O que é dupla colagem (back-buttering) e por que ela existe
Dupla colagem é a técnica em que a argamassa colante é aplicada na base e também no tardoz da peça (parte de trás do porcelanato/placa). O objetivo não é “colar mais forte” por excesso de material, e sim aumentar a área real de contato, reduzir vazios e expulsar ar durante o assentamento. Em peças grandes e porcelanatos de baixa absorção, qualquer vazio pode virar ponto de som oco, infiltração, mancha por umidade, trinca por concentração de tensões ou descolamento.
Na prática, a dupla colagem funciona como um “preenchimento” do tardoz para que, ao pressionar a peça sobre os cordões da base, a argamassa se una sem deixar bolsas de ar.
Quando a dupla colagem é necessária
Use dupla colagem sempre que houver maior risco de vazios ou maior exigência de desempenho. Situações típicas:
- Peças grandes (placas grandes e/ou alongadas): quanto maior a peça, mais difícil garantir cobertura total apenas com cordões na base.
- Porcelanato de baixa absorção: exige contato efetivo e contínuo para aderência e estabilidade; vazios comprometem o conjunto.
- Áreas externas (fachadas, varandas, áreas descobertas): variações térmicas e presença de água pedem cobertura mais alta e menos vazios.
- Locais com maior exigência: áreas de alto tráfego, áreas sujeitas a impacto, ambientes com mudanças térmicas, ou onde o som oco é crítico (ex.: ambientes residenciais com grandes placas).
- Peças com tardoz muito texturizado (ranhuras profundas): a camada no tardoz ajuda a preencher relevos e evitar “pontes” de contato.
Regra prática: se você não consegue atingir a cobertura mínima exigida apenas com a aplicação na base (verificação por peça de teste), a dupla colagem deixa de ser opcional e passa a ser necessária.
Ferramentas e preparação imediata (sem repetir base/argamassa)
- Desempenadeira dentada adequada ao formato (dentes maiores para placas maiores).
- Desempenadeira lisa (ou o lado liso da dentada) para “queimar” a argamassa no tardoz.
- Ventosas/alças para manuseio de placas grandes.
- Espaçadores e cunhas (e sistema de nivelamento, quando aplicável) para controlar junta e planeza.
- Escova/espátula e balde com água para limpeza imediata de excesso nas juntas.
Antes de aplicar no tardoz, garanta que a parte de trás da peça esteja limpa e sem pó. Poeira fina reduz aderência e atrapalha a união entre camadas.
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Técnica correta de dupla colagem: passo a passo
1) Aplique argamassa na base e forme cordões consistentes
Na base, aplique a argamassa e penteie com a desempenadeira dentada, formando cordões de altura uniforme. Evite “ilhas” sem argamassa e evite repassar a desempenadeira em várias direções, pois isso cria cruzamentos que prendem ar.
2) Alinhe os cordões em uma única direção (ponto-chave)
Os cordões devem ficar paralelos e orientados na direção que facilite a saída de ar quando a peça for assentada. Cordões em direções diferentes (ou em “X”) aumentam a chance de aprisionar bolsas de ar.
Exemplo prático: em placas retangulares, alinhe os cordões no sentido do lado menor, para que o ar percorra menos caminho até escapar pelas bordas.
3) Aplique argamassa no tardoz: espalhamento uniforme (sem criar “montes”)
No tardoz, faça uma camada fina e contínua usando o lado liso da desempenadeira (ou uma desempenadeira lisa), pressionando para preencher microrelevos e ranhuras. A ideia é uniformizar, não “engordar” a peça.
- Como fazer: deposite um pouco de argamassa e “puxe” com pressão, como se estivesse raspando, até formar um filme uniforme.
- O que evitar: cordões altos no tardoz. Eles somam altura com os cordões da base e aumentam o risco de excesso subindo para as juntas.
