Tráfego pago no Marketing de Moda: anúncios para loja física e e-commerce com controle

Capítulo 14

Tempo estimado de leitura: 11 minutos

+ Exercício

O que é tráfego pago (e o que ele não é)

Tráfego pago é a compra de alcance qualificado por meio de anúncios para acelerar visitas, mensagens e vendas. Na moda, ele funciona melhor quando você controla três variáveis: objetivo (o que quer que a pessoa faça), criativo (o que faz a pessoa parar e desejar) e público (quem tem maior chance de comprar). Tráfego pago não substitui produto, oferta, atendimento e conteúdo orgânico; ele amplifica o que já está funcionando e ajuda a testar hipóteses com velocidade.

Objetivos de campanha mais úteis para moda (loja física e e-commerce)

1) Alcance local (para loja física)

Use quando a prioridade é colocar sua marca na cabeça de quem mora/trabalha perto da loja. Ideal para: inauguração, nova coleção, semana temática (jeans, alfaiataria, festa), reposição de best-sellers.

  • Indicador principal: alcance, frequência e custo por mil (CPM).
  • Chamada para ação: “Como chegar”, “Ver no mapa”, “Visitar a loja”.

2) Mensagens (para loja física e vendas assistidas)

Use quando você quer iniciar conversa para reservar peça, tirar dúvida de tamanho, montar look e agendar visita. Funciona muito bem para moda porque reduz insegurança (caimento, combinação, troca).

  • Indicador principal: custo por conversa/início de chat, taxa de resposta e qualidade dos leads.
  • Chamada para ação: “Chamar no WhatsApp/Direct”, “Quero provar”, “Quero meu tamanho”.

3) Conversões (para e-commerce)

Use quando você quer otimizar para compra no site. Exige rastreamento bem configurado (evento de compra, carrinho, checkout) para o algoritmo aprender quem compra.

  • Indicador principal: CPA (custo por compra) e ROAS (retorno sobre gasto em anúncios).
  • Chamada para ação: “Comprar agora”, “Ver coleção”, “Finalizar pedido”.

Criativos que costumam performar melhor em moda

Em moda, o anúncio precisa vender visualização do resultado (como a pessoa vai ficar) e redução de risco (tamanho, caimento, versatilidade). Priorize vídeos curtos e carrosséis com variações.

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Formatos e ângulos práticos

  • Prova real (provador/espelho): vídeo com movimentos (sentar, andar, girar) para mostrar caimento e tecido.
  • Antes/depois do look: “básico” vs “com styling” (mesma peça com 2 a 3 combinações). Mostra versatilidade e aumenta valor percebido.
  • Benefícios objetivos: “não marca”, “não amassa fácil”, “cintura alta que modela”, “tecido encorpado”, “forro”, “bojo”, “não fica transparente”.
  • Prova social: cliente usando (com autorização), prints de feedback, “mais vendido da semana”, “reposição chegou”.
  • Oferta com contexto: em vez de só desconto, use motivo: “últimas unidades”, “cores novas”, “combo de looks”, “frete/retirada”.

Checklist de criativo (para reduzir desperdício)

  • Mostra a peça em 3 distâncias: corpo inteiro, cintura/caimento, detalhe do tecido.
  • Inclui 1 frase de promessa (benefício) e 1 prova (demonstração).
  • Tem CTA único (mensagem, visitar, comprar).
  • Evita excesso de elementos: foco na peça e no corpo em movimento.

Segmentações úteis (sem complicar)

Segmentação é o “para quem” do anúncio. Em moda, você pode combinar intenção (interesses), proximidade (localização) e relacionamento (engajamento). Comece simples e expanda com dados.

1) Localização (essencial para loja física)

  • Raio em torno da loja (ex.: 2 a 8 km, ajustando conforme cidade e mobilidade).
  • Bairros específicos com maior poder de compra ou fluxo.
  • Segmentar por “pessoas que moram aqui” vs “pessoas que estão aqui” (útil em áreas comerciais).

2) Interesses (para público frio)

  • Interesses relacionados ao estilo (ex.: moda feminina, streetwear, alfaiataria, fitness, moda festa).
  • Interesses complementares (ex.: beleza, maquiagem, casamento, academia, viagens) quando combinam com seu mix.
  • Evite empilhar muitos interesses no mesmo conjunto; prefira 1 a 3 por conjunto para leitura clara.

3) Engajamento (para público morno)

  • Pessoas que interagiram com seu perfil (curtidas, salvamentos, mensagens).
  • Quem assistiu a vídeos (ex.: 25%/50%/75%).
  • Visitantes do site ou pessoas que adicionaram ao carrinho (se houver rastreamento).

4) Público semelhante (lookalike) (para escalar com controle)

  • Semelhante de compradores (melhor qualidade).
  • Semelhante de iniciadores de conversa (bom para campanhas de mensagens).
  • Semelhante de visitantes engajados (bom para topo de funil).

Estrutura de funil (frio, morno, quente) para moda

Funil em tráfego pago é a organização das campanhas por temperatura do público. Isso evita gastar caro tentando vender para quem ainda não conhece a marca.

