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Perito Médico do INSS: Guia Estratégico para Aprovação no Concurso Federal

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Atuação do Perito Médico do INSS e perícia médica previdenciária na prática

Capítulo 1

Tempo estimado de leitura: 10 minutos

+ Exercício

A atuação do Perito Médico Federal no INSS é essencialmente avaliativa: ele produz um juízo técnico-médico sobre incapacidade e funcionalidade com finalidade administrativa, dentro de critérios normativos e com registro formal. Isso delimita o escopo do cargo e orienta como estudar para o concurso: o foco é raciocínio pericial, documentação, nexo e decisão administrativa, e não condução terapêutica.

Escopo técnico do cargo: o que o perito faz (e o que não faz)

Finalidade da avaliação pericial

A perícia médica previdenciária tem como finalidade subsidiar a Administração na decisão sobre direitos relacionados a benefícios por incapacidade. O produto do trabalho pericial é um parecer/registro pericial que responde a perguntas objetivas do processo, como: existe incapacidade? desde quando? por quanto tempo? há possibilidade de reabilitação? há nexo com acidente/doença do trabalho quando aplicável? qual a repercussão funcional para a atividade habitual?

Objeto da avaliação pericial

  • Funcionalidade: o que a pessoa consegue ou não consegue fazer, em termos de atividades e participação, considerando limitações e restrições.
  • Incapacidade laborativa: relação entre condição de saúde e exigências da atividade habitual (ou outras atividades possíveis), com análise de duração e prognóstico.
  • Nexo (quando pertinente): vínculo entre evento/agravo e trabalho, ou entre doença e acidente, conforme a demanda administrativa.
  • Documentação clínica: coerência, temporalidade, consistência e pertinência dos documentos apresentados para sustentar o quadro alegado.

Limites: diferença entre perícia e atendimento assistencial

Na assistência, o médico tem como objetivo principal diagnosticar, tratar, acompanhar e orientar o paciente, com vínculo terapêutico e decisões centradas no cuidado. Na perícia, o objetivo é avaliar e registrar de forma imparcial, com base em evidências e critérios administrativos, sem estabelecer plano terapêutico ou conduzir tratamento.

  • Perícia: entrevista dirigida, exame físico focado, análise documental, conclusão sobre incapacidade/funcionalidade e registro técnico para decisão administrativa.
  • Assistência: anamnese ampla, exame completo conforme necessidade clínica, prescrição, solicitação de exames para diagnóstico/monitoramento, seguimento longitudinal.

Exemplo prático: um segurado com dor lombar pode estar em tratamento com ortopedista (assistência) e, ao mesmo tempo, ser avaliado pelo perito para definir se há incapacidade para a função habitual e por quanto tempo (perícia). O perito não “assume” a condução do caso, mas avalia a repercussão funcional e a consistência dos elementos apresentados.

Papéis e responsabilidades no fluxo administrativo

Responsabilidade técnica do perito no processo

O perito atua como agente técnico que:

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  • Define se há incapacidade e sua caracterização (total/parcial, temporária/permanente, conforme o caso concreto).
  • Estima DII (data de início da incapacidade) e DCB (data de cessação/limite estimado), quando aplicável, com justificativa baseada em evidências.
  • Avalia prognóstico e necessidade de reavaliação, reabilitação ou outras providências administrativas correlatas.
  • Analisa nexo quando o requerimento envolve natureza acidentária/ocupacional ou quando o processo exige essa conclusão.
  • Registra de forma clara, objetiva e auditável, permitindo rastreabilidade do raciocínio pericial.

Relação com benefícios por incapacidade: como a perícia impacta a decisão

A conclusão pericial influencia diretamente o deferimento, indeferimento, manutenção, cessação ou revisão de benefícios relacionados à incapacidade. O ponto central é a compatibilidade entre limitações funcionais e exigências do trabalho, sustentada por documentação e exame.

