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Preparatório para Analista de TI do DETRAN

Novo curso

15 páginas

Sistemas de Informação aplicados ao Analista de TI do DETRAN

Capítulo 1

Tempo estimado de leitura: 13 minutos

+ Exercício

Conceito operacional de Sistemas de Informação no contexto do DETRAN

Em um órgão como o DETRAN, um Sistema de Informação (SI) deve ser entendido de forma operacional: um arranjo de pessoas, processos, dados e tecnologia que executa e controla serviços públicos (ex.: habilitação, registro de veículos, vistorias), garantindo rastreabilidade, conformidade e atendimento ao cidadão. Para o Analista de TI, o foco prático é traduzir necessidades do negócio em fluxos, requisitos e integrações, assegurando qualidade (disponibilidade, desempenho, auditabilidade) e interoperabilidade com outros órgãos e bases.

Componentes do SI: pessoas, processos, dados e tecnologia

  • Pessoas: atendentes, vistoriadores, examinadores, gestores, auditores, equipe de TI, cidadão/usuário. Cada perfil tem responsabilidades, permissões e pontos de interação no fluxo.
  • Processos: sequência de atividades e regras (ex.: validar documentos, agendar vistoria, emitir taxas, registrar resultado, liberar CRLV). Processos precisam ser modelados e controlados.
  • Dados: cadastros (condutor, veículo), eventos (agendamento, resultado de exame, laudo de vistoria), documentos (requerimentos, laudos), registros de auditoria (quem fez o quê, quando, de onde).
  • Tecnologia: aplicações (web/mobile), banco de dados, integrações (APIs), filas/mensageria, autenticação/autorizações, monitoramento, infraestrutura e contingência.

Tipos de sistemas no DETRAN e como se complementam

Sistemas transacionais (operacionais)

São os que registram e processam transações do dia a dia com consistência e regras rígidas. Exemplos típicos: emissão de guias, agendamento, registro de atendimento, atualização cadastral, lançamento de resultados de exames, registro de vistoria, emissão de documentos. Características esperadas: validações fortes, controle de concorrência, logs e trilhas de auditoria, alta disponibilidade.

Sistemas gerenciais (informação gerencial)

Consolidam dados transacionais para acompanhamento e gestão: painéis de produtividade por unidade, tempo médio de atendimento, taxa de reprovação em exames, volume de vistorias por período, arrecadação por serviço. Características: agregações, indicadores, atualização periódica, governança de métricas.

Sistemas de apoio à decisão

Apoiam análises e decisões com base em dados e regras mais complexas: identificação de padrões de fraude, priorização de fiscalizações, análise de risco em transferências, detecção de inconsistências cadastrais. Características: cruzamento de bases, regras analíticas, explicabilidade e evidências para auditoria.

Integração entre módulos e interoperabilidade

No DETRAN, módulos raramente funcionam isolados. Um fluxo de serviço costuma atravessar cadastro, arrecadação, agenda, vistoria, emissão e fiscalização. Integração é o mecanismo interno entre módulos; interoperabilidade é a capacidade de trocar dados com sistemas externos (outros órgãos, bancos, prestadores) com padrões e segurança.

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Padrões práticos de integração

  • Integração síncrona (API/serviço): usada quando o fluxo precisa de resposta imediata (ex.: validar situação do veículo antes de concluir atendimento).
  • Integração assíncrona (fila/eventos): usada para desacoplar e aumentar resiliência (ex.: após pagamento confirmado, publicar evento para liberar emissão).
  • Integração por lote: usada para cargas periódicas e conciliações (ex.: importação diária de retornos de arrecadação).

Interoperabilidade: preocupações do Analista de TI

  • Contrato de dados: campos, formatos, obrigatoriedade, versionamento.
  • Identificadores: chaves únicas (ex.: CPF/CNPJ, RENAVAM, número do processo), regras de unicidade e reconciliação.
  • Segurança: autenticação, autorização, trilha de auditoria, criptografia em trânsito.
  • Confiabilidade: idempotência (repetir requisição sem duplicar efeito), retentativas, tratamento de indisponibilidade externa.
  • Observabilidade: correlação de logs por ID de transação/processo para rastrear ponta a ponta.

Modelagem de processos com BPMN (básico a intermediário)

BPMN é uma notação para representar processos de forma padronizada. Para o Analista de TI, o objetivo é produzir diagramas que permitam: (1) entender o fluxo real, (2) identificar pontos de decisão e exceções, (3) mapear requisitos e integrações, (4) definir responsabilidades e evidências de auditoria.

