Aquecimento controlado e remoção de adesivos na troca de tela e vidro

Capítulo 6

Tempo estimado de leitura: 5 minutos

+ Exercício

Conceito: por que o aquecimento controlado é decisivo

Na troca de tela e vidro, o calor tem duas funções principais: amolecer o adesivo (cola perimetral, fitas, espuma) e reduzir a força mecânica necessária para separar peças. O objetivo é chegar a uma temperatura suficiente para “dar elasticidade” ao adesivo, sem ultrapassar limites que causem danos ao OLED, à bateria, a plásticos (molduras, antenas, suportes) e a tintas/revestimentos (máscaras pretas, serigrafia e coatings).

O risco mais comum não é “falta de calor”, e sim calor mal distribuído (pontos quentes) e tempo excessivo no mesmo local, que aumentam a chance de: mancha em OLED, deformação de plásticos, descolamento de camadas, perda de vedação e trincas adicionais por tensão localizada.

Ferramentas de aquecimento e quando usar

Soprador térmico (ar quente)

  • Vantagens: rápido, bom para áreas pequenas e para “reativar” adesivo durante o corte.
  • Riscos: cria pontos quentes com facilidade; pode aquecer demais bordas e plásticos; pode empurrar poeira para dentro.
  • Quando preferir: para manutenção de temperatura durante a separação e para adesivos mais resistentes, desde que com controle de distância e movimento constante.

Placa térmica (hot plate)

  • Vantagens: aquecimento mais uniforme, menor chance de ponto quente; excelente para soltar cola perimetral de telas.
  • Riscos: se a temperatura estiver alta demais, o aquecimento uniforme “cozinha” o conjunto inteiro; exige atenção ao tempo.
  • Quando preferir: para telas coladas no aro e para separação de vidro/tela em conjuntos que tolerem aquecimento uniforme.

Bolsa térmica/gel aquecido (opcional)

  • Vantagens: aquecimento suave e distribuído; útil para pré-aquecimento.
  • Limitações: menos controle fino; pode perder temperatura rápido.

Controle de temperatura e tempo (prática segura)

Faixas de referência (boas práticas)

Use estas faixas como ponto de partida e ajuste conforme o comportamento do adesivo e a construção do aparelho:

  • Placa térmica: geralmente 70–90 °C para amolecer adesivo perimetral. Comece mais baixo e aumente em pequenos passos.
  • Soprador térmico: trabalhe com movimento constante e distância segura; o foco é aquecer a superfície gradualmente, não “torrar” um ponto. Evite ficar parado no mesmo lugar.

Tempo: prefira ciclos curtos (ex.: 30–60 s de aquecimento, tentativa de separação, repetir) em vez de um aquecimento longo. Se o adesivo “volta a endurecer”, reaqueça e continue, sem forçar.

Como medir e validar o aquecimento

  • Termômetro infravermelho: meça em vários pontos do perímetro para evitar ponto quente. Lembre que superfícies brilhantes podem enganar a leitura; meça em áreas com acabamento fosco/escuro quando possível.
  • Teste mecânico leve: após aquecer, a palheta deve entrar com resistência moderada. Se precisar de força, falta calor ou o ângulo está errado.
  • Toque indireto (com luva): serve apenas como referência grosseira; não substitui medição.

Sinais de aquecimento excessivo (pare e reavalie)

  • Descoloração/manchas em OLED (áreas mais escuras, “nuvens” ou alteração de tonalidade).
  • Odor forte de plástico/cola queimando (diferente do cheiro normal de adesivo aquecido).
  • Deformação de moldura plástica, grade de alto-falante, suportes internos ou bordas do display.
  • Bolhas surgindo sob películas, máscaras pretas ou camadas do conjunto.
  • Adesivo escurecendo ou virando “pó”/carvão em vez de ficar elástico.

Ao notar qualquer sinal, interrompa, deixe esfriar parcialmente e reduza temperatura/tempo no próximo ciclo. Forçar com o conjunto quente demais aumenta o risco de trinca e delaminação.

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Remoção de adesivos: técnicas e ferramentas

1) Palheta (plástica) e espátulas finas

A palheta é a ferramenta principal para “caminhar” pelo perímetro sem concentrar tensão. Prefira palhetas de diferentes espessuras: uma mais fina para iniciar e outra mais rígida para manter a abertura.

  • Ângulo: mantenha a palheta quase paralela ao plano da tela, “raspando” o adesivo, não “alavancando” o vidro.
  • Profundidade: avance poucos milímetros. Profundidade excessiva pode atingir cabos flex, sensores, bobinas e espumas internas.
  • Trava de progresso: deixe uma palheta “calçando” a área já solta para evitar que o adesivo regrude.

2) Fio de corte (quando aplicável)

O fio (nylon, kevlar ou metálico apropriado) é útil quando há cola contínua e espaço para “serrar” o adesivo, reduzindo o risco de lascar vidro por alavanca.

  • Como usar: crie um ponto de entrada com palheta fina, passe o fio e faça movimento de serra com baixa amplitude, mantendo o fio o mais paralelo possível ao plano do adesivo.
  • Cuidados: fio muito agressivo ou ângulo alto pode marcar camadas, cortar espumas e danificar componentes próximos às bordas.
  • Reaquecimento: se o fio começar a “grudar”, pare e reaqueça o trecho em vez de puxar com força.

