O que é “sugerir vinho” no salão (sem empurrar)
Sugerir vinho é conduzir uma escolha rápida e confortável para o cliente, usando perguntas objetivas, escuta ativa e uma linguagem que traduza termos técnicos em exemplos simples. O foco é reduzir dúvida e risco: o cliente quer acertar no gosto, no prato e no bolso, sem sentir pressão.
Na prática, você atua como um “filtro”: em poucos passos, você entende o contexto e oferece 2 ou 3 opções bem justificadas, com frases curtas e comparações fáceis.
Método em poucos passos (roteiro de 60–90 segundos)
Passo 1 — Identificar a ocasião e o momento
Objetivo: entender se a prioridade é “combinar com a refeição” ou “celebrar”, e se o cliente quer algo seguro ou diferente.
- Perguntas abertas (para começar): “Hoje é para acompanhar a refeição ou é mais para celebrar?” “Você quer algo mais clássico ou topa experimentar?”
- Perguntas fechadas (para acelerar): “É para tomar agora com o prato, certo?” “Vocês preferem começar com algo mais leve?”
Passo 2 — Mapear preferências de estilo (sem jargão)
Objetivo: descobrir o que a pessoa gosta (ou não gosta) usando escolhas simples. Evite despejar termos técnicos; ofereça alternativas claras.
- Fechadas (rápidas): “Você prefere mais seco ou com um toque de doçura?” “Mais leve ou mais encorpado?” “Mais frutado ou mais fresco?”
- Abertas (para detalhar): “Que vinho você tomou recentemente e gostou?” “O que você não quer de jeito nenhum: muito forte, muito ácido, muito doce?”
Dica de escuta ativa: repita em uma frase o que entendeu antes de sugerir. Exemplo: “Perfeito: então algo seco, mais leve e bem fácil de beber.” Isso dá segurança ao cliente e evita retrabalho.
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Passo 3 — Definir limite de preço com naturalidade
Objetivo: alinhar expectativa sem constrangimento. Perguntar preço não é falta de educação; é eficiência.
- Modelos diretos e educados: “Você tem uma faixa de valor em mente para eu acertar nas opções?” “Prefere ficar até R$ X, ou posso te mostrar duas faixas: uma mais em conta e outra um pouco acima?”
- Quando o cliente evita falar preço: ofereça “degraus” de escolha: “Tenho uma opção bem honesta e outra mais especial; quer ver as duas?”
Passo 4 — Checar restrições e condições especiais
Objetivo: evitar problemas e mostrar cuidado. Faça perguntas curtas e sem alarmismo.
- Restrição de álcool: “Alguém prefere algo com teor alcoólico mais baixo ou vai dirigir?”
- Alergias/sensibilidades: “Existe alguma restrição ou sensibilidade (por exemplo, a sulfitos) que eu deva considerar?”
- Preferência por espumante: “Vocês querem espumante hoje ou preferem vinho tranquilo?”
- Outros pontos úteis: “Vai ser uma taça por pessoa ou vocês querem uma garrafa para a mesa?”
Passo 5 — Oferecer 2–3 opções e justificar em linguagem acessível
Objetivo: reduzir a escolha para poucas alternativas e explicar com exemplos concretos, não com termos vagos.
- Estrutura de fala (simples): “Pelo que você me disse (resumo), eu sugiro duas opções: a primeira é (opção A) porque (benefício claro). A segunda é (opção B) se você quiser (diferença clara).”
- Regra de ouro: apresente primeiro a opção que mais combina com o que o cliente pediu, não a mais cara.
Passo 6 — Confirmar e fechar sem pressão
Objetivo: dar controle ao cliente e evitar parecer insistente.
- Frases que funcionam: “Faz sentido para você?” “Qual dessas duas te agrada mais?” “Se preferir, eu trago uma taça primeiro para você sentir o estilo.”
- Se o cliente estiver indeciso: “Quer ir no mais leve e fácil, ou no mais encorpado e marcante?” (duas escolhas claras)
Modelos prontos de perguntas (abertas e fechadas)
Para iniciar a conversa (quebra-gelo útil)
- Aberta: “Como você gosta do seu vinho?”
- Fechada: “Você prefere tinto, branco, rosé ou espumante?”
Para entender gosto sem termos técnicos
- Fechada: “Você gosta mais de vinhos que parecem ‘mais leves’ ou ‘mais intensos’?”
- Aberta: “Quando você toma vinho, o que te incomoda mais: amargor, acidez, álcool alto, doçura?”
