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Médico-Legista da Polícia Civil: Medicina Legal Aplicada aos Concursos

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Asfixiologia forense na Medicina Legal: mecanismos, achados e diagnósticos diferenciais

Capítulo 8

Tempo estimado de leitura: 16 minutos

+ Exercício

Conceito e classificação forense das asfixias

Asfixiologia forense estuda os mecanismos de morte ou sofrimento por comprometimento da oxigenação tecidual (hipóxia/hipoxemia) e/ou da eliminação de CO2 (hipercapnia), com repercussões sistêmicas e achados anatômicos variáveis. Em Medicina Legal, a asfixia raramente é diagnosticada por um “sinal único”; o raciocínio é sindrômico (conjunto de achados) e contextual (dinâmica do evento, cena, posição do corpo, vestígios, histórico e comorbidades).

Classificação prática para concursos e rotina pericial:

  • Asfixias mecânicas: impedimento físico da ventilação ou da circulação cervical. Incluem enforcamento, estrangulamento, esganadura, sufocação (direta/indireta) e afogamento.
  • Asfixias não mecânicas: redução do O2 ambiental, deslocamento do O2 por gases inertes, ou intoxicações asfixiantes (p. ex., CO, H2S, cianeto), além de ambientes confinados.

Sinais gerais de asfixia: utilidade e limitações

Achados clássicos frequentemente associados a asfixia (mas não específicos):

  • Cianose (lábios, leitos ungueais): pode faltar em anemia, choque, hemorragia; pode ser discreta em mortes rápidas.
  • Congestão/plethora de face e órgãos: também ocorre em insuficiência cardíaca, sepse, morte agônica prolongada.
  • Petequias (conjuntivas, face, pleuras): sugerem aumento de pressão venosa e ruptura capilar, mas podem ocorrer em vômitos, convulsões, manobras de ressuscitação, asma grave.
  • Edema pulmonar e espuma em vias aéreas: comuns em afogamento e intoxicações, mas também em cardiopatias e overdose.

Regra de ouro: o diagnóstico pericial de asfixia exige correlação entre mecanismo plausível, achados compatíveis e exclusão de alternativas (naturais, tóxicas, traumáticas, posicional).

Enforcamento

Mecanismos

Enforcamento é constrição do pescoço por laço, com ponto de sustentação (peso do corpo total ou parcial). Mecanismos combinados: compressão venosa jugular (congestão e petequias), compressão arterial (hipóxia rápida), compressão de vias aéreas (variável) e reflexos vagais (raros, mas possíveis em estímulo carotídeo).

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Achados externos esperados

  • Sulco de enforcamento: geralmente oblíquo ascendente em direção ao nó, incompleto (pode não circundar todo o pescoço), com base pálida/escoriativa conforme material e tempo de suspensão.
  • Marca do laço com padrão do material (corda, cinto, lençol) e eventuais “impressões” de trama.
  • Face: pode estar congesta e com petequias, mas em enforcamento típico pode ser menos exuberante.
  • Sialorreia (escorrimento salivar): achado sugestivo quando presente, porém não obrigatório.
  • Lesões de defesa: em suicídio típico, costumam faltar; sua presença exige cautela (luta, contenção, arrasto).

Achados internos esperados

  • Infiltração hemorrágica em planos cervicais sob o sulco (variável; depende de vitalidade e tempo).
  • Fraturas de estruturas cervicais: podem ocorrer, sobretudo em idosos (cornos do hioide, cartilagens laríngeas) e em quedas com tração importante; ausência não exclui.
  • Congestão visceral e edema pulmonar: inespecíficos.

Pontos de atenção e armadilhas

  • Suspensão incompleta (joelhos no chão, sentado): ainda pode ser letal; não descaracteriza enforcamento.
  • Sulco pós-morte: pode simular marca vital; avaliar contexto, padrão, profundidade, infiltração hemorrágica e outras evidências.
  • Nó e posição: nó posterior/lateral é comum, mas não define etiologia; homicídios podem simular suicídio.

