Aplicação da argamassa: cordões, tempo em aberto e controle de aderência

Capítulo 5

Tempo estimado de leitura: 8 minutos

+ Exercício

Conceitos essenciais: contato, cordões e aderência

A aderência no assentamento depende de três controles que acontecem ao mesmo tempo: contato (argamassa “molhando” base e tardoz), geometria dos cordões (altura e orientação corretas) e tempo (usar a argamassa antes de perder capacidade de colagem por formação de película). Quando qualquer um desses pontos falha, surgem vazios, som cavo e risco de desplacamento.

  • Dupla camada de contato: uma camada fina para “morder” a superfície (na base e/ou no tardoz, conforme o caso) + camada com cordões para garantir espessura e acomodação.
  • Cordões: sulcos formados pela desempenadeira dentada; precisam manter altura e não podem ser “amassados” antes do assentamento.
  • Tempo em aberto: janela em que a argamassa aplicada na base ainda aceita a peça e transfere aderência.
  • Tempo de formação de película: momento em que a superfície dos cordões “seca” e cria uma película; mesmo que pareça úmida por baixo, a colagem cai muito.

Passo a passo prático de aplicação correta

1) Organize a área e defina o ritmo de trabalho

  • Separe desempenadeira lisa, desempenadeira dentada (dente adequado ao formato da peça), martelo de borracha, espaçadores, nível/sistema de nivelamento, esponja e balde com água limpa para limpeza imediata.
  • Planeje aplicar argamassa em panos pequenos (área que você consegue cobrir com peças antes de formar película). Em ambientes quentes/ventosos, reduza ainda mais o pano.
  • Evite correntes de ar direto e insolação sobre a base; isso acelera a película e reduz o tempo em aberto.

2) Dupla camada de contato na base (camada “chapiscada/queima” quando adequado)

Antes dos cordões, faça uma camada fina de contato para melhorar a ancoragem e reduzir falhas por micro-porosidade ou textura.

  • Com a desempenadeira lisa, espalhe uma película fina de argamassa, pressionando para “esfregar” e preencher poros e micro-irregularidades.
  • Essa camada não é para criar espessura; é para garantir contato íntimo com a base.
  • Em bases muito lisas/fechadas, a “queima” (esfregar a argamassa com pressão) ajuda a aumentar o contato, mas não substitui requisitos de preparo da base já tratados em capítulos anteriores.

3) Formação dos cordões com ângulo correto

Após a camada de contato, aplique mais argamassa e forme cordões uniformes.

  • Deposite argamassa suficiente e, com a desempenadeira dentada, puxe em uma única direção, formando cordões paralelos.
  • Mantenha a desempenadeira com ângulo constante de aprox. 60° em relação à base (referência prática: entre 45° e 70°, ajustando para manter cordões “altos” e contínuos).
  • Não faça movimentos circulares com o dente: isso aprisiona ar e aumenta vazios.
  • Evite “repassar” muitas vezes no mesmo lugar; isso quebra os cordões e acelera a película.

4) Orientação dos cordões para expulsar o ar

A direção dos cordões influencia a saída de ar quando a peça é pressionada.

  • Em geral, mantenha cordões paralelos ao lado menor da peça (ou ao sentido em que você vai “assentar e arrastar”), para facilitar o colapso dos cordões e expulsão do ar.
  • Em peças grandes, a regra prática é: cordões em uma direção e assentamento com movimento perpendicular aos cordões (leve “vai e vem” curto) para colapsar os sulcos.

5) Dupla camada de contato no tardoz (back-buttering) quando necessário

Além da base, algumas situações pedem camada de contato também no tardoz (verso) da peça para evitar vazios e aumentar a aderência.

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  • Com desempenadeira lisa, aplique uma camada fina no tardoz, pressionando para preencher relevos e retirar pó.
  • Essa camada deve ser fina e contínua, sem criar “montes” que atrapalhem o nivelamento.
  • É especialmente útil em: peças de grande formato, porcelanatos com tardoz muito texturizado, assentamento em áreas críticas e quando se busca maior percentual de cobertura.

6) Assentamento: pressão, movimento e colapso dos cordões

  • Posicione a peça no lugar e pressione.
  • Faça um movimento curto de deslizamento (alguns milímetros) perpendicular aos cordões para colapsá-los.
  • Use martelo de borracha com batidas leves e uniformes, se necessário, para acomodar sem “flutuar” a peça.
  • Instale espaçadores e, se houver, o sistema de nivelamento conforme o plano de paginação e prumo/nível.

Controle do tempo em aberto e da formação de película

Como reconhecer que a argamassa ainda está “viva”

  • Os cordões devem estar úmidos ao toque e com aspecto “fresco”.
  • Ao encostar levemente o dedo, a argamassa deve transferir material e “grudar” (teste simples de pegajosidade).

