Treino em Casa com Peso do Corpo: Acompanhando evolução e ajustando o plano

Capítulo 11

Tempo estimado de leitura: 10 minutos

+ Exercício

Por que acompanhar a evolução (e o que realmente conta)

Sem equipamentos, a evolução aparece principalmente em quatro frentes: (1) você faz a mesma variação com mais repetições ou mais séries; (2) você usa uma variação mais difícil mantendo a forma; (3) você descansa menos e mantém o desempenho; (4) você percebe menor esforço para o mesmo trabalho (RPE mais baixo). Acompanhar isso de forma simples evita treinar “no escuro” e ajuda a ajustar o plano com precisão, sem mudanças aleatórias.

Os 5 indicadores mais úteis

  • Desempenho por exercício: variação + séries x repetições (ou tempo).
  • Descanso: quanto tempo você precisa entre séries para repetir a qualidade.
  • RPE (percepção de esforço): quão difícil foi a série (escala 1–10).
  • Qualidade técnica: amplitude, controle, alinhamento, ritmo.
  • Consistência: dias treinados/semana e sessões concluídas.

Registro de sessões: o mínimo que funciona

Um registro bom é curto, repetível e comparável. A regra é: anote o suficiente para repetir a sessão e saber se melhorou. Se o registro for longo demais, você para de usar.

O que anotar em cada exercício

  • Exercício e variação (ex.: flexão inclinada na mesa; agachamento com pausa no fundo).
  • Séries e reps (ou tempo, no caso de isometrias).
  • Descanso (em segundos ou minutos).
  • RPE da última série (ou da série mais difícil).
  • Nota técnica (1 frase: “perdi alinhamento na 3ª série”, “amplitude completa”).

Como usar RPE sem complicar

Use a escala como referência prática:

  • RPE 6: leve/moderado, daria para fazer +4 repetições com boa forma.
  • RPE 7: moderado, daria +3 reps.
  • RPE 8: difícil, daria +2 reps.
  • RPE 9: muito difícil, daria +1 rep.
  • RPE 10: máximo (evite usar com frequência; aumenta a chance de técnica cair).

Para a maioria dos treinos de força em casa, um alvo comum é terminar o exercício principal em RPE 7–9, mantendo a técnica.

Modelo de ficha de treino (preenchimento rápido)

DataSessãoExercício (variação)Séries x reps/tempoDescansoRPENota técnica
__/__/__AFlexão (inclinada)3 x 1090s8Últimas 2 reps lentas
__/__/__AAgachamento (pausa 1s)4 x 1290s7Boa amplitude
__/__/__APrancha (RKC leve)3 x 25s60s8Quadril neutro

Modelo “ultracurto” (para quem tem pouco tempo)

Se você costuma abandonar o registro, use este formato em 30 segundos:

Continue em nosso aplicativo e ...
  • Ouça o áudio com a tela desligada
  • Ganhe Certificado após a conclusão
  • + de 5000 cursos para você explorar!
ou continue lendo abaixo...
Download App

Baixar o aplicativo

Data — Sessão A/B/C — Concluída? (S/N) — Nota geral (1 frase)  Ex1: variação — melhor série (reps/tempo) — RPE  Ex2: variação — melhor série — RPE  Consistência: treinos na semana = __/__

Testes periódicos seguros (sem “se matar”)

Testes servem para medir progresso com um padrão fixo. Eles não precisam ser exaustivos nem frequentes. O ideal é escolher poucos testes, repetir sempre do mesmo jeito e priorizar forma.

Regras de segurança e padronização

  • Mesma variação do teste por pelo menos 2 ciclos (para comparar).
  • Mesma preparação: faça o mesmo aquecimento curto e descanse 2–3 min antes do teste.
  • Critério técnico claro: repetição só conta se estiver dentro do padrão.
  • Parar antes de quebrar a forma: o objetivo é “máximo técnico”, não “máximo a qualquer custo”.

Teste 1: Máximo técnico de flexão inclinada

Objetivo: medir força/resistência de empurrar com controle.

Como fazer (passo a passo):

  • Escolha uma inclinação fixa (ex.: mãos na borda de uma mesa firme). Marque mentalmente a altura para repetir igual.
  • Defina o padrão: corpo em linha, peito desce controlado, sobe sem “quebrar” o quadril.
  • Faça repetições contínuas em ritmo estável (sem pausa longa no topo).
  • Encerre quando a próxima repetição provavelmente sairia fora do padrão.
  • Anote: reps válidas + RPE final + 1 nota (“perdi linha do corpo no fim”).

Interpretação rápida: subir 2–5 reps mantendo a mesma inclinação é um progresso sólido. Se as reps não sobem, mas o RPE final cai (ex.: de 9 para 8), também é progresso.