Passo a passo prático (interpretação pericial)

  • Descrever minuciosamente o sulco: direção, continuidade, largura, profundidade, base (pálida, escoriativa), presença de equimoses/escoriações adjacentes e correspondência com o material.
  • Correlacionar com a dinâmica: altura do ponto de fixação, possibilidade de apoio parcial, acessibilidade do nó, presença de objetos de subida, sinais de luta no ambiente.
  • Na necropsia, pesquisar: hemorragias em planos cervicais, fraturas do hioide/laringe, lesões em mãos/antebraços, sinais de contenção.
  • Manter diferenciais: morte súbita natural durante suspensão (p. ex., arritmia), intoxicação associada, asfixia posicional.

Estrangulamento (por laço, sem ponto de sustentação)

Mecanismos

Estrangulamento é constrição do pescoço por laço sem sustentação pelo peso corporal; a força é aplicada por terceiro ou por mecanismo externo (torniquete, garrote). Tende a produzir maior componente de compressão vascular e mais sinais de luta.

Achados externos

  • Sulco geralmente horizontal/transversal, mais completo ao redor do pescoço, podendo ter múltiplas voltas.
  • Equimoses e escoriações cervicais mais frequentes, inclusive por atrito do laço.
  • Petequias faciais/conjuntivais podem ser mais exuberantes.
  • Lesões de defesa (antebraços, mãos) e sinais de contenção (punhos, tornozelos) são relevantes.

Achados internos

  • Hemorragias em músculos cervicais (esternocleidomastoideo, infrahioideos) mais comuns.
  • Fraturas de hioide/cartilagens laríngeas podem ocorrer, sobretudo com força intensa e em idosos.
  • Lesões em adventícia carotídea e tecidos perivasculares podem aparecer.

Diagnóstico diferencial

  • Enforcamento: comparar direção do sulco, presença de ponto de sustentação e dinâmica da cena.
  • Compressão cervical acidental: cinto de segurança, máquinas, brincadeiras; exige coerência com vestígios e relato.
  • Manobras de ressuscitação: podem gerar petequias e equimoses cervicais leves; avaliar distribuição e contexto.

Esganadura (estrangulamento manual)

Mecanismos

Compressão do pescoço por mãos/antebraço, com obstrução venosa e arterial e possível compressão laríngea. Costuma associar-se a luta, imobilização e múltiplas lesões.

Achados externos

  • Escoriações ungueais e equimoses no pescoço (marcas digitais podem ser discretas ou ausentes).
  • Lesões em face (equimoses, escoriações), lábios e mucosa oral por contenção.
  • Lesões de defesa e sinais de luta (arranhões no agressor podem ser inferidos, mas não são achado cadavérico).

Achados internos

  • Hemorragias em músculos cervicais e tecidos moles, frequentemente mais evidentes do que em enforcamento.
  • Fraturas do hioide e cartilagens laríngeas: mais prováveis em esganadura do que em enforcamento típico, especialmente em adultos/idosos.
  • Hemorragias em base de língua e região supraglótica podem ocorrer.

Limitações

A ausência de fraturas ou de marcas digitiformes não exclui esganadura, especialmente em vítimas jovens, em compressões rápidas ou quando há interposição de tecido/roupa.

Sufocação (direta e indireta) e asfixia posicional

Definições e mecanismos

  • Sufocação direta: oclusão de boca e nariz por mão, travesseiro, saco plástico, fita, ou obstrução interna (corpo estranho, vômito, alimentos).
  • Sufocação indireta: restrição dos movimentos respiratórios por compressão toracoabdominal (p. ex., soterramento, esmagamento, contenção em decúbito ventral com peso sobre dorso).
  • Asfixia posicional: postura impede ventilação eficaz (flexão extrema do tronco/pescoço, aprisionamento em espaços, intoxicação com incapacidade de se reposicionar).

Achados externos

  • Direta: escoriações periorais, lesões em mucosa labial, frênulo, equimoses em face; podem faltar se houver pouca resistência (crianças, idosos, sedados).
  • Obstrução por corpo estranho: cianose, espuma, conteúdo alimentar em cavidade oral; sinais podem ser discretos externamente.
  • Indireta/posicional: equimoses/escoriações por compressão, marcas de contenção, impressões de superfícies; achados podem ser mínimos apesar de morte por hipoventilação.

Achados internos

  • Congestão e edema pulmonar inespecíficos.
  • Corpo estranho em laringe/traqueia/bronquios (quando presente) é achado-chave; avaliar se é obstrutivo e se há sinais de vitalidade (espuma, reação local).
  • Hemorragias em músculos intercostais e tecidos moles em compressões intensas (variável).

