Telas com frame e sem frame: escolha do conjunto e impacto no procedimento

Capítulo 3

Tempo estimado de leitura: 10 minutos

+ Exercício

Conceito: o que muda entre tela com frame e sem frame

Na substituição de display, “tela com frame” (também chamada de conjunto com aro/chassi intermediário) é a peça que já vem com o display colado e alinhado ao frame. Você transfere componentes do aparelho (placa, bateria, alto-falantes, botões, etc.) para esse novo conjunto. Já a “tela sem frame” é apenas o módulo de display (e, em alguns casos, o touch) que precisa ser colado no chassi original do aparelho após limpeza e preparação.

Na prática, a escolha impacta diretamente o procedimento: com frame tende a ser mais rápido e previsível (menor risco de desalinhamento e de pressão indevida no display), porém costuma ter custo maior. Sem frame exige preparação cuidadosa do chassi, colagem precisa e controle rigoroso de poeira/altura de resíduos; o risco de falhas por pressão, descolamento e entrada de partículas é maior.

Diferenças operacionais (visão rápida)

AspectoTela com frameTela sem frame
Tempo de serviçoMenor (menos etapas de colagem/alinhamento)Maior (limpeza, preparo e colagem)
Risco de desalinhamentoMenor (display já posicionado no frame)Maior (alinhamento depende da colagem)
Risco de pressão/pontos de tensãoMenor (assentamento mais uniforme)Maior (resíduo alto e colagem irregular criam pontos de pressão)
Controle de poeiraMais simples (menos manipulação do módulo aberto)Crítico (qualquer partícula pode ficar entre display e chassi)
Vedação (gaxetas/adesivos)Depende do kit; pode vir com gaxetas pré-aplicadas ou exigir substituiçãoNormalmente exige gaxetas/adesivos novos e aplicação correta
Custo do conjuntoMaiorMenor

Critérios de decisão: quando escolher com frame ou sem frame

1) Estado do chassi e do frame original

  • Empeno, torção ou “banana” no chassi: priorize tela com frame. Chassi empenado dificulta assentamento uniforme e aumenta risco de trinca por pressão na tela sem frame.
  • Amassados nas laterais e cantos: se houver deformação onde o display apoia, a tela sem frame tende a ficar com folgas ou “levantando” em um lado. Com frame costuma ser mais seguro.
  • Desgaste de roscas, travas e encaixes: se o chassi está “cansado” (parafusos espanados, travas quebradas), o conjunto com frame pode reduzir improvisos e forçar menos encaixes.

2) Corrosão e contaminação

  • Corrosão visível (oxidação) no chassi ou em pontos de contato: prefira com frame se a corrosão afetar áreas de apoio do display ou trilhas/antenas integradas ao frame. Em casos leves e localizados, a tela sem frame é possível, mas a preparação precisa ser impecável.
  • Resíduos de líquidos, poeira fina e areia: aumentam o risco de partículas ficarem sob a tela sem frame. Se o aparelho veio de ambiente com areia, o conjunto com frame costuma reduzir retrabalho.

3) Histórico de quedas e integridade estrutural

  • Múltiplas quedas: mesmo sem empeno evidente, microdeformações podem existir. Se o cliente relata várias quedas, a opção com frame tende a ter melhor previsibilidade.
  • Trincas no aro interno ou suportes: suportes quebrados podem gerar pressão irregular. Com frame pode “zerar” a base estrutural.

4) Botões, antenas e componentes integrados

  • Botões laterais e flex integrados ao frame: alguns modelos têm botões/antenas/chapas de aterramento fixados no frame. Se esses itens estão danificados, o conjunto com frame pode facilitar a substituição (desde que o novo frame venha completo ou permita transferência).
  • Antenas e contatos de RF: se há sinais de mau contato (molas tortas, chapas deformadas), a troca por frame novo pode melhorar o encaixe e reduzir falhas intermitentes.

