Porta aberta ( ) Iluminação falha ( ) Veículo suspeito ( ) Ruído sala técnica ( ) Arrombamento perímetro ( ) Princípio de incêndio  Local exato: __________________________________________  Horário detecção: ____:____  Comunicação realizada às: ____:____  Meio: ( ) Rádio ( ) Telefone ( ) App interno  Isolamento realizado? ( ) Sim ( ) Não  Como: ____________________  Preservação de evidências aplicada? ( ) Sim ( ) Não  Quais: ____________________  Acionamentos: ( ) Supervisão ( ) CFTV ( ) Manutenção ( ) Brigada/SSO ( ) Forças públicas  Nº chamado/manutenção: __________  Fotos anexadas? ( ) Sim ( ) Não  Câmeras relacionadas: __________  Intervalo para revisão: ____:____ a ____:____  Resultado: ( ) Normalizado ( ) Pendente ( ) Interditado  Observações objetivas: __________________________________  Assinaturas: Agente: __________  Supervisor: __________

2) Relatório de ocorrência (modelo enxuto e auditável)

RELATÓRIO DE OCORRÊNCIA – RONDA PREVENTIVA  1. Dados gerais  Data: ____/____/_____  Horário: início ____:____ / fim ____:____  Local: __________________________________________  Responsável pelo registro: _________________________  2. Descrição factual do evento  (Descrever somente fatos observáveis: condições, sinais, comportamentos, alarmes, danos.)  __________________________________________________________  3. Linha do tempo (marcos)  - ____:____ Detecção: ________________________________________  - ____:____ Comunicação para: ______________________________  - ____:____ Ação imediata: _________________________________  - ____:____ Chegada de apoio (quem): ________________________  - ____:____ Situação controlada/encaminhada: ________________  4. Medidas adotadas  Isolamento/controle de acesso: ____________________________  Mitigação temporária: _____________________________________  Preservação de evidências: ________________________________  5. Evidências e rastreabilidade  Fotos/vídeos anexos: ( ) Sim ( ) Não  Câmeras: __________  Intervalo: ____:____ a ____:____  Vestígios observados: _____________________________________  6. Pessoas acionadas/envolvidas  Nome/Função – Horário – Orientação/Retorno  __________________________________________________________  7. Status e pendências  (Ex.: manutenção agendada, área interditada, necessidade de reforço de ronda.)  __________________________________________________________

3) Recomendações preventivas (modelo por categoria)

CategoriaAchadoRecomendaçãoPrioridadeResponsávelPrazo
Controle de acessoPorta encontrada aberta fora de horárioRevisar rotina de fechamento e dupla checagem; instalar mola/fechadura com alarme (se aplicável)AltaOperações/Segurança7 dias
IluminaçãoTrecho do perímetro com ponto cegoPlano de manutenção preventiva; estoque de lâmpadas/reatores; inspeção semanal noturnaMédiaManutenção15 dias
PerímetroIndício de violação em cerca/portãoReforço físico (tela, concertina conforme norma local), sensor/alarme, poda de vegetação para visibilidadeAltaInfra/Segurança10 dias
Áreas técnicasRuído anormal em sala técnicaRonda técnica conjunta programada; termografia/inspeção elétrica; controle de acesso por listaAltaManutenção/TI5 dias
EmergênciaPrincípio de incêndio (simulado/real)Revisar sinalização e rotas; checar validade/extintores; treinamento de brigada e simulado trimestralAltaSSO/Brigada30 dias

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Em uma simulação de ronda, qual abordagem melhor atende ao objetivo de padronizar respostas entre turnos e profissionais?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

As simulações visam reduzir variações e treinar uma resposta consistente, com segurança e rastreabilidade. Por isso, a conduta correta prioriza avaliar riscos, comunicar de forma objetiva, controlar acesso, preservar evidências e registrar em tempo real.

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