Transporte e posicionamento: como aguardar socorro e mover apenas quando necessário

Capítulo 12

Tempo estimado de leitura: 8 minutos

+ Exercício

Quando é aceitável mover a pessoa ferida

Em quedas, entorses e fraturas, a regra geral é: não mover a pessoa até a chegada do socorro. A exceção é quando ficar no local é mais perigoso do que mover. Nesses casos, o objetivo do transporte é apenas retirar do risco imediato e colocar em um ponto mais seguro, com o mínimo de movimento.

Situações em que mover pode ser necessário (risco iminente)

  • Incêndio, fumaça, risco de explosão (cozinha, gás, fiação).
  • Trânsito: pessoa caída em via, acostamento estreito, curva, local sem visibilidade.
  • Desabamento, queda de objetos, violência em andamento ou ameaça imediata.
  • Ambiente inseguro: água subindo, choque elétrico possível, animais agressivos.

Situações em que geralmente não se deve mover

Se o local é seguro, aguarde o socorro e foque em conforto e monitoramento. Movimentar sem necessidade pode piorar lesões internas ou agravar dor e sangramento. Se houver suspeita de lesão na coluna, trate como se existisse e evite flexionar/torcer o tronco e o pescoço.

Princípios para mover com o mínimo de dano

1) Coordenação: uma pessoa lidera

Antes de tocar na vítima, combine um plano simples. Uma pessoa deve ser a líder, responsável por contar e dar comandos curtos. Isso reduz movimentos descoordenados.

  • Defina funções: quem estabiliza a cabeça/pescoço, quem cuida do tronco, quem segura quadris/pernas, quem abre caminho e traz a superfície firme.
  • Use contagem: “No 3: 1…2…3… vira/levanta/desliza”.
  • Movimentos lentos e em bloco: evite puxar por braços ou pernas.

2) Priorize “deslizar” em vez de “levantar”

Levantar aumenta instabilidade e exige força. Sempre que possível, deslize a pessoa sobre uma superfície firme ou sobre um tecido resistente.

3) Use superfícies firmes para transporte

O ideal é uma prancha/maca. Na ausência, improvise com itens rígidos e largos:

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  • Porta removida, tábua larga, tampo de mesa resistente.
  • Escada de alumínio reforçada (com cuidado para não “dobrar” o corpo).
  • Chapa de madeira, painel rígido, pallet bem íntegro.

Evite transportar em superfícies que “cedem” (rede, cobertor mole sem apoio) quando houver suspeita de lesão importante, pois isso aumenta a flexão do corpo.

Passo a passo: como aguardar socorro com posicionamento seguro

Se a pessoa está consciente e o local é seguro

  • Peça para não se mexer e explique: “Vou chamar ajuda; tente ficar parado para não piorar.”
  • Busque conforto sem reposicionar: apoie a cabeça com toalhas dobradas ao lado (sem puxar o pescoço), cubra com manta para evitar frio.
  • Alinhe suavemente o que já está alinhado: se a pessoa está deitada reta, mantenha; se está torta, não “endireite” à força.
  • Evite dar comida ou bebida (pode haver necessidade de procedimentos médicos).

Se a pessoa está sonolenta, vomitando ou com dificuldade de manter a via aérea

Se não houver alternativa e for necessário reduzir risco de aspiração, o posicionamento deve ser feito com o mínimo de torção. Quando houver suspeita de coluna, prefira técnicas de movimento em bloco com ajuda (descritas abaixo). Se estiver sozinho e a respiração estiver ameaçada, priorize a respiração.

Passo a passo: mover apenas quando necessário (risco iminente)

A) Retirada rápida (quando há perigo imediato e não dá para preparar muito)

Use apenas para tirar da zona de risco (fogo/trânsito). A meta é deslocar poucos metros até um local seguro.

  • 1. Escolha o destino: um ponto protegido e plano.
  • 2. Proteja a cabeça e o pescoço o máximo possível: mantenha alinhado, evite “chacoalhar”.
  • 3. Arraste pelo tronco/roupa (se possível): segure por baixo das axilas ou pela roupa na região do ombro/peito, mantendo o corpo alinhado.
  • 4. Pare assim que estiver seguro e volte ao foco de monitoramento e chamada de emergência.

Evite puxar pelos braços estendidos ou pelas pernas: aumenta dor e pode agravar lesões.

B) Movimento em bloco (log roll) para virar e posicionar com suspeita de coluna

Essa técnica é útil para alinhar o corpo, colocar uma superfície rígida por baixo ou virar para proteger a via aérea, reduzindo torção. Idealmente com 3 a 5 pessoas.

Funções:

  • Líder na cabeça: estabiliza e comanda a contagem.
  • 2 pessoas no tronco e quadris.
  • 1 pessoa nas pernas.
  • 1 pessoa (se houver) para inserir a prancha/porta.

