Treino em Casa sem Equipamentos: Construindo sessões de força

Capítulo 6

Tempo estimado de leitura: 11 minutos

+ Exercício

O que é uma sessão de força/hipertrofia com peso do corpo (na prática)

Uma sessão focada em força/hipertrofia com peso do corpo é organizada para que você consiga: (1) treinar os principais padrões de movimento, (2) acumular séries “difíceis o suficiente” com boa técnica e (3) progredir ao longo das semanas usando variações de exercícios, volume (séries) e controle de esforço.

Como não há carga externa, a chave é escolher variações que permitam chegar perto da falha técnica com segurança, mantendo a qualidade do movimento. Em vez de “fazer até morrer”, o objetivo é repetir séries consistentes, com execução limpa, e encerrar a série quando a técnica começar a quebrar.

Como montar sua sessão: passo a passo

Passo 1 — Escolha os padrões de movimento (checklist)

Para uma sessão de corpo inteiro, selecione 1 exercício de cada padrão abaixo (ou 2 de um padrão que você quer priorizar):

  • Agachar (joelho dominante): agachamento, agachamento dividido, afundo.
  • Hinge (quadril dominante): ponte de glúteos unilateral, “bom dia” sem carga, variações de isometria de posterior.
  • Empurrar: flexões (variações), pike push-up (ombros).
  • Puxar (se não houver barra/elástico): remadas com toalha em porta (com segurança), remada isométrica com toalha, “prone W/Y/T” (ênfase em escápulas) como alternativa.
  • Core/estabilidade: prancha, dead bug, hollow hold, side plank.

Observação importante: se você realmente não tiver como fazer puxadas seguras (sem barra, sem elástico, sem ponto de ancoragem confiável), use alternativas de escápula e costas (W/Y/T, superman com foco em escápulas, isometrias) e priorize postura e controle. Quando possível, inclua um padrão de puxar “de verdade” com uma solução segura.

Passo 2 — Defina a ordem dos exercícios

Uma ordem simples e eficiente para força/hipertrofia em casa:

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  • 1) Exercício mais técnico e pesado (para você) — geralmente empurrar (flexão difícil) ou unilateral de pernas (agachamento dividido).
  • 2) Segundo grande padrão — outro multiarticular (agachar/hinge).
  • 3) Puxar — quando disponível; se for isometria/controle escapular, pode entrar aqui.
  • 4) Acessórios e core — estabilidade, isometrias, finalizações.

Por quê? Você faz primeiro o que exige mais coordenação e mais esforço, quando está menos fatigado, e deixa core/acessórios para o final.

Passo 3 — Escolha séries, repetições e descanso (receitas prontas)

Use estas faixas como ponto de partida:

ObjetivoSéries por exercícioRepetiçõesDescanso
Força (peso do corpo)3–64–8 (difíceis)90–180 s
Hipertrofia3–56–1560–120 s
Isometrias (core/escápulas)2–415–45 s45–90 s

Regra prática: se você precisa “roubar” a técnica para bater repetições, a variação está pesada demais ou o descanso está curto demais.

Passo 4 — Controle de esforço com RPE/RIR (linguagem simples)

Você vai usar uma escala para saber se a série está “no ponto”:

  • RIR = “repetições em reserva”. Quantas repetições você ainda conseguiria fazer com boa técnica.
  • RPE = percepção de esforço. Quanto mais perto da falha técnica, maior o RPE.

Tradução rápida:

  • RIR 3–4 (RPE ~6–7): moderado, bom para aprender variações e acumular volume.
  • RIR 1–2 (RPE ~8–9): ideal para hipertrofia na maioria das séries.
  • RIR 0 (RPE 10): falha técnica. Use com cautela e mais em exercícios seguros (ex.: prancha, ponte, algumas flexões), evitando em variações que colapsam a postura.

Passo 5 — Como escolher variações para chegar perto da falha com segurança

O melhor exercício é aquele que permite: amplitude controlada, postura estável e progressão clara. Para “dosar” dificuldade sem equipamentos, use esta ordem de ajustes (do mais seguro para o mais agressivo):

  • 1) Alavanca: mãos mais altas (mais fácil) ou mais baixas (mais difícil) na flexão; base mais larga (mais fácil) ou mais estreita (mais difícil) no agachamento.
  • 2) Amplitude: parcial (mais fácil) → completa (padrão) → deficit (mais difícil, se seguro).
  • 3) Unilateral: bilateral → unilateral (aumenta muito a intensidade).
  • 4) Tempo: descer mais lento (ex.: 3–5 s) e pausar no ponto difícil.
  • 5) Densidade: mesmo volume com menos descanso (use com cuidado para não virar condicionamento).

Critério de escolha: selecione uma variação em que você consiga ficar, na maioria das séries, entre RIR 1–3 sem perder o alinhamento.