  • Decisão típica 1 (deferimento com prazo): incapacidade temporária com DII definida e DCB estimada, com recomendação de reavaliação.
  • Decisão típica 2 (indeferimento): ausência de incapacidade laborativa no momento, ou documentação insuficiente/inconsistente para sustentar a alegação.
  • Decisão típica 3 (manutenção/cessação): em revisões, o perito compara evolução clínica, funcionalidade atual e evidências recentes para manter ou cessar.
  • Decisão típica 4 (encaminhamento para reabilitação): quando há limitação para a atividade habitual, mas possibilidade de adaptação para outra função, conforme critérios administrativos.

Importância da documentação e do nexo com a funcionalidade

Documentos não “substituem” o ato pericial, mas são fundamentais para:

  • Temporalidade: demonstrar evolução e marcos clínicos (início, agravamento, intervenções, resposta).
  • Coerência: alinhar queixa, achados, diagnóstico e conduta com a limitação alegada.
  • Objetividade: exames complementares e relatórios podem corroborar (ou não) a gravidade e a repercussão funcional.
  • Nexo funcional: o que importa é como o quadro afeta tarefas específicas (ex.: levantar peso, permanecer em pé, atenção sustentada, uso fino de mãos).

Exemplo prático: um laudo de imagem com “alterações degenerativas” pode existir sem incapacidade. O perito precisa correlacionar achados com exame físico, sintomas, funcionalidade e exigências ocupacionais. A decisão não se baseia no nome do diagnóstico isoladamente, mas no impacto funcional demonstrável.

Etapas típicas do ato pericial: passo a passo prático

1) Triagem documental (antes e no início da perícia)

Objetivo: entender o pedido, identificar lacunas e organizar a linha do tempo.

  • Verificar documentos de identificação e elementos do requerimento (motivo, atividade habitual, datas relevantes).
  • Separar documentos clínicos por ordem cronológica: atestados, relatórios, exames, alta hospitalar, prontuários, receituários.
  • Identificar consistência mínima: CID (quando houver), descrição funcional, tempo estimado de afastamento, assinatura, data, CRM, legibilidade.
  • Mapear marcos: início dos sintomas, atendimentos, internações, cirurgias, afastamentos anteriores, retorno ao trabalho.

Exemplo de impacto administrativo: documentação recente e coerente pode sustentar DII e prazo estimado; documentação genérica, sem descrição funcional e sem temporalidade, tende a fragilizar o pedido e pode levar a indeferimento por insuficiência de elementos.

2) Entrevista dirigida (anamnese pericial)

Objetivo: obter informações focadas em funcionalidade, trabalho e evolução, evitando dispersão clínica irrelevante para o objeto pericial.

  • Queixa principal e limitações: “o que não consegue fazer hoje?”
  • Atividade habitual: tarefas, posturas, carga física/cognitiva, ritmo, jornada, uso de EPI, deslocamento.
  • Evolução: quando começou, piora/melhora, tratamentos realizados e resposta.
  • Capacidade atual: atividades de vida diária, autonomia, tolerância a esforços, sono, concentração.
  • Coerência: comparar relato com documentos e com observação do comportamento funcional.

Exemplo prático: em transtornos mentais, a entrevista dirigida explora sintomas atuais, impacto em atenção, memória, interação social, tolerância a estresse e rotina, além de adesão e resposta ao tratamento documentado. O foco é a repercussão funcional e a estabilidade do quadro, não a psicoterapia em si.

3) Exame físico focado

Objetivo: confirmar (ou não) sinais compatíveis com a alegação e estimar repercussão funcional.

  • Selecionar manobras e testes pertinentes à queixa e à função laboral (ex.: amplitude de movimento, força, testes provocativos, marcha, coordenação).
  • Registrar achados positivos e negativos relevantes, com linguagem objetiva.
  • Observar funcionalidade: sentar/levantar, deambulação, uso de membros superiores, tolerância postural.

Exemplo de decisão: em queixa de ombro com trabalho acima da linha dos ombros, limitação objetiva de elevação/abdução associada a dor e perda de força pode sustentar restrição funcional temporária; exame sem achados consistentes pode indicar ausência de incapacidade atual, exigindo maior peso da documentação e coerência global.

4) Análise de exames complementares e relatórios

Objetivo: integrar evidências objetivas ao quadro funcional e à linha do tempo.

