Conceito: por que o aquecimento controlado é decisivo
Na troca de tela e vidro, o calor tem duas funções principais: amolecer o adesivo (cola perimetral, fitas, espuma) e reduzir a força mecânica necessária para separar peças. O objetivo é chegar a uma temperatura suficiente para “dar elasticidade” ao adesivo, sem ultrapassar limites que causem danos ao OLED, à bateria, a plásticos (molduras, antenas, suportes) e a tintas/revestimentos (máscaras pretas, serigrafia e coatings).
O risco mais comum não é “falta de calor”, e sim calor mal distribuído (pontos quentes) e tempo excessivo no mesmo local, que aumentam a chance de: mancha em OLED, deformação de plásticos, descolamento de camadas, perda de vedação e trincas adicionais por tensão localizada.
Ferramentas de aquecimento e quando usar
Soprador térmico (ar quente)
- Vantagens: rápido, bom para áreas pequenas e para “reativar” adesivo durante o corte.
- Riscos: cria pontos quentes com facilidade; pode aquecer demais bordas e plásticos; pode empurrar poeira para dentro.
- Quando preferir: para manutenção de temperatura durante a separação e para adesivos mais resistentes, desde que com controle de distância e movimento constante.
Placa térmica (hot plate)
- Vantagens: aquecimento mais uniforme, menor chance de ponto quente; excelente para soltar cola perimetral de telas.
- Riscos: se a temperatura estiver alta demais, o aquecimento uniforme “cozinha” o conjunto inteiro; exige atenção ao tempo.
- Quando preferir: para telas coladas no aro e para separação de vidro/tela em conjuntos que tolerem aquecimento uniforme.
Bolsa térmica/gel aquecido (opcional)
- Vantagens: aquecimento suave e distribuído; útil para pré-aquecimento.
- Limitações: menos controle fino; pode perder temperatura rápido.
Controle de temperatura e tempo (prática segura)
Faixas de referência (boas práticas)
Use estas faixas como ponto de partida e ajuste conforme o comportamento do adesivo e a construção do aparelho:
- Placa térmica: geralmente 70–90 °C para amolecer adesivo perimetral. Comece mais baixo e aumente em pequenos passos.
- Soprador térmico: trabalhe com movimento constante e distância segura; o foco é aquecer a superfície gradualmente, não “torrar” um ponto. Evite ficar parado no mesmo lugar.
Tempo: prefira ciclos curtos (ex.: 30–60 s de aquecimento, tentativa de separação, repetir) em vez de um aquecimento longo. Se o adesivo “volta a endurecer”, reaqueça e continue, sem forçar.
Como medir e validar o aquecimento
- Termômetro infravermelho: meça em vários pontos do perímetro para evitar ponto quente. Lembre que superfícies brilhantes podem enganar a leitura; meça em áreas com acabamento fosco/escuro quando possível.
- Teste mecânico leve: após aquecer, a palheta deve entrar com resistência moderada. Se precisar de força, falta calor ou o ângulo está errado.
- Toque indireto (com luva): serve apenas como referência grosseira; não substitui medição.
Sinais de aquecimento excessivo (pare e reavalie)
- Descoloração/manchas em OLED (áreas mais escuras, “nuvens” ou alteração de tonalidade).
- Odor forte de plástico/cola queimando (diferente do cheiro normal de adesivo aquecido).
- Deformação de moldura plástica, grade de alto-falante, suportes internos ou bordas do display.
- Bolhas surgindo sob películas, máscaras pretas ou camadas do conjunto.
- Adesivo escurecendo ou virando “pó”/carvão em vez de ficar elástico.
Ao notar qualquer sinal, interrompa, deixe esfriar parcialmente e reduza temperatura/tempo no próximo ciclo. Forçar com o conjunto quente demais aumenta o risco de trinca e delaminação.
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Remoção de adesivos: técnicas e ferramentas
1) Palheta (plástica) e espátulas finas
A palheta é a ferramenta principal para “caminhar” pelo perímetro sem concentrar tensão. Prefira palhetas de diferentes espessuras: uma mais fina para iniciar e outra mais rígida para manter a abertura.
- Ângulo: mantenha a palheta quase paralela ao plano da tela, “raspando” o adesivo, não “alavancando” o vidro.
- Profundidade: avance poucos milímetros. Profundidade excessiva pode atingir cabos flex, sensores, bobinas e espumas internas.
- Trava de progresso: deixe uma palheta “calçando” a área já solta para evitar que o adesivo regrude.
2) Fio de corte (quando aplicável)
O fio (nylon, kevlar ou metálico apropriado) é útil quando há cola contínua e espaço para “serrar” o adesivo, reduzindo o risco de lascar vidro por alavanca.
- Como usar: crie um ponto de entrada com palheta fina, passe o fio e faça movimento de serra com baixa amplitude, mantendo o fio o mais paralelo possível ao plano do adesivo.
- Cuidados: fio muito agressivo ou ângulo alto pode marcar camadas, cortar espumas e danificar componentes próximos às bordas.
