Tratamento de juntas no drywall: fitas, massas, cantoneiras e sequência de demãos

Capítulo 11

Tempo estimado de leitura: 11 minutos

+ Exercício

O que é o tratamento de juntas e por que ele define o acabamento

Tratamento de juntas é o conjunto de operações para transformar a superfície “montada” (chapas aparafusadas) em um plano contínuo, resistente e pronto para receber pintura ou revestimento. Ele envolve: preenchimento das juntas, incorporação de fita, regularização em camadas (demãos), tratamento de parafusos, reforço de cantos e encontros, além de lixamento controlado e inspeção com luz rasante e régua. Um bom tratamento evita bolhas, marcações (sombra de junta), desníveis e fissuras.

Materiais e ferramentas essenciais

Massas (compostos)

  • Massa para juntas (pronta ou em pó): usada para embutir fita e fazer as demãos. Prefira produtos específicos para drywall, com boa trabalhabilidade e baixa retração.
  • Massa de acabamento (finish): indicada para a última demão, com grão mais fino e lixamento mais fácil (quando disponível na sua linha de produtos).

Fitas

  • Fita de papel microperfurada: maior resistência e melhor controle de fissuras; ideal para juntas rebaixadas e, principalmente, juntas de topo quando bem executada.
  • Fita telada (fibra de vidro autoadesiva): prática, mas exige massa compatível e aplicação correta para não “telegravar” a malha; costuma ser mais indicada para pequenos reparos, recortes e situações específicas conforme recomendação do fabricante.

Cantoneiras e perfis de canto

  • Cantoneira metálica perfurada: para quinas externas (cantos vivos), alta resistência a impacto.
  • Cantoneira PVC: alternativa com boa resistência à corrosão e fácil alinhamento; atenção à compatibilidade com massa e ao assentamento sem empeno.
  • Perfil de canto / bead: termo comum para peças de reforço e alinhamento de quinas; escolha conforme o tipo de canto (externo, arco, etc.).

Ferramentas

  • Espátulas 10 cm, 15 cm e 20–25 cm (ou desempenadeiras equivalentes).
  • Desempenadeira larga (30–35 cm) para “abrir” demãos e suavizar transições.
  • Lixador manual com tela/lixa (grãos típicos: 120–220) e aspirador (ideal).
  • Régua de alumínio (1–2 m) e lanterna para luz rasante.
  • Estilete, escova/pincel para pó, balde e misturador (se massa em pó).

Preparação antes de começar (checklist de base)

1) Conferência de fixações e rebaixos

  • Parafusos: devem estar levemente rebaixados sem rasgar o cartão da chapa. Se rasgou, reforce com outro parafuso ao lado e trate o furo danificado com massa.
  • Chapas firmes: qualquer “jogo” na borda vira fissura. Se houver movimento, corrija fixação antes de massar.

2) Limpeza e condição da superfície

  • Remova pó solto e rebarbas de gesso/cartão.
  • Ambiente: evite correntes de ar muito fortes e calor excessivo que “puxem” a secagem rápido demais (risco de retração e trinca). Umidade alta aumenta tempo de secagem.

3) Preparação de bordas (principalmente junta de topo)

Juntas rebaixadas (borda afinada) já têm espaço para massa e fita. Já a junta de topo (corte reto) tende a marcar se não for preparada.

  • Junta rebaixada: apenas limpe e garanta que não há “degrau” entre chapas.
  • Junta de topo: quando possível, faça chanfro leve nas bordas cortadas (com estilete/raspador) para criar um pequeno “V” e reduzir o ressalto. Não exagere para não enfraquecer o cartão.

Escolha da fita: quando usar papel e quando usar telada

Fita de papel (recomendação geral para desempenho)

  • Melhor para juntas longas e para controle de fissuras.
  • Obrigatória (na prática) para juntas de topo bem acabadas, pois ajuda a “costurar” a região e distribuir tensões.
  • Exige técnica: precisa ser embebida em massa, sem ar por baixo.

Fita telada (atenção ao sistema)

  • Vantagem: aplicação rápida (autoadesiva) e boa para pequenos recortes e reparos.
  • Risco: se a malha ficar “alta” ou com pouca cobertura, pode aparecer na pintura (marcação). Também pode trincar se usada com massa inadequada ou com pouca espessura de cobertura.
  • Use conforme orientação do fabricante da massa e do sistema. Em caso de dúvida, prefira fita de papel.

Sequência de demãos: padrão prático (3 etapas)

A sequência abaixo é a mais comum para acabamento de qualidade. Ajuste tempos de secagem conforme produto e clima, mas respeite a regra: só avance com a demão seguinte quando a anterior estiver seca e firme.