Passo 6 — Critérios claros para encerrar a série (falha técnica, não “sofrimento”)

Encerrar a série no momento certo mantém o treino produtivo e reduz risco. Pare a série quando acontecer qualquer um destes itens:

  • Perda de alinhamento que você não consegue corrigir na próxima repetição (ex.: quadril despenca na flexão; joelho colapsa para dentro no agachamento dividido).
  • Amplitude encurta claramente (você começa a “meia-repetir” para continuar).
  • Velocidade despenca e a repetição vira “tranco” (principalmente em empurrar e pernas).
  • Respiração desorganiza a ponto de você prender o ar e perder o tronco (core falha).
  • Dor aguda (diferente de queimação muscular): pare imediatamente.

Dica prática: se a meta era RIR 2 e você percebe que já está em RIR 0–1 antes do previsto, aumente o descanso na próxima série ou escolha uma regressão.

Estruturas prontas (fáceis de aplicar)

Estrutura A — Séries retas (simples e forte)

Faça todas as séries de um exercício antes de passar ao próximo.

  • Quando usar: foco em força/hipertrofia com técnica.
  • Como aplicar: 3–5 séries por exercício, RIR 1–3, descanso 60–180 s.

Estrutura B — Supersets não concorrentes (economiza tempo sem matar a força)

Combine padrões diferentes (ex.: empurrar + hinge) para reduzir tempo total mantendo qualidade.

  • Exemplo: Flexão (A1) + Ponte unilateral (A2).
  • Descanso: 30–60 s entre A1 e A2, e 60–120 s ao final do par.

Estrutura C — Blocos por padrão (prioridade)

Você escolhe um padrão para priorizar e faz 2 exercícios dele (um principal e um acessório), depois completa os demais.

  • Quando usar: quando pernas ou empurrar precisam de mais estímulo.

3 modelos de sessão completa (corpo inteiro) com regressão/progressão

Sessão 1 — Corpo inteiro “base” (hipertrofia com controle)

Estrutura: Séries retas. Alvo: RIR 1–2 nas últimas séries dos exercícios principais.

  • 1) Flexão (empurrar) — 4×6–12, descanso 90–120 s
    Execução: mãos firmes, corpo em linha, desça controlando e suba sem perder o tronco.
    Regressão: flexão com mãos elevadas (em bancada/mesa firme) ou joelhos no chão mantendo tronco alinhado.
    Progressão: flexão com pés elevados, flexão diamante (se punhos/ombros tolerarem), pausa de 1–2 s no fundo.
    Encerrar a série se: quadril cair, cotovelos abrirem demais sem controle, ou amplitude reduzir.
  • 2) Agachamento dividido (joelho dominante) — 4×8–15 por perna, descanso 90–150 s
    Execução: tronco levemente inclinado, joelho da frente acompanha a linha do pé, desça até onde mantém controle.
    Regressão: menor amplitude; apoio leve das mãos numa parede/cadeira para equilíbrio.
    Progressão: “Bulgarian” (pé de trás elevado), pausa no fundo, tempo 3–0–1 (3 s descida).
    Encerrar a série se: joelho colapsar para dentro repetidamente ou você perder equilíbrio a ponto de “cair” na repetição.
  • 3) Ponte de glúteos unilateral (hinge) — 3×10–15 por lado, descanso 60–90 s
    Execução: empurre o chão com o calcanhar, suba até alinhar tronco e coxa, sem hiperextender a lombar.
    Regressão: ponte bilateral (duas pernas).
    Progressão: pausa de 2 s no topo; descida lenta de 4–5 s.
    Encerrar a série se: lombar começar a “roubar” (arco excessivo) ou quadril não subir mais mantendo glúteo ativo.
  • 4) Puxar/Costas (escolha 1 opção segura) — 3–4 séries, descanso 60–120 s
    Opção A (se houver ancoragem segura): remada com toalha na porta (porta travada e toalha bem presa) 3–4×6–12, RIR 1–2.
    Opção B (sem ancoragem): “prone W” + “prone Y” (de barriga para baixo) 3×10–15 cada, foco em escápulas, RIR 2–3.
    Encerrar a série se: você perder controle do pescoço (queixo projetado) ou compensar com lombar.
  • 5) Core — prancha lateral — 3×20–40 s por lado, descanso 45–75 s
    Execução: corpo em linha, quadril alto, ombro empilhado.
    Regressão: joelhos no chão.
    Progressão: elevação da perna de cima (curta amplitude) mantendo quadril estável.
    Encerrar a série se: quadril cair ou você rodar o tronco para “fugir” do esforço.

Sessão 2 — Corpo inteiro “força” (baixas repetições com variações mais difíceis)

Estrutura: Séries retas. Alvo: 4–8 repetições difíceis, RIR 1–2, descansos maiores.

