O que são suplementos (e o que eles não são)
Suplementos são produtos concentrados (em pó, cápsulas, bebidas) usados para complementar a alimentação quando existe uma necessidade prática: facilitar o consumo de nutrientes, melhorar desempenho em situações específicas ou corrigir lacunas difíceis de cobrir no dia a dia. Eles não “compensam” uma rotina inconsistente, sono ruim ou ingestão inadequada de comida de verdade.
Para iniciantes, a regra é simples: primeiro ajuste o básico (quantidade total de proteína, carboidratos ao redor do treino, hidratação, regularidade). Depois, se ainda houver um motivo claro, escolha suplementos com evidência e boa segurança.
O que costuma valer a pena (utilidade + segurança)
1) Whey e alternativas proteicas (quando faz diferença)
Para que serve: aumentar a ingestão diária de proteína de forma prática, especialmente quando falta tempo, apetite ou opção de refeição.
Quando faz diferença:
- Você frequentemente “não bate” sua meta de proteína no dia.
- Você precisa de uma opção rápida (pós-treino no trabalho, viagem, rotina corrida).
- Você tem dificuldade de mastigar/consumir alimentos proteicos em certas horas.
Quando é dispensável:
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- Você já atinge sua proteína diária com alimentos sem esforço.
- Você prefere investir em alimentos (ovos, iogurte, carnes, leguminosas) e isso funciona para sua rotina.
Alternativas ao whey: proteína vegetal (ervilha, arroz, blends), caseína (mais lenta), proteína do leite (milk protein), iogurte proteico pronto. Para intolerância à lactose, procure whey isolado (geralmente com menos lactose) ou opções vegetais.
Como escolher e usar (passo a passo)
- Defina o objetivo: “quero completar proteína do dia” (não “quero tomar whey porque treino”).
- Leia o rótulo por porção: procure algo como 20–30 g de proteína por dose, com poucos ingredientes extras.
- Cheque carboidratos e gorduras: não é “errado” ter, mas se o objetivo é proteína, prefira versões com menos açúcar adicionado.
- Observe adoçantes e espessantes: se você tem desconforto gastrointestinal, teste marcas/sabores diferentes ou reduza a dose.
- Dose usual: 1 porção (geralmente 25–35 g de pó) para entregar ~20–30 g de proteína, conforme o produto.
- Horário: o mais importante é caber no seu dia; pode ser no café da manhã, lanche, pós-treino ou antes de dormir.
2) Creatina (o suplemento com melhor custo-benefício para força)
Para que serve: aumentar a disponibilidade de energia rápida no músculo (sistema fosfocreatina), ajudando em desempenho de esforços curtos e repetidos (séries, sprints) e favorecendo ganho de força e massa magra ao longo do tempo.
Quando faz diferença:
- Você faz musculação ou treino com tiros/alta intensidade e quer melhorar performance e progressão de cargas.
- Você treina com consistência (a creatina funciona melhor como “base” diária).
Quando pode ser dispensável:
- Você está começando e ainda não tem regularidade (o maior ganho virá de treinar e comer bem).
- Seu foco é apenas atividade leve/moderada sem progressão de intensidade.
Segurança: em pessoas saudáveis, é considerada segura nas doses usuais. Pode haver aumento de peso por maior retenção de água intramuscular (não é gordura). Quem tem doença renal prévia deve conversar com profissional de saúde antes.
Como usar (passo a passo)
- Escolha o tipo: prefira creatina monohidratada (mais estudada).
- Dose usual: 3–5 g por dia.
- Horário: qualquer horário; escolha um que você não esqueça (ex.: junto do almoço).
- Consistência: use diariamente; não é “pré-treino” obrigatório.
- Hidratação: mantenha ingestão adequada de água, especialmente se você sua muito.
3) Cafeína (quando o objetivo é desempenho e foco)
Para que serve: aumentar alerta, reduzir percepção de esforço e melhorar desempenho em vários tipos de treino (força e endurance), principalmente quando você está cansado ou o treino é exigente.
Quando faz diferença:
- Treinos intensos em que você quer “render mais”.
- Você treina cedo e sente sonolência (desde que não prejudique o sono depois).
Quando é dispensável (ou não vale o custo):
- Você já tem boa energia sem estimulantes.
- Você treina à noite e a cafeína piora seu sono.
- Você tem ansiedade, palpitações, refluxo ou alta sensibilidade.
Cuidados importantes: cafeína é dose-dependente. Mais não é melhor. Pode causar tremor, taquicardia, irritabilidade, desconforto gastrointestinal e piora do sono.
Como usar com segurança (passo a passo)
- Comece baixo: teste 50–100 mg para avaliar sensibilidade.
- Dose usual para efeito: muitas pessoas usam 1–3 mg/kg (ex.: 70 kg → 70–210 mg). Doses maiores aumentam efeitos colaterais.
- Timing: 30–60 min antes do treino.
- Regra do sono: evite cafeína nas 6–8 horas antes de dormir (algumas pessoas precisam de mais).