Diferenciais importantes

  • Crise convulsiva com aspiração de conteúdo gástrico.
  • Infarto/arrítmia com queda em posição que simula asfixia posicional.
  • Intoxicações depressoras do SNC (álcool, sedativos) predispondo a sufocação por vômito ou posição.

Passo a passo prático (quando suspeitar de asfixia posicional)

  • Reconstruir a posição encontrada (ângulos de flexão, pontos de aprisionamento, possibilidade de auto-resgate).
  • Verificar fatores predisponentes: obesidade, intoxicação, contenção, doenças neuromusculares.
  • Buscar lesões de contenção e sinais de compressão torácica/abdominal.
  • Manter diagnóstico como provável quando: contexto é altamente compatível e não há causa alternativa suficiente.

Afogamento

Mecanismos

Afogamento é insuficiência respiratória por submersão/imersão em meio líquido. Pode haver laringoespasmo, aspiração de líquido, hipoxemia progressiva e alterações cardíacas secundárias. A morte pode ocorrer rapidamente, e achados variam conforme tempo de submersão, resgate, manobras e decomposição.

Achados externos

  • Espuma em boca/narinas (fina, branca ou rosada): sugestiva, mas pode ser removida, ausente em mortes rápidas ou aparecer em edema pulmonar de outras causas.
  • Cutis anserina e mãos/lavadeiras (maceradas): indicam permanência em água, não provam afogamento.
  • Material aderido (algas, areia) em roupas/cabelos: auxilia na correlação com o local.
  • Traumas associados: quedas, hélice, rochas; podem ser causa primária e a água apenas cenário.

Achados internos

  • Pulmões volumosos, pesados, com edema e congestão; saída de espuma ao corte pode ocorrer.
  • Líquido em vias aéreas e, por vezes, no estômago (deglutição durante luta respiratória): achado de apoio, não absoluto.
  • Hemorragias subpleurais podem ocorrer, mas são inespecíficas.

Limitações e pontos críticos

  • “Sinais clássicos” não são patognomônicos: espuma e edema pulmonar também ocorrem em cardiopatias, overdose, epilepsia.
  • Corpo na água ≠ morte por afogamento: considerar morte súbita natural, trauma, intoxicação, hipotermia.
  • Decomposição reduz a confiabilidade de sinais respiratórios e pode gerar artefatos.

Passo a passo prático (raciocínio em afogamento)

  • Confirmar circunstâncias: testemunhas, tempo estimado na água, local, correnteza, possibilidade de entrada pós-morte.
  • Procurar sinais de vitalidade respiratória: espuma persistente, líquido em vias aéreas, achados pulmonares compatíveis.
  • Pesquisar causas alternativas: cardiopatia, epilepsia, intoxicação, trauma incapacitante.
  • Integrar com exames complementares quando disponíveis (toxicologia, histologia) e com dados do local.

Ambientes com gases e asfixias não mecânicas

Hipóxia ambiental e gases inertes (ambientes confinados)

Em silos, tanques, porões, câmaras frias e espaços confinados, pode ocorrer deslocamento do O2 por gases inertes (nitrogênio, argônio, CO2) ou consumo de O2 por combustão/fermentação. A vítima pode colapsar sem sinais externos marcantes. Frequentemente há múltiplas vítimas (tentativas de resgate).

  • Achados: geralmente inespecíficos (congestão, edema pulmonar). O diagnóstico depende fortemente do contexto e de medições ambientais quando realizadas pela equipe competente.

Monóxido de carbono (CO)

CO causa hipóxia por formação de carboxi-hemoglobina e interferência na liberação de O2. Pode ocorrer em incêndios, aquecedores, veículos em garagem, geradores.

  • Achados: coloração rósea/avermelhada de pele e sangue pode ocorrer, mas é variável e pode ser mascarada por decomposição ou iluminação. A confirmação é laboratorial (dosagem de COHb).
  • Armadilha: vítimas em incêndio podem morrer por CO, por calor, por cianeto e por hipóxia; fuligem em vias aéreas sugere inalação de fumaça em vida, mas não quantifica CO.

Sulfeto de hidrogênio (H2S) e cianeto

H2S (esgotos, fossas, indústria) pode causar colapso rápido; cianeto pode ocorrer em incêndios e contextos industriais. Achados anatômicos são pouco específicos; o diagnóstico depende de história ocupacional/ambiental e toxicologia.

