Stops no Day Trade: stop loss, stop gain e stop técnico com disciplina

Capítulo 9

Tempo estimado de leitura: 10 minutos

+ Exercício

O que é “stop” e por que ele existe

No day trade, stop é uma regra objetiva de saída que define quando encerrar uma operação, seja para limitar perdas (stop loss), seja para realizar lucro (stop gain) ou para sair quando o cenário deixa de fazer sentido (stop técnico). O propósito do stop é sobrevivência e controle de risco: ele reduz a chance de uma única operação comprometer o dia, a semana ou a conta.

Stop não é garantia de preço exato. Em momentos de volatilidade, pode haver execução pior que o planejado (slippage). Ainda assim, o stop continua sendo a ferramenta central para transformar risco em algo mensurável e repetível.

Três funções do stop na prática

  • Limitar dano: define a perda máxima aceitável por trade.
  • Evitar decisões impulsivas: tira do “calor do momento” a decisão de sair.
  • Padronizar a operação: permite comparar resultados e ajustar método com base em dados.

Tipos de stop: quando usar cada um

1) Stop por preço (fixo em pontos/centavos)

É o stop definido por um nível de preço específico: “se bater X, eu saio”. É simples e muito usado quando você já tem um nível claro de invalidação.

Exemplo (compra): você compra a 100,00 e define stop loss em 99,60. Se o preço tocar 99,60, a operação é encerrada. Seu risco “teórico” é 0,40 por unidade (antes de custos e possíveis desvios de execução).

Quando faz sentido: operações com níveis técnicos claros (suporte/resistência, mínima do candle de entrada, fundo anterior).

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2) Stop por volatilidade (adaptativo)

Em vez de um valor fixo, o stop acompanha o “tamanho normal” das oscilações do ativo naquele momento. A ideia é evitar ser estopado por ruído quando o mercado está mais agitado e, ao mesmo tempo, não deixar o stop grande demais quando o mercado está calmo.

Formas comuns:

  • Stop por ATR (Average True Range): por exemplo, stop = 1,0×ATR ou 1,5×ATR a partir do preço de entrada.
  • Stop por amplitude recente: baseado na média do tamanho dos últimos candles (ex.: média dos últimos 10 candles de 1 minuto).

Exemplo (ATR): se o ATR do período que você usa está em 0,30 e você define stop de 1,5×ATR, seu stop fica a 0,45 do preço de entrada. Se entrou comprado a 100,00, stop em 99,55.

Quando faz sentido: ativos que mudam muito de “ritmo” ao longo do dia; estratégias em que o ruído é um problema frequente.

3) Stop por tempo (time stop)

É a saída baseada no relógio: se a operação não evoluir dentro de um tempo máximo, você encerra. Isso evita ficar preso em trades “mortos” que consomem atenção e aumentam a chance de erro.

Exemplo: sua regra é: “se após 10 minutos o preço não andar a favor pelo menos 0,20 (ou não romper o nível esperado), eu saio no mercado”.

Quando faz sentido: operações de rompimento (que deveriam andar rápido), ou quando você quer limitar exposição em períodos específicos do dia.

4) Stop por invalidação do cenário (stop técnico)

É o stop definido pelo ponto em que a tese da operação deixa de existir. Ele não é escolhido “porque sim”, mas porque, ao ser atingido, o motivo da entrada foi negado.

Exemplos de invalidação:

  • Você comprou um rompimento e o preço volta e fecha abaixo do nível rompido.
  • Você comprou em suporte e o suporte é perdido com força (ex.: mínima anterior rompida e o preço aceita abaixo).
  • Você vendeu em resistência e o preço rompe e sustenta acima (aceitação acima da resistência).

Observação importante: o stop técnico pode ser por preço (um nível), mas o critério é “o cenário foi invalidado”, não “perdi X pontos”.

Stop loss, stop gain e stop técnico: como eles se combinam

Stop loss (saída por perda controlada)

É a linha de defesa. Deve existir antes da entrada e ser compatível com o risco máximo por operação.

Regra prática: se você não sabe onde sai no loss, você ainda não tem trade.

Stop gain (saída por realização de lucro)

É a regra de saída no lucro. Pode ser um alvo fixo (por preço), um alvo por volatilidade, ou uma saída parcial + condução do restante.

