Objetivo do treino no solo: flexibilidade com controle
Posturas no solo são ideais para desenvolver mobilidade e relaxamento com menor carga nas articulações. O foco aqui não é “ir o mais longe possível”, e sim criar espaço com estabilidade: você alonga enquanto mantém o corpo organizado e a respiração tranquila.
Alongamento passivo x ativo (e por que isso muda sua prática)
Alongamento passivo acontece quando você “se entrega” à gravidade ou a um suporte (cinto, bloco, almofada), com pouca contração muscular. É útil para reduzir tensão e treinar relaxamento, mas pode facilitar compensações (forçar a amplitude em vez de distribuí-la).
Alongamento ativo acontece quando você cria amplitude mantendo tônus e controle: músculos trabalham para sustentar a posição e proteger articulações. Em geral, é mais seguro para iniciantes quando a intenção é ganhar mobilidade funcional.
Regra prática: comece ativo (organize e estabilize), depois permita um pouco de passivo (suavize) sem perder o alinhamento.
Escala de esforço (intensidade) para alongar com segurança
- 0–2/10: muito leve, aquecimento/recuperação.
- 3–4/10: leve a moderado, ideal para a maior parte do treino.
- 5–6/10: moderado a intenso, use por pouco tempo e com boa técnica.
- 7/10 ou mais: evite (tende a virar “forçar”). Dor aguda, formigamento ou pinçamento = pare e ajuste.
Como evitar compensações comuns
- Ombros tensos: sinal clássico é ombro “subindo” em direção às orelhas. Ajuste: afaste ombros das orelhas, alargue clavículas, apoie a cabeça/peito com suporte se necessário.
- Lombar arredondando excessivamente: comum em alongamentos de posterior de coxa. Ajuste: dobre joelhos, use cinto, eleve quadris em uma manta, priorize coluna longa.
- Pescoço comprimido: evite “olhar para cima” sem necessidade. Mantenha nuca longa; use apoio sob a cabeça quando deitado.
- Respiração presa: se você não consegue respirar suave, a intensidade está alta demais. Reduza amplitude ou use suporte.
Sequência prática de posturas no solo (com variações e tempo)
Use como mini-rotina (10–25 min). Em cada postura, mantenha a intensidade em 3–5/10 e respiração nasal confortável. Sugestão de ritmo: inspire para criar espaço, expire para suavizar tensão desnecessária.
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1) Postura da Criança (Balasana) — descanso ativo
Para quê: acalmar, soltar costas e quadris, reorganizar a respiração.
Passo a passo:
- De joelhos, leve os quadris em direção aos calcanhares.
- Incline o tronco à frente e apoie a testa no chão ou em um suporte.
- Estenda os braços à frente ou deixe ao lado do corpo (palmas para cima).
- Permita que as costelas se expandam na inspiração e “derretam” na expiração.
Variações com suporte:
- Joelhos sensíveis: coloque uma manta dobrada atrás dos joelhos ou sob as canelas.
- Quadris rígidos: coloque um bloco/almofada entre quadris e calcanhares.
- Ombros tensos: braços ao lado do corpo em vez de estendidos.
Tempo: 6–10 respirações lentas (ou 60–90 s).
Pontos de controle: ombros longe das orelhas; respiração sem esforço; não force a testa no chão.
2) Gato–Vaca (Marjaryasana–Bitilasana) — mobilidade segmentada
Para quê: aquecer coluna e melhorar percepção de movimento sem “jogar” o corpo.
Passo a passo:
- Em quatro apoios, mãos sob ombros e joelhos sob quadris.
- Vaca: inspire, incline a pelve para frente, abra o peito e alongue a frente do tronco (sem colapsar na lombar).
- Gato: expire, empurre o chão com as mãos, arredonde a coluna e leve o umbigo suavemente para dentro.
- Faça o movimento como uma onda, do cóccix até a cabeça.
Variações e ajustes:
- Punhos sensíveis: apoie antebraços no chão (variação em “mesa” nos antebraços) ou feche as mãos em punhos com cuidado.
- Ombros tensos: pense em “alargar as costas” e manter o pescoço longo, sem encolher.
Tempo: 6–10 ciclos completos.
Pontos de controle: movimento suave; evite “travamento” no fim da amplitude; mantenha pressão distribuída nas mãos.
3) Esfinge / Cobra Baixa — extensão com suporte
Para quê: abrir a frente do tronco e treinar extensão sem exagerar na lombar.
Esfinge (mais estável) — passo a passo:
- Deite de barriga para baixo.
- Apoie antebraços no chão, cotovelos sob os ombros.
- Inspire, alongue o peito para frente e para cima; expire, mantenha abdômen levemente ativo para não “afundar” na lombar.
- Olhar para frente ou levemente para baixo, nuca longa.
Cobra baixa (um pouco mais ativa) — passo a passo:
- Mãos ao lado das costelas, cotovelos próximos ao corpo.
- Inspire, eleve peito alguns centímetros usando mais as costas do que os braços.