Passo a passo:

  • 1. Alinhe braços: coloque os braços da vítima cruzados sobre o peito, se tolerado, para não “prender” ao virar.
  • 2. Posicione as mãos: cada ajudante segura ombro/quadril/coxa, mantendo o corpo “travado” como um bloco.
  • 3. Comando do líder: “No 3, virar em bloco para mim: 1…2…3.”
  • 4. Vire apenas o necessário: o mínimo para inserir a superfície firme ou para limpar vômito.
  • 5. Insira a superfície (prancha/porta) encostada nas costas.
  • 6. Retorne em bloco: “No 3, voltar: 1…2…3.”
  • 7. Centralize com pequenos ajustes de deslize, não puxões.

Erros comuns: virar cada parte em tempos diferentes; puxar pela cabeça; deixar quadril e ombros girarem em direções opostas.

C) Transferência para superfície firme (porta/tábua) com “ponte” curta

Quando há ajudantes suficientes, pode-se levantar poucos centímetros para colocar a prancha por baixo, reduzindo arrasto.

  • 1. Prepare a superfície ao lado, paralela ao corpo.
  • 2. Líder coordena e todos se posicionam em ombros, tronco, quadris e pernas.
  • 3. Elevação mínima: “No 3, levantar 5 cm: 1…2…3.”
  • 4. Outra pessoa desliza a prancha por baixo.
  • 5. Descer em bloco com comando.

Se não houver coordenação ou força suficiente, prefira deslizar com tecido resistente sobre a superfície firme.

Conforto e monitoramento enquanto aguarda o socorro

Após posicionar (ou decidir não mover), mantenha vigilância ativa. Mudanças rápidas podem indicar piora.

O que observar (e anotar mentalmente)

  • Dor: está aumentando? mudou de local? apareceu dor no pescoço/costas?
  • Consciência: está mais confuso, sonolento, difícil de acordar?
  • Respiração: está mais rápida, ruidosa, com esforço, ou irregular?
  • Cor da pele: pálida, acinzentada, arroxeada, muito suada e fria.
  • Inchaço: está piorando rapidamente? a pele está ficando muito tensa?
  • Movimento e sensibilidade: formigamento, dormência, incapacidade de mexer dedos/mãos/pés.

Medidas simples de conforto (sem “mexer demais”)

  • Temperatura: cubra com manta/roupa para evitar hipotermia, mesmo em clima ameno.
  • Apoios laterais: toalhas dobradas ao lado da cabeça e do tronco podem reduzir movimentos involuntários.
  • Ambiente: reduza aglomeração, barulho e luz forte; mantenha a pessoa calma e informada.

Como comunicar informações essenciais ao serviço de emergência

Uma comunicação objetiva acelera o envio de recursos e melhora o atendimento. Se possível, coloque o telefone no viva-voz e mantenha as mãos livres.

Roteiro prático (o que dizer)

  • Local exato: endereço, referência, acesso (portão, andar, ponto de encontro), riscos no local (fumaça, trânsito).
  • O que aconteceu: queda de altura? escorregão? impacto? tempo desde o evento.
  • Quantas vítimas e idade aproximada.
  • Estado atual: consciente? confuso? respirando normalmente?
  • Suspeitas principais: dor intensa em coluna/pescoço, deformidade evidente, incapacidade de apoiar, sangramento importante.
  • O que foi feito: retirada de risco, posicionamento em superfície firme, imobilização, controle de sangramento, aplicação de gelo (se aplicável).
  • Mudanças observadas: piora da dor, sonolência, falta de ar, palidez, aumento rápido do inchaço.

Informações úteis para repassar à equipe ao chegar

  • Medicamentos e condições (se a pessoa souber informar): anticoagulantes, diabetes, epilepsia, alergias.
  • Última refeição (se souber).
  • Capacidade antes do acidente: já tinha limitação de mobilidade? usava bengala?
  • Relato de sintomas em frases curtas: “Dor forte no tornozelo e não consegue apoiar”, “Formigamento na mão desde a queda”.

Checklist rápido para decidir e agir

Se…Então…
O local é seguroNão mova; mantenha conforto e monitoramento; chame socorro.
Há risco iminente (fogo/trânsito)Retire rapidamente para área segura com o mínimo de movimento.
Precisa virar/posicionar e há suspeita de colunaUse movimento em bloco com líder e contagem; evite torção.
A pessoa piora (consciência/respiração/cor)Atualize o serviço de emergência e reavalie prioridade de via aérea e segurança.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Em uma situação de queda com possível fratura, quando é aceitável mover a pessoa ferida antes da chegada do socorro?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

A regra geral é não mover. Só se deve mover quando ficar no local for mais perigoso (ex.: fogo, trânsito), fazendo uma retirada para um ponto seguro com o mínimo de movimento para não agravar lesões.

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Sinais de urgência e decisão de encaminhamento: quando buscar emergência imediatamente

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