Tabela Periódica sem Mistério: Tendência de raio atômico e tamanho dos átomos

Capítulo 6

Tempo estimado de leitura: 8 minutos

+ Exercício

O que é raio atômico (e por que não é um “tamanho” rígido)

Quando falamos em “tamanho do átomo”, não estamos falando de uma bolinha com borda definida. Os elétrons formam uma nuvem de probabilidade: em alguns instantes eles podem estar mais perto do núcleo, em outros mais longe. Por isso, o raio atômico é uma medida prática do tamanho efetivo do átomo, obtida por convenção experimental.

Uma forma comum de definir é o raio covalente: metade da distância entre os núcleos de dois átomos iguais ligados entre si (por exemplo, em uma molécula diatômica). Em sólidos metálicos, usa-se o raio metálico (metade da distância entre núcleos vizinhos no retículo). Em íons, fala-se em raio iônico. A ideia central é a mesma: medir “o quanto o átomo ocupa espaço” em um contexto químico.

Intuição rápida

  • Mais atração do núcleo puxando elétrons para perto → raio menor.
  • Mais camadas eletrônicas (elétrons mais “externos” em níveis mais altos) → raio maior.
  • Blindagem: elétrons internos “protegem” os externos da atração do núcleo, reduzindo o puxão efetivo.

O que controla o raio: atração núcleo–elétrons e número de camadas

1) Atração núcleo–elétrons (carga nuclear efetiva)

O núcleo tem prótons positivos que atraem os elétrons. Porém, elétrons internos reduzem essa atração sentida pelos elétrons mais externos (blindagem). O resultado prático é a carga nuclear efetiva (o “puxão líquido” do núcleo sobre os elétrons de valência).

Regra intuitiva: se o núcleo “puxa” mais forte os elétrons externos, o átomo encolhe.

2) Número de camadas (nível principal)

Ao descer em uma coluna, os elétrons de valência passam a ocupar camadas mais externas (n maior). Mesmo que o núcleo tenha mais prótons, a distância média aumenta e a blindagem cresce. Resultado: o átomo tende a ficar maior.

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Como o raio varia ao longo de um período (da esquerda para a direita)

Em um mesmo período, os átomos têm o mesmo número de camadas principais para os elétrons de valência. O que muda é o número de prótons no núcleo, que aumenta ao avançar. A blindagem não cresce tanto quanto o número de prótons (porque os elétrons adicionados entram na mesma camada de valência), então a atração efetiva aumenta.

Tendência: ao ir da esquerda para a direita em um período, o raio atômico diminui.

Gráfico simples (tendência em um período)

Raio atômico (tamanho efetivo)  ↑  grande   Na  Mg  Al  Si  P   S   Cl  Ar  pequeno  ↓                              (esquerda → direita)  → diminui

Comparação direta: Na vs Cl (mesmo período)

Sódio (Na) está mais à esquerda e tem menor “puxão efetivo” sobre os elétrons de valência do que o cloro (Cl), que está mais à direita e tem mais prótons atraindo elétrons na mesma camada principal.

  • Na: raio maior (elétrons externos menos puxados).
  • Cl: raio menor (elétrons externos mais puxados).

Uma analogia útil: imagine uma mesma “faixa” (mesma camada) com pessoas (elétrons) e um ímã (núcleo). Se o ímã fica mais forte (mais prótons sem aumentar muito a blindagem), as pessoas ficam mais próximas do centro → o “grupo” ocupa menos espaço.

Como o raio varia ao longo de um grupo (de cima para baixo)

Ao descer em um grupo, você adiciona novas camadas. Mesmo com mais prótons, os elétrons de valência ficam em níveis mais distantes e mais blindados pelos elétrons internos. O efeito dominante é o aumento do tamanho.

Tendência: ao descer em um grupo, o raio atômico aumenta.

Gráfico simples (tendência em um grupo)

Raio atômico (tamanho efetivo)  ↑  grande   Cs                              Rb                              K                               Na                              Li   pequeno  ↓                              (topo → base)  → aumenta

Comparação direta: Li vs Cs (mesmo grupo)

  • Lítio (Li): poucas camadas → elétrons de valência relativamente próximos → raio menor.
  • Césio (Cs): muitas camadas → elétrons de valência bem mais distantes e blindados → raio muito maior.

Outra analogia: pense em “andares” de um prédio. Quanto mais andares você adiciona, mais longe fica o último andar do térreo (núcleo). Mesmo que o térreo fique “mais atrativo”, a distância e a blindagem aumentam muito.

