Armazenagem e Reposição: Colocação no Endereço, Regras e Disciplina Operacional

Capítulo 8

Tempo estimado de leitura: 9 minutos

+ Exercício

O que é armazenagem e reposição (e por que precisa ser padronizado)

Armazenagem é a rotina de levar o item conferido até o endereço correto e colocá-lo de forma segura e rastreável (sem misturar SKUs, respeitando capacidade e regras do local). Reposição é a rotina de abastecer endereços de picking (separação) a partir de endereços de pulmão/estoque, seguindo critérios de prioridade (ruptura, giro, validade) e disciplina operacional.

O objetivo das duas rotinas é manter três coisas sempre verdadeiras: (1) o saldo está onde o sistema diz, (2) o item certo está no endereço certo, (3) a retirada no picking é rápida e sem erro.

Regras de colocação no endereço (putaway): direcionamento e disciplina

1) Direcionamento do item ao endereço correto

O direcionamento deve ser determinístico: para o mesmo SKU (e mesma condição de controle, como lote/validade), a equipe deve chegar ao mesmo endereço, sem “decidir no corredor”. Use uma regra simples e verificável:

  • Regra base: colocar no endereço padrão do SKU (pulmão ou picking, conforme política).
  • Se houver controle por lote/validade: colocar no endereço padrão mantendo segregação por lote quando exigido (um lote por endereço, ou por posição/pallet, conforme sua regra).
  • Se o endereço padrão estiver cheio: seguir a regra de overflow (endereços alternativos pré-definidos) e registrar a localização.
  • Se houver restrição de compatibilidade/segurança: bloquear a movimentação e acionar o responsável (ex.: item incompatível com o setor, risco de contaminação, necessidade de área dedicada).

Prática recomendada: o operador só finaliza a armazenagem após dupla checagem: (a) conferir o SKU/descrição/unidade, (b) conferir o endereço (placa/etiqueta) e, se aplicável, lote/validade.

2) Regras de ocupação do endereço (capacidade, empilhamento, limite por nível)

Para evitar endereços “elásticos” (onde cabe qualquer coisa), defina regras objetivas por tipo de endereço. Essas regras precisam estar visíveis e/ou registradas para consulta rápida.

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RegraO que defineComo verificar na operação
Capacidade máximaQuantidade máxima por endereço (caixas, unidades ou pallets)Comparar quantidade a armazenar vs. capacidade do endereço; se exceder, aplicar overflow
Limite por nívelRestrições por altura/nível (ex.: nível 1 para itens pesados)Checar se o item atende ao critério do nível (peso, risco, acesso)
Empilhamento permitidoQuantas camadas/altura máxima e se pode empilharChecar embalagem (setas “this side up”), fragilidade, deformação
Unidade de armazenagemSe o endereço aceita pallet fechado, caixa fechada, fracionadoChecar se a forma de acondicionamento é compatível com o endereço
SegregaçãoSe permite 1 SKU por endereço, 1 lote por endereço, etc.Conferir conteúdo atual do endereço antes de inserir novo material

Regra operacional simples (exemplo): “Endereço de pulmão tipo P: até 1 pallet padrão por posição; não misturar SKUs; empilhamento máximo 2 pallets (somente se embalagem permitir); nível 3+ apenas itens leves.”

3) Como evitar mistura de SKUs (regra de ouro)

Mistura de SKUs é uma das maiores causas de erro de separação e divergência de inventário. Padronize uma regra única:

  • Regra de ouro: 1 SKU por endereço (e, quando aplicável, 1 lote por endereço).
  • Exceção controlada: se houver endereço compartilhado (ex.: flow rack fracionado), usar divisórias físicas e posições internas identificadas (ex.: A01-02-01-01 “colmeia 01”, “colmeia 02”).
  • Checagem obrigatória antes de colocar: olhar o conteúdo atual do endereço; se houver SKU diferente, não colocar e acionar regra de alternativo/overflow.