  • 1) Flexão com pés elevados (empurrar) — 5×4–8, descanso 120–180 s
    Regressão: flexão no chão padrão; ou pés menos elevados.
    Progressão: pausa de 2 s no fundo; tempo 4 s descida.
    Encerrar a série se: você perder a linha do corpo ou “afundar” no ombro.
  • 2) Agachamento unilateral assistido (pistol para caixa/cadeira) — 5×4–8 por perna, descanso 120–180 s
    Execução: sente controlando numa cadeira/caixa e levante sem “despencar”; use apoio leve numa parede/porta para equilíbrio.
    Regressão: agachamento dividido pesado (com tempo lento) em vez de unilateral.
    Progressão: reduzir altura da cadeira; menos apoio das mãos; pausa sentando sem relaxar totalmente.
    Encerrar a série se: joelho colapsar, calcanhar levantar repetidamente ou você “cair” na cadeira.
  • 3) Hinge — bom dia sem carga com tempo + isometria — 4×6–10, descanso 90–150 s
    Execução: quadril vai para trás, coluna neutra, desça até sentir posterior trabalhar; segure 1–2 s no ponto mais difícil.
    Regressão: ponte bilateral 4×8–12.
    Progressão: 5 s descida + 2 s pausa + subida forte; ou versão unilateral com apoio (RDL unilateral sem carga, tocando a parede para equilíbrio).
    Encerrar a série se: coluna arredondar ou você perder a sensação no posterior e jogar tudo na lombar.
  • 4) Costas/escápulas — remada isométrica com toalha — 4×20–40 s, descanso 60–120 s
    Como fazer: sente no chão, passe a toalha na planta dos pés, segure as pontas e puxe como se fosse uma remada, mantendo peito aberto e ombros “para trás e para baixo”.
    Regressão: menor tensão (puxe menos forte) e mais tempo sob controle.
    Progressão: puxe mais forte mantendo postura; ou faça 10–12 repetições lentas em vez de isometria.
    Encerrar a série se: ombros subirem para as orelhas ou lombar arredondar.
  • 5) Core — hollow hold (ou dead bug) — 3–4×15–30 s, descanso 45–75 s
    Regressão: dead bug alternado 3×8–12 por lado.
    Progressão: hollow com braços acima da cabeça (se não perder lombar no chão).
    Encerrar a série se: lombar descolar do chão ou você prender a respiração.

Sessão 3 — Corpo inteiro “eficiente” (supersets para 35–45 min)

Estrutura: Supersets não concorrentes. Alvo: RIR 1–3, mantendo técnica. Descanso: 30–60 s entre exercícios do par e 60–120 s ao final do par.

  • Bloco A (4 voltas)
    A1) Pike push-up (ombros/empurrar) — 6–12 reps, RIR 1–2
    Regressão: pike com mãos elevadas (em superfície firme) ou flexão padrão.
    Progressão: pés elevados; pausa no fundo.
    Encerrar se: cabeça “cair” sem controle ou lombar arquear demais.
    A2) Ponte de glúteos (bilateral ou unilateral) — 10–15 reps, RIR 1–2
    Encerrar se: perder alinhamento e sentir lombar dominar.
  • Bloco B (3–4 voltas)
    B1) Agachamento com tempo (3 s descida) — 8–15 reps, RIR 1–3
    Regressão: reduzir amplitude mantendo controle.
    Progressão: pausa de 2 s no fundo; versão dividida.
    Encerrar se: joelhos colapsarem ou tronco perder rigidez.
    B2) Costas/escápulas: prone W/Y/T — 10–15 reps cada letra (ou 8–12), RIR 2–3
    Regressão: faça apenas W e Y com menos amplitude.
    Progressão: segure 1–2 s no topo de cada repetição.
    Encerrar se: trapézio superior dominar (ombros sobem) ou pescoço tensionar.
  • Bloco C (2–3 voltas)
    C1) Flexão (variação escolhida) — 6–15 reps, RIR 1–2
    C2) Prancha (frontal) — 20–45 s, RIR 1–2 (pare quando perder linha)
    Descanso: 60–90 s ao final do bloco.

Como ajustar a sessão sem “reinventar” tudo

Se ficou fácil demais

  • Aumente 1 série nos exercícios principais (empurrar e pernas).
  • Escolha uma progressão de alavanca (pés elevados, unilateral) antes de aumentar muito repetições.
  • Use pausa no ponto difícil (1–2 s) ou descida lenta (3–5 s) mantendo a mesma variação.

Se ficou pesado demais (técnica piora cedo)

  • Aumente o descanso em 30–60 s.
  • Troque para uma regressão que permita bater a faixa de repetições com RIR 1–3.
  • Reduza 1 série do exercício que mais “quebra” sua técnica e mantenha os demais.

Checklist rápido de qualidade do movimento (use em toda série)

  • Amplitude consistente do início ao fim.
  • Ritmo controlado: sem “quicar” no fundo.
  • Alinhamento: tronco firme; joelhos acompanhando os pés; ombros estáveis.
  • Respiração: você consegue manter controle (sem prender o ar desnecessariamente).

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao montar uma sessão de força/hipertrofia com peso do corpo, qual critério melhor define quando encerrar uma série para manter o treino produtivo e seguro?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

A série deve terminar na falha técnica, não no “sofrimento”. Ao notar perda de alinhamento, redução clara de amplitude, repetição em tranco, respiração desorganizada ou dor aguda, encerrar protege a execução e reduz risco.

Próximo capitúlo

Treino em Casa com Peso do Corpo: Sessões de condicionamento e resistência

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