Topo (Frio): descobrir e desejar

  • Objetivo: alcance/visualizações de vídeo/tráfego qualificado (ou mensagens com criativo muito forte, se sua operação responde rápido).
  • Público: localização + interesses; semelhantes amplos.
  • Criativos: prova, antes/depois, “3 looks com 1 peça”, tendências aplicáveis ao dia a dia.
  • Meta prática: gerar volume de pessoas que assistem e engajam para alimentar o meio do funil.

Meio (Morno): considerar e tirar dúvidas

  • Objetivo: mensagens ou tráfego para páginas específicas (coleção, categoria).
  • Público: engajados, viewers de vídeo, visitantes do site.
  • Criativos: benefícios, tabela de medidas/caimento na prática, prova social, comparativos (tecido encorpado vs fino).
  • Oferta: incentivo leve (ex.: retirada rápida, brinde, condição por tempo) sem “queimar” margem.

Fundo (Quente): comprar agora

  • Objetivo: conversões (e-commerce) ou mensagens com foco em fechamento (loja física/atendimento).
  • Público: carrinho, checkout, visitantes de produto, lista de clientes (se aplicável), engajados recentes.
  • Criativos: “últimas unidades”, reposição, urgência real, prova de caimento, garantia/troca, facilidades.

Passo a passo: montar campanhas com controle (do zero)

Passo 1 — Defina 1 objetivo por campanha

Evite misturar “mensagens” e “compras” na mesma campanha. Escolha o objetivo que representa a ação principal daquela etapa do funil.

Passo 2 — Crie 3 campanhas (uma por temperatura)

  • Campanha Fria: 2 a 4 conjuntos de anúncios (localização + interesses / semelhante).
  • Campanha Morna: 1 a 2 conjuntos (engajados e viewers).
  • Campanha Quente: 1 conjunto (carrinho/visitantes de produto) e, se necessário, separar e-commerce vs mensagens.

Passo 3 — Dentro de cada conjunto, teste poucos criativos

Para não “embaralhar” resultados, use de 2 a 4 anúncios por conjunto, variando um elemento por vez (ex.: vídeo de prova vs carrossel de looks).

Passo 4 — Configure a oferta e a página/destino

  • Loja física: destino em mensagens ou mapa; inclua horário, bairro e facilidade (estacionamento, provador, reserva).
  • E-commerce: envie para categoria/coleção coerente com o criativo (não para a home). Se o anúncio é “alfaiataria”, a página precisa ser “alfaiataria”.

Passo 5 — Garanta velocidade de resposta (para campanhas de mensagens)

Se você anuncia para mensagens e demora, o custo por conversa sobe e a qualidade cai. Planeje janelas de atendimento e respostas rápidas para tamanho, medidas, cores e disponibilidade.

Orçamento inicial (modelo simples e ajustável)

Comece com um orçamento que permita aprender sem travar o caixa. Uma referência prática é dividir por funil e ir realocando conforme o que traz resultado.

EtapaObjetivo comum% do orçamento (início)Por quê
FrioAlcance/Views/Tráfego50% a 60%Cria volume para alimentar morno e quente
MornoMensagens/Tráfego qualificado25% a 35%Transforma interesse em intenção
QuenteConversões/Mensagens de fechamento10% a 20%Captura demanda pronta sem saturar

Regra de controle: se o fundo estiver pequeno (pouca gente em carrinho/visitantes), não adianta colocar muito dinheiro no quente; aumente o topo e o meio primeiro.

Testes A/B: o que testar primeiro (e como não se perder)

Teste A/B é comparar duas variações mantendo o resto igual. Em moda, o maior impacto costuma vir de criativo e oferta, depois público e posicionamentos.

Ordem recomendada de testes

  • 1) Criativo: prova no corpo vs carrossel de combinações; UGC (cliente) vs modelo; close do tecido vs corpo inteiro.
  • 2) Ângulo de mensagem: benefício (não marca) vs ocasião (trabalho) vs versatilidade (3 looks).
  • 3) Público: interesse A vs interesse B; raio 3 km vs 8 km; semelhante 1% vs 3%.
  • 4) Destino: página de categoria vs página de produto campeão; mensagens com roteiro A vs roteiro B.

Como executar sem confundir resultados

  • Teste uma variável por vez.
  • Deixe rodar tempo suficiente para sair do “ruído” (ex.: 3 a 7 dias, dependendo do volume).
  • Defina antes o critério de vitória (ex.: maior CTR com CPC menor; ou menor CPA).

Leitura de métricas (CPM, CPC, CTR, CPA, ROAS) aplicada à moda

CPM (custo por mil impressões)

Mostra o “preço do alcance”. CPM alto pode indicar público muito disputado, criativo com baixa relevância ou segmentação restrita. Para loja física, CPM é importante porque você compra presença local.

CTR (taxa de cliques)

Indica se o criativo chama atenção e se a promessa está clara. CTR baixo geralmente é criativo fraco, oferta pouco atraente ou público errado. Em moda, CTR melhora quando você mostra caimento e combinações.

