Uso de cantoneiras magnéticas e limitações em montagem de estruturas metálicas leves

Capítulo 8

Tempo estimado de leitura: 8 minutos

+ Exercício

O que são cantoneiras magnéticas e por que elas mudam o jogo (e às vezes atrapalham)

Cantoneiras magnéticas (ou “esquadros magnéticos”) são acessórios de posicionamento que usam ímãs permanentes para manter duas ou mais peças metálicas em um ângulo definido (comum: 45°, 90° e 135°) durante a montagem e o ponteamento. Elas funcionam como uma “terceira mão”: encostou, alinhou e o magneto segura.

O ponto crítico é entender que elas são uma ferramenta de posicionamento, não de travamento estrutural. Elas ajudam a ganhar tempo na montagem inicial, mas podem introduzir erros se você confiar nelas como referência única de esquadro ou como resistência a impactos, vibração e forças de retração térmica da solda.

Quando cantoneiras magnéticas ajudam

Vantagens na montagem rápida

  • Agilidade no encaixe inicial: úteis para “segurar no lugar” enquanto você ajusta folgas e encostos.
  • Repetibilidade em peças pequenas: em séries curtas, ajudam a manter o mesmo posicionamento ao longo de várias montagens.
  • Acesso ao ponto de ponteamento: quando bem posicionadas, deixam a junta livre para o primeiro ponto.
  • Montagens em ângulos comuns: 90° e 45° são onde elas mais economizam tempo, especialmente em perfis leves (tubos, cantoneiras finas, chapas dobradas).

Aplicações típicas onde funcionam bem

  • Quadros leves de tubos com juntas simples (canto a canto) para manter o encontro enquanto você faz os primeiros pontos.
  • Fixação temporária de travessas internas antes de medir e ajustar a posição final.
  • Montagem de pequenas molduras e suportes onde o peso das peças é baixo e o acesso é fácil.

Quando cantoneiras magnéticas atrapalham (e como reconhecer)

Limites de força: por que o magneto “segura”, mas não “trava”

A força anunciada (ex.: 11 kg, 22 kg, 34 kg) costuma ser medida em condições ideais: chapa plana, contato total, tração perpendicular e superfície limpa. Na prática, em perfis tubulares, cantos vivos e superfícies com carepa/tinta, a área de contato diminui e a força efetiva cai bastante.

Além disso, a cantoneira magnética resiste melhor a puxar reto do que a escorregar. Vibração, batidas acidentais, ajuste com martelo, ou o próprio “puxão” da retração térmica da solda podem fazer a peça deslizar alguns décimos de milímetro — o suficiente para perder o esquadro em estruturas leves.

Risco de perder esquadro com vibração/impacto

  • Impacto lateral: um toque no perfil pode “abrir” ou “fechar” o ângulo sem você perceber, porque o magneto continua grudado.
  • Vibração durante ponteamento: ao encostar a tocha ou eletrodo, ou ao reposicionar a peça, pode ocorrer microdeslocamento.
  • Retração da solda: o primeiro ponto pode puxar a junta; se o magneto estiver “forçando” um encosto imperfeito, a peça pode assentar depois do ponto e alterar o ângulo.

Quando evitar ou reduzir o uso

  • Peças com massa maior ou braços de alavanca longos (montagens “compridas” onde qualquer desvio vira grande erro no final).
  • Juntas que exigem abertura de raiz controlada: o magneto pode “fechar” a folga sem você notar.
  • Quando a cantoneira fica muito próxima da junta e interfere no arco (ver seção de magnetismo e solda).
  • Perfis com superfície irregular (carepa grossa, respingo antigo, tinta) que impedem contato pleno.

Interferência do magnetismo na solda: o que pode acontecer

Ímãs perto da região de soldagem podem alterar o caminho do arco elétrico, causando instabilidade. Esse fenômeno é frequentemente associado ao chamado sopro magnético (arc blow), mais perceptível em algumas condições de corrente, geometria e retorno (garra terra).

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Sintomas comuns

  • Arco “puxando” para um lado e dificuldade de manter o cordão centrado.
  • Maior respingo e respingos sendo atraídos para a cantoneira magnética (sujando e reduzindo a força de fixação).
  • Porosidade e falta de fusão local por oscilação do arco e variação de energia na junta.

Por que respingos “grudam” no magneto

O magneto atrai partículas metálicas e respingos quentes. Isso cria uma camada irregular na face de contato, diminuindo a área de apoio e tornando a fixação menos confiável. Em montagens repetidas, o problema cresce se não houver limpeza periódica.

Práticas para minimizar problemas (posicionamento, limpeza e checagem)

1) Posicionamento afastado da junta

  • Evite encostar a cantoneira magnética imediatamente ao lado do chanfro/linha de solda. Dê preferência a posicioná-la mais afastada, segurando o alinhamento por uma região “fria” da peça.
  • Se a geometria exigir proximidade, use o magneto apenas para “pegar posição” e depois retire antes de soldar o cordão, mantendo apenas os pontos necessários para segurar.