Elementos essenciais (nível básico)

  • Evento de início e fim: início do processo (ex.: solicitação do cidadão) e término (ex.: documento emitido).
  • Tarefas: atividades executadas por pessoas ou sistemas (ex.: “Validar documentos”).
  • Gateway exclusivo (XOR): decisão “ou/ou” (ex.: “Documentos completos?”).
  • Fluxo de sequência: ordem das atividades.
  • Piscinas e raias: separação por participantes (ex.: Cidadão, Atendimento, Sistema, Vistoria).

Elementos úteis (nível intermediário)

  • Eventos intermediários: espera por algo (ex.: “Aguardar confirmação de pagamento”).
  • Tarefas de serviço: ação automática do sistema (ex.: “Consultar base externa”).
  • Subprocessos: encapsular etapas repetidas (ex.: “Análise documental”).
  • Eventos de erro: exceções (ex.: “Falha na integração”).

Passo a passo: como modelar um processo típico do DETRAN em BPMN

Exemplo: Agendamento e realização de vistoria

  • 1) Defina o objetivo e o gatilho: objetivo “realizar vistoria e registrar laudo”; gatilho “cidadão solicita vistoria”.
  • 2) Liste participantes (raias): Cidadão, Atendimento/Portal, Arrecadação, Vistoriador, Sistema de Vistoria.
  • 3) Descreva o caminho feliz: solicitar agendamento → validar dados do veículo → emitir guia → confirmar pagamento → reservar agenda → realizar vistoria → registrar laudo → disponibilizar resultado.
  • 4) Adicione decisões: “Veículo apto a agendar?”; “Pagamento confirmado?”; “Vistoria aprovada?”
  • 5) Modele exceções: pagamento não confirmado no prazo; indisponibilidade de agenda; reprovação e necessidade de retorno; falha de integração com arrecadação.
  • 6) Marque pontos de auditoria: registro de quem aprovou/reprovou, anexos do laudo, carimbo de data/hora, identificação do posto.
  • 7) Valide com o negócio: confirme regras, prazos, documentos e responsabilidades.

Mapeamento de requisitos para fluxos de atendimento do DETRAN

Um requisito descreve uma necessidade do usuário/negócio ou uma restrição de qualidade. No DETRAN, é comum partir do fluxo de atendimento (processo) e derivar requisitos por etapa, decisão e integração. Uma técnica prática é criar uma matriz “Etapa do BPMN → Requisitos funcionais (RF) → Requisitos não funcionais (RNF) → Dados → Integrações → Evidências”.

Serviços ao cidadão (atendimento presencial e digital)

  • Pontos típicos do fluxo: identificação do cidadão, triagem, protocolo, pagamento, execução do serviço, entrega/resultado.
  • Requisitos frequentes: autenticação forte, consulta de pendências, emissão de comprovantes, notificações, acessibilidade, registro de atendimento.

Vistorias

  • Pontos típicos do fluxo: agendamento, validação do veículo, checklists, registro de evidências, laudo, retorno em caso de reprovação.
  • Requisitos frequentes: captura de fotos/arquivos, georreferência (quando aplicável), assinatura do vistoriador, trilha de auditoria, controle de versões do laudo.

Habilitação

  • Pontos típicos do fluxo: abertura de processo, validação documental, agendamento de exames, registro de resultados, emissão/atualização do documento.
  • Requisitos frequentes: regras de elegibilidade, prazos, bloqueios por pendências, integração com clínicas/centros, histórico do condutor.

Veículos (registro, transferência, emissão)

  • Pontos típicos do fluxo: validação de propriedade, débitos e restrições, vistoria (quando exigida), atualização cadastral, emissão de documento.
  • Requisitos frequentes: consistência de dados (RENAVAM/placa), conciliação de pagamentos, prevenção de duplicidades, logs de alterações cadastrais.

Critérios de qualidade: disponibilidade, desempenho e auditabilidade

Disponibilidade

Disponibilidade mede o quanto o serviço fica acessível. No DETRAN, indisponibilidade impacta filas, arrecadação e prazos legais. Requisitos práticos: janelas de manutenção definidas, contingência para atendimento, tolerância a falhas em integrações e monitoramento.

Desempenho

Desempenho envolve tempo de resposta, capacidade de atender picos (ex.: virada de mês, campanhas, prazos). Requisitos práticos: metas de tempo por operação crítica (consultas, emissão, agendamento), limites de concorrência, filas para tarefas pesadas, cache para consultas repetidas.

Auditabilidade

Auditabilidade é a capacidade de reconstruir o que ocorreu: quem executou, quando, em qual unidade, com quais dados e evidências. Requisitos práticos: trilha de auditoria imutável, versionamento de registros, justificativas obrigatórias para alterações sensíveis, correlação de transações entre módulos.