  • Checar se o exame é pertinente à queixa e se a data é compatível com a evolução alegada.
  • Diferenciar achados incidentais de achados clinicamente significativos.
  • Valorizar relatórios que descrevem funcionalidade, limitações e evolução, em vez de apenas diagnóstico.
  • Confrontar divergências: documento antigo versus quadro atual; laudo genérico versus exame físico.

Exemplo prático: uma ressonância antiga com alterações leves, sem correlação com exame atual, tem menor peso para sustentar incapacidade presente. Já um relatório recente com descrição de limitações, tratamento instituído e resposta, alinhado ao exame físico, fortalece a conclusão.

5) Consolidação do raciocínio pericial (síntese e decisão)

Objetivo: responder às perguntas administrativas com base em um encadeamento lógico: demanda → evidências → funcionalidade → capacidade para o trabalho → conclusão.

  • Definir se há incapacidade laborativa no momento da avaliação.
  • Se houver, caracterizar duração (temporária/permanente) e estimar prazo de recuperação quando aplicável.
  • Fixar DII com base na melhor evidência disponível (documentos, evolução, marcos clínicos).
  • Avaliar possibilidade de reabilitação/adequação funcional quando pertinente.
  • Quando exigido, analisar nexo (ocupacional/acidentário) com base em elementos técnicos disponíveis.

Exemplos de decisões e impactos administrativos:

  • Incapacidade temporária com DCB: permite concessão com prazo e programação de reavaliação, reduzindo incerteza administrativa.
  • Incapacidade não comprovada: indeferimento; o registro deve deixar claro quais elementos faltaram (ex.: ausência de limitação funcional demonstrável, inconsistência temporal, documentação insuficiente).
  • Incapacidade parcial para atividade habitual: pode orientar encaminhamentos administrativos compatíveis com reabilitação, quando cabível.
  • Nexo não caracterizado: altera enquadramento e repercussões administrativas do benefício, exigindo fundamentação técnica objetiva.

6) Registro pericial (documentação do ato)

Objetivo: produzir um registro claro, completo e auditável, que sustente a decisão administrativa e permita revisão técnica.

  • Identificar a demanda e o contexto laboral (atividade habitual e exigências relevantes).
  • Resumir documentos analisados (tipo, data, pertinência).
  • Registrar entrevista dirigida com foco funcional (limitações referidas e evolução).
  • Descrever exame físico focado (achados relevantes).
  • Apresentar síntese do raciocínio: por que há (ou não) incapacidade, desde quando e por quanto tempo, com coerência interna.

Modelo prático de estrutura (exemplo de organização textual):

1. Demanda: avaliação de incapacidade para atividade habitual X. 2. Documentos: relatório médico (data), exame Y (data), atestados (datas). 3. Entrevista: limitações funcionais A, B, C; evolução e tratamento. 4. Exame: achados relevantes e negativos pertinentes. 5. Análise: correlação entre evidências e exigências do trabalho. 6. Conclusão: incapacidade (sim/não); caracterização; DII; prazo/necessidade de reavaliação; observações técnicas.

Erros comuns na prática pericial (e como evitá-los no raciocínio)

  • Confundir diagnóstico com incapacidade: diagnóstico não implica incapacidade; sempre traduzir em limitações e restrições para tarefas.
  • Ignorar a atividade habitual: a mesma condição pode ser incapacitante para uma função e compatível com outra; descrever exigências é parte do ato.
  • Basear-se em documento genérico: priorizar evidências com temporalidade, descrição funcional e coerência com exame.
  • Registro pobre: decisões sem fundamentação clara fragilizam o ato; registrar encadeamento lógico e elementos-chave.
  • Exame físico não direcionado: selecionar testes pertinentes e registrar achados relevantes, evitando excesso de dados sem utilidade pericial.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Na perícia médica previdenciária, qual abordagem está mais alinhada ao papel do Perito Médico Federal no INSS ao avaliar um pedido de benefício por incapacidade?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Na perícia, o foco é produzir um juízo técnico-administrativo: correlacionar evidências, funcionalidade e exigências do trabalho, registrando conclusão sobre incapacidade (com DII/DCB quando aplicável) e nexo quando necessário, sem condução terapêutica.

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