O que é o TAF do CFN e como ele é avaliado
O Teste de Aptidão Física (TAF) é a etapa em que o candidato demonstra capacidade física mínima para suportar as exigências do curso e da rotina operacional. Ele é composto por provas padronizadas (variando conforme o edital do ano), com regras de execução, forma de contagem e critérios de eliminação. Em geral, o resultado é baseado em: tempo (corrida e, quando prevista, natação), número de repetições válidas (flexões e abdominais) e cumprimento estrito das regras (postura, amplitude, ritmo e comandos).
Regra prática: no TAF, “fazer” não basta; é preciso “fazer válido”. Repetições fora do padrão podem não ser contadas e, dependendo do erro, podem gerar eliminação imediata.
Princípios gerais que costumam valer para todas as provas
- Comandos do avaliador: aguarde autorização para iniciar e siga as ordens de “preparar”, “iniciar”, “parar” e orientações de correção. Iniciar antes do comando pode caracterizar saída falsa.
- Contagem: normalmente só contam repetições completas, com amplitude exigida e retorno à posição inicial. Repetição incompleta tende a ser “não contada”.
- Postura e alinhamento: compensações (quadril caído, tronco “roubando” movimento, joelhos flexionando quando não permitido) podem invalidar repetições.
- Pausas: pausas fora do padrão (ex.: descansar no chão, interromper por tempo excessivo, perder a posição inicial) podem encerrar a prova ou invalidar repetições.
- Segurança: sinais de mal-estar importante, dor aguda ou incapacidade de manter o padrão podem levar à interrupção por segurança, com impacto no resultado conforme regras do evento.
Corrida (prova de resistência): padrões e execução correta
A corrida costuma avaliar resistência cardiorrespiratória em distância e tempo definidos em edital. O foco é completar a distância no tempo limite, respeitando regras de largada, percurso e chegada.
Execução correta (passo a passo)
- Antes da largada: posicione-se atrás da linha, ajuste cadarços, confira o número (quando houver) e mantenha-se atento ao comando. Evite saltar ou avançar o corpo sobre a linha.
- Largada: saia apenas no comando. Nos primeiros 200–400 m, controle o ritmo para não “quebrar” no meio.
- Ritmo: busque ritmo constante. Uma estratégia prática é dividir mentalmente a prova em 3 partes: início controlado, meio estável, final progressivo (aumentando gradualmente se houver reserva).
- Respiração: mantenha respiração cadenciada (ex.: inspirar em 2 passadas e expirar em 2–3 passadas), sem prender o ar.
- Postura: tronco levemente inclinado à frente, olhar no horizonte, ombros relaxados, braços oscilando sem cruzar excessivamente à frente do corpo.
- Chegada: mantenha o esforço até cruzar a linha. Não reduza antes do término.
Erros comuns que podem prejudicar ou eliminar
- Saída falsa: iniciar antes do comando.
- Cortar caminho: encurtar o percurso, sair da raia/rota quando isso for proibido.
- Interferência: atrapalhar outro candidato (fechar passagem, empurrar).
- Paradas longas: caminhar ou parar pode não ser proibido em si, mas costuma inviabilizar o tempo mínimo; além disso, em alguns formatos, abandonar o esforço ou sair do percurso pode encerrar a prova.
Natação (quando prevista): padrões e execução correta
Quando o edital prevê natação, a avaliação costuma ser por distância e tempo, em piscina, com regras de estilo permitido, viradas e saída. O objetivo é cumprir o percurso no tempo, sem infrações técnicas.
Execução correta (passo a passo)
- Preparação: ajuste óculos e touca antes do comando. Evite mexer após a autorização de largada.
- Saída: respeite o comando. Em saída de bloco, estabilize o corpo, impulsione com os dois pés e entre na água alinhado para reduzir arrasto.
- Estilo: use o estilo permitido (frequentemente crawl). Mantenha respiração lateral, corpo “alto” na água e pernada constante.
- Virada (se houver): toque a borda conforme exigência (mão ou qualquer parte do corpo, dependendo da regra). Empurre forte e retome o nado sem pausa prolongada.
- Chegada: toque a borda de término de forma clara e continue até o avaliador confirmar o tempo.
Erros comuns que podem prejudicar ou eliminar
- Saída antecipada: largar antes do comando.
- Não cumprir a distância: parar antes da borda final, segurar na raia/borda para descansar quando isso for vedado.
- Estilo irregular: usar movimento incompatível com o estilo exigido (quando houver exigência formal).
- Virada inválida: não tocar a borda quando obrigatório ou “encurtar” a piscina.
