Troca e ajuste de elástico na cintura (shorts, saias e roupas infantis)

Capítulo 9

Tempo estimado de leitura: 9 minutos

+ Exercício

O que é “canal de elástico” e por que isso muda o conserto

Em shorts, saias e roupas infantis, o elástico pode estar escondido dentro de um canal (uma “túnel” de tecido) ou preso por fora. Identificar como ele foi aplicado define onde abrir, como retirar e como fechar sem deformar a cintura. Além disso, alguns modelos têm costuras de segurança para impedir que o elástico torça ou “passeie” dentro do canal; se você não refizer essas costuras, a peça pode voltar a incomodar após poucas lavagens.

Identificando o tipo de elástico na peça

1) Elástico embutido em canal (túnel)

  • Como reconhecer: a cintura parece “limpa”, sem elástico aparente. Você sente o elástico por dentro ao apalpar. Normalmente há uma costura na borda superior e outra na borda inferior do canal.
  • Onde costuma ter acesso: uma pequena abertura interna (às vezes fechada) ou uma emenda do elástico escondida em uma costura lateral/traseira.

2) Elástico aplicado (aparente)

  • Como reconhecer: o elástico fica visível e é costurado diretamente no tecido, muitas vezes com zigue-zague ou ponto elástico. Pode estar dobrado para dentro (cós com elástico rebatido) ou totalmente exposto.
  • Onde costuma ter acesso: na própria emenda do elástico ou em uma área onde ele foi sobreposto e costurado.

3) Canal com costura de segurança (anti-torção)

  • Como reconhecer: além das costuras do canal, existem costuras verticais (ou pequenas travas) atravessando o canal em pontos como centro frente, centro costas e/ou laterais. Em roupas infantis isso é comum.
  • O que isso implica: para retirar o elástico, você precisa abrir o acesso e também lidar com essas travas (remover apenas o necessário) e depois refazê-las ao finalizar.

Como abrir um acesso sem danificar o canal

Escolhendo o melhor ponto para abrir

  • Preferência 1: costura interna do canal (lado avesso), perto de uma costura lateral ou centro costas, onde fica menos visível.
  • Preferência 2: exatamente sobre a emenda antiga do elástico (se você conseguir localizá-la apalpando).
  • Evite: abrir na borda superior do cós se houver pesponto aparente decorativo; é mais difícil de disfarçar.

Abrindo com controle

  • Vire a peça do avesso e estique levemente o cós para “enxergar” a linha de costura do canal.
  • Com abridor de casas (ou descosturador), desfaça apenas 2 a 4 cm de costura. Abra ponto a ponto para não cortar o tecido do canal nem o elástico.
  • Se houver costura de segurança perto do local, abra o acesso em outro ponto ou remova somente a trava mais próxima, mantendo as demais.

Retirar o elástico antigo e medir o novo

Retirada

  • Se o elástico estiver solto no canal, puxe uma ponta pela abertura e vá “alimentando” o cós até ele sair.
  • Se estiver preso por travas anti-torção, solte o mínimo necessário para permitir que ele deslize. Em geral, basta liberar uma trava para conseguir retirar, dependendo do modelo.

Medindo o novo elástico (métodos práticos)

O comprimento ideal depende da firmeza do elástico e do conforto desejado. Use um destes métodos:

  • Método A (copiar o antigo): se o elástico antigo ainda tem boa elasticidade e a cintura estava confortável, use-o como referência de comprimento. Se estava frouxo, reduza; se apertado, aumente.
  • Método B (teste no corpo/cliente): envolva o elástico na cintura (ou na altura onde a peça será usada), estique até ficar firme sem apertar e marque a sobreposição. Acrescente a margem de união (ver seção “união segura”).
  • Método C (para roupa infantil): priorize conforto e ajuste leve. Faça o teste com a criança em pé e sentada; o elástico não deve marcar nem escorregar.

Margem para união: planeje uma sobreposição de 2 a 3 cm para elásticos médios e 3 a 4 cm para elásticos largos/firmes.

Como escolher largura e firmeza do elástico (sem repetir teoria desnecessária)

Largura

  • Canal estreito: escolha elástico com largura ligeiramente menor que a altura interna do canal (ex.: canal de 2 cm → elástico de 1,8 cm ou 1,5 cm). Elástico “justo demais” tende a travar e torcer.
  • Peças infantis: larguras médias (2 a 3 cm) costumam distribuir melhor a pressão e incomodar menos.
  • Saias/shorts de tecido leve: elástico muito largo pode “ondular” o tecido; prefira largura compatível com o cós.

Firmeza (tensão)

  • Para segurar peso (tecido mais pesado, bolsos, celular): elástico mais firme e/ou mais largo.
  • Para conforto (infantil, tecidos delicados): elástico macio, com boa recuperação, evitando os muito rígidos.
  • Dica rápida: compare esticando 10 cm de elástico na mão: o mais firme exige mais força para alongar. Se “volta” com vigor e não fica deformado, tende a durar mais.

