A atividade policial rodoviária federal envolve um conjunto de procedimentos padronizados para fiscalizar, prevenir e reprimir infrações e crimes em rodovias federais, com foco em segurança viária, proteção da vida, preservação de direitos e produção de registros confiáveis. Em provas situacionais, costuma-se cobrar a capacidade de identificar prioridades (segurança do agente e de terceiros), escolher o nível de intervenção adequado, preservar vestígios e formalizar corretamente a ocorrência.
1) Eixos de atuação operacional na rotina da PRF
Fiscalização de trânsito e transporte
É a atuação voltada a verificar conformidade de condutores, veículos e cargas com as normas aplicáveis, reduzindo risco de sinistros e aumentando a regularidade do transporte. Na prática, envolve checagens documentais, condições do veículo, equipamentos obrigatórios, restrições administrativas e aspectos de transporte (ex.: carga, passageiros, peso, acondicionamento).
- Foco operacional: identificar condutas de risco (velocidade incompatível, ultrapassagens perigosas, fadiga, álcool/drogas, mau estado do veículo) e irregularidades de transporte (ex.: excesso de peso, carga mal acondicionada, transporte irregular de passageiros).
- Resultado esperado: correção imediata do risco (medidas administrativas cabíveis), orientação quando pertinente e registro fiel do ato fiscalizatório.
Policiamento ostensivo em rodovias federais
É a presença preventiva e repressiva, com patrulhamento, pontos de fiscalização e ações direcionadas por análise de risco. Em questões, é comum a cobrança sobre como posicionar viaturas, sinalizar operações, manter visibilidade e reduzir vulnerabilidades durante abordagens.
- Foco operacional: dissuasão, pronta resposta, interceptação segura e controle de área.
- Boas práticas: escolher locais com acostamento adequado, boa iluminação/visibilidade, rotas de escape controláveis e espaço para triagem.
Atendimento a sinistros (ocorrências de trânsito)
O atendimento prioriza preservação da vida, segurança do tráfego e preservação de vestígios. A atuação envolve sinalização, isolamento, acionamento de socorro, coleta de informações e registros. Em cenários de prova, a ordem de prioridades costuma ser determinante.
- Prioridades típicas: 1) segurança da cena e prevenção de novos sinistros; 2) socorro e acionamento de serviços; 3) preservação do local e vestígios; 4) fluidez do tráfego; 5) registros e encaminhamentos.
- Pontos sensíveis: movimentação indevida de veículos/objetos, contaminação de vestígios, falhas de sinalização e ausência de registro de medidas adotadas.
Combate a ilícitos (contrabando, descaminho, tráfico e outros)
O combate a ilícitos ocorre por abordagens, fiscalização orientada por risco, patrulhamento e ações integradas. A lógica operacional é: identificar indícios, controlar a situação com segurança, confirmar a materialidade (quando possível), preservar prova e formalizar o encaminhamento.
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- Indícios comuns em abordagem: inconsistências de rota/itinerário, nervosismo incompatível, alterações estruturais no veículo, carga sem coerência com documentação, excesso de bagagem, odor característico, informações contraditórias entre ocupantes.
- Cuidados: evitar “busca exploratória” sem justificativa operacional; documentar os fundamentos objetivos que motivaram aprofundamento da fiscalização; manter cadeia de custódia e integridade do material apreendido.
2) Protocolo geral de abordagem e segurança do agente
Abordagem é um procedimento de controle e verificação que deve ser planejado para reduzir risco. Em provas, o erro mais comum é “pular etapas” de segurança (posicionamento, comunicação, controle de mãos, varredura visual) ou negligenciar o registro do que foi observado.
2.1 Preparação e escolha do local
- Seleção do ponto: priorize acostamento amplo, boa visibilidade, distância segura de curvas/declives, espaço para triagem e possibilidade de sinalização.
- Posicionamento da viatura: de modo a proteger a equipe e criar barreira visual/ física, sem obstruir fluxo; mantenha rota de escape e distância de segurança do veículo abordado.
- Sinalização: use dispositivos luminosos e cones conforme necessidade, garantindo antecedência para redução de velocidade.
2.2 Comunicação operacional (antes e durante)
A comunicação deve garantir rastreabilidade e coordenação. O padrão é informar: local, sentido, placa/descrição, quantidade de ocupantes, motivo da abordagem e necessidade de apoio.
- Antes: informe início da abordagem e dados essenciais do veículo.
- Durante: atualize se houver mudança de risco (fuga, resistência, achado de ilícito, necessidade de socorro).