Exercícios guiados: identificação de requisitos em cenários do DETRAN

Como responder aos exercícios (método rápido)

  • 1) Identifique o objetivo do usuário (o que ele quer concluir).
  • 2) Liste as etapas do fluxo (3 a 8 passos).
  • 3) Para cada etapa, escreva 1 a 3 RF (o sistema deve fazer).
  • 4) Para o fluxo como um todo, escreva RNF (qualidade, segurança, auditoria, desempenho).
  • 5) Marque dados e integrações (entradas/saídas, sistemas externos).
  • 6) Defina evidências (logs, anexos, carimbos, protocolos).

Exercício 1: Agendamento de atendimento pelo portal do cidadão

Cenário: o cidadão acessa o portal, escolhe o serviço “2ª via de documento”, seleciona unidade e horário, e recebe confirmação.

Tarefas

  • Liste 5 requisitos funcionais (RF).
  • Liste 5 requisitos não funcionais (RNF) com foco em disponibilidade, desempenho e segurança.
  • Indique 3 dados essenciais e 2 eventos que devem ser auditados.

Gabarito guiado (exemplo de resposta)

  • RF1: o sistema deve autenticar o cidadão e recuperar seus dados cadastrais básicos.
  • RF2: o sistema deve listar serviços disponíveis por unidade e canal (presencial/digital).
  • RF3: o sistema deve consultar disponibilidade de agenda por unidade, data e horário.
  • RF4: o sistema deve reservar o horário e gerar número de protocolo.
  • RF5: o sistema deve enviar confirmação (ex.: e-mail/SMS/notificação) com data, local e documentos necessários.
  • RNF1 (Disponibilidade): o portal deve estar disponível em horário estendido, com manutenção programada fora do pico.
  • RNF2 (Desempenho): a consulta de horários deve responder em até X segundos sob carga de pico.
  • RNF3 (Segurança): autenticação deve exigir mecanismo forte e proteção contra tentativas repetidas.
  • RNF4 (Auditabilidade): toda criação/cancelamento de agendamento deve registrar usuário, IP/canal, data/hora e unidade.
  • RNF5 (Confiabilidade): reserva de horário deve ser transacional para evitar dupla marcação.
  • Dados essenciais: CPF do cidadão, serviço selecionado, unidade/horário.
  • Eventos auditáveis: criação do agendamento; cancelamento/alteração do agendamento.

Exercício 2: Registro de vistoria com captura de evidências

Cenário: o vistoriador realiza a vistoria, preenche checklist, anexa fotos e emite laudo com resultado aprovado/reprovado.

Tarefas

  • Liste 6 RF (incluindo anexos e assinatura).
  • Liste 6 RNF (incluindo integridade, rastreabilidade e desempenho).
  • Desenhe mentalmente um BPMN com 1 gateway de decisão e 1 evento de erro; descreva em texto o fluxo.

Gabarito guiado (exemplo de resposta)

  • RF1: o sistema deve identificar o veículo por RENAVAM/placa e carregar dados do agendamento.
  • RF2: o sistema deve apresentar checklist configurável por tipo de vistoria.
  • RF3: o sistema deve permitir anexar evidências (fotos/arquivos) vinculadas ao item do checklist.
  • RF4: o sistema deve registrar medições/observações e calcular o resultado conforme regras.
  • RF5: o sistema deve permitir assinatura do vistoriador e carimbo de data/hora.
  • RF6: o sistema deve emitir laudo e disponibilizar consulta do resultado ao cidadão/atendimento.
  • RNF1 (Integridade): anexos devem ter hash/controle de integridade e vínculo imutável ao laudo.
  • RNF2 (Auditabilidade): alterações no laudo devem ser bloqueadas ou versionadas com justificativa.
  • RNF3 (Desempenho): upload de evidências deve suportar múltiplos anexos sem travar a operação.
  • RNF4 (Disponibilidade): em caso de falha de rede, deve existir modo de contingência (fila para sincronização) sem perda de dados.
  • RNF5 (Segurança): acesso ao módulo de vistoria deve ser restrito por perfil e unidade.
  • RNF6 (Rastreabilidade): cada laudo deve referenciar o processo/serviço, o agendamento e o responsável.
  • Fluxo textual (BPMN): Início (vistoria iniciada) → tarefa “Carregar dados do veículo” → tarefa “Preencher checklist e anexar evidências” → gateway “Aprovado?” → se sim: tarefa “Assinar e emitir laudo” → fim; se não: tarefa “Registrar reprovação e orientações” → fim. Evento de erro: “Falha ao salvar anexos” direciona para tarefa “Repetir upload ou registrar contingência”.