Demão 1: embutimento da fita (juntas) + preenchimento inicial

Junta rebaixada com fita de papel (passo a passo)

  1. Aplique massa na junta rebaixada com espátula (10–15 cm), preenchendo o canal. Espessura suficiente para “cama” da fita, sem excesso.
  2. Posicione a fita centralizada na junta.
  3. Embuta a fita: passe a espátula do centro para as bordas, com pressão constante, expulsando ar e excesso de massa. A fita deve ficar aderida, sem bolhas e sem “secar” (falta de massa por baixo).
  4. Remova rebarbas nas laterais, deixando a transição limpa.

Junta de topo (corte reto) com fita de papel (passo a passo)

  1. Se possível, chanfre levemente as bordas (preparação).
  2. Faça uma cama de massa um pouco mais larga que na junta rebaixada.
  3. Embuta a fita com atenção redobrada: qualquer ar vira bolha.
  4. Não tente “zerar” o volume na primeira demão. Junta de topo precisa de abertura de demãos mais largas depois para “sumir” na luz.

Com fita telada (quando aplicável)

  1. Cole a fita centralizada na junta, sem enrugar.
  2. Aplique massa pressionando para atravessar a malha e preencher a junta.
  3. Cubra completamente a malha. Se a textura da fita ficar aparente, ela tende a marcar após pintura.

Tratamento de parafusos (na Demão 1)

  1. Com espátula pequena, preencha a cavidade do parafuso.
  2. Raspe o excesso em duas passadas cruzadas (horizontal e vertical) para não deixar “calombo”.
  3. Se o parafuso estiver “alto”, corrija antes (reaperte ou substitua). Massa não corrige parafuso saliente.

Tempo de secagem (referência prática)

O tempo varia por produto e ambiente. Como regra de obra: a massa deve estar uniformemente clara (sem manchas escuras de umidade), firme ao toque e não “arrastar” ao passar a espátula. Em condições comuns, a Demão 1 costuma exigir de 12 a 24 horas. Em clima úmido/frio, pode ser mais.

Demão 2: enchimento e abertura (alargar a transição)

Objetivo: nivelar e começar a “sumir” a junta no plano. Aqui se constrói a geometria do acabamento.

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  • Juntas rebaixadas: aplique massa com espátula 20–25 cm, cobrindo a fita e abrindo para as laterais. Evite deixar bordas grossas (degrau).
  • Juntas de topo: abra mais largo ainda (faixa maior) para diluir o volume. O segredo é transição longa e suave, não espessura concentrada.
  • Parafusos: segunda aplicação fina para eliminar retração da primeira demão.

Secagem e lixamento entre demãos (controle)

Lixe apenas o necessário para remover rebarbas e marcas de espátula, sem “furar” a fita nem expor o cartão da chapa. Preferência por tela de lixamento e aspiração para reduzir pó.

  • Grão: comece em 150–180 para correções; finalize com 180–220 para suavizar.
  • Pressão: leve. Se precisar forçar, é sinal de excesso de massa ou secagem incompleta.
  • Alerta: se aparecer a trama da fita telada ou a fibra do papel, você lixou demais e precisa recompor com massa.

Demão 3: acabamento (regularização final)

Objetivo: eliminar “ondas” e preparar para pintura. Use massa de acabamento (se disponível) e desempenadeira/espátula larga para deixar transições suaves.

  • Aplique uma camada fina, “puxada” longa, minimizando marcas.
  • Após secar, faça lixamento final leve (180–220), focando em transições e pequenas imperfeições.

Tratamento de cantos e encontros

Quinas externas (cantos vivos) com cantoneira

Quinas externas são pontos de impacto e precisam de reforço e alinhamento.

  1. Corte e posicione a cantoneira (metálica ou PVC) no prumo e alinhada.
  2. Fixação: conforme sistema (massa de assentamento e/ou grampos/parafusos específicos). O essencial é não deixar a peça “bambear”.
  3. Primeira camada: aplique massa cobrindo as abas perfuradas, pressionando para preencher os furos e ancorar.
  4. Demãos seguintes: abra as laterais para “sumir” o degrau da cantoneira. Evite acumular massa no vértice, que cria canto arredondado irregular.

Cantos internos (parede/parede e parede/teto)

Cantos internos pedem fita bem embutida para evitar fissuras.