Endereço cheio: overflow, alternativos e bloqueios

1) Overflow (transbordo) com endereços pré-definidos

Overflow é o uso de endereços alternativos quando o endereço padrão não comporta a quantidade. Para não virar “estoque perdido”, o overflow deve ser planejado e rastreável.

Regras práticas para overflow:

  • Todo SKU deve ter uma lista curta de endereços alternativos permitidos (ex.: 2 a 5 opções), no mesmo setor sempre que possível.
  • Overflow deve respeitar as mesmas regras de segregação (SKU/lote) e ocupação.
  • Se o SKU estiver em overflow, a reposição deve priorizar consumir o overflow antes de abrir novo recebimento no pulmão (quando aplicável).

2) Endereços alternativos (fallback) por prioridade

Quando o endereço padrão estiver cheio, o operador segue uma ordem fixa. Exemplo de ordem:

  1. Alternativo 1 (mesma rua/módulo, mesmo nível permitido)
  2. Alternativo 2 (mesmo setor, nível diferente permitido)
  3. Overflow dedicado do setor (área de transbordo organizada)
  4. Área de exceção (somente com bloqueio e tratativa)

Essa ordem evita decisões subjetivas e reduz deslocamento.

3) Bloqueios: quando parar e sinalizar

Bloqueio é a marcação de que um endereço, item ou lote não pode ser movimentado/consumido até liberação. Use bloqueio para manter disciplina e evitar “jeitinhos”.

Casos típicos de bloqueio operacional:

  • Endereço sem identificação legível (não armazenar “no escuro”).
  • Capacidade excedida e sem alternativo permitido.
  • Incompatibilidade (ex.: químico com alimento, odor forte, risco).
  • Embalagem avariada sem tratativa definida.
  • Divergência entre item físico e informação (SKU/lote/validade).

Regra verificável: item bloqueado deve ficar em área de exceção identificada e com registro do motivo (ex.: etiqueta de bloqueio + registro no controle interno).

FIFO e FEFO na armazenagem e na reposição

Quando aplicar FIFO vs. FEFO

  • FIFO (First In, First Out): prioriza consumir o que entrou primeiro. Útil quando não há validade relevante, mas há risco de obsolescência/empoeiramento.
  • FEFO (First Expire, First Out): prioriza consumir o que vence primeiro. Necessário para itens com validade.

Como garantir na prática (sem depender de “memória”)

  • Na armazenagem: posicionar lotes/validades de forma que o mais antigo/mais próximo do vencimento fique mais acessível (frente/baixo) e o mais novo atrás/acima, respeitando segurança.
  • Na reposição para picking: reabastecer o picking com o lote/validade que deve ser consumido primeiro (FEFO) ou com o mais antigo (FIFO).
  • Regra de não mistura: se o picking já tem um lote, só completar com o mesmo lote; se precisar trocar lote, primeiro zerar (ou criar posição separada identificada).

Exemplo prático (FEFO): Picking do SKU X tem lote A (vence em 30 dias). Chega lote B (vence em 180 dias). Mesmo que B esteja “mais à mão”, a reposição deve manter A no picking e armazenar B no pulmão/overflow, para evitar inversão de consumo.

Reposição para áreas de picking: padrão de abastecimento

Objetivo da reposição

Reposição existe para manter o picking com saldo suficiente para separar pedidos sem interrupção, com o mínimo de deslocamento e sem gerar mistura de SKUs/lotes.

Gatilhos de reposição (quando repor)

Defina gatilhos simples e auditáveis:

  • Ponto mínimo (min): quando o saldo no picking atingir X, gerar reposição.
  • Ponto máximo (max): repor até Y (não ultrapassar capacidade).
  • Ruptura: se saldo zerar, reposição imediata (prioridade alta).
  • Reposição por onda: antes de um ciclo de separação, abastecer SKUs críticos.

Exemplo: Picking do SKU Y: min 10 caixas, max 30 caixas. Ao chegar em 10, repor 20 caixas (para voltar a 30), desde que a capacidade do endereço permita.