Teste 2: Agachamentos em 2 minutos (qualidade primeiro)

Objetivo: medir resistência de pernas e condicionamento local.

Padrão sugerido: amplitude confortável e consistente, tronco estável, pés firmes.

Como fazer (passo a passo):

  • Programe um cronômetro de 2:00.
  • Faça repetições contínuas, mas com ritmo que permita manter a mesma amplitude.
  • Se a forma cair, reduza o ritmo por 5–10s e retome.
  • Anote: total de reps válidas e uma nota (“ritmo caiu após 1:20”).

Interpretação rápida: mais reps com o mesmo padrão ou mesmo número de reps com menos “quebras” de ritmo indica melhora.

Teste 3: Prancha por tempo com forma

Objetivo: medir endurance de core e controle postural.

Como fazer (passo a passo):

  • Escolha a variação (prancha antebraço, por exemplo) e mantenha sempre a mesma.
  • Defina o padrão: quadril neutro, costelas “para baixo”, pescoço neutro, respiração controlada.
  • Inicie o cronômetro e mantenha a forma.
  • Encerre quando precisar compensar (quadril cair/subir, prender respiração, tremer a ponto de perder alinhamento).
  • Anote: tempo + nota (“perdi costelas após 45s”).

Interpretação rápida: aumentar 10–20% no tempo mantendo o padrão é um bom sinal. Se o tempo não sobe, mas a forma melhora (menos compensações), isso também conta.

Medidas de consistência: o “termômetro” do plano

Consistência é a variável que mais explica resultados. Registre de forma objetiva:

  • Dias treinados/semana (ex.: 3/4).
  • Sessões planejadas vs. feitas (ex.: 10 planejadas, 8 feitas).
  • Sequência (quantas semanas seguidas treinando).

Uma forma simples de meta: mínimo viável (ex.: 2 dias/semana) e meta-alvo (ex.: 3–4 dias/semana). Se você não bate o mínimo viável, ajuste o plano antes de mexer em exercícios.

Como interpretar estagnação (sem pânico)

Estagnação é quando, por 2–3 semanas, você não melhora em reps/tempo/variação e a percepção de esforço não diminui. Antes de mudar o treino, investigue a causa mais provável.

Checklist de diagnóstico (ordem prática)

  • Técnica: a forma está mais rigorosa do que antes? (Às vezes você “estagna” porque ficou mais exigente — isso é bom.)
  • Volume: você está fazendo séries suficientes para estimular progresso ou está sempre no mínimo?
  • Intensidade: o RPE está baixo demais (treino fácil) ou alto demais (sempre no limite)?
  • Descanso: descansos curtos demais podem travar reps; longos demais podem reduzir densidade se o objetivo for resistência.
  • Sono/recuperação: piora de sono, estresse alto, dores persistentes, queda de energia.
  • Consistência: faltas e semanas “picadas” mascaram qualquer progresso.

Sinais de que o problema é técnica

  • Reps “somem” quando você tenta manter amplitude e controle.
  • Você sente desconforto articular e começa a compensar.
  • O RPE sobe rápido mesmo com poucas reps.

Ação: reduza a dificuldade da variação por 1–2 semanas e reconstrua com padrão impecável, registrando uma nota técnica por sessão.

Sinais de que o problema é volume

  • Você termina o treino sentindo que poderia fazer bem mais (RPE 6–7 sempre).
  • Você treina pouco por exercício (ex.: 1–2 séries) e não progride.

Ação: aumente uma variável de volume (ex.: +1 série no exercício principal) e mantenha o resto igual por 2 semanas.

Sinais de que o problema é recuperação

  • RPE sobe para cargas/variações que antes eram confortáveis.
  • Desempenho piora em vários exercícios ao mesmo tempo.
  • Sono ruim e dores musculares prolongadas.

Ação: mantenha a técnica e reduza o estresse do treino por 1 semana (menos séries ou RPE alvo mais baixo), sem abandonar a rotina.

Ajustando o plano: mude uma variável por vez

Para saber o que funcionou, ajuste apenas uma variável por ciclo (2–4 semanas). Se você muda tudo, não consegue identificar a causa do resultado.

Variáveis que você pode ajustar (ordem sugerida)

  • Consistência: aumentar 1 dia/semana ou reduzir a duração para não faltar.
  • Volume: +1 série em 1–2 exercícios principais.
  • Repetições: manter séries e tentar +1–2 reps por série dentro do mesmo RPE.
  • Descanso: ajustar em 15–30s para melhorar qualidade ou densidade.
  • Variação: tornar o exercício mais difícil (ou mais fácil) mantendo o padrão.
  • RPE alvo: trabalhar um pouco mais pesado (ex.: de 7–8 para 8–9) por um período curto.

