O que é “ponto de colheita” e por que ele importa
Colher mel no ponto certo significa retirar apenas o mel maduro, com baixa umidade e bem selado pelas abelhas. Isso reduz o risco de fermentação, melhora a qualidade e evita retirar recursos essenciais do ninho. Na prática, o ponto de colheita é avaliado principalmente por: percentual de quadros operculados, condição do fluxo de néctar e risco de umidade alta (que favorece fermentação).
Indicadores práticos do ponto de colheita
- Quadros operculados: priorize quadros com a maior parte das células seladas (operculadas). Como referência prática, busque ≥ 80% operculado por quadro. Quanto maior o percentual selado, menor a chance de mel “verde” (úmido).
- Teste do “sacudir” (shake test): segure o quadro na posição horizontal e dê uma sacudida firme. Se pingar néctar/mel, há grande chance de estar úmido demais para colher. Se não pingar, é um bom sinal (ainda assim, o operculado é o melhor indicador).
- Fluxo de néctar: em fluxo forte, as abelhas podem estar enchendo quadros rapidamente com néctar ainda não maturado. Nesses períodos, seja mais exigente com o operculado e evite colher quadros “brilhantes” e muito abertos.
- Risco de fermentação: aumenta quando o mel é colhido com umidade alta, em dias chuvosos/úmidos, ou quando o mel fica exposto ao ar por muito tempo. Sinais indiretos: quadros pouco operculados, gotejamento no shake test e ambiente úmido no dia da colheita.
O que não colher (para proteger a colônia e a qualidade)
- Quadros do ninho: não misture quadros do ninho com quadros de mel para extração. Além de higiene e sabor, isso reduz risco de levar resíduos, pólen e cria para a sala de mel.
- Quadros com cria, pólen em excesso ou mel muito escuro/velho do ninho: mantenha a colheita restrita às melgueiras (supers) destinadas ao mel.
- Quadros com sinais de umidade alta: pouco operculado e/ou que pingam no shake test.
Planejamento da colheita: horário, clima e organização
Horário adequado
- Preferência: fim da manhã até início da tarde, quando parte das campeiras está fora e a temperatura ajuda o mel a fluir (facilita manuseio e reduz tempo de exposição).
- Evite: início da manhã fria/úmida e fim de tarde/noite (mais abelhas na colmeia, maior defensividade e maior chance de umidade/condensação).
Condições climáticas
- Escolha dias secos, com baixa umidade relativa, para reduzir risco de absorção de água pelo mel durante o manuseio.
- Evite chuva e neblina. Se precisar colher em período úmido, reduza ao máximo o tempo de quadros expostos e mantenha recipientes sempre tampados.
Organização do fluxo de trabalho (para reduzir estresse e contaminação)
Antes de abrir a primeira colmeia, deixe definido: rota de transporte, local de apoio, recipientes com tampa, ferramentas limpas e um “ponto de espera” para melgueiras fechadas. O objetivo é abrir, retirar, fechar e transportar com o mínimo de tempo e de manipulação.
Como retirar melgueiras minimizando estresse das abelhas
Princípios de bem-estar durante a colheita
- Movimentos lentos e firmes: evite batidas, arrastos e vibração excessiva.
- Tempo de colmeia aberta: quanto menor, melhor. Planeje para não “procurar coisas” com a colmeia aberta.
- Uso moderado de fumaça: o suficiente para organizar as abelhas, não para saturar a colmeia.
- Prevenção de esmagamento: abelhas esmagadas liberam odor de alarme e aumentam defensividade.
Uso moderado de fumaça (na prática)
- Aplique poucas baforadas na entrada e sob a tampa, aguarde alguns segundos e só então manipule.
- Evite fumaça direta e prolongada sobre os quadros de mel. Excesso de fumaça pode aumentar agitação e impregnar odor no material.
- Se as abelhas estiverem calmas, reduza ainda mais a fumaça. A fumaça é ferramenta, não “padrão fixo”.
Controle de abelhas na melgueira (sem agressividade)
O objetivo é retirar a melgueira com o mínimo de abelhas possível, sem sacudir quadros de forma brusca e sem esmagar. Opções comuns:
- Escova/pena macia: escove suavemente as abelhas do topo dos quadros para dentro da colmeia. Funciona melhor em dias secos e com abelhas menos defensivas.
- Sacudida controlada do quadro: se necessário, uma sacudida curta e firme para deslocar a maioria das abelhas, seguida de escovação leve. Evite repetição e pancadas.
- Retirada por etapas: levante a melgueira, verifique a face inferior e remova abelhas aglomeradas antes de colocar no recipiente/caixa de transporte.
Procedimento de colheita seguro (passo a passo)
O passo a passo abaixo foca em reduzir contaminação, evitar fermentação e minimizar estresse da colônia.
1) Preparar o local de apoio e os recipientes
- Escolha um ponto próximo ao apiário, mas fora da linha de voo, para apoiar e fechar melgueiras.