Passo a passo prático: reposição padronizada (pulmão → picking)

  1. Identificar a necessidade: lista de reposição (por min/max, ruptura ou onda).
  2. Selecionar a origem correta: escolher o endereço de pulmão/overflow que atende FIFO/FEFO e está liberado.
  3. Conferir antes de retirar: SKU, unidade, lote/validade (se aplicável) e integridade.
  4. Retirar na unidade correta: pallet/caixa/unidade, conforme padrão do picking (evitar fracionamento improvisado).
  5. Transportar com segurança: respeitar empilhamento e acondicionamento.
  6. Conferir o endereço de destino: confirmar que é o picking do SKU e que não há SKU diferente ocupando.
  7. Aplicar regra de lote: completar com mesmo lote; se troca de lote for necessária, usar posição separada ou procedimento de troca (zerar/segregar).
  8. Guardar e organizar: posicionar para facilitar retirada (frente/baixo para o lote prioritário).
  9. Registrar a movimentação: atualizar controle interno (origem, destino, quantidade, lote/validade, operador, data/hora).
  10. Checagem final: garantir que o endereço ficou limpo, sem itens soltos e com identificação visível.

Instruções operacionais claras e verificáveis (SOP) para a equipe

SOP 1 — Armazenagem (putaway) de item recebido

1. Conferir SKU/descrição e unidade de movimentação (caixa, fardo, pallet). 2. Conferir lote/validade quando aplicável. 3. Consultar endereço padrão do SKU. 4. Ir ao endereço e validar placa/etiqueta do endereço. 5. Verificar conteúdo atual do endereço: se houver SKU diferente, NÃO armazenar. 6. Verificar capacidade/empilhamento/limite do nível. 7. Armazenar respeitando organização física (mais antigo/vence antes mais acessível). 8. Se não couber: aplicar alternativo/overflow na ordem definida. 9. Se não houver alternativo permitido: bloquear e levar para área de exceção. 10. Registrar origem → destino, quantidade, lote/validade, data/hora e operador.

SOP 2 — Reposição para picking

1. Receber lista de reposição (min/max, ruptura ou onda). 2. Selecionar origem seguindo FIFO/FEFO e status liberado. 3. Separar a quantidade exata para completar até o máximo do picking (sem exceder capacidade). 4. Conferir destino: endereço de picking correto e sem mistura de SKU. 5. Regra de lote: completar com mesmo lote; se trocar, segregar ou zerar conforme padrão. 6. Organizar no picking para facilitar retirada (frente/baixo para prioridade). 7. Registrar movimentação e confirmar saldo final do picking.

Checklist rápido de auditoria (supervisão)

  • Há SKUs misturados no mesmo endereço?
  • Endereços estão respeitando capacidade e limite por nível?
  • Overflow está em endereços permitidos e registrado?
  • Picking está abastecido dentro de min/max?
  • FIFO/FEFO está sendo respeitado (lotes/validades no picking)?
  • Itens bloqueados estão na área de exceção com motivo identificado?

Erros comuns e como prevenir com regra simples

Erro comumImpactoPrevenção padronizada
Guardar “onde cabe”Perda de rastreabilidade e tempo de procuraObrigatório usar endereço padrão ou alternativos pré-definidos
Misturar SKUs no mesmo endereçoErro de separação e inventárioRegra 1 SKU por endereço + checagem visual antes de colocar
Completar picking com lote diferenteQuebra de FEFO e risco de vencimentoRegra: completar com mesmo lote; troca só com segregação/zeragem
Estourar capacidade/empilhamentoAvaria e risco de acidenteCapacidade e empilhamento definidos por tipo de endereço; overflow quando exceder
Usar endereço sem identificaçãoMovimentação sem controleBloquear e tratar: não armazenar sem placa/etiqueta legível

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao repor um SKU para o picking que já possui um lote armazenado, qual prática mantém a disciplina operacional e evita quebra de FEFO/FIFO?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

A regra evita mistura de lotes e garante o consumo correto por FEFO/FIFO. Se houver troca de lote, é necessário zerar o picking ou segregar em posição identificada para manter rastreabilidade e reduzir erros.

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