2) Controle do retorno (terra) para reduzir arco instável

  • Posicione a garra de retorno de forma a criar um caminho de corrente mais direto e estável, evitando trajetos longos e “voltas” que aumentam efeitos magnéticos locais.
  • Se notar arco desviando, teste mudar o ponto do retorno para o mesmo lado da junta onde você está soldando.

3) Limpeza e manutenção do magneto

  • Remova respingos e limalhas das faces de contato com escova de aço e raspador adequado.
  • Verifique se há rebarbas ou “calombos” de respingo: qualquer ponto alto cria apoio em 2 ou 3 pontos e facilita escorregamento.
  • Cheque se a cantoneira não perdeu planicidade (quedas e pancadas podem deformar a carcaça).

4) Checagem periódica durante a montagem

Não espere terminar todos os pontos para conferir. Em estruturas leves, um deslocamento pequeno no início se amplifica. Faça microchecagens após cada par de pontos opostos.

Como escolher cantoneiras magnéticas: ângulos e capacidade

Ângulos úteis e como decidir

  • 90°: o mais usado para quadros e molduras.
  • 45° e 135°: úteis para diagonais, reforços e encontros em meia-esquadria.
  • Multângulo: prático para variações, mas pode ter menos rigidez geométrica; exija verificação com esquadro.

Capacidade (força) e tamanho

  • Para perfis leves, prefira magnetos que ofereçam margem de força, porque a condição real raramente é ideal.
  • Quanto maior o perfil e maior o braço de alavanca, maior deve ser a capacidade do magneto — mas lembre: aumentar força não elimina o risco de escorregar com impacto.
  • Magnetos maiores tendem a atrair mais respingo e podem interferir mais no arco se ficarem perto da junta; equilibre força e distância de trabalho.

Critérios práticos de compra/uso

  • Faces amplas e planas para maximizar contato.
  • Carcaça robusta (resiste a quedas sem perder geometria).
  • Facilidade de limpeza (cantos acessíveis, menos “cavidades” que acumulam limalha).

Procedimento prático: verificação dupla (magneto + esquadro + diagonais)

O objetivo é usar a cantoneira magnética para ganhar velocidade, mas garantir precisão com uma verificação redundante. A sequência abaixo evita que o magneto vire a “referência final”.

Passo a passo

  1. Pré-posicione as duas peças no ângulo desejado e encoste a cantoneira magnética em uma região limpa e plana, preferencialmente afastada da futura linha de solda.

  2. Assente as peças contra o magneto sem forçar. Se você precisar “puxar” a peça para encostar, isso indica que há tensão/torção; corrija o encaixe antes de ponteiar.

  3. Primeira checagem com esquadro mecânico: encoste o esquadro na face externa do canto (ou na referência mais confiável do perfil). Se houver luz ou desalinhamento, ajuste a posição — não confie no magneto para “definir” o 90°.

  4. Faça dois pontos curtos em lados alternados da junta (por exemplo, um ponto na parte interna e outro na externa, ou em faces opostas do tubo). Isso reduz a tendência de puxar para um lado.

  5. Remova ou afaste o magneto se ele estiver próximo da junta onde você continuará soldando. Se precisar manter, reposicione mais longe do cordão.

  6. Segunda checagem com esquadro imediatamente após os pontos. Se mudou, quebre o ponto e corrija agora (antes de multiplicar o erro).

  7. Checagem por diagonais (controle global): meça as diagonais do conjunto (quando for um quadro/moldura) para confirmar que o alinhamento global não foi afetado. Ajuste antes de completar os ponteamentos.

  8. Ponteamento distribuído: complete pontos em posições alternadas e simétricas, repetindo a checagem rápida (esquadro + diagonais) a cada etapa.

Dica de diagnóstico rápido: magneto “mascarando” erro

Se ao retirar o magneto a peça “relaxa” e muda de posição, é sinal de que o magneto estava segurando tensão de montagem. Nesses casos, revise o encaixe, a folga e o assentamento das faces antes de insistir em soldar.

Erros comuns e correções rápidas

Erro comumO que aconteceComo corrigir
Magneto muito perto da juntaArco instável, respingo atraído, sujeira no magnetoAfastar o magneto, mudar retorno (terra), retirar antes do cordão
Confiar no ângulo do magneto sem conferirPequeno erro vira desalinhamento no conjuntoVerificar com esquadro e repetir após os primeiros pontos
Faces do magneto sujas com limalha/respingoPerde força e escorrega com vibraçãoLimpar e raspar pontos altos; checar planicidade
Forçar a peça contra o magnetoTensão interna; ao soldar, puxa e perde posiçãoCorrigir encaixe/assentamento antes do ponteamento
Usar magneto subdimensionadoDesloca com toque ou retração do pontoEscolher maior capacidade ou usar dois magnetos e checagem dupla

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao usar cantoneiras magnéticas para montar e ponteiar uma estrutura metálica leve, qual prática ajuda a manter a precisão do esquadro e evitar que o magneto vire a referência final?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

A cantoneira magnética auxilia no posicionamento, mas não garante esquadro nem impede microdeslocamentos. Confirmar com esquadro e, em quadros, medir diagonais (inclusive após os primeiros pontos) reduz erros que podem se amplificar.

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