- Expire, mantenha ombros para trás e para baixo (sem “subir” para as orelhas).
Variações com suporte:
- Ombros tensos: prefira Esfinge; coloque uma manta sob o peito/esterno para reduzir esforço.
- Desconforto lombar: diminua a altura, aproxime as pernas, ative glúteos de leve e alongue o cóccix em direção aos calcanhares.
Tempo: 4–8 respirações (20–60 s). Repita 1–2 vezes.
Pontos de controle: sensação deve ser de abertura na frente do tronco, não de compressão dolorosa na lombar; ombros longe das orelhas.
4) Torção supina suave — mobilidade sem “puxar”
Para quê: relaxar costas e quadris, melhorar rotação com controle.
Passo a passo:
- Deite de costas, joelhos dobrados, pés no chão.
- Abra os braços em “T”.
- Expire, deixe os joelhos caírem para um lado até onde for confortável.
- Inspire, sinta as costelas expandirem; expire, permita que o peso dos joelhos desça um pouco (sem forçar).
- Troque de lado com calma.
Variações com suporte:
- Ombro levantando do chão: reduza a amplitude ou coloque um bloco/almofada sob os joelhos.
- Pescoço sensível: mantenha o olhar para cima (não precisa virar a cabeça).
Tempo: 6–10 respirações por lado.
Pontos de controle: torção “acontece” com gravidade; evite puxar o joelho com a mão; mantenha respiração fluida.
5) Ponte (Setu Bandha) — mobilidade de quadril com força
Para quê: abrir flexores do quadril e fortalecer glúteos/posterior, ajudando a proteger a lombar em alongamentos.
Passo a passo:
- Deite de costas, joelhos dobrados, pés paralelos na largura do quadril.
- Aproxime os calcanhares o suficiente para tocar com a ponta dos dedos (aprox.).
- Inspire; ao expirar, pressione os pés no chão e eleve a pelve.
- Mantenha costelas “organizadas” (sem abrir demais) e queixo levemente recolhido para nuca longa.
- Desça devagar na expiração.
Variações com suporte:
- Ponte restaurativa: coloque um bloco firme sob o sacro (não na lombar). Relaxe o peso no bloco.
- Cãibras nos posteriores: afaste um pouco os pés e pense em empurrar o chão com o meio do pé, ativando mais glúteos.
Tempo:
- Ativa: 3–6 repetições de 3–5 respirações cada.
- Com bloco (restaurativa): 8–12 respirações.
Pontos de controle: joelhos não “abrem” para fora nem colapsam para dentro; peso distribuído nos pés; evite apertar ombros no chão—mantenha peito amplo.
6) Alongamento de isquiotibiais com cinto — flexibilidade sem arredondar
Para quê: alongar posterior de coxa com coluna neutra e controle, reduzindo tendência de “puxar” a lombar.
Passo a passo (deitado):
- Deite de costas. Uma perna estendida no chão (ou dobrada, se precisar).
- Coloque um cinto/toalha na planta do pé da perna que vai subir.
- Estenda a perna para cima até sentir alongamento em 3–5/10.
- Mantenha a pelve pesada no chão e a coluna longa.
- Use o cinto para sustentar, sem puxar agressivamente.
Ativo x passivo dentro da mesma postura:
- Ativo (controle): pressione o calcanhar suavemente contra o cinto como se quisesse “baixar” a perna, mas sem mover (contração leve por 3–5 s). Depois relaxe mantendo a altura.
- Passivo (suavizar): após a contração, permita que a perna aproxime alguns milímetros, sem perder pelve estável.
Variações com suporte e ajustes:
- Lombar arredondando / tensão no pescoço: dobre um pouco o joelho da perna elevada e/ou coloque uma manta sob a cabeça.
- Quadril “levanta” do chão: reduza a altura da perna até a pelve ficar estável.
- Perna de baixo desconfortável: mantenha o joelho de baixo dobrado com o pé no chão.
Tempo: 6–10 respirações por lado, com 2–4 ciclos de contração leve (ativo) intercalados com relaxamento (passivo).
Pontos de controle: sensação principal no posterior da coxa, não na lombar; ombros relaxados; mandíbula solta.
Como organizar a respiração para relaxamento durante o alongamento
- Inspiração: pense em “criar espaço” (costelas expandem, tronco cresce).
- Expiração: solte tensão desnecessária (ombros, rosto, mãos) e mantenha o alinhamento.
- Se a respiração encurta: diminua a amplitude ou aumente o suporte até voltar ao esforço 3–5/10.
Roteiro rápido (exemplo de 15 minutos)
| Postura | Tempo | Intensidade |
|---|---|---|
| Criança | 8 respirações | 2–4/10 |
| Gato–Vaca | 8 ciclos | 2–3/10 |
| Esfinge ou Cobra baixa | 6 respirações | 3–5/10 |
| Torção supina (cada lado) | 8 respirações | 2–4/10 |
| Ponte (ativa) | 4x 4 respirações | 4–6/10 |
| Isquiotibiais com cinto (cada lado) | 8 respirações | 3–5/10 |