Exercício 3: Abertura de processo de habilitação com validação documental

Cenário: o atendente abre o processo, confere documentos, registra pendências e libera etapas seguintes quando tudo estiver correto.

Tarefas

  • Liste 5 RF e 5 RNF.
  • Indique quais campos devem ser obrigatórios e quais podem ser opcionais (mínimo 6 campos).
  • Defina 3 regras de negócio que gerem bloqueio do processo.

Gabarito guiado (exemplo de resposta)

  • RF1: o sistema deve criar um processo de habilitação com número único e status inicial.
  • RF2: o sistema deve registrar documentos apresentados e anexos digitalizados quando aplicável.
  • RF3: o sistema deve permitir registrar pendências e prazos para regularização.
  • RF4: o sistema deve bloquear avanço de etapa enquanto houver pendências críticas.
  • RF5: o sistema deve registrar histórico de movimentações do processo (status, responsável, data/hora).
  • RNF1: trilha de auditoria deve registrar alterações em dados pessoais e documentos.
  • RNF2: tempo de resposta para salvar/consultar processo deve atender meta em horário de pico.
  • RNF3: controle de acesso por perfil (atendente, supervisor, auditor).
  • RNF4: dados sensíveis devem ser protegidos em trânsito e em repouso conforme política do órgão.
  • RNF5: o sistema deve manter consistência transacional ao criar processo e anexos.
  • Campos obrigatórios (exemplos): CPF, nome, data de nascimento, tipo de serviço, unidade, data de abertura.
  • Campos opcionais (exemplos): telefone alternativo, observações do atendente, e-mail secundário.
  • Regras de bloqueio (exemplos): documento obrigatório ausente; inconsistência cadastral crítica; restrição impeditiva identificada em consulta interna.

Checklists práticos: validação, rastreabilidade e qualidade

Checklist de validação de requisitos (RF e RNF)

  • O requisito tem sujeito claro (usuário/sistema) e verbo no “deve”?
  • Está testável (há como verificar em teste/homologação)?
  • Evita ambiguidade (termos como “rápido”, “fácil” sem métrica)?
  • Indica entradas, saídas e regras de negócio quando necessário?
  • Para RNF: há métrica (tempo, disponibilidade, volume, retenção de logs)?
  • Há tratamento de exceções (falha de integração, indisponibilidade, dados inválidos)?

Checklist de rastreabilidade (do processo ao requisito e ao teste)

  • Cada etapa do BPMN possui RF associados?
  • Cada decisão (gateway) possui regras e critérios documentados?
  • Cada integração possui contrato, versão e responsável definidos?
  • Cada RF possui casos de teste vinculados (positivo, negativo, exceção)?
  • Cada RNF possui evidência de validação (teste de carga, monitoramento, auditoria)?
  • Há identificação única para processo/solicitação (protocolo) e correlação em logs?

Checklist de qualidade operacional (disponibilidade, desempenho, auditabilidade)

  • Disponibilidade: existe estratégia de contingência para atendimento e para integrações críticas?
  • Desempenho: operações críticas têm metas de tempo e foram medidas sob carga?
  • Auditabilidade: logs registram usuário, perfil, unidade, data/hora, ação, antes/depois (quando aplicável)?
  • Integridade: anexos e registros sensíveis têm controle de versão e integridade?
  • Rastreio ponta a ponta: há ID de correlação entre módulos e integrações?
  • Conformidade: retenção de logs e evidências atende políticas internas e exigências de auditoria?

Modelo de artefatos textuais para usar no dia a dia do Analista de TI

Template: requisito funcional

RF-XX: O sistema deve [ação] para [usuário/perfil] quando [condição], registrando [dados/evidências]. Critérios de aceite: (1) ... (2) ...

Template: requisito não funcional

RNF-XX (Categoria): O sistema deve atender [métrica] em [contexto], medido por [método]. Evidência: [relatório/log/teste].

Template: mapeamento BPMN → requisitos

Etapa do processo: [nome da tarefa/gateway] | RF: [lista] | RNF: [lista] | Dados: [entradas/saídas] | Integrações: [sistemas] | Auditoria: [eventos/logs]

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Em um fluxo do DETRAN que precisa liberar a emissão de um documento após a confirmação de pagamento, qual padrão de integração é mais adequado para aumentar o desacoplamento e a resiliência do processo?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

A integração assíncrona por filas/eventos desacopla módulos e melhora a resiliência: após o pagamento confirmado, um evento é publicado para liberar a emissão sem exigir resposta imediata de todos os sistemas envolvidos.

Próximo capitúlo

Engenharia de Requisitos e Análise de Sistemas para soluções do DETRAN

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