Exemplos práticos de ajuste (sem reinventar o treino)

  • Você travou nas flexões inclinadas: mantenha a mesma inclinação e adicione 1 série (de 3 para 4) por 2 semanas. Se o RPE ficar 9–10 e a forma cair, volte para 3 séries e aumente o descanso em 30s.
  • Agachamentos em 2 min não sobem: não transforme todo treino em teste. Em vez disso, em uma sessão da semana, faça 4 séries moderadas com descanso fixo e tente melhorar 1 rep por série mantendo RPE 7–8.
  • Prancha estagnou: em vez de buscar mais tempo sempre, mantenha o tempo e aumente a qualidade (respiração e alinhamento). Depois, aumente 5–10s por série.

Modelos de fichas prontas (copiar e usar)

Ficha semanal de consistência

SemanaMeta (dias)Feito (dias)Sessões planejadasSessões feitasObservação (1 linha)
13__3__Ex.: viajei 2 dias
23__3__Ex.: dormi mal

Ficha de treino (com espaço para progressão)

Exercício (variação)Meta do ciclo (2–4 sem)Semana 1Semana 2Semana 3Semana 4
Flexão (inclinada)Somar +4–8 reps totais mantendo RPE ≤93x__ (RPE __)3x__ (RPE __)4x__ (RPE __)3–4x__ (RPE __)
Agachamento (variação fixa)+1–2 reps por série ou +1 série________
Prancha (variação fixa)+10–20% tempo com forma3x__s3x__s3x__s3x__s

Protocolo de reavaliação a cada 2–4 semanas

Use este protocolo para fechar um ciclo, medir progresso e decidir o próximo ajuste. Ele foi feito para ser rápido e comparável.

Passo a passo (30–45 minutos no total)

  • 1) Escolha a janela: a cada 2 semanas (iniciantes, progresso rápido) ou 4 semanas (intermediários, rotina mais cheia).
  • 2) Faça 1 sessão de reavaliação no lugar do treino normal do dia.
  • 3) Refaça os 2–3 testes escolhidos (flexão inclinada máximo técnico, agachamento 2 min, prancha por tempo). Mantenha o mesmo padrão e anote resultados.
  • 4) Compare com o ciclo anterior usando três perguntas: (a) melhorou o número (reps/tempo)? (b) o RPE final caiu? (c) a técnica ficou mais limpa?
  • 5) Revise consistência: dias treinados/semana e sessões concluídas. Se ficou abaixo do mínimo viável, ajuste o plano para caber na rotina antes de aumentar dificuldade.
  • 6) Decida 1 ajuste para o próximo ciclo (apenas um): volume, reps, descanso, variação ou RPE alvo.

Quadro de decisão (simples e objetivo)

Resultado da reavaliaçãoProvável causaPróximo passo (1 ajuste)
Testes melhoraram e treinos estão sustentáveisPlano adequadoManter e progredir lentamente (ex.: +1 rep por série)
Testes não melhoraram, mas técnica está melhorBase consolidandoManter variação e aumentar volume leve (+1 série)
Testes pioraram em geral + RPE subiuRecuperação/estresseReduzir volume por 1 semana ou baixar RPE alvo
Você faltou muito (consistência baixa)Plano não está cabendoReduzir duração ou frequência para garantir mínimo viável
Um exercício travou, outros evoluíramGargalo específicoAjustar apenas esse exercício (descanso ou +1 série)

Registro da reavaliação (copiar e preencher)

Reavaliação — Data: __/__/__  Consistência do ciclo: __ treinos feitos / __ planejados  Teste Flexão inclinada (altura fixa): __ reps (nota técnica: __)  Teste Agachamento 2 min: __ reps (nota: __)  Teste Prancha (variação fixa): __ s (nota: __)  Decisão do próximo ciclo (1 ajuste): __  Por quê (1 frase): __

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao perceber estagnação por 2–3 semanas (sem melhora em reps/tempo/variação e sem queda no RPE), qual abordagem está mais alinhada para ajustar o plano de treino em casa?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Ao estagnar, o recomendado é diagnosticar a causa provável (técnica, volume, intensidade, descanso, recuperação e consistência) e ajustar apenas uma variável por ciclo, para saber o que gerou o resultado, mantendo a técnica como prioridade.

Próximo capitúlo

Treino em Casa sem Equipamentos: Adaptações para limitações e necessidades comuns

Arrow Right Icon
Capa do Ebook gratuito Treino em Casa Sem Equipamentos: Construindo Força e Condicionamento
85%

Treino em Casa Sem Equipamentos: Construindo Força e Condicionamento

Novo curso

13 páginas

Baixe o app para ganhar Certificação grátis e ouvir os cursos em background, mesmo com a tela desligada.