Exemplo (alvo fixo): entrou comprado a 100,00, stop loss em 99,60 (risco 0,40). Você define stop gain em 100,80 (ganho 0,80), buscando uma relação risco/retorno de 1:2.

Exemplo (parcial + condução):

  • Realiza 50% da posição em +0,40 (1R).
  • Move o stop do restante para um ponto que reduza risco (por exemplo, para o preço de entrada ou para um nível técnico).
  • Deixa o restante buscar um alvo maior ou usa um stop móvel (trailing) por estrutura.

Stop técnico (saída por mudança de leitura)

O stop técnico pode funcionar tanto como stop loss quanto como stop de proteção no lucro. Ele é a “disciplina do cenário”: se a leitura mudou, você sai, mesmo que ainda não tenha atingido o stop loss fixo ou o alvo.

Exemplo: você está comprado e o preço começa a fazer topos e fundos descendentes (estrutura contra sua posição). Mesmo sem tocar o stop original, sua regra pode ser encerrar ao perder o último fundo relevante.

Passo a passo: como definir stops antes de clicar

Passo 1 — Defina o ponto de invalidação (stop técnico)

Pergunte: “O que precisa acontecer para eu admitir que minha ideia estava errada?”

  • Se for compra em suporte: invalida ao perder o suporte (com critério objetivo: perda da mínima X, fechamento abaixo, ou aceitação abaixo).
  • Se for rompimento: invalida ao retornar e falhar (ex.: volta abaixo do nível e não recupera).

Passo 2 — Meça a distância do stop (risco por unidade)

Calcule a diferença entre entrada e stop. Isso é o risco “por unidade” (por ação/contrato).

risco_por_unidade = preco_entrada - preco_stop (compra)  ou  preco_stop - preco_entrada (venda)

Passo 3 — Verifique se o stop “cabe” no seu risco máximo por trade

Você precisa ter um limite de perda por operação (em dinheiro). Com isso, você ajusta o tamanho da posição.

quantidade = risco_maximo_por_trade / risco_por_unidade

Exemplo: risco máximo por trade = 200. Entrada 100,00; stop 99,60 → risco por unidade = 0,40. Quantidade = 200 / 0,40 = 500 unidades (arredondando conforme o ativo).

Se a quantidade ficar grande demais para sua realidade (ou se o mercado estiver muito rápido), isso é um sinal para reduzir tamanho ou não operar.

Passo 4 — Defina o stop gain (alvo) com base em lógica, não em desejo

Escolha um critério:

  • Alvo por relação risco/retorno: por exemplo, 1:1,5; 1:2.
  • Alvo por nível técnico: resistência, topo anterior, região de oferta.
  • Alvo por volatilidade: múltiplos de ATR.

Exemplo (por R): se seu risco é 0,40 (1R), alvo em 0,80 (2R).

Passo 5 — Planeje o “se der certo” e o “se der errado” (roteiro de execução)

  • Se andar a favor: você vai realizar parcial? Vai mover stop? Em qual condição?
  • Se andar contra: você aceita o stop sem mexer? Em quais casos você sai antes (invalidação)?

Esse roteiro reduz a chance de improviso e de decisões emocionais.

Armadilhas comuns com stops (e como evitar)

Armadilha 1 — Stop curto demais (ser estopado pelo “ruído”)

Quando o stop fica dentro da oscilação normal do ativo, você é estopado mesmo com o cenário ainda válido. Isso costuma acontecer por dois motivos: (1) tentar aumentar a quantidade sem aumentar risco total, encurtando o stop artificialmente; (2) escolher stop “no chute”.

Como evitar:

  • Use stop técnico em um ponto que realmente invalide a ideia.
  • Considere stop por volatilidade (ex.: múltiplo de ATR) para não ficar dentro do ruído.
  • Se o stop técnico ficou grande, reduza a posição em vez de “apertar” o stop.

Armadilha 2 — “Alargar stop” para não aceitar a perda

Alargar stop é mover o stop loss para mais longe depois que o preço foi contra você, tentando “dar espaço”. Na prática, isso muda a regra no meio do trade e aumenta o risco sem planejamento.

