Yoga para Iniciantes: Posturas no Solo e Flexibilidade com Controle

Capítulo 10

Tempo estimado de leitura: 8 minutos

+ Exercício

Objetivo do treino no solo: flexibilidade com controle

Posturas no solo são ideais para desenvolver mobilidade e relaxamento com menor carga nas articulações. O foco aqui não é “ir o mais longe possível”, e sim criar espaço com estabilidade: você alonga enquanto mantém o corpo organizado e a respiração tranquila.

Alongamento passivo x ativo (e por que isso muda sua prática)

Alongamento passivo acontece quando você “se entrega” à gravidade ou a um suporte (cinto, bloco, almofada), com pouca contração muscular. É útil para reduzir tensão e treinar relaxamento, mas pode facilitar compensações (forçar a amplitude em vez de distribuí-la).

Alongamento ativo acontece quando você cria amplitude mantendo tônus e controle: músculos trabalham para sustentar a posição e proteger articulações. Em geral, é mais seguro para iniciantes quando a intenção é ganhar mobilidade funcional.

Regra prática: comece ativo (organize e estabilize), depois permita um pouco de passivo (suavize) sem perder o alinhamento.

Escala de esforço (intensidade) para alongar com segurança

  • 0–2/10: muito leve, aquecimento/recuperação.
  • 3–4/10: leve a moderado, ideal para a maior parte do treino.
  • 5–6/10: moderado a intenso, use por pouco tempo e com boa técnica.
  • 7/10 ou mais: evite (tende a virar “forçar”). Dor aguda, formigamento ou pinçamento = pare e ajuste.

Como evitar compensações comuns

  • Ombros tensos: sinal clássico é ombro “subindo” em direção às orelhas. Ajuste: afaste ombros das orelhas, alargue clavículas, apoie a cabeça/peito com suporte se necessário.
  • Lombar arredondando excessivamente: comum em alongamentos de posterior de coxa. Ajuste: dobre joelhos, use cinto, eleve quadris em uma manta, priorize coluna longa.
  • Pescoço comprimido: evite “olhar para cima” sem necessidade. Mantenha nuca longa; use apoio sob a cabeça quando deitado.
  • Respiração presa: se você não consegue respirar suave, a intensidade está alta demais. Reduza amplitude ou use suporte.

Sequência prática de posturas no solo (com variações e tempo)

Use como mini-rotina (10–25 min). Em cada postura, mantenha a intensidade em 3–5/10 e respiração nasal confortável. Sugestão de ritmo: inspire para criar espaço, expire para suavizar tensão desnecessária.

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1) Postura da Criança (Balasana) — descanso ativo

Para quê: acalmar, soltar costas e quadris, reorganizar a respiração.

Passo a passo:

  • De joelhos, leve os quadris em direção aos calcanhares.
  • Incline o tronco à frente e apoie a testa no chão ou em um suporte.
  • Estenda os braços à frente ou deixe ao lado do corpo (palmas para cima).
  • Permita que as costelas se expandam na inspiração e “derretam” na expiração.

Variações com suporte:

  • Joelhos sensíveis: coloque uma manta dobrada atrás dos joelhos ou sob as canelas.
  • Quadris rígidos: coloque um bloco/almofada entre quadris e calcanhares.
  • Ombros tensos: braços ao lado do corpo em vez de estendidos.

Tempo: 6–10 respirações lentas (ou 60–90 s).

Pontos de controle: ombros longe das orelhas; respiração sem esforço; não force a testa no chão.

2) Gato–Vaca (Marjaryasana–Bitilasana) — mobilidade segmentada

Para quê: aquecer coluna e melhorar percepção de movimento sem “jogar” o corpo.

Passo a passo:

  • Em quatro apoios, mãos sob ombros e joelhos sob quadris.
  • Vaca: inspire, incline a pelve para frente, abra o peito e alongue a frente do tronco (sem colapsar na lombar).
  • Gato: expire, empurre o chão com as mãos, arredonde a coluna e leve o umbigo suavemente para dentro.
  • Faça o movimento como uma onda, do cóccix até a cabeça.

Variações e ajustes:

  • Punhos sensíveis: apoie antebraços no chão (variação em “mesa” nos antebraços) ou feche as mãos em punhos com cuidado.
  • Ombros tensos: pense em “alargar as costas” e manter o pescoço longo, sem encolher.

Tempo: 6–10 ciclos completos.

Pontos de controle: movimento suave; evite “travamento” no fim da amplitude; mantenha pressão distribuída nas mãos.

3) Esfinge / Cobra Baixa — extensão com suporte

Para quê: abrir a frente do tronco e treinar extensão sem exagerar na lombar.

Esfinge (mais estável) — passo a passo:

  • Deite de barriga para baixo.
  • Apoie antebraços no chão, cotovelos sob os ombros.
  • Inspire, alongue o peito para frente e para cima; expire, mantenha abdômen levemente ativo para não “afundar” na lombar.
  • Olhar para frente ou levemente para baixo, nuca longa.

Cobra baixa (um pouco mais ativa) — passo a passo:

  • Mãos ao lado das costelas, cotovelos próximos ao corpo.
  • Inspire, eleve peito alguns centímetros usando mais as costas do que os braços.
  • Expire, mantenha ombros para trás e para baixo (sem “subir” para as orelhas).