Flexões de braço: padrão técnico, contagem e faltas
As flexões avaliam força e resistência de membros superiores e core. O que mais elimina repetições é amplitude incompleta e perda de alinhamento corporal.
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Posição inicial (checklist)
- Mãos: no solo, aproximadamente na linha do peito, afastamento ligeiramente maior que a largura dos ombros (ajuste conforme conforto sem “abrir” demais).
- Corpo: alinhado da cabeça aos calcanhares (posição de prancha). Abdômen contraído e glúteos firmes.
- Pés: juntos ou levemente afastados, conforme padrão adotado no teste.
- Cabeça: alinhada com a coluna; olhar para o chão à frente.
Execução correta (passo a passo)
- Descida: flexione os cotovelos controladamente, mantendo o corpo em bloco (sem “quebrar” o quadril). Cotovelos podem apontar levemente para trás, evitando abrir em 90°.
- Amplitude: desça até atingir o critério do teste (ex.: peito próximo ao solo/anteparo, ou cotovelo em ângulo mínimo exigido). Se houver referência (anteparo/colchonete/avaliador), respeite-a.
- Subida: estenda os cotovelos até retornar à posição inicial, com travamento conforme regra (muitos padrões exigem extensão completa).
- Ritmo: mantenha cadência constante. Se a regra permitir pausa, ela geralmente deve ser na posição inicial (braços estendidos), sem deitar no chão.
Padrão de contagem (como garantir repetição válida)
- Considere “1 repetição” apenas quando completar descida + amplitude exigida + retorno completo.
- Se o avaliador sinalizar “não contou”, corrija imediatamente o ponto indicado (amplitude, alinhamento, extensão).
Erros frequentes (não contagem e risco de eliminação)
- Amplitude curta: não descer o suficiente.
- Quadril caído ou elevado: perder a linha do corpo (parece “cobra” ou “pike”).
- Não estender totalmente: subir sem completar a extensão exigida.
- Apoiar joelhos: quando o padrão exige flexão tradicional.
- Descansar no chão: deitar ou apoiar tronco no solo quando isso encerra a tentativa.
Abdominal (geralmente remador ou supra): execução e validação
O abdominal no TAF costuma avaliar resistência do tronco. O ponto crítico é cumprir exatamente o padrão de mãos, pés e amplitude (tocar referências) sem “roubar” com impulso excessivo.
Configuração típica (ajuste ao padrão do seu edital)
- Posição: deitado, joelhos flexionados, pés apoiados no solo. Em alguns padrões, há fixação dos pés por um auxiliar; em outros, não.
- Mãos: pode ser na nuca, cruzadas no peito ou tocando alguma referência (ex.: ombros). O erro mais comum é soltar a posição das mãos.
- Coluna: iniciar com escápulas no solo (ou tronco totalmente no solo), conforme exigência.
Execução correta (passo a passo)
- Subida: flexione o tronco até atingir o ponto de referência (ex.: cotovelos nos joelhos, ou tronco acima de determinado ângulo). Evite puxar a cabeça com as mãos.
- Descida: retorne controladamente até encostar a referência de retorno (ex.: escápulas no solo). Sem “quicar” para ganhar impulso.
- Respiração: expire na subida e inspire na descida para manter ritmo e reduzir tensão cervical.
Padrão de contagem
- Conta quando houver toque/alcance da referência na subida e retorno completo ao solo (ou referência de retorno).
- Repetições “meias” (sem tocar referência) tendem a ser anuladas.
Erros comuns
- Não retornar totalmente: não encostar escápulas/coluna conforme exigência.
- Soltar mãos da posição: tirar mãos da nuca/peito ou usar as mãos para impulsionar.
- Elevar quadril: tirar o quadril do chão para encurtar o movimento.
- Ritmo descontrolado: “bater” no chão e usar impulso pode ser advertido e levar a não contagem.
Outros testes que podem aparecer: como ler o padrão e evitar faltas
Alguns editais podem incluir provas adicionais (ex.: barra fixa, corrida de velocidade, salto, shuttle run). O ponto em comum é que cada teste tem um padrão objetivo de início, execução e finalização. Para não ser surpreendido, treine a habilidade de “traduzir” o padrão do edital em checklist.
Checklist universal de execução (use para qualquer prova)
- Qual é a posição inicial válida? (mãos, pés, alinhamento, contato com o solo/equipamento)
- Qual é a amplitude mínima? (altura, ângulo, toque em referência, extensão completa)
- O que encerra a prova? (tempo, falha técnica, pausa, soltar equipamento)
- O que é proibido? (balanço, impulso, apoio extra, deslocamento fora da área)
- Como é a contagem? (por repetição completa, por tempo, por distância)
Protocolo de aquecimento e mobilidade (seguro e aplicável ao dia do TAF)
O aquecimento deve elevar gradualmente a temperatura corporal, ativar articulações e preparar o padrão motor das provas. Evite alongamento estático intenso antes de esforços máximos; priorize mobilidade dinâmica e ativação.
