Tabela Periódica sem Mistério: Eletronegatividade e previsão de ligações químicas

Capítulo 7

Tempo estimado de leitura: 6 minutos

+ Exercício

O que é eletronegatividade (e o que ela mede de verdade)

Eletronegatividade é uma medida da “força” com que um átomo atrai os elétrons compartilhados em uma ligação química. Ela não é uma propriedade isolada do átomo “solto”: faz sentido principalmente quando o átomo está ligado a outro.

Quando dois átomos se ligam, os elétrons da ligação podem ficar:

  • mais próximos de um dos átomos (se ele for mais eletronegativo) → surge polaridade;
  • bem distribuídos entre os dois (se tiverem eletronegatividades semelhantes) → ligação pouco ou nada polar.

Na prática, eletronegatividade é uma ferramenta para prever tipo de ligação, polaridade e, por consequência, tendências de solubilidade e ponto de ebulição (qualitativamente).

Tendência na Tabela Periódica: onde estão os mais e os menos eletronegativos

Como a eletronegatividade varia

  • Aumenta quando você vai da esquerda para a direita em uma mesma linha (período).
  • Aumenta quando você vai de baixo para cima em uma mesma coluna (grupo).

Isso cria um “mapa mental” útil: a região mais eletronegativa fica no canto superior direito (com destaque para o flúor), e a região menos eletronegativa fica no canto inferior esquerdo.

Regiões típicas (para bater o olho e prever)

  • Muito eletronegativos: ametais do topo à direita (ex.: F, O, N, Cl).
  • Intermediários: muitos elementos do meio e alguns ametais (ex.: C, S, Br).
  • Pouco eletronegativos: metais mais à esquerda e mais abaixo (ex.: Na, K, Ca).

Observação prática: gases nobres geralmente não entram em comparações simples de eletronegatividade porque raramente formam ligações comuns; em exercícios introdutórios, foque nos elementos que formam compostos com frequência.

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Diferença de eletronegatividade (ΔEN) e tipo de ligação

O que manda é a diferença de eletronegatividade entre os átomos:

ΔEN = |EN(A) − EN(B)|

Uma regra prática muito usada (aproximação didática):

ΔEN (aprox.)Tipo de ligação predominanteO que acontece com os elétrons
0 a 0,4Covalente apolarCompartilhamento quase igual
0,5 a 1,7Covalente polarCompartilhamento desigual (dipolo)
> 1,7Iônica (caráter iônico alto)Transferência predominante / atração entre íons

Importante: não é uma “fronteira rígida”. Muitas ligações têm caráter misto (um pouco covalente e um pouco iônico). A tabela serve para prever o comportamento mais provável.

Conectando com exemplos do cotidiano: NaCl, H2O e CO2

1) NaCl (sal de cozinha): ligação iônica e propriedades típicas

Comparação de eletronegatividade: Na (metal pouco eletronegativo) vs. Cl (ametal bem eletronegativo) → ΔEN grande → tendência a ligação iônica.

  • Estrutura: rede cristalina de íons (Na+ e Cl).
  • Propriedades esperadas (qualitativas):
    • Alto ponto de fusão/ebulição (forças eletrostáticas fortes na rede).
    • Solubilidade em água geralmente alta (água estabiliza íons).
    • Conduz eletricidade quando dissolvido ou fundido (íons livres), mas não como sólido cristalino.

2) H2O (água): ligações covalentes polares e molécula polar

Comparação de eletronegatividade: O é bem mais eletronegativo que H → ΔEN moderadoligações O–H covalentes polares.

  • Polaridade da ligação: O puxa mais os elétrons → O fica com carga parcial negativa (δ−) e H com parcial positiva (δ+).
  • Polaridade da molécula: como a geometria não “cancela” os dipolos, a molécula é polar.
  • Propriedades esperadas (qualitativas):
    • Ponto de ebulição relativamente alto para uma molécula pequena (interações fortes entre moléculas polares, como ligações de hidrogênio).
    • Bom solvente para substâncias iônicas e polares (ex.: sal, açúcar, álcool).

3) CO2 (gás carbônico): ligações polares, mas molécula apolar

Comparação de eletronegatividade: O é mais eletronegativo que C → cada ligação C=O é covalente polar.

Mas a molécula de CO2 é linear e simétrica: os dipolos das duas ligações apontam em sentidos opostos e se cancelam. Resultado: a molécula como um todo é apolar.

  • Propriedades esperadas (qualitativas):
    • Baixo ponto de ebulição (interações intermoleculares mais fracas do que em moléculas polares).
    • Baixa solubilidade em água comparada a substâncias iônicas (apesar de parte dissolver e reagir formando ácido carbônico em equilíbrio).

Roteiro de decisão: como prever ligação, polaridade e propriedades

Passo 1 — Localize os elementos e estime quem é mais eletronegativo

Sem decorar números, use o mapa: quanto mais para cima e para a direita, maior a eletronegatividade. Identifique qual elemento “puxa” mais os elétrons.

Passo 2 — Compare eletronegatividades e estime ΔEN

Se você tiver uma tabela de valores (escala de Pauling), calcule ΔEN. Se não tiver, faça uma comparação qualitativa:

  • metal bem à esquerda + ametal à direita → ΔEN grande;
  • dois ametais próximos na tabela → ΔEN pequeno a moderado;
  • mesmo elemento (ex.: O–O) → ΔEN = 0.

Passo 3 — Classifique o tipo de ligação

  • ΔEN muito grande → tendência a iônica (rede de íons).
  • ΔEN intermediáriocovalente polar (dipolo na ligação).
  • ΔEN muito pequenocovalente apolar.

Passo 4 — Se for covalente, decida se a molécula é polar ou apolar

Não basta olhar a ligação: é preciso ver se os dipolos se somam ou se cancelam.

  • Molécula polar: dipolos não se cancelam (ex.: H2O).
  • Molécula apolar: dipolos se cancelam por simetria (ex.: CO2).

Regra prática: estruturas simétricas com átomos iguais nas extremidades tendem a ser apolares, mesmo com ligações polares.

Passo 5 — Preveja propriedades resultantes (qualitativamente)

Solubilidade (regra “semelhante dissolve semelhante”)

  • Iônicos tendem a dissolver em solventes polares (como água).
  • Moleculares polares tendem a dissolver em solventes polares.
  • Moleculares apolares tendem a dissolver em solventes apolares (óleos, hidrocarbonetos).

Ponto de ebulição (força das interações entre partículas)

  • Compostos iônicos: geralmente altos (rede cristalina forte).
  • Moléculas polares: tendem a ter maiores pontos de ebulição que moléculas apolares de tamanho parecido (dipolo-dipolo; em alguns casos, ligações de hidrogênio elevam bastante).
  • Moléculas apolares: tendem a ter menores pontos de ebulição (forças de dispersão dominam; aumentam com massa e área de contato).

Mini-checklist rápido (para exercícios)

  • Quem está mais no topo/direita? → mais eletronegativo.
  • ΔEN grande? → caráter iônico aumenta.
  • ΔEN médio? → ligação polar; ver geometria para polaridade da molécula.
  • Molécula simétrica? → tende a ser apolar.
  • Polar/iónico → maior solubilidade em água e, em geral, maior ponto de ebulição que apolares similares.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao analisar a molécula de CO2, qual conclusão explica corretamente por que ela é considerada apolar, mesmo tendo ligações C=O polares?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Embora cada ligação C=O seja polar, a geometria linear e simétrica do CO2 faz com que os dipolos se anulem, resultando em uma molécula apolar.

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Tabela Periódica sem Mistério: Energia de ionização e facilidade de formar íons

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