Sinais de película (perda de colagem na superfície)

  • Superfície com aspecto opaco/selado, menos pegajosa.
  • Ao tocar, não suja o dedo ou suja muito pouco.
  • Ao assentar a peça, a argamassa não “molha” o tardoz e a cobertura fica falhada.

Boas práticas para manter o tempo em aberto

  • Aplique argamassa em panos menores e assente imediatamente.
  • Evite espalhar argamassa e “deixar para depois”.
  • Em calor/vento, reduza a área aplicada e aumente a frequência de verificação com testes.
  • Não “reviva” argamassa que já começou a perder trabalhabilidade com água por cima; isso compromete desempenho.

Testes simples de verificação de aderência e cobertura

1) Inspeção do tardoz (levantamento de peça)

É o teste mais didático para confirmar se os cordões colapsaram e se a cobertura está adequada.

  • Após assentar algumas peças (principalmente no início do pano), levante uma peça com cuidado.
  • Observe o tardoz: deve haver argamassa bem distribuída, sem “linhas” intactas de cordões e sem áreas secas.
  • Observe a base: os cordões devem ter colapsado; se ainda estão “em pé”, faltou pressão/movimento, dente inadequado ou argamassa já com película.

2) Teste de arrancamento prático (checagem de colagem inicial)

Sem instrumentos, dá para fazer uma checagem simples de colagem inicial durante o trabalho.

  • Assente uma peça de teste e, após alguns minutos (ainda dentro do tempo de ajuste), tente deslocá-la lateralmente com as mãos.
  • Se a peça “patina” facilmente e a argamassa não transfere bem para o tardoz, é sinal de película, pouco contato ou cordões mal formados.
  • Use esse teste para ajustar: tamanho do pano, ângulo da desempenadeira, necessidade de back-buttering e pressão de assentamento.

Como corrigir perda de aderência (película, poeira, cordões quebrados)

Quando a argamassa na base formou película

  • Não tente “salvar” apenas passando a desempenadeira por cima sem remover: isso pode deixar grumos e não recupera a colagem.
  • Raspe e remova a argamassa daquele trecho e aplique novamente (camada de contato + cordões).
  • Reduza o pano de aplicação e reavalie ventilação/temperatura.

Quando a peça foi assentada e a cobertura ficou ruim

  • Retire a peça imediatamente enquanto ainda é possível ajustar.
  • Limpe o tardoz (remova argamassa que já começou a secar em película) e reaplique camada fina de contato no tardoz, se necessário.
  • Reaplique argamassa na base com cordões novos e reassente com movimento perpendicular.

Quando há poeira no tardoz ou na base

  • Poeira funciona como desmoldante: reduz contato e pode gerar desplacamento.
  • Limpe o tardoz com pano/esponja levemente umedecida (sem encharcar) e aguarde não haver água livre.
  • Na base, remova pó solto antes de aplicar argamassa.

Boas práticas para evitar vazios, som cavo e desplacamento

Evite vazios com técnica de cordões e assentamento

  • Faça cordões contínuos, de altura uniforme, sem falhas.
  • Oriente cordões em uma direção e colapse com movimento perpendicular.
  • Use dente adequado: dente pequeno tende a deixar pouca espessura e falhar em peças maiores; dente grande demais pode dificultar nivelamento e gerar excesso de argamassa nas juntas.
  • Não “penteie” argamassa já endurecendo; refaça o trecho.

Controle de espessura e acomodação

  • Não compense desníveis grandes com argamassa colante; isso aumenta retração local e risco de vazios.
  • Ao bater com martelo de borracha, distribua a pressão do centro para as bordas para expulsar ar.

Cuidados com juntas e limpeza imediata

  • Evite que argamassa suba e preencha a junta em excesso; isso dificulta o rejuntamento e pode criar pontos rígidos.
  • Limpe extravasamentos enquanto fresco, sem lavar a superfície com excesso de água.

Checklist rápido de controle durante o assentamento

O que verificarSinal de problemaAjuste imediato
Cordões “frescos” e pegajososSuperfície opaca/sem pegaRemover e reaplicar; reduzir pano
Cordões colapsados após assentamentoLinhas altas intactasMais pressão/movimento; dente maior; back-buttering
Transferência para o tardozÁreas secas/sem argamassaCamada de contato no tardoz; refazer trecho
Som ao percutir (após cura)Som cavo localizadoPrevenir com cobertura; em obra, avaliar remoção e refazer

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao perceber que a argamassa aplicada na base formou película (superfície opaca e pouca pegajosidade), qual é a ação correta para recuperar a aderência antes de assentar as peças?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Quando há película, a colagem na superfície cai. O correto é remover e reaplicar a argamassa (contato + cordões) e ajustar o tamanho do pano para evitar nova formação de película.

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Dupla colagem em porcelanatos e peças grandes: quando usar e como executar

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