Tabelas no Google Looker Studio: análise detalhada, drilldown e formatação

Capítulo 8

Tempo estimado de leitura: 8 minutos

+ Exercício

O que são tabelas no Looker Studio e quando usar

Tabelas são componentes de relatório focados em detalhe: exibem linhas (registros agregados por dimensões) e colunas (métricas e dimensões), permitindo comparar valores, ordenar, pesquisar e navegar por páginas. Elas são ideais quando você precisa responder perguntas como: “quais produtos mais venderam?”, “quais campanhas tiveram pior CPA?” ou “onde estão os outliers?”.

No Looker Studio, você normalmente trabalha com dois tipos principais:

  • Tabela: lista detalhada, boa para leitura e comparação linha a linha.
  • Tabela dinâmica (pivot): cruza dimensões em linhas e colunas (ex.: mês x canal), boa para matrizes e análise comparativa.

Configuração prática de uma tabela (passo a passo)

1) Inserir e definir dimensões e métricas

1. No relatório, clique em Inserir > Tabela (ou Tabela dinâmica).

2. No painel de propriedades, em Dados:

  • Em Dimensão, selecione a dimensão principal (ex.: Produto, Campanha, Canal).
  • Em Métricas, adicione as métricas (ex.: Receita, Usuários, Conversões, Taxa de conversão).

3. Se a tabela ficar “larga” demais, priorize 3 a 6 métricas por tabela e crie tabelas separadas para perguntas diferentes (ex.: uma para volume, outra para eficiência).

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2) Ordenação (ranking e detecção de outliers)

A ordenação define o “ranking” da tabela e é uma das formas mais rápidas de encontrar extremos.

1. Selecione a tabela.

2. Em Ordenar (ou Classificação), escolha a métrica principal (ex.: Receita).

3. Defina Decrescente para ver os maiores no topo (ou Crescente para identificar piores desempenhos, como maior custo ou menor conversão).

Dica prática: crie uma segunda tabela “espelho” ordenada ao contrário (ex.: menor receita) para enxergar a cauda longa sem precisar reordenar toda hora.

3) Paginação e tamanho de página

Paginação ajuda a manter o componente leve e legível, especialmente com muitas linhas.

  • Ajuste o número de linhas exibidas por página conforme o espaço do layout.
  • Para análises rápidas, prefira páginas menores (ex.: 10–25 linhas) e use ordenação para trazer o que importa para o topo.

4) Pesquisa na tabela (quando disponível)

Em relatórios com muitas categorias (produtos, páginas, termos), a pesquisa permite localizar rapidamente um item específico sem criar filtros adicionais.

Quando a opção estiver disponível no estilo/interação da tabela, habilite a caixa de pesquisa para o usuário digitar e encontrar linhas.

Uso recomendado: tabelas de “catálogo” (ex.: lista de páginas, produtos, SKUs) onde o usuário já sabe o que procura.

5) Totais e subtotais

Totais ajudam a contextualizar: você vê o valor agregado e compara cada linha com o todo. Subtotais são úteis quando há agrupamentos (por exemplo, categoria > produto).

  • Ative Mostrar linha de total para exibir o total geral.
  • Quando houver suporte a agrupamento/hierarquia, habilite subtotais para somas por grupo (ex.: total por categoria).

Cuidados: totais podem confundir quando métricas são médias, taxas ou razões. Nesses casos, o “total” pode não ser a soma simples. Prefira exibir totais apenas para métricas aditivas (receita, custo, sessões) e valide o comportamento para taxas.

Drilldown e hierarquias de dimensões (exploração em camadas)

Conceito

Drilldown permite começar em uma visão agregada e “descer” para níveis mais detalhados, usando uma hierarquia de dimensões. Exemplo clássico:

  • Canal > Campanha > Anúncio
  • Categoria > Produto
  • Ano > Mês > Dia

Quando suportado, o usuário clica para alternar o nível de detalhe sem precisar trocar de gráfico ou página.

Passo a passo para configurar drilldown (quando suportado)

1. Selecione a tabela.

2. No painel Dados, adicione as dimensões na ordem do drilldown (do mais geral para o mais específico). Exemplo:

  • Dimensão 1: Categoria
  • Dimensão 2: Produto
  • Dimensão 3: SKU

3. Ative a opção de Drill down (quando disponível para o tipo de tabela e fonte).

4. Teste no modo de visualização: clique no indicador de drill para avançar/retroceder níveis.

Boas práticas de hierarquia:

  • Evite pular níveis (ex.: ir de Canal direto para Anúncio). Isso dificulta a leitura e aumenta ruído.
  • Garanta que cada nível “contém” o próximo (categoria contém produtos; mês contém dias).
  • Limite a 2–4 níveis para não tornar a navegação lenta.

Alternativa quando drilldown não estiver disponível

Se o drilldown não estiver suportado no seu cenário, simule a exploração com:

  • Mais de uma tabela (uma por nível) e interação por clique (seleção em uma tabela filtrando outra).
  • Parâmetro de dimensão (quando aplicável) para alternar a dimensão exibida (ex.: trocar entre Categoria/Produto) sem duplicar componentes.

Formatação condicional: destacar variações relevantes

Conceito

Formatação condicional aplica regras visuais (cores, escalas, barras) para chamar atenção a padrões e anomalias. O objetivo é reduzir esforço cognitivo: o usuário “vê” o que importa antes de ler números.