CPC (custo por clique)

É influenciado por CTR e CPM. Se o CPC está alto, tente primeiro melhorar o criativo (aumentar CTR) antes de mexer no orçamento.

CPA (custo por aquisição/compra)

É o quanto custa para gerar uma compra (ou outra ação final). Se o CPA está alto, verifique: página de produto (fotos, variações, frete), confiança (troca), e se o anúncio está atraindo curiosos em vez de compradores.

ROAS (retorno sobre gasto em anúncios)

ROAS = receita atribuída aos anúncios ÷ gasto. Use para decidir escala: se um conjunto tem ROAS consistente e estoque para atender, aumente orçamento gradualmente. Se ROAS oscila muito, estabilize criativo e público antes de escalar.

Diagnóstico rápido (tabela de sintomas)

SintomaO que costuma significarAção prática
CPM alto + CTR baixoCriativo fraco para um público caroTrocar criativo/ângulo; ampliar público
CTR bom + CPC ok + poucas comprasProblema no site/oferta/checkoutRevisar página, frete, prova de confiança, velocidade
Muitas mensagens, poucas vendasQualificação e roteiro fracosFiltrar com perguntas, enviar opções, criar “kit de respostas”
ROAS bom e cai ao aumentar orçamentoSaturação ou público pequenoSubir orçamento aos poucos; abrir novos criativos e públicos

Rotina de otimização (controle semanal)

Checklist 2x por semana

  • Pausar anúncios com CTR muito abaixo dos demais (criativo cansado).
  • Duplicar o melhor criativo e testar nova variação (mesma ideia, novo vídeo/primeiros 2 segundos).
  • Realocar orçamento: tirar de conjuntos sem sinal e colocar nos que têm melhor CPA/ROAS.
  • Checar frequência no público quente (se subir demais, renovar criativos e ampliar janela de remarketing).

Regra de escala segura

Quando um conjunto está estável (CPA/ROAS consistentes), aumente orçamento em pequenos passos (ex.: 10% a 30%) e observe por 48 a 72 horas antes de novo aumento.

Cuidados para não depender só de anúncios

1) Construa ativos próprios

  • Lista de contatos: clientes e interessados (para convites, lançamentos, reposição).
  • Catálogo e páginas fortes: categorias bem organizadas e produtos campeões sempre atualizados.
  • Conteúdo reutilizável: vídeos de prova e combinações que podem virar anúncio e orgânico.

2) Evite “viciar” a venda em desconto

Se todo anúncio é desconto, você treina o público a esperar promoção e derruba margem. Alterne ângulos: versatilidade, qualidade, caimento, ocasião, prova social e novidades.

3) Planeje estoque e reposição para não queimar performance

Anúncio que vende e fica sem tamanho/cor rapidamente derruba ROAS e aumenta frustração. Tenha uma lista de “produtos âncora” (os que sempre podem ser anunciados) e uma lista de “drops” (novidades de tempo curto).

Integração com conteúdo orgânico (para baixar custo e aumentar confiança)

Como usar orgânico para melhorar anúncios

  • Teste no orgânico antes: os posts com mais salvamentos, comentários e retenção viram candidatos a anúncio.
  • Sequência de prova: publique 3 variações do mesmo produto (look 1, look 2, detalhe/tecido). Depois, anuncie o melhor.
  • Reaproveite perguntas reais: transforme dúvidas frequentes em criativos (“marca?”, “transparente?”, “qual tamanho?”).

Como usar anúncios para turbinar o orgânico

  • Impulsione conteúdos de prova e styling para público frio (topo), gerando novos seguidores e engajamento.
  • Crie remarketing para quem engajou com vídeos e leve para mensagens ou para a coleção no site.

Modelos prontos (copie e adapte)

Roteiro de anúncio em vídeo (15 a 25s) — prova + benefício

1) Gancho (0-2s): “Calça que não marca e alonga?” 2) Prova (2-10s): mostrar frente, lado, costas, movimento 3) Benefícios (10-18s): tecido, cintura, bolsos, elasticidade 4) Versatilidade (18-22s): 2 combinações rápidas 5) CTA (22-25s): “Quer no seu tamanho? Me chama” / “Ver cores no site”

Texto curto para anúncio de loja física (alcance local)

Nova coleção chegou: peças fáceis de combinar e com caimento impecável. Estamos a X minutos de você. Venha provar hoje. (Sem texto na imagem; use vídeo de prova.)

Texto curto para anúncio de e-commerce (conversão)

Alfaiataria versátil: do trabalho ao jantar. Veja cores, tamanhos e medidas na coleção. Troca facilitada. Comprar agora.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao montar campanhas de tráfego pago com controle para uma marca de moda, qual prática ajuda a evitar confusão na análise de resultados e melhora a otimização por etapa do funil?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Separar campanhas por etapa do funil e manter um único objetivo por campanha evita misturar sinais (ex.: mensagens e compras), facilita comparar desempenho e permite otimizar criativos, públicos e orçamento com mais clareza.

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