5) Disponibilidade e condição de gaxetas/adesivos

  • Gaxetas de vedação disponíveis (novas e corretas para o modelo): favorece a opção sem frame, pois você conseguirá recompor vedação com qualidade.
  • Sem gaxetas/adesivos adequados: aumenta risco de vedação comprometida em ambos os cenários, mas a tela sem frame é mais sensível a colagem inadequada. Se não há material correto, reavalie o serviço ou deixe claro o limite de vedação.

Preparação do chassi: passo a passo para cada cenário

Cenário A — Troca por tela com frame (transferência de componentes)

Objetivo: garantir que o novo frame receba os componentes sem tensão, com roteamento correto de cabos e recomposição de vedação quando aplicável.

Passo a passo prático

  • 1) Inspeção do frame novo: verifique se o frame não está empenado, se as roscas estão íntegras, se há rebarbas plásticas/metálicas e se os pontos de apoio do display estão uniformes. Confirme se o conjunto inclui itens como malhas, telas de proteção, chapas, suportes e gaxetas (quando anunciado).
  • 2) Conferência de compatibilidade: compare recortes de câmera, sensores, furação de parafusos, posição de antenas/contatos e encaixes laterais. Diferenças pequenas podem gerar pressão no display ou falhas de sinal.
  • 3) Transferência organizada: ao remover componentes do aparelho antigo, mantenha a ordem de parafusos e chapas. Ao instalar no frame novo, não force alinhamento: se algo “não assenta”, pare e identifique o ponto de interferência (cabo mal roteado, chapa invertida, suporte fora do lugar).
  • 4) Roteamento de cabos e folgas: garanta que flex cables não fiquem dobrados em ângulo agudo nem “pinçados” entre frame e tampa. Cabos mal roteados criam volume e podem pressionar o display por trás.
  • 5) Vedação e gaxetas: se o modelo usa gaxeta na tampa traseira, aplique gaxeta nova e limpe completamente a área de assentamento. Se o frame novo já vier com gaxeta aplicada, inspecione se não há trechos levantados ou contaminados por poeira/óleo.
  • 6) Aperto controlado: aperte parafusos em sequência cruzada (quando houver múltiplos pontos) e sem exceder torque. Parafuso “passado” ou apertado demais pode entortar chapas e gerar pressão localizada.

Erros comuns e como evitar (com frame)

  • Forçar encaixes laterais: se a tampa ou módulo não fecha sem esforço, há interferência. Forçar pode quebrar travas e criar folgas que afetam vedação.
  • Reutilizar gaxetas deformadas: gaxeta antiga costuma perder elasticidade e “marca” o formato; isso cria canais para entrada de poeira/umidade. Use gaxeta nova sempre que possível.
  • Ignorar rebarbas no frame novo: pequenas rebarbas podem impedir assentamento plano de chapas e causar pressão no display. Remova rebarbas com cuidado antes da montagem.

Cenário B — Troca por tela sem frame (colagem no chassi original)

Objetivo: preparar uma base plana, limpa e com altura de cola controlada para que o display assente sem pontos de pressão e com alinhamento correto.