4) Assente a peça com movimento adequado para expulsar ar
Posicione a peça no local e faça o assentamento com movimento de deslizamento curto (para frente e para trás, ou lateral), perpendicular aos cordões, apenas o suficiente para “amassar” os cordões e unir as camadas. Em seguida, aplique pressão uniforme (com as mãos, régua de borracha ou batidas leves com martelo de borracha, quando apropriado).
Por que o movimento importa: ele colapsa os cordões e empurra o ar para fora. Assentar “reto e parado” aumenta a chance de vazios.
5) Cheque a cobertura mínima (controle por peça de teste)
Periodicamente (principalmente no início do pano e ao mudar de lote/condição), levante uma peça recém-assentada para verificar a transferência de argamassa.
- Procure cobertura contínua, sem vazios grandes, especialmente em cantos e bordas.
- Se houver falhas: aumente o tamanho do dente, ajuste o ângulo da desempenadeira, reforce a camada no tardoz e confirme o alinhamento dos cordões.
Esse controle evita que você descubra problemas apenas depois do rejunte, quando o reparo é caro e demorado.
Como evitar excesso de argamassa nas juntas
O excesso de argamassa subindo para as juntas é um dos erros mais comuns na dupla colagem. Ele dificulta o rejuntamento, mancha a borda e pode comprometer a estética. Para evitar:
- Camada no tardoz sempre fina: é “queima”/filme, não cordão.
- Não exagere na altura dos cordões da base: escolha o dente adequado ao formato e à planicidade do conjunto; dentes grandes demais geram extravasamento.
- Controle a pressão: pressione para colapsar cordões, mas sem “espremer” além do necessário. Em placas grandes, distribua a pressão por toda a área.
- Respeite a largura da junta com espaçadores: junta estreita demais aumenta a chance de “fechar” e empurrar argamassa para cima.
- Limpeza imediata: se subir argamassa, remova na hora com espátula plástica/escova e pano úmido, mantendo a profundidade da junta livre para o rejunte.
Dica prática: mantenha a junta com pelo menos 2/3 da profundidade livre de argamassa para receber o rejunte corretamente (sem “casca fina” por cima de argamassa endurecida).
Como lidar com empeno da peça (placas arqueadas)
Peças grandes podem apresentar empeno (curvatura). Isso não se resolve “apertando mais” ou colocando mais argamassa aleatoriamente; isso costuma piorar o nivelamento e aumentar extravasamento. O controle correto envolve técnica de paginação, assentamento e nivelamento.
Identificação rápida do empeno
- Encoste duas peças face com face e observe folgas nas extremidades.
- Use uma régua para verificar a curvatura ao longo do comprimento.
Estratégias práticas durante o assentamento
- Evite alinhamento “meia peça” (50%) em réguas/placas alongadas quando houver empeno perceptível. Prefira deslocamentos menores (ex.: 1/3) para reduzir degraus entre peças.
- Use sistema de nivelamento (cunhas/clip) para controlar lippage (degrau). Ele não corrige empeno, mas ajuda a manter transições mais suaves entre peças adjacentes.
- Pressão distribuída: aplique pressão do centro para as bordas, colapsando cordões de forma uniforme.
- Dupla colagem bem executada ajuda a “acompanhar” microvariações do tardoz, mas não deve virar “calço” com montes de argamassa.
O que não fazer com peças empenadas
- Não crie “bolos” de argamassa para tentar nivelar: isso aumenta retração localizada, extravasamento e risco de oco.
- Não force a peça além do limite com batidas fortes: pode trincar a placa ou romper a aderência em pontos.
Checklist rápido de execução (para usar na obra)
| Item | O que conferir |
|---|---|
| Cordões na base | Paralelos, contínuos, altura uniforme |
| Argamassa no tardoz | Camada fina e completa, sem montes |
| Movimento de assentamento | Deslizamento curto perpendicular aos cordões + pressão uniforme |
| Vazios | Peça de teste com boa transferência, bordas e cantos preenchidos |
| Juntas | Sem argamassa “subindo”; limpeza imediata; profundidade livre para rejunte |
| Empeno | Paginação adequada (evitar 50% em réguas), nivelamento com cunhas/clip |