- Após: registre desfecho e providências (autuações, apreensões, encaminhamentos).
2.3 Execução da abordagem (passo a passo prático)
- 1) Ordem de parada e orientação: sinalize a parada de forma clara e segura; direcione o veículo para o ponto escolhido.
- 2) Observação inicial: avalie comportamento dos ocupantes, movimentações suspeitas, objetos visíveis, condições do veículo e do entorno.
- 3) Aproximação protegida: aproxime pelo lado mais seguro, mantendo atenção às mãos dos ocupantes e ao interior do veículo.
- 4) Identificação e comando verbal: apresente-se de forma objetiva; dê comandos simples (ex.: manter mãos visíveis, desligar o veículo, acender luz interna à noite).
- 5) Controle de risco: se necessário, determine desembarque controlado e posicionamento seguro dos ocupantes, mantendo distância e vigilância.
- 6) Checagens: verifique documentos e sinais de adulteração; confronte informações (condutor x passageiros x documentação x situação do veículo).
- 7) Inspeção veicular e de carga (quando aplicável): realize conforme indícios e protocolos; evite danificar o veículo; registre o que motivou a inspeção e o que foi encontrado.
- 8) Encerramento: devolva documentos, oriente sobre liberação/medidas administrativas ou informe encaminhamentos, mantendo postura profissional e segura.
2.4 Níveis de intervenção (uso progressivo de controle)
Em situações, a resposta deve ser proporcional ao risco e ao comportamento do abordado. A prova costuma exigir a escolha do nível adequado e a justificativa operacional (ameaça, resistência, tentativa de fuga, risco a terceiros).
- Presença e verbalização: postura, identificação, comandos claros e negociação.
- Controle de contato: posicionamento, condução e contenção leve para segurança.
- Controle físico: técnicas de imobilização quando há resistência ativa.
- Instrumentos de menor potencial ofensivo: conforme necessidade e treinamento, com atenção a riscos e registro.
- Força potencialmente letal: apenas diante de ameaça grave e iminente, com foco em cessar a agressão e preservar vidas; exige relato detalhado e preservação de vestígios.
3) Gestão de risco e preservação de local
3.1 Gestão de risco na fiscalização e no patrulhamento
Gestão de risco é a avaliação contínua de ameaças, vulnerabilidades e consequências, ajustando o procedimento para manter controle da cena. Em questões, aparece como “o que fazer primeiro” e “como reduzir exposição”.
- Variáveis de risco: número de ocupantes, horário/local, histórico do veículo, comportamento, presença de armas, fluxo de tráfego, condições climáticas.
- Medidas de mitigação: solicitar apoio, reposicionar viatura, ampliar isolamento, mudar ponto de abordagem, aumentar iluminação, manter distância e cobertura.
3.2 Preservação de local em sinistros e ocorrências criminais
Preservar o local significa evitar alteração indevida de vestígios e manter condições para perícia e reconstrução dos fatos, sem comprometer o socorro e a segurança. Em prova, costuma-se cobrar a compatibilização entre atendimento às vítimas e preservação de evidências.
- Passo a passo prático:
- 1) Segurança imediata: sinalize, reduza risco de incêndio/atropelamento e controle curiosos.
- 2) Socorro: acione resgate; intervenha dentro do necessário para salvar vidas.
- 3) Isolamento: delimite área com cones/fita e controle acesso; registre quem entrou e por quê, quando aplicável.
- 4) Proteção de vestígios: evite tocar/mover objetos; se precisar mover por segurança/socorro, registre o motivo e a posição original (descrição e, quando possível, imagens).
- 5) Coleta de dados iniciais: identifique envolvidos/testemunhas, placas, condições da via, sinalização, marcas de frenagem, pontos de impacto, condições climáticas.
- 6) Encaminhamentos: acione perícia quando cabível; organize remoção/liberação somente após medidas essenciais.
4) Documentação operacional e preenchimento de registros
Registros são parte central da atuação: sustentam medidas administrativas, persecução penal e controle institucional. Em questões situacionais, erros recorrentes são: lacunas de horário/local, ausência de fundamentação do procedimento, descrição genérica e falta de individualização de condutas.
4.1 Princípios de um bom registro
- Objetividade: descreva fatos observáveis (o que foi visto/feito), evitando suposições.
- Cronologia: horários aproximados, sequência de ações e mudanças de cenário.
- Individualização: quem fez o quê (condutor, passageiro, equipe), com identificação.