Como evitar:

  • Regra operacional: stop loss não se afasta. Ele só pode se manter ou se aproximar (reduzir risco), conforme critérios predefinidos.
  • Se você percebeu que o stop original era mal posicionado, trate isso como erro de planejamento e ajuste na próxima operação, não nesta.

Armadilha 3 — Retirar o stop (ficar “sem cinto de segurança”)

Retirar o stop transforma uma perda controlada em uma perda potencialmente grande. Em movimentos rápidos, a saída pode ficar muito pior do que você imaginava.

Como evitar:

  • Use ordens de stop já posicionadas assim que entrar.
  • Tenha um limite de perda por trade e por dia; ao atingir, pare de operar.
  • Se você sente vontade de tirar o stop, isso é um sinal de que o tamanho da posição está grande demais para seu conforto psicológico.

Armadilha 4 — Stop gain “curto demais” e stop loss “longo demais”

Isso cria uma assimetria negativa: você ganha pouco quando acerta e perde muito quando erra. Mesmo com alta taxa de acerto, fica difícil sustentar.

Como evitar:

  • Antes de entrar, verifique se existe espaço até o alvo (nível técnico) que justifique o risco.
  • Use uma métrica simples: se o alvo provável não paga pelo menos o risco (idealmente mais), pule o trade.

Como pré-definir pontos de saída para reduzir decisões impulsivas

Checklist de saída (antes da entrada)

  • Stop loss: preço exato e motivo (qual invalidação).
  • Stop gain: preço exato ou regra (ex.: 2R, resistência X, 1,5×ATR).
  • Plano de condução: haverá parcial? quando? o stop do restante vai para onde?
  • Stop por tempo: qual o tempo máximo sem evolução?

Modelo prático de “plano de trade” (preencha em 30 segundos)

EntradaPreço: ____ | Motivo: ____
Stop técnicoPreço: ____ | Invalida porque: ____
Risco por unidade____
Risco máximo (R$)____
Quantidade____
Alvo (stop gain)Preço/regra: ____
Tempo máximo____ minutos
GestãoParcial? ____ | Stop móvel? ____

Exemplos completos de aplicação

Exemplo 1 — Compra em suporte com stop técnico + alvo por nível

  • Leitura: preço reage em uma região de suporte e forma um fundo.
  • Entrada: 50,00
  • Stop técnico (invalidação): abaixo da mínima do fundo em 49,70 (perda do suporte)
  • Risco por unidade: 0,30
  • Alvo (stop gain): resistência em 50,60
  • Risco/retorno: risco 0,30 para buscar 0,60 (2R)
  • Stop por tempo: se em 8 minutos não sair da região e não fizer novo topo, encerrar

Exemplo 2 — Rompimento com stop por tempo + stop por volatilidade

  • Leitura: rompimento tende a andar rápido; se não andar, aumenta chance de falso rompimento.
  • Entrada: 120,00
  • Volatilidade: ATR do período = 0,25
  • Stop loss: 1,5×ATR = 0,375 → stop em 119,62 (arredondado conforme variação do ativo)
  • Stop por tempo: se em 5 minutos não fizer nova máxima e não acelerar, sair
  • Stop gain: 2R (2 × 0,38 ≈ 0,76) → alvo em 120,76

Exemplo 3 — Venda com stop técnico e proteção no lucro (stop móvel por estrutura)

  • Leitura: tendência de baixa intradiária; você vende após correção.
  • Entrada: 80,00
  • Stop técnico: acima do topo da correção em 80,35
  • Alvo inicial: 79,30 (região de fundo anterior)
  • Condução: ao romper 79,60, você move o stop para acima do último topo menor (reduz risco e protege lucro) em vez de “torcer” por mais queda sem regra

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Qual prática melhor evita ser estopado pelo “ruído” do mercado sem aumentar o risco de forma improvisada?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Stops curtos demais podem cair dentro da oscilação normal. Para evitar isso, o ideal é posicionar o stop onde a ideia é invalidada e, se o stop ficar grande, reduzir a posição (ou usar volatilidade, como ATR) em vez de apertar ou afastar o stop.

Próximo capitúlo

Gerenciamento de risco no Day Trade: tamanho de posição, risco por operação e limites diários

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