Variações com suporte:

  • Ombros tensos: prefira Esfinge; coloque uma manta sob o peito/esterno para reduzir esforço.
  • Desconforto lombar: diminua a altura, aproxime as pernas, ative glúteos de leve e alongue o cóccix em direção aos calcanhares.

Tempo: 4–8 respirações (20–60 s). Repita 1–2 vezes.

Pontos de controle: sensação deve ser de abertura na frente do tronco, não de compressão dolorosa na lombar; ombros longe das orelhas.

4) Torção supina suave — mobilidade sem “puxar”

Para quê: relaxar costas e quadris, melhorar rotação com controle.

Passo a passo:

  • Deite de costas, joelhos dobrados, pés no chão.
  • Abra os braços em “T”.
  • Expire, deixe os joelhos caírem para um lado até onde for confortável.
  • Inspire, sinta as costelas expandirem; expire, permita que o peso dos joelhos desça um pouco (sem forçar).
  • Troque de lado com calma.

Variações com suporte:

  • Ombro levantando do chão: reduza a amplitude ou coloque um bloco/almofada sob os joelhos.
  • Pescoço sensível: mantenha o olhar para cima (não precisa virar a cabeça).

Tempo: 6–10 respirações por lado.

Pontos de controle: torção “acontece” com gravidade; evite puxar o joelho com a mão; mantenha respiração fluida.

5) Ponte (Setu Bandha) — mobilidade de quadril com força

Para quê: abrir flexores do quadril e fortalecer glúteos/posterior, ajudando a proteger a lombar em alongamentos.

Passo a passo:

  • Deite de costas, joelhos dobrados, pés paralelos na largura do quadril.
  • Aproxime os calcanhares o suficiente para tocar com a ponta dos dedos (aprox.).
  • Inspire; ao expirar, pressione os pés no chão e eleve a pelve.
  • Mantenha costelas “organizadas” (sem abrir demais) e queixo levemente recolhido para nuca longa.
  • Desça devagar na expiração.

Variações com suporte:

  • Ponte restaurativa: coloque um bloco firme sob o sacro (não na lombar). Relaxe o peso no bloco.
  • Cãibras nos posteriores: afaste um pouco os pés e pense em empurrar o chão com o meio do pé, ativando mais glúteos.

Tempo:

  • Ativa: 3–6 repetições de 3–5 respirações cada.
  • Com bloco (restaurativa): 8–12 respirações.

Pontos de controle: joelhos não “abrem” para fora nem colapsam para dentro; peso distribuído nos pés; evite apertar ombros no chão—mantenha peito amplo.

6) Alongamento de isquiotibiais com cinto — flexibilidade sem arredondar

Para quê: alongar posterior de coxa com coluna neutra e controle, reduzindo tendência de “puxar” a lombar.

Passo a passo (deitado):

  • Deite de costas. Uma perna estendida no chão (ou dobrada, se precisar).
  • Coloque um cinto/toalha na planta do pé da perna que vai subir.
  • Estenda a perna para cima até sentir alongamento em 3–5/10.
  • Mantenha a pelve pesada no chão e a coluna longa.
  • Use o cinto para sustentar, sem puxar agressivamente.

Ativo x passivo dentro da mesma postura:

  • Ativo (controle): pressione o calcanhar suavemente contra o cinto como se quisesse “baixar” a perna, mas sem mover (contração leve por 3–5 s). Depois relaxe mantendo a altura.
  • Passivo (suavizar): após a contração, permita que a perna aproxime alguns milímetros, sem perder pelve estável.

Variações com suporte e ajustes:

  • Lombar arredondando / tensão no pescoço: dobre um pouco o joelho da perna elevada e/ou coloque uma manta sob a cabeça.
  • Quadril “levanta” do chão: reduza a altura da perna até a pelve ficar estável.
  • Perna de baixo desconfortável: mantenha o joelho de baixo dobrado com o pé no chão.

Tempo: 6–10 respirações por lado, com 2–4 ciclos de contração leve (ativo) intercalados com relaxamento (passivo).

Pontos de controle: sensação principal no posterior da coxa, não na lombar; ombros relaxados; mandíbula solta.

Como organizar a respiração para relaxamento durante o alongamento

  • Inspiração: pense em “criar espaço” (costelas expandem, tronco cresce).
  • Expiração: solte tensão desnecessária (ombros, rosto, mãos) e mantenha o alinhamento.
  • Se a respiração encurta: diminua a amplitude ou aumente o suporte até voltar ao esforço 3–5/10.

Roteiro rápido (exemplo de 15 minutos)

PosturaTempoIntensidade
Criança8 respirações2–4/10
Gato–Vaca8 ciclos2–3/10
Esfinge ou Cobra baixa6 respirações3–5/10
Torção supina (cada lado)8 respirações2–4/10
Ponte (ativa)4x 4 respirações4–6/10
Isquiotibiais com cinto (cada lado)8 respirações3–5/10

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao fazer alongamentos no solo para ganhar flexibilidade com segurança, qual estratégia melhor ajuda a evitar compensações e manter o controle?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

A prática recomenda iniciar com controle (ativo) para proteger articulações e manter o corpo organizado, e só depois suavizar (passivo) sem perder alinhamento. Isso reduz compensações e mantém a intensidade segura.

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