- Reaquecimento: se o fio começar a “grudar”, pare e reaqueça o trecho em vez de puxar com força.
3) Solventes compatíveis (uso criterioso)
Solventes podem ajudar a soltar resíduos e reduzir esforço, mas exigem compatibilidade com plásticos, tintas e vedação. Use pouca quantidade e aplicação localizada.
- Opções comuns: álcool isopropílico (IPA) para auxiliar em resíduos leves; removedores específicos de adesivo/cola para eletrônicos quando necessário.
- Evite:
- Aplicação segura: use microaplicador/seringa e deixe o solvente “trabalhar” alguns segundos; não encharque. Proteja áreas com espuma/vedação que você pretende preservar.
Trabalhar em etapas ao redor do perímetro (evitar tensão e trincas)
Estratégia de perímetro em “voltas curtas”
Em vez de tentar soltar um lado inteiro, avance em segmentos (ex.: 2–4 cm por vez), alternando lados. Isso distribui a tensão e reduz a chance de trincas adicionais, especialmente em vidros já rachados.
- Passo 1: aqueça um trecho curto do perímetro.
- Passo 2: insira palheta fina e avance poucos milímetros, sentindo a resistência do adesivo.
- Passo 3: deixe uma palheta de “calço” e passe para o trecho seguinte.
- Passo 4: repita ao redor, reativando calor conforme necessário.
Como lidar com cantos (ponto crítico)
Cantos concentram tensão e costumam ter mais cola. Aqueça um pouco mais (sem exceder limites) e use palheta mais fina. Evite torcer a palheta; prefira “cortar” o adesivo com movimentos curtos.
Vidro trincado: controle de fragmentos
- Estabilização: use fita apropriada na face externa para segurar fragmentos e reduzir lascas durante o corte.
- Sem alavanca: trinca + alavanca = propagação. Trabalhe com corte do adesivo, não com flexão do vidro.
Cuidados com vedação, tintas e acabamentos
Vedação (gaxetas e fitas)
- Não arranque a vedação “na força”: se a intenção é preservar referência de assentamento, remova com calor e ferramenta plástica.
- Evite solvente em excesso: pode inchar borrachas e comprometer aderência futura.
- Observe a posição: algumas vedações têm orientação e recortes; mantenha o padrão para reinstalação correta.
Máscara preta/serigrafia e tintas internas
- Risco: solvente e calor excessivo podem manchar ou levantar a máscara preta (borda do display), deixando marcas visíveis após a montagem.
- Prática: aplique solvente longe da borda serigrafada sempre que possível e prefira aquecimento moderado com tempo controlado.
Passo a passo prático: aquecer e remover adesivo com segurança
Procedimento base (tela/vidro colado no perímetro)
Pré-aquecimento: aqueça o perímetro de forma uniforme (placa térmica ou soprador em movimento). Priorize aquecer “o adesivo”, não o centro do display.
Teste de entrada: tente inserir uma palheta fina em um ponto de menor risco (geralmente lateral, evitando áreas com flex/sensores). Se não entrar com controle, reaqueça e tente novamente.
Avanço controlado: avance poucos milímetros, mantendo a palheta paralela ao plano. Se sentir travar, pare, reaqueça o trecho e continue.
Trabalho em etapas: faça segmentos curtos e vá alternando lados. Mantenha palhetas de calço para impedir regrudar.
Cantos: reaqueça antes de cada canto. Use palheta mais fina e movimentos curtos de corte.
Uso de fio (se aplicável): quando houver espaço, passe o fio e “serre” o adesivo com baixa amplitude, reativando calor quando necessário.
Separação final: quando o perímetro estiver solto, levante gradualmente sem torção. Se qualquer ponto resistir, volte e corte o adesivo restante (não force).
Remoção de resíduos de adesivo (sem danificar superfícies)
- Primeiro mecânico, depois químico: remova o grosso com ferramenta plástica; use solvente apenas para “filme” residual.
- Movimento: raspe no sentido do adesivo, com baixa pressão. Pressão alta pode arrancar tinta, espuma ou acabamento.
- Controle de contaminação: não deixe solvente escorrer para áreas internas; aplique em pano/microaplicador, não diretamente em excesso.
Checklist de segurança antes de avançar para limpeza
- Temperatura controlada: sem sinais de superaquecimento (odor forte, deformação, descoloração, bolhas).
- Perímetro totalmente solto: nenhum ponto “puxa” ao levantar; sem necessidade de força.
- Ferramentas corretas: palhetas íntegras (sem rebarbas), fio em bom estado, aplicadores limpos.
- Resíduos sob controle: adesivo grosso removido sem arrancar máscara preta/serigrafia.
- Vedação preservada/identificada: gaxetas e fitas não foram rasgadas; posição e orientação observadas.
- Sem contaminação: solvente não escorreu para áreas sensíveis; não há partículas soltas prontas para cair no conjunto.
- Área de trabalho segura: superfície estável, peça apoiada sem torção, fragmentos de vidro contidos.