Passo a passo prático

  • 1) Avaliação do chassi antes de colar: confirme se não há empeno, amassados na borda de apoio, trincas estruturais ou corrosão na área de colagem. Se houver deformação relevante, a chance de falha aumenta; considere migrar para conjunto com frame.
  • 2) Remoção completa de adesivo antigo: retire a cola antiga até ficar nivelada com a superfície do chassi. O foco não é apenas “tirar o grosso”, e sim evitar “calombos” que criam pontos de pressão. Use ferramentas adequadas para raspar sem cavar o chassi.
  • 3) Controle de altura de resíduos: passe o dedo (com luva) ou uma espátula plana para sentir irregularidades. Qualquer “degrau” pode virar ponto de tensão. Em bordas, atenção especial: resíduos altos nas quinas costumam trincar tela ao pressionar.
  • 4) Limpeza final e desengraxe: limpe a área de colagem para remover poeira e oleosidade. Poeira residual vira “bolha” ou cria folga; óleo reduz aderência e causa descolamento nas bordas.
  • 5) Teste a seco (sem cola): posicione a tela no chassi sem adesivo para checar alinhamento de recortes (câmera, sensores), folgas laterais e assentamento. Se a tela “balança” ou não encosta por igual, há interferência (resíduo, empeno, cabo por baixo, rebarba).
  • 6) Aplicação de adesivo/gaxeta correta: aplique adesivo específico do modelo (gaxeta pré-cortada ou fita/cola apropriada) respeitando largura e caminho original. Evite excesso que invada área visível ou encoste no display por dentro.
  • 7) Assentamento sem pressão pontual: ao posicionar a tela, desça de forma uniforme, alinhando primeiro referências (topo/recortes) e depois acomodando as laterais. Pressione com distribuição homogênea, evitando apertar forte em um único canto.
  • 8) Fixação durante cura: mantenha o conjunto estabilizado enquanto o adesivo fixa (com presilhas apropriadas ou elásticos com proteção), sem criar pressão exagerada nas bordas. Pressão demais pode marcar OLED/LCD ou trincar vidro.

Erros comuns e como evitar (sem frame)

  • Deixar resíduos altos de cola: causa tela “arqueada” e pontos de pressão. Regra prática: se você consegue ver/ sentir “cordões” altos, ainda não está pronto para colar.
  • Reutilizar gaxetas deformadas: além de vedação pior, a gaxeta antiga pode ter espessura irregular e empurrar a tela para fora em um lado, gerando descolamento.
  • Forçar encaixes laterais para “fechar a folga”: folga geralmente indica falta de adesivo correto, chassi deformado ou tela mal posicionada. Forçar pode trincar o display ou criar manchas por pressão.
  • Contaminação por poeira no momento da colagem: organize a sequência para que a tela fique o mínimo de tempo exposta. Faça o teste a seco antes, deixe adesivo pronto e só então remova películas e realize o assentamento.
  • Comprometer vedação por aplicação incompleta: falhas no caminho do adesivo (trechos sem cola) viram “canais” de entrada. Prefira gaxetas pré-cortadas do modelo quando disponíveis e confira continuidade em todo o perímetro.

Checklist de decisão rápida (antes de iniciar)

  • Chassi reto e bordas íntegras? Se não, favorece com frame.
  • Há corrosão na área de apoio/colagem? Se sim, com frame ou reparo estrutural antes.
  • Cliente relata muitas quedas? Aumenta chance de microempeno; com frame tende a ser mais seguro.
  • Gaxeta/adesivo correto disponível? Se não, evite sem frame ou alinhe expectativa de vedação.
  • Botões/antenas/contatos no frame estão íntegros? Se não, com frame pode resolver melhor (dependendo do kit).

Exemplos práticos de escolha

Exemplo 1: aparelho com lateral amassada e tela quebrada

Mesmo que o display sem frame seja mais barato, a borda amassada tende a impedir assentamento plano e pode pressionar o vidro novo. O conjunto com frame reduz o risco de desalinhamento e de trinca por tensão.

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Exemplo 2: chassi íntegro, sem marcas, mas com muita cola antiga

É um bom candidato a tela sem frame, desde que a remoção de adesivo seja feita até nivelar completamente e que haja gaxeta/adesivo novo correto. O ponto crítico é o controle de altura dos resíduos e a limpeza final.

Exemplo 3: sinais de oxidação próximos ao perímetro

Se a oxidação está na área de colagem, a aderência pode ficar comprometida e a vedação piorar. A troca por conjunto com frame (e limpeza/inspeção de contatos) tende a oferecer base mais confiável.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao decidir entre substituir por tela com frame ou sem frame, qual situação indica maior segurança e previsibilidade ao optar pelo conjunto com frame?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Chassi empenado, bordas deformadas e histórico de quedas aumentam o risco de assentamento irregular. O conjunto com frame já vem alinhado e tende a reduzir desalinhamento e pressão localizada, trazendo mais previsibilidade.

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