3) Solventes compatíveis (uso criterioso)

Solventes podem ajudar a soltar resíduos e reduzir esforço, mas exigem compatibilidade com plásticos, tintas e vedação. Use pouca quantidade e aplicação localizada.

  • Opções comuns: álcool isopropílico (IPA) para auxiliar em resíduos leves; removedores específicos de adesivo/cola para eletrônicos quando necessário.
  • Evite:
  • Aplicação segura: use microaplicador/seringa e deixe o solvente “trabalhar” alguns segundos; não encharque. Proteja áreas com espuma/vedação que você pretende preservar.

Trabalhar em etapas ao redor do perímetro (evitar tensão e trincas)

Estratégia de perímetro em “voltas curtas”

Em vez de tentar soltar um lado inteiro, avance em segmentos (ex.: 2–4 cm por vez), alternando lados. Isso distribui a tensão e reduz a chance de trincas adicionais, especialmente em vidros já rachados.

  • Passo 1: aqueça um trecho curto do perímetro.
  • Passo 2: insira palheta fina e avance poucos milímetros, sentindo a resistência do adesivo.
  • Passo 3: deixe uma palheta de “calço” e passe para o trecho seguinte.
  • Passo 4: repita ao redor, reativando calor conforme necessário.

Como lidar com cantos (ponto crítico)

Cantos concentram tensão e costumam ter mais cola. Aqueça um pouco mais (sem exceder limites) e use palheta mais fina. Evite torcer a palheta; prefira “cortar” o adesivo com movimentos curtos.

Vidro trincado: controle de fragmentos

  • Estabilização: use fita apropriada na face externa para segurar fragmentos e reduzir lascas durante o corte.
  • Sem alavanca: trinca + alavanca = propagação. Trabalhe com corte do adesivo, não com flexão do vidro.

Cuidados com vedação, tintas e acabamentos

Vedação (gaxetas e fitas)

  • Não arranque a vedação “na força”: se a intenção é preservar referência de assentamento, remova com calor e ferramenta plástica.
  • Evite solvente em excesso: pode inchar borrachas e comprometer aderência futura.
  • Observe a posição: algumas vedações têm orientação e recortes; mantenha o padrão para reinstalação correta.

Máscara preta/serigrafia e tintas internas

  • Risco: solvente e calor excessivo podem manchar ou levantar a máscara preta (borda do display), deixando marcas visíveis após a montagem.
  • Prática: aplique solvente longe da borda serigrafada sempre que possível e prefira aquecimento moderado com tempo controlado.

Passo a passo prático: aquecer e remover adesivo com segurança

Procedimento base (tela/vidro colado no perímetro)

  1. Pré-aquecimento: aqueça o perímetro de forma uniforme (placa térmica ou soprador em movimento). Priorize aquecer “o adesivo”, não o centro do display.

  2. Teste de entrada: tente inserir uma palheta fina em um ponto de menor risco (geralmente lateral, evitando áreas com flex/sensores). Se não entrar com controle, reaqueça e tente novamente.

  3. Avanço controlado: avance poucos milímetros, mantendo a palheta paralela ao plano. Se sentir travar, pare, reaqueça o trecho e continue.

  4. Trabalho em etapas: faça segmentos curtos e vá alternando lados. Mantenha palhetas de calço para impedir regrudar.

  5. Cantos: reaqueça antes de cada canto. Use palheta mais fina e movimentos curtos de corte.

  6. Uso de fio (se aplicável): quando houver espaço, passe o fio e “serre” o adesivo com baixa amplitude, reativando calor quando necessário.

  7. Separação final: quando o perímetro estiver solto, levante gradualmente sem torção. Se qualquer ponto resistir, volte e corte o adesivo restante (não force).

Remoção de resíduos de adesivo (sem danificar superfícies)

  • Primeiro mecânico, depois químico: remova o grosso com ferramenta plástica; use solvente apenas para “filme” residual.
  • Movimento: raspe no sentido do adesivo, com baixa pressão. Pressão alta pode arrancar tinta, espuma ou acabamento.
  • Controle de contaminação: não deixe solvente escorrer para áreas internas; aplique em pano/microaplicador, não diretamente em excesso.

Checklist de segurança antes de avançar para limpeza

  • Temperatura controlada: sem sinais de superaquecimento (odor forte, deformação, descoloração, bolhas).
  • Perímetro totalmente solto: nenhum ponto “puxa” ao levantar; sem necessidade de força.
  • Ferramentas corretas: palhetas íntegras (sem rebarbas), fio em bom estado, aplicadores limpos.
  • Resíduos sob controle: adesivo grosso removido sem arrancar máscara preta/serigrafia.
  • Vedação preservada/identificada: gaxetas e fitas não foram rasgadas; posição e orientação observadas.
  • Sem contaminação: solvente não escorreu para áreas sensíveis; não há partículas soltas prontas para cair no conjunto.
  • Área de trabalho segura: superfície estável, peça apoiada sem torção, fragmentos de vidro contidos.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao usar calor para soltar o adesivo na troca de tela/vidro, qual conduta melhor reduz o risco de danos como manchas em OLED e deformação de plásticos?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

O procedimento seguro prioriza calor bem distribuído e por tempo controlado, usando ciclos curtos e validação por medição em vários pontos. Isso evita pontos quentes e excesso de aquecimento, reduzindo riscos como manchas em OLED, deformação e delaminação.

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