- Fontes contam: café, chá, energéticos, pré-treinos e até chocolate somam cafeína total do dia.
4) Eletrólitos (úteis em cenários específicos)
Para que servem: repor principalmente sódio (e também potássio, magnésio) em situações de suor elevado, ajudando a manter desempenho e reduzir risco de cãibras relacionadas à perda de sal em alguns casos.
Quando fazem diferença:
- Treinos longos (especialmente em calor/umidade) com muito suor.
- Você termina o treino com roupa encharcada, marcas de sal na pele/roupa, dor de cabeça ou queda de rendimento compatível com perda de eletrólitos.
- Você faz duas sessões no dia e precisa recuperar mais rápido.
Quando são dispensáveis:
- Treinos curtos/moderados em clima ameno, com alimentação normal.
- Você já usa bebidas/alimentos salgados e não tem sinais de grande perda de suor.
Como escolher (passo a passo)
- Priorize sódio: para reposição no treino, o sódio costuma ser o eletrólito mais relevante.
- Evite “isotônico” com muito açúcar se não precisar: carboidrato pode ser útil em treinos longos, mas não é obrigatório em treinos curtos.
- Cheque a quantidade por porção: produtos variam muito; compare rótulos e escolha conforme seu suor e duração do treino.
- Teste no treino, não no dia de prova: para evitar desconforto gastrointestinal.
O que geralmente não é necessário para iniciantes (ou exige cautela)
Pré-treinos “complexos”
Muitos combinam cafeína alta com estimulantes e doses pequenas de ingredientes “da moda”. Para iniciantes, costuma ser melhor controlar a cafeína (se for usar) e não depender de fórmulas proprietárias.
BCAA isolado
Se você já consome proteína suficiente ao longo do dia (alimentos ou whey), BCAA isolado tende a ser redundante. O que constrói músculo é o total de proteína e o treino consistente.
“Queimadores”, detox, diuréticos
Frequentemente prometem perda rápida de peso via estimulantes/diurese, com risco de efeitos colaterais e pouca utilidade para performance e composição corporal sustentável.
Como avaliar rótulos e qualidade (checklist prático)
- Lista de ingredientes: quanto mais simples, melhor. Desconfie de “blends” sem quantidades claras.
- Tabela nutricional por porção: compare proteína/carboidrato/gordura e calorias com seu objetivo.
- Porção realista: veja quantos scoops equivalem à porção e quantas porções há no pote (custo por dose).
- Teor de cafeína declarado: em pré-treinos, prefira produtos que informem mg por dose.
- Alergênicos: leite, soja, glúten (quando relevante), adoçantes que te fazem mal.
- Promessas exageradas: “anabólico”, “seca em 7 dias”, “sem dieta” são sinais de marketing, não de evidência.
Guia de decisão: “se a alimentação já cobre X, não precisa de Y”
| Se você já cobre… | Provavelmente não precisa… | Quando ainda pode fazer sentido |
|---|---|---|
| Proteína diária com refeições (sem dificuldade) | Whey/proteína em pó | Praticidade em dias corridos, viagens, falta de apetite |
| Energia e foco bons para treinar | Cafeína/pré-treino | Treinos-chave, dias de cansaço, estratégia pontual |
| Treinos curtos/moderados e pouco suor | Eletrólitos | Calor intenso, suor alto, sessões longas ou duplas |
| Você ainda não treina com consistência | Creatina (como prioridade) | Quando a rotina estabilizar e você quiser otimizar força/progressão |
| Proteína adequada no dia | BCAA | Casos muito específicos com baixa ingestão proteica (raros na prática) |
Montando sua estratégia mínima (sem complicar)
Passo a passo para decidir em 10 minutos
- Escolha 1 objetivo principal agora: (a) bater proteína do dia, (b) melhorar força/performance, (c) ter mais disposição, (d) lidar com suor alto.
- Veja qual gargalo é real: falta comida? falta tempo? falta sono? falta consistência? Suplemento não resolve sono e rotina.
- Selecione no máximo 1 suplemento por vez por 2–4 semanas para avaliar efeito e tolerância.
- Defina dose e horário fixos (ex.: creatina no almoço; whey no lanche; cafeína só em treinos específicos; eletrólitos apenas em treinos longos/calor).
- Monitore 3 sinais: desempenho (cargas/ritmo), recuperação (dor/fadiga), efeitos colaterais (sono, estômago, ansiedade).
Exemplos práticos (iniciante)
- “Não consigo comer proteína no café da manhã”: 1 shake com whey ou proteína vegetal + fruta; objetivo é fechar proteína do dia, não “tomar pós-treino”.
- “Treino força 4x/semana e quero evoluir cargas”: creatina 3–5 g/dia, todos os dias, por pelo menos 8–12 semanas.
- “Treino cedo e fico sonolento, mas durmo bem”: testar 100 mg de cafeína 30–45 min antes; se o sono piorar, reduzir dose ou retirar.
- “Corro no calor e suo muito”: usar bebida com eletrólitos (foco em sódio) durante ou após; ajustar conforme tolerância gastrointestinal.