- Tenha caixas/recipientes com tampa (ou melgueiras vazias com tampa) para receber os quadros/melgueiras e evitar entrada de poeira, formigas e abelhas.
- Deixe um pano limpo ou tampa rígida para cobrir imediatamente qualquer melgueira retirada.
2) Abrir a colmeia e confirmar o ponto de colheita
- Abra com calma, usando fumaça moderada.
- Inspecione rapidamente a melgueira: priorize quadros com alto percentual operculado.
- Se houver dúvida em quadros abertos, faça o shake test em 1–2 quadros representativos.
3) Retirar quadros/melgueiras reduzindo esmagamento
- Crie espaço com cuidado antes de puxar o primeiro quadro (evita esmagar abelhas nas laterais).
- Ao recolocar quadros, alinhe lentamente e observe as bordas para não prensar abelhas.
- Evite apoiar quadros em superfícies sujas ou no chão. Use suporte limpo ou mantenha o quadro sempre nas mãos.
4) Remover abelhas dos quadros e fechar imediatamente
- Remova abelhas com escovação suave e/ou sacudida controlada.
- Coloque o quadro na caixa/recipiente e tampe na hora.
- Se estiver retirando a melgueira inteira, faça o mesmo: retire, confira a parte inferior, remova aglomerados e tampe.
5) Transporte das melgueiras/quadros (sem aquecer e sem contaminar)
- Transporte em veículo limpo, com as melgueiras estáveis (sem tombar) para evitar esmagamento e vazamento.
- Mantenha boa ventilação e evite sol direto prolongado no material colhido (calor excessivo pode amolecer cera e aumentar vazamentos).
- Não deixe melgueiras abertas durante o transporte: isso atrai abelhas, vespas e poeira.
6) Controle de abelhas no local (evitar “roubo” e confusão)
- Trabalhe com recipientes sempre fechados para não atrair abelhas para o mel exposto.
- Se notar aumento de abelhas tentando acessar o material colhido, acelere o fechamento e remova o material do local.
- Evite derramar mel. Pequenos respingos podem desencadear intensa atração de abelhas e dificultar o manejo.
Boas práticas de higiene na colheita e no manuseio do mel
Ambiente limpo e fluxo “sujo → limpo”
Organize o trabalho para que itens que tocaram o apiário (parte externa de caixas, ferramentas usadas na colmeia) não entrem em contato com superfícies e utensílios destinados ao mel. Uma regra simples é separar mentalmente:
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- Zona do apiário (mais “suja”): onde ficam ferramentas de abertura, tampas, caixas externas.
- Zona do mel (mais “limpa”): onde ficam recipientes internos, peneiras, baldes e superfícies que tocam o mel.
Utensílios adequados e materiais recomendados
- Use utensílios de aço inox ou materiais próprios para alimentos (evite recipientes que liberem odor ou resíduos).
- Tenha tampas que vedem bem para baldes/caixas de quadros.
- Mantenha panos limpos e secos apenas para cobrir e proteger (pano úmido pode aumentar umidade do mel e carregar odores).
Proteção contra poeira e insetos
- Não deixe quadros expostos ao ar por longos períodos.
- Trabalhe com recipientes tampados e, se necessário, use telas/grades de proteção no local de apoio.
- Evite apoiar quadros em locais com vento levantando poeira.
Separação rigorosa: materiais do ninho vs. materiais do mel
- Não misture quadros do ninho (com cria/pólen) com quadros de mel para extração.
- Se uma ferramenta tocou quadros do ninho e ficou com própolis/cera escura, limpe antes de usar em área “limpa”.
- Armazene melgueiras e quadros de mel em local separado de materiais do ninho para reduzir contaminação cruzada.
Checklist rápido de higiene (para usar no dia)
| Item | Verificar |
|---|---|
| Recipientes com tampa | Limpos, secos, fecham bem |
| Superfície de apoio | Limpa, elevada, protegida de poeira |
| Ferramentas | Sem sujeira acumulada; separadas por uso (apiário vs. mel) |
| Exposição do mel | Mínima; quadros sempre cobertos/tampados |
| Transporte | Veículo limpo; carga estável; sem sol direto prolongado |
Erros comuns e como evitar
Colher mel “verde” (úmido)
- Erro: colher quadros pouco operculados em fluxo forte.
- Como evitar: priorize ≥ 80% operculado e use o shake test quando houver dúvida.
Deixar melgueiras abertas atraindo abelhas e insetos
- Erro: apoiar melgueira aberta enquanto “termina de ver” a colmeia.
- Como evitar: tampa imediata e recipientes fechados; organize o passo a passo para não interromper.
Esmagar abelhas durante a retirada
- Erro: puxar quadros sem criar espaço e recolocar rapidamente.
- Como evitar: movimentos lentos, observar bordas, alinhar antes de fechar.
Contaminar o mel com poeira/odores
- Erro: quadros expostos ao vento, recipientes inadequados, mistura de materiais do ninho.
- Como evitar: zona “limpa” separada, utensílios próprios para alimentos, tampas sempre fechadas.