Regras comuns (com exemplos práticos)

ObjetivoExemplo de regraComo ajuda
Destacar desempenho ruimTaxa de conversão < 1% em vermelhoPrioriza correções
Destacar desempenho excelenteROAS > 4 em verdeEvidencia oportunidades
Identificar outliersEscala de cor por Receita (mín–máx)Mostra concentração
Comparar magnitudeBarras de dados em UsuáriosLeitura rápida de volume

Passo a passo: aplicar formatação condicional

1. Selecione a tabela.

2. Vá em Estilo > Formatação condicional.

3. Clique em Adicionar regra.

4. Defina:

  • Campo: a métrica alvo (ex.: CPA).
  • Condição: maior/menor/entre/igual (ex.: CPA > 50).
  • Aplicar a: célula, linha ou coluna (dependendo do efeito desejado).
  • Estilo: cor de fundo, cor do texto, negrito (use com moderação).

5. Repita para 2–4 regras no máximo por tabela. Mais do que isso tende a virar “árvore de natal” e perde o propósito.

Barras de dados e escalas de cor

Barras de dados são ótimas para métricas de volume (usuários, sessões, receita) porque mostram proporção sem exigir leitura de cada número.

  • Use barras em uma métrica principal por tabela.
  • Evite barras em métricas com muitos zeros ou muito “ruído” (pode ficar visualmente confuso).

Escalas de cor funcionam bem para destacar gradientes (do menor ao maior), mas exigem cuidado:

  • Prefira paletas com bom contraste e acessíveis (evite combinações que dependem apenas de vermelho/verde).
  • Não use escala de cor em várias colunas ao mesmo tempo.

Destacando variação (delta) sem poluição visual

Quando você quer evidenciar mudança (ex.: vs. período anterior), uma abordagem legível é:

  • Adicionar uma coluna de variação percentual (ex.: Δ Receita %).
  • Aplicar regra: valores positivos em tom neutro/verde suave e negativos em tom neutro/vermelho suave.
  • Manter o número principal (Receita) sem cor, para não competir com o delta.

Recomendação: use cores para “sinalizar” e não para “decorar”. Se tudo está colorido, nada se destaca.

Legibilidade: como montar tabelas fáceis de ler

Larguras, alinhamento e densidade

  • Largura de colunas: dê mais espaço para dimensões textuais (nomes longos) e menos para métricas numéricas.
  • Alinhamento: dimensões à esquerda; números à direita. Percentuais e moedas ficam mais comparáveis assim.
  • Casas decimais: reduza ao mínimo útil (ex.: 0–1 casa para taxas; 0 para contagens grandes). Excesso de decimais “embaça” a leitura.
  • Separadores: use separador de milhar e formato de moeda/percentual consistente.

Rótulos e nomes de colunas

  • Use rótulos curtos e específicos (ex.: Receita, Receita (R$), Conv., Tx. conv.).
  • Evite abreviações ambíguas (ex.: “CR” sem contexto).
  • Se houver métricas semelhantes, inclua o contexto no rótulo (ex.: Usuários (GA4) vs Leads (CRM)).

Ordenação visual e hierarquia de informação

  • Coloque a dimensão principal primeiro (ex.: Produto).
  • Em seguida, a métrica “norte” (ex.: Receita).
  • Depois, métricas de suporte (ex.: Quantidade, Margem, Taxa).
  • Se usar variação (Δ), deixe perto da métrica correspondente.

Evitar poluição visual

  • Não use grade (grid) muito forte; prefira linhas suaves ou até sem linhas, dependendo do fundo.
  • Evite misturar: barras de dados + escala de cor + várias regras de fundo na mesma tabela.
  • Não exiba colunas que ninguém usa “só porque existe”. Cada coluna deve responder a uma pergunta.
  • Se houver muitas dimensões, considere quebrar em duas tabelas: uma de ranking (top) e outra de detalhe (com pesquisa/paginação).

Tabela dinâmica (pivot): quando usar e como configurar

Quando a pivot é melhor que a tabela simples

Use tabela dinâmica quando a pergunta é comparativa em matriz, por exemplo:

  • Receita por Canal (linhas) e Mês (colunas)
  • Conversões por Categoria e Dispositivo

Passo a passo (pivot)

1. Inserir > Tabela dinâmica.

2. Em Linhas, adicione a dimensão principal (ex.: Canal).

3. Em Colunas, adicione a dimensão de comparação (ex.: Mês).

4. Em Métricas, escolha 1–2 métricas (ex.: Receita e Conversões).

5. Ative totais para linhas/colunas quando fizer sentido (principalmente para métricas aditivas).

Cuidados com pivot: muitas colunas (ex.: dia a dia) podem estourar o layout e prejudicar leitura. Prefira granularidade menor (mês/semana) ou limite o período.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Em qual situação a tabela dinâmica (pivot) é mais indicada do que a tabela simples no Looker Studio?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

A tabela dinâmica é recomendada quando a pergunta é comparativa em matriz, cruzando dimensões em linhas e colunas para facilitar a análise (ex.: Canal x Mês). Já a tabela simples é mais voltada a leitura detalhada linha a linha.

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Páginas e navegação no Google Looker Studio: estrutura de painéis completos

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