Inserção do elástico com passador (sem torcer)

Preparação: marcar em quatro pontos (método anti-torção)

Marcar o elástico em quatro pontos ajuda a manter a distribuição uniforme e evita que ele entre torcido.

  1. Dobre o elástico ao meio e marque as duas extremidades opostas (pontos 1 e 3).
  2. Dobre novamente para encontrar os quartos e marque (pontos 2 e 4).
  3. Faça o mesmo no cós/canal: identifique centro frente, centro costas e laterais (ou quatro pontos equivalentes) e marque com alfinete.

Inserindo com passador

  • Prenda uma ponta do elástico no passador (alfinete de segurança grande ou passador próprio), garantindo que não escape.
  • Introduza pela abertura e vá empurrando o passador pelo canal, “amassando” o tecido e puxando em seguida.
  • Controle de torção: a cada 10–15 cm, apalpe o canal para confirmar que o elástico está plano. Se sentir uma dobra, volte um pouco e corrija antes de avançar.
  • Quando a ponta inicial estiver quase entrando no canal, prenda-a com um alfinete no tecido do cós, do lado de fora da abertura, para não perder a ponta.

Alinhando as marcas antes de fechar

Quando as duas pontas estiverem para fora da abertura:

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  • Encontre as marcas do elástico e combine com as marcas do cós (centro frente, centro costas e laterais).
  • Prenda temporariamente com alfinetes ou clipes em pelo menos dois pontos (por exemplo, laterais) antes de unir as pontas. Isso reduz a chance de o elástico ficar “sobrando” de um lado e apertado do outro.

União do elástico: sobreposição segura e reforçada

Sobreposição recomendada

Sobreponha as pontas do elástico (2–4 cm, conforme a largura/firmeza) mantendo o elástico sem torção e com as bordas alinhadas.

Costura de união (durável)

  • Opção 1 (muito usada): costure um retângulo e depois um “X” dentro (costura tipo box-x). Isso distribui a tensão e evita que a emenda abra.
  • Opção 2: duas costuras paralelas em zigue-zague largo atravessando a área de sobreposição.

Reforço extra: se o elástico for muito firme ou a peça sofrer muita tração (roupa infantil em uso intenso), faça uma segunda passada de costura no retângulo/X ou adicione uma pequena costura transversal nas extremidades da sobreposição.

Esquema (vista da união sobreposta):  [====]X[====]  (retângulo + X)

Recolocar no canal e fechar o acesso

Assentando a emenda

  • Puxe o elástico para dentro do canal e posicione a emenda em um local discreto (comum: centro costas ou uma lateral), evitando que fique exatamente na abertura.
  • Distribua o franzido do cós de forma uniforme, conferindo as marcas em quatro pontos.

Fechando a abertura

  • Feche a abertura refazendo a costura do canal no mesmo trajeto da original, pegando apenas o tecido do canal (não costure o elástico sem querer).
  • Se a peça tinha pesponto aparente, alinhe a costura para manter o visual consistente.

Refazendo costuras de segurança (anti-torção) quando existirem

Se o cós tinha travas verticais para impedir torção, refaça-as após inserir e unir o elástico:

  • Localize os pontos originais (centro frente, centro costas e/ou laterais).
  • Com o elástico bem assentado e distribuído, faça uma costura curta atravessando o canal (perpendicular ao elástico), pegando o tecido do canal e “encostando” no elástico o suficiente para travar sem repuxar.
  • Cuidado: não puxe o elástico enquanto costura a trava; mantenha a cintura em posição neutra para não criar ondulações permanentes.

Casos comuns e como lidar

Elástico aplicado (aparente) que perdeu elasticidade

  • Desfaça a costura que prende o elástico antigo (apenas o necessário), substitua por outro de mesma largura e recosture seguindo o desenho original (zigue-zague/ponto elástico).
  • Se o elástico for dobrado para dentro (cós rebatido), confirme se a dobra cobre totalmente o elástico antes de fechar para não “morder” e criar desconforto.

Canal muito estreito que trava o passador

  • Use um passador menor (alfinete de segurança pequeno) e avance em etapas curtas.
  • Escolha elástico um pouco mais estreito para deslizar melhor.

Elástico sempre torce após lavar

  • Verifique se o canal está largo demais para a largura do elástico (folga excessiva favorece torção).
  • Adote o método das marcas em quatro pontos e adicione travas anti-torção nas laterais e no centro costas.

Checklist rápido antes de entregar a peça

  • Elástico está plano em toda a volta (sem dobras).
  • Emenda está reforçada (retângulo + X ou equivalente) e bem assentada no canal.
  • Distribuição uniforme do franzido (marcas em quatro pontos conferidas).
  • Abertura do canal fechada sem prender o elástico.
  • Se havia travas anti-torção, foram refeitas.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao substituir um elástico embutido em canal (túnel) que possui costuras de segurança anti-torção, qual é a conduta correta para evitar que a cintura volte a incomodar após algumas lavagens?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

As travas anti-torção evitam que o elástico gire dentro do canal. O correto é desfazer só o necessário para a troca e refazer as travas ao finalizar, sem puxar o elástico, mantendo o cós neutro para não criar ondulações.

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