  1. Pré-preencha o canto com uma camada fina de massa.
  2. Dobre a fita de papel no vinco central e aplique no canto.
  3. Embuta com espátula de canto (se tiver) ou com espátula comum, trabalhando um lado por vez para não deslocar a fita.
  4. Demãos: faça camadas finas em cada lado, mantendo o canto “vivo” e alinhado.

Encontro drywall com alvenaria (ponto crítico de fissura)

Drywall e alvenaria têm movimentações diferentes. Se você “colar” rigidamente com massa comum, a tendência é fissurar na linha de encontro.

  • Boa prática: usar solução de transição com tratamento flexível (ex.: selante acrílico pintável na junta de encontro, ou perfil específico de arremate quando previsto), mantendo uma linha controlada de movimentação.
  • Execução típica: regularize a borda do drywall, aplique fita/solução conforme especificação do sistema e finalize com selante pintável na linha de encontro, sem excesso para não marcar.
  • Importante: respeite o detalhe definido em projeto/fornecedor do sistema. O objetivo é evitar fissura por diferença de dilatação.

Encontro com teto (forro) e recortes

  • Recortes (luminárias, inspeções): use fita (papel ou telada conforme caso) e demãos finas para não criar “barriga” ao redor do recorte.
  • Linhas longas: mantenha a mesma largura de abertura de massa ao longo do trecho para não aparecer “sombra” na pintura.

Técnicas para evitar defeitos comuns

Evitar bolhas na fita de papel

  • Massa suficiente por baixo: fita sem “cama” cria bolsões de ar.
  • Pressão e direção corretas: embuta do centro para as bordas, expulsando ar.
  • Não mexa depois que começou a secar: retrabalhar meia-seca descola a fita e cria bolhas.

Evitar marcação de junta (sombra) após pintura

  • Abrir demãos: transições largas e suaves são mais importantes que “encher” a junta.
  • Controle de lixamento: lixar demais no centro e pouco nas bordas cria vales e sombras.
  • Uniformidade: mantenha padrão de largura e espessura em todas as juntas.

Evitar desníveis e “ondas”

  • Use régua entre demãos para checar alto/baixo.
  • Corrija com massa (não com lixa): lixa é para refino, não para “esculpir” grandes volumes.
  • Espátula limpa: grumos na lâmina riscam e geram retrabalho.

Evitar fissuras

  • Fita sempre nas juntas (não confie só na massa).
  • Estrutura firme: movimento na chapa vira trinca na junta.
  • Encontros com materiais diferentes: trate como junta de movimentação (solução flexível/perfil adequado).

Critérios de inspeção antes de liberar para pintura

Inspeção com luz rasante

Apague a iluminação geral e use uma lanterna posicionada de lado (quase paralela à parede). A luz rasante revela:

  • marcas de espátula,
  • degraus nas bordas das demãos,
  • ondas e “barrigas”,
  • textura aparente de fita telada.

Inspeção com régua

  • Apoie uma régua de 1–2 m em diferentes direções (vertical, horizontal e diagonal).
  • Procure vãos (baixos) e pontos de apoio (altos). Marque com lápis para correção localizada.

Checklist final (antes da pintura)

  • Juntas sem bolhas, sem bordas levantadas e sem trama aparente.
  • Parafusos sem “crateras” e sem calombos.
  • Cantos externos alinhados e resistentes (cantoneira bem coberta).
  • Cantos internos retos, sem excesso de massa acumulada.
  • Superfície limpa de pó (pó residual prejudica primer/tinta).

Exemplo prático de sequência em uma parede padrão

EtapaO que tratarObjetivoCuidados
Dia 1Juntas (fita + Demão 1) e parafusos (Demão 1)Embutir fita e preencher baseSem bolhas; sem excesso nas bordas
Dia 2Demão 2 em juntas e parafusosAbrir transição e nivelarFaixas mais largas em juntas de topo
Dia 3Lixamento leve + Demão 3 (acabamento)Refinar plano e suavizar marcasNão expor fita/cartão
Dia 4Lixamento final + inspeção (luz rasante/régua)Garantir planicidade e invisibilidade das juntasCorrigir com massa onde necessário

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao tratar uma junta de topo (corte reto) no drywall para reduzir a marcação após a pintura, qual prática está mais alinhada ao procedimento recomendado?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Na junta de topo, um chanfro leve ajuda a reduzir o ressalto, e o acabamento depende de demãos mais largas para criar uma transição longa e suave. Tentar “zerar” na primeira demão ou nivelar só com lixa aumenta o risco de marcação e danos à fita/cartão.

Próximo capitúlo

Preparação para pintura e acabamento final do drywall: seladores, massas e qualidade visual

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