Diagnósticos diferenciais: naturais e situações que simulam asfixia

Causas naturais que podem mimetizar sinais de asfixia

  • Morte súbita cardíaca: congestão e edema pulmonar podem estar presentes; petequias podem ocorrer em agonia.
  • Crise asmática grave: hiperinsuflação, muco em vias aéreas, cianose; pode ser confundida com sufocação se houver espuma.
  • Epilepsia: pode cursar com mordedura de língua, aspiração, petequias; morte em decúbito pode sugerir asfixia posicional.
  • Anafilaxia: edema de vias aéreas superiores pode simular sufocação; contexto clínico e achados de edema laríngeo são relevantes.

Posturas e cenários que simulam asfixia

  • Corpo encontrado com laço no pescoço após manipulação do local (remoção do ponto de suspensão, corte do laço): pode dificultar interpretação do sulco e da dinâmica.
  • Corpo em decúbito ventral com face em travesseiro/sofá: pode ser sufocação acidental, posicional ou morte natural com queda.
  • Corpo na água por ocultação: sinais de permanência em água não provam afogamento.

Roteiros de resposta a quesitos comuns (modelo prático)

1) “A morte decorreu de asfixia? Qual o mecanismo provável?”

  • Indicar se há síndrome asfíxica (petequias, congestão, edema pulmonar) e se há mecanismo anatômico demonstrável (sulco, lesões cervicais, obstrução de vias aéreas, achados de afogamento, contexto de gás).
  • Apontar mecanismo mais compatível com achados e cena (ex.: constrição cervical por laço com sulco oblíquo ascendente compatível com enforcamento).
  • Explicitar limitações: sinais inespecíficos; necessidade de correlação com local e exames complementares (toxicologia, histologia).

2) “Há sinais de luta, defesa ou contenção?”

  • Descrever lesões em mãos/antebraços, unhas, face, couro cabeludo, tronco; marcas em punhos/tornozelos.
  • Diferenciar escoriações recentes de artefatos post-mortem (manuseio, transporte, fauna, decomposição).
  • Concluir em termos de compatibilidade (presentes/ausentes/indeterminados).

3) “O sulco é compatível com enforcamento ou estrangulamento?”

  • Comparar: direção (oblíquo vs horizontal), continuidade (incompleto vs completo), localização (alto vs variável), profundidade e padrão do material.
  • Correlacionar com achados internos (hemorragias cervicais, fraturas) e com a cena (ponto de suspensão, possibilidade de garroteamento).
  • Evitar afirmações categóricas sem contexto: usar “compatível com” e “não se pode excluir”.

4) “Houve afogamento ou o corpo foi lançado na água após a morte?”

  • Procurar sinais de aspiração/ventilação em vida (espuma, líquido em vias aéreas, achados pulmonares) e sinais de permanência em água (maceração), deixando claro que estes últimos não provam afogamento.
  • Investigar causas alternativas (cardíaca, trauma, intoxicação) e coerência com o local.
  • Concluir como: afogamento provável/possível/indeterminado conforme integração dos dados.

5) “A morte pode ser natural apesar de sinais sugestivos de asfixia?”

  • Sim, em especial em cardiopatias, asma, epilepsia e intoxicações. Indicar quais achados sustentam ou enfraquecem cada hipótese.
  • Recomendar (quando cabível) exames complementares: toxicologia (CO, drogas), histologia pulmonar, avaliação cardíaca detalhada.

Estudos de caso (com laudos resumidos para interpretação)

Caso 1 — Enforcamento com suspensão incompleta

Cenário: vítima encontrada sentada no chão, dorso encostado na parede, laço de lençol preso a grade a 1,8 m, nó lateral. Sem sinais de desordem no ambiente.

Laudo resumido: sulco cervical oblíquo ascendente, incompleto, base pálida com áreas escoriativas; discreta congestão facial; petequias conjuntivais escassas; ausência de lesões de defesa; planos cervicais com hemorragia discreta sob o sulco; sem fraturas de hioide/laringe; pulmões com edema moderado.

Interpretação guiada:

  • Suspensão incompleta é compatível com enforcamento letal.
  • Sulco oblíquo e incompleto favorece enforcamento.
  • Ausência de fraturas não exclui; hemorragia discreta pode ocorrer.
  • Contexto de cena sem luta reforça hipótese de autoextermínio, sem afirmar etiologia apenas por achados anatômicos.