- Fundamentação operacional: registre os indícios que motivaram aprofundamento (ex.: inconsistências, sinais externos, comportamento).
- Rastreabilidade: numeração de autos/termos, identificação de itens apreendidos e destino.
4.2 Estrutura prática para narrativa de ocorrência (modelo mental)
1) Contexto: local (km/sentido), data/hora, equipe/viatura, tipo de ação (patrulhamento, comando, atendimento a sinistro). 2) Motivo: infração observada, fiscalização de rotina ou indícios objetivos. 3) Procedimentos: ordem de parada, identificação, checagens, medidas de segurança adotadas. 4) Constatações: resultados das verificações, itens encontrados, condições do veículo/via, declarações relevantes (com aspas quando necessário). 5) Medidas: autuações, recolhimento/apreensão, encaminhamento, acionamento de apoio/perícia/resgate. 6) Encerramento operacional: liberação do local/veículo/pessoas, preservação de vestígios, entrega de bens e registros de cadeia de custódia quando houver.5) Cuidados com prova material e cadeia de custódia (noções operacionais)
Em ocorrências com ilícitos, a prova material deve ser preservada para manter integridade e confiabilidade. Em provas, cobra-se a conduta correta ao localizar, manusear, acondicionar e encaminhar itens, evitando contaminação e alegações de violação.
5.1 Procedimentos práticos ao localizar material ilícito
- 1) Segurança: controle pessoas e ambiente antes de manipular objetos; atenção a risco de arma, explosivo, substância perigosa.
- 2) Documentação imediata: registre local exato e circunstâncias do encontro; descreva como o item foi visualizado/identificado.
- 3) Manuseio mínimo: evite tocar desnecessariamente; use equipamentos de proteção quando aplicável.
- 4) Acondicionamento: embale de forma adequada para evitar perda/contaminação; identifique volumes (descrição, quantidade, características).
- 5) Lacre e rastreio: utilize lacres/identificação quando previsto; mantenha controle de quem recebeu/transportou/entregou.
- 6) Encaminhamento: formalize entrega à autoridade competente, com registro do estado e da quantidade.
5.2 Erros que costumam aparecer em questões
- Realizar busca/inspeção sem registrar indícios objetivos que justificaram o aprofundamento.
- Manipular ou “exibir” material sem necessidade, gerando contaminação ou extravio.
- Não individualizar onde o item estava (porta-malas, painel, compartimento oculto) e quem tinha acesso.
- Falhar em registrar horários, responsáveis pela guarda e condições do lacre/embalagem.
6) Situações operacionais típicas e como a banca explora
6.1 Abordagem com sinais de risco elevado
Cenário: veículo reduz bruscamente, ocupantes se movimentam, condutor evita contato visual e há inconsistências na versão sobre destino.
- Conduta esperada: reforçar medidas de segurança (distância, cobertura, comandos claros), solicitar apoio se necessário, controlar mãos e desembarque seletivo, registrar indícios e decisões.
- Pegadinha comum: aproximar-se sem controle do interior do veículo ou iniciar busca sem justificar o motivo operacional no registro.
6.2 Atendimento a sinistro com vítima e risco secundário
Cenário: colisão em trecho de baixa visibilidade, com vazamento e fluxo intenso.
- Conduta esperada: sinalização e isolamento imediatos, acionamento de resgate, controle do tráfego, avaliação de risco (incêndio/atropelamento), preservação de vestígios na medida do possível e registro do que precisou ser alterado por socorro.
- Pegadinha comum: priorizar coleta de dados antes de estabilizar a cena e evitar novos sinistros.
6.3 Achado de mercadoria irregular (contrabando/descaminho) em fiscalização
Cenário: durante fiscalização, encontram-se volumes sem comprovação e com características típicas de origem estrangeira.
- Conduta esperada: documentar circunstâncias do encontro, quantificar e descrever itens, acondicionar adequadamente, preservar integridade, formalizar encaminhamento e registrar declarações relevantes.
- Pegadinha comum: descrição genérica (“diversas mercadorias”) sem quantidade, marcas, volumes e local exato onde estavam.
6.4 Suspeita de adulteração veicular
Cenário: sinais de remarcação, etiquetas divergentes e inconsistência em elementos identificadores.
- Conduta esperada: preservar o veículo para verificação técnica, registrar sinais observados, evitar intervenções que destruam vestígios, acionar procedimentos de confirmação e formalizar medidas administrativas/encaminhamentos.
- Pegadinha comum: “confirmar” adulteração sem descrever os sinais concretos e sem preservar adequadamente o bem para perícia.