Para alinhar com a ocasião
- Fechada: “É para acompanhar o prato principal?”
- Aberta: “É um jantar tranquilo ou uma comemoração?”
Para preço sem constrangimento
- Fechada: “Quer ficar até R$ X?”
- Aberta: “Qual faixa você prefere para eu te trazer as melhores opções?”
Para restrições
- Fechada: “Alguém vai dirigir?”
- Fechada: “Alguma restrição alimentar ou sensibilidade?”
Como traduzir descritores em exemplos concretos
Quando o cliente ou o cardápio usa palavras como “frutado”, “macio” e “fresco”, transforme isso em imagens e sensações do dia a dia. Evite listas longas de aromas; use 1 ou 2 referências fáceis.
| Descritor | Como explicar em linguagem acessível | Exemplo de frase no salão |
|---|---|---|
| Frutado | Lembra frutas; sensação mais “suculenta” e fácil de beber | “Ele tem um gosto mais de fruta, bem direto, sem ser pesado.” |
| Macio | Menos sensação de “secura” na boca; passa redondo | “É um vinho bem redondo, não arranha, desce fácil.” |
| Fresco | Mais sensação de leveza e vivacidade; dá vontade de outro gole | “É mais leve e ‘refrescante’, ótimo para quem não quer algo pesado.” |
| Encorpado | Mais presença na boca; parece mais “cheio” | “Ele é mais intenso e cheio, aparece mais junto da comida.” |
| Leve | Menos peso e intensidade; mais delicado | “É mais suave e leve, bom para começar ou para quem quer algo tranquilo.” |
| Intenso | Mais marcante no sabor e no aroma | “É mais marcante; se você gosta de vinho com presença, vai curtir.” |
Atalho útil: sempre que usar um descritor, complete com “na prática”. Exemplo: “Ele é bem fresco; na prática, é um vinho mais leve e gostoso de tomar em goles.”
Escuta ativa: como mostrar que você entendeu (e ganhar confiança)
Escuta ativa no salão é transformar o que o cliente disse em um resumo curto e confirmar. Isso evita erro e passa segurança.
- Técnica do resumo em 10 segundos: “Então você quer um vinho (seco/doce), (leve/encorpado), dentro de (faixa de preço), para (ocasião). Certo?”
- Técnica do “não quer”: “Só para eu não errar: você não quer nada muito (doce/forte/ácido), correto?”
- Técnica do espelho (palavras do cliente): se o cliente diz “algo suave”, use “suave” na sua sugestão, em vez de trocar por termos técnicos.
Como evitar parecer vendedor insistente
O que fazer
- Dê opções, não imposições: ofereça 2 alternativas com diferença clara.
- Justifique pelo pedido do cliente: “Como você pediu algo leve…” em vez de “Esse é o melhor”.
- Use permissão: “Posso te sugerir duas opções?”
- Seja transparente: “Tenho uma opção mais em conta e outra mais especial; você escolhe.”
O que evitar (e como substituir)
| Evite dizer | Substitua por |
|---|---|
| “Esse é o melhor vinho da casa.” | “Esse costuma agradar quem gosta de (preferência do cliente).” |
| “Vale muito a pena pegar a garrafa.” | “Se vocês forem dividir, a garrafa costuma funcionar melhor; se for só uma pessoa, a taça resolve.” |
| “Confia em mim.” | “Pelo que você descreveu, esse estilo encaixa bem no que você gosta.” |
| “Vamos nesse aqui?” (pressionando) | “Qual das duas opções combina mais com o que você está com vontade hoje?” |
Mini-roteiros prontos (situações comuns)
Cliente indeciso e com pressa
“Para eu acertar rápido: você prefere seco ou com um toque de doçura? Mais leve ou mais encorpado? E quer ficar até qual faixa de valor?”
“Perfeito. Então tenho duas opções: uma mais leve e fácil de beber e outra um pouco mais intensa. Qual você prefere?”
Cliente quer “um vinho fácil” sem saber explicar
“Quando você diz ‘fácil’, você quer algo mais leve e macio, que não seja forte?”
“Ótimo. Vou te sugerir um vinho bem frutado e macio; na prática, ele é bem tranquilo de tomar.”
Cliente com orçamento definido
“Perfeito, até R$ X eu consigo te mostrar duas opções bem seguras: uma mais leve e outra mais intensa. Você prefere qual estilo?”
Cliente quer celebrar
“Que legal. Para celebrar, vocês preferem espumante ou vinho tranquilo? E vocês gostam mais de algo bem seco ou mais macio?”