Passo a passo prático: como prever rapidamente quem é maior

Passo 1 — Verifique se estão no mesmo período

Se sim: quem está mais à esquerda tende a ser maior. Quem está mais à direita tende a ser menor.

  • Exemplo: Na vs Cl → Na é maior.

Passo 2 — Verifique se estão no mesmo grupo

Se sim: quem está mais embaixo tende a ser maior.

  • Exemplo: Li vs Cs → Cs é maior.

Passo 3 — Se estiverem em posições diferentes (nem mesmo período, nem mesmo grupo)

Use a regra combinada: cresce para baixo e para a esquerda. Uma forma visual é imaginar uma seta apontando para o canto inferior esquerdo da tabela: nessa direção, o raio tende a aumentar.

Maior raio  ←  (para a esquerda)  ↑ (para cima)  menor raio            (para baixo) ↓  (aumenta)            (para a direita) → (diminui)

Passo 4 — Cuidado com o “tipo de raio” (contexto)

Se o problema envolver ligações covalentes, use a ideia de raio covalente. Se envolver metais sólidos, pense em raio metálico. Se envolver íons, o raio iônico pode inverter comparações (cátions ficam menores que o átomo neutro; ânions ficam maiores). O padrão geral de “baixo e esquerda maior” continua útil, mas o contexto importa.

Por que isso importa: encaixe em redes cristalinas, propriedades e reatividade

1) “Cabem” melhor em redes cristalinas (empacotamento e estabilidade)

Em sólidos iônicos e metálicos, o tamanho relativo das espécies influencia como elas se organizam no retículo cristalino. Em um cristal iônico, por exemplo, íons menores podem ocupar “vãos” (interstícios) entre íons maiores, mas existe uma faixa de tamanhos que favorece um arranjo estável.

  • Se o íon positivo for muito pequeno para o vão, ele não “encosta” adequadamente nos vizinhos e o arranjo pode ficar menos estável.
  • Se for muito grande, ele força distorções na rede, aumentando repulsões e tensões estruturais.

Na prática, o raio ajuda a prever coordenação (quantos vizinhos próximos um íon tende a ter) e tipo de estrutura em muitos sólidos.

2) Influência em propriedades de materiais

  • Densidade e empacotamento: átomos maiores podem levar a distâncias interatômicas maiores; dependendo da massa e do tipo de rede, isso afeta densidade e parâmetros de rede.
  • Condutividade e propriedades mecânicas (metais): o espaçamento entre átomos e a facilidade de deslizamento de planos cristalinos (deformação) são influenciados pelo tamanho atômico e pelo arranjo no retículo.
  • Ponto de fusão/ebulição (tendências gerais): mudanças no tamanho afetam distâncias e forças de interação; embora outros fatores também sejam decisivos, o raio entra como parte do “pacote” que controla a intensidade das interações no sólido e no líquido.

3) Influência em reatividade (especialmente em metais alcalinos e halogênios)

O tamanho efetivo altera o quão “presos” estão os elétrons de valência.

  • Metais alcalinos (ex.: Li → Cs): ao descer, o raio aumenta e o elétron mais externo fica mais distante e blindado. Em geral, fica mais fácil perder esse elétron, aumentando a reatividade metálica.
  • Halogênios (ex.: F → I): ao descer, o raio aumenta e a atração por um elétron adicional tende a ficar menos intensa a longas distâncias; isso influencia tendências de reatividade e força oxidante (junto com outros fatores).

Mesmo sem números, pensar em “raio maior = elétrons externos mais longe e mais blindados” ajuda a prever quando um átomo tende a reagir mais por perder elétrons (metais grandes) ou por atrair elétrons (ametais com raio menor no mesmo período, onde o puxão efetivo é maior).

Exercícios rápidos (para fixar o padrão)

1) Quem tem maior raio: Na ou Cl?

Mesmo período; Na está mais à esquerda → Na é maior.

2) Quem tem maior raio: Li ou Cs?

Mesmo grupo; Cs está mais abaixo → Cs é maior.

3) Ordene por raio (maior → menor): K, Na, Li

Mesmo grupo; desce aumenta → K > Na > Li.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Dois elementos estão no mesmo período da tabela periódica. Qual afirmação descreve corretamente como comparar seus raios atômicos?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Em um mesmo período, o número de camadas principais é o mesmo. Ao avançar para a direita, aumenta o número de prótons e a carga nuclear efetiva cresce, puxando os elétrons mais para perto, o que diminui o raio. Por isso, à esquerda tende a ser maior.

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