Aquecimento geral (8 a 12 minutos)
- 3 a 5 min: caminhada acelerada ou trote leve, aumentando progressivamente.
- 2 a 3 min: mobilidade dinâmica: círculos de ombro, rotações de quadril, balanço controlado de pernas (frente/trás e lateral), mobilidade de tornozelo (joelho à frente sem tirar o calcanhar).
- 2 a 4 min: ativação: 2 séries leves de 8–12 repetições de agachamento sem carga, prancha 20–30 s, 6–10 flexões leves, 10–15 abdominais leves (sem fadigar).
Aquecimento específico (5 a 8 minutos)
- Para corrida: 2 a 4 acelerações progressivas de 60–80 m, com retorno caminhando; 1 a 2 minutos de trote leve entre elas.
- Para flexões/abdominais: 1 série curta (3–6 repetições) no padrão exato do teste, focando amplitude e alinhamento.
- Para natação (quando houver): se permitido, 2–4 minutos de nado leve + 2 tiros curtos (10–15 m) com descanso amplo, focando técnica e respiração.
Alongamento: quando usar e como não atrapalhar o desempenho
Use alongamento estático leve após o TAF ou após o treino, para relaxamento e manutenção de flexibilidade. Antes do teste, prefira mobilidade dinâmica.
Alongamento pós-esforço (6 a 10 minutos)
- Panturrilha: 20–30 s cada lado, sem dor aguda.
- Posterior de coxa: 20–30 s cada lado, coluna neutra.
- Quadríceps: 20–30 s cada lado, joelhos alinhados.
- Peitoral e ombros: 20–30 s, sem forçar articulação.
Prevenção de lesões e cuidados que evitam reprovação por execução
Regras práticas de prevenção
- Progressão: aumente volume e intensidade gradualmente. Saltos bruscos elevam risco de canelite, dor patelofemoral e tendinites.
- Técnica antes de volume: treine flexões e abdominais com padrão rígido. Repetição “roubada” no treino cria vício que aparece no TAF e vira não contagem.
- Recuperação: durma bem e respeite dias de menor intensidade. Fadiga aumenta erros técnicos (amplitude curta, postura ruim, pausas irregulares).
- Calçado e superfície: use tênis adequado e varie superfícies de treino para reduzir impacto repetitivo.
- Hidratação e alimentação: chegue hidratado; evite testar alimentos novos no dia. Refeição leve 2–3 horas antes costuma ser mais segura do que jejum prolongado ou excesso de gordura/fibra.
- Sinais de alerta: dor aguda, formigamento, tontura, falta de ar fora do esperado e dor no peito exigem interrupção e avaliação. Persistir pode agravar lesão e comprometer o desempenho.
Como treinar para “não perder repetição”
- Treino com padrão: faça séries com pausa curta, mas mantendo amplitude total e alinhamento. Se perder o padrão, pare, recupere e retome.
- Autoavaliação: grave vídeos curtos de flexões e abdominais para checar extensão, alinhamento e referência de toque.
- Simulação: simule comandos: alguém dizendo “iniciar/parar” e contando apenas repetições perfeitas. Isso reduz surpresa e melhora controle de ritmo.
Erros eliminatórios típicos (lista de verificação rápida)
- Saída falsa em corrida ou natação.
- Não cumprir distância/tempo por estratégia errada de ritmo.
- Repetições incompletas (amplitude curta, falta de extensão, não tocar referência).
- Postura fora do padrão (quadril caído/alto na flexão, mãos fora da posição no abdominal).
- Pausas irregulares (descansar no chão, perder posição inicial quando isso encerra a prova).
- Descumprir comandos do avaliador ou discutir durante a execução, perdendo tempo e concentração.
Roteiro prático de simulação do TAF (para treinar execução)
Use este roteiro para treinar a parte técnica e reduzir erros de padrão. Ajuste distâncias, tempos e repetições ao que o seu edital exigir.
1) Aquecimento geral (10 min) + específico (5 min) 2) Corrida: simular largada e manter ritmo-alvo 3) Recuperação ativa curta (caminhar 3–5 min) 4) Flexões: 1 tentativa no padrão, com contagem rígida 5) Descanso 2–4 min 6) Abdominais: 1 tentativa no padrão, com contagem rígida 7) (Se houver) Natação em dia separado ou após recuperação adequada, simulando saída e viradas