Caso 2 — Estrangulamento por laço (garrote)

Cenário: vítima encontrada em quarto com sinais de luta (objetos caídos). Laço de corda ao redor do pescoço, sem ponto de fixação.

Laudo resumido: sulco horizontal, completo, com áreas equimóticas e escoriativas; múltiplas escoriações em antebraços e dorso das mãos; petequias conjuntivais numerosas; hemorragias extensas em musculatura cervical; fratura do corno maior do hioide à direita; edema pulmonar.

Interpretação guiada:

  • Padrão do sulco (horizontal/completo) e ausência de sustentação favorecem estrangulamento.
  • Lesões de defesa e hemorragias cervicais extensas sustentam ação de terceiro.
  • Fratura de hioide reforça compressão cervical vigorosa, especialmente em adulto/idoso.

Caso 3 — Esganadura com poucos sinais externos

Cenário: vítima encontrada em residência, sem laço. Relato de briga prévia.

Laudo resumido: poucas escoriações cervicais superficiais; equimose discreta em região submandibular; petequias conjuntivais presentes; hemorragias em músculos infrahioideos; fratura de cartilagem tireoide; escoriações ungueais no pescoço.

Interpretação guiada:

  • Marcas externas podem ser discretas; achados internos (hemorragias e fratura laríngea) ganham peso.
  • Escoriações ungueais sugerem luta/contato manual, mas devem ser correlacionadas com a narrativa e demais lesões.

Caso 4 — Sufocação por obstrução de vias aéreas (alimento) versus morte súbita

Cenário: vítima encontrada à mesa durante refeição, sem sinais de luta.

Laudo resumido: cianose discreta; ausência de lesões cervicais; presença de bolo alimentar impactado em laringe/entrada da traqueia; espuma escassa; pulmões com edema; coração com doença coronariana significativa.

Interpretação guiada:

  • Corpo estranho obstrutivo é achado central, mas é necessário avaliar se houve obstrução vital (posição, extensão, sinais associados).
  • Cardiopatia importante é diferencial relevante: pode ter havido colapso cardíaco com aspiração secundária.
  • Conclusão pericial pode ser “asfixia por obstrução de vias aéreas” se a obstrução for claramente compatível e não houver evidência mais forte de causa cardíaca primária; caso contrário, “indeterminada entre” com recomendação de correlação clínica e exames.

Caso 5 — Corpo na água: afogamento provável versus morte natural com submersão

Cenário: corpo encontrado em lago raso, sem testemunhas. Sem sinais de violência evidente no local.

Laudo resumido: espuma abundante em boca e narinas; líquido em vias aéreas; pulmões volumosos e edemaciados; água e detritos finos em brônquios; ausência de traumas incapacitantes; coração com hipertrofia leve.

Interpretação guiada:

  • Conjunto de achados respiratórios favorece afogamento.
  • Hipertrofia leve não explica por si só morte súbita; ainda assim, considerar arritmia e intoxicação conforme contexto.

Caso 6 — Ambiente confinado com gás inerte

Cenário: trabalhador encontrado inconsciente em tanque; colega desmaia ao tentar resgate. Ventilação inadequada.

Laudo resumido: ausência de lesões traumáticas relevantes; congestão visceral e edema pulmonar inespecíficos; sem sinais de constrição cervical; toxicologia negativa para drogas comuns (pendente para gases específicos conforme solicitação).

Interpretação guiada:

  • Achados anatômicos inespecíficos são esperados em hipóxia ambiental.
  • Contexto (múltiplas vítimas, espaço confinado) é determinante para hipótese de asfixia por deslocamento de O2.
  • Importante registrar a necessidade de dados ambientais e exames direcionados conforme suspeita ocupacional.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Na diferenciação pericial entre enforcamento e estrangulamento por laço, qual conjunto de características é mais compatível com estrangulamento?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

No estrangulamento por laço, a constrição ocorre sem sustentação pelo peso corporal, tendendo a gerar sulco mais horizontal e completo, além de mais lesões cervicais e sinais de luta/defesa. No enforcamento, o sulco costuma ser oblíquo ascendente e incompleto, com ponto de sustentação.

Próximo capitúlo

Toxicologia forense na prática do Médico-Legista: coleta, interpretação e limitações

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