Sinais de alerta em bebês e crianças: quando procurar atendimento imediato

Capítulo 2

Tempo estimado de leitura: 8 minutos

+ Exercício

O que são “sinais de alerta” e por que eles mudam a conduta

Sinais de alerta (ou sinais de gravidade) são achados que indicam risco aumentado de piora rápida, comprometimento de funções vitais (respiração, circulação, consciência) ou possibilidade de lesão interna. Na prática, eles servem para decidir quando não é seguro “observar em casa” e quando é necessário atendimento imediato.

Use este capítulo como uma lista objetiva de critérios de urgência. Se houver dúvida, especialmente em bebês pequenos, trate como urgência.

Lista clara de sinais de gravidade: quando procurar atendimento imediato

1) Dificuldade para respirar

O que observar:

  • Respiração muito rápida ou muito lenta para o padrão habitual.
  • Esforço para respirar: “afundamento” entre as costelas ou abaixo do peito, batimento de asas do nariz, gemido ao respirar.
  • Som anormal: chiado intenso, estridor (som agudo ao inspirar), rouquidão importante associada a esforço.
  • Incapacidade de falar/frases curtas (crianças maiores) ou de mamar (bebês) por falta de ar.

Exemplo prático: a criança para de brincar e fica sentada, inclinada para frente, respirando com o peito “puxando” e não consegue completar uma frase sem pausar para respirar.

2) Coloração arroxeada, acinzentada ou palidez intensa

O que observar:

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  • Lábios, língua ou rosto arroxeados/acinzentados.
  • Palidez súbita, pele fria e pegajosa, extremidades muito frias.

Exemplo prático: após um episódio de tosse forte, os lábios ficam arroxeados e a criança parece “sem ar”.

3) Sonolência incomum, confusão ou dificuldade para despertar

O que observar:

  • Não responde como de costume, parece “mole”, irritabilidade extrema ou apatia.
  • Dorme fora do padrão e é difícil acordar, ou acorda e volta a dormir imediatamente.

Exemplo prático: a criança que normalmente reage ao chamado não abre os olhos, ou abre e não fixa o olhar.

4) Desmaio (perda de consciência), mesmo que breve

O que observar:

  • Queda súbita com “apagão”, com ou sem palidez, suor frio, vômito.
  • Após acordar, permanece confusa, com dor de cabeça forte ou muito sonolenta.

Exemplo prático: desmaia no banho e, ao voltar, fica desorientada e com fala enrolada.

5) Convulsão

O que observar:

  • Movimentos rítmicos involuntários, olhar parado, rigidez, salivação excessiva, perda de controle urinário.
  • Convulsão que dura mais do que o habitual para aquela criança, ou primeira convulsão da vida.

Passo a passo prático até chegar ao serviço:

  1. Marque o horário de início (use relógio do celular).
  2. Deite a criança de lado (posição lateral) e afaste objetos ao redor.
  3. Não coloque nada na boca e não tente segurar os movimentos.
  4. Após cessar, observe respiração e nível de consciência; mantenha de lado se estiver sonolenta.
  5. Procure atendimento imediato, especialmente se for a primeira crise, se durar > 5 minutos, se houver repetição, ou se não recuperar o estado habitual.

6) Rigidez de nuca, dor de cabeça intensa ou sensibilidade à luz

O que observar:

  • Dificuldade para encostar o queixo no peito, dor forte ao movimentar o pescoço.
  • Associado a febre, vômitos, sonolência, manchas na pele ou piora rápida.

Exemplo prático: criança com febre que reclama de dor de cabeça “muito forte”, vomita e não tolera luz, ficando prostrada.

7) Vômitos persistentes ou incapacidade de manter líquidos

O que observar:

  • Vômitos repetidos em curto intervalo (ex.: vários episódios em poucas horas).
  • Não consegue manter pequenos goles de líquido sem vomitar.
  • Vômitos associados a dor abdominal intensa, sonolência, rigidez de nuca, sinais de desidratação ou após queda/trauma.

Exemplo prático: vomita toda vez que tenta beber água e fica cada vez mais abatida.

8) Sangue no vômito ou nas fezes

O que observar:

  • Vômito com sangue vivo (vermelho) ou aspecto de “borra de café”.
  • Fezes com sangue vivo, fezes muito escuras e com cheiro forte (tipo piche), ou grande quantidade de sangue.

Exemplo prático: após episódios de vômito, surge sangue no vômito; ou fralda/vaso com fezes negras e pegajosas.

9) Sinais de desidratação

O que observar (critérios práticos):

  • Pouca urina: fraldas secas por tempo incomum para a idade; em crianças maiores, urina muito escura e pouca.
  • Boca e língua secas, saliva espessa.
  • Choro sem lágrimas (quando já era esperado que tivesse lágrimas).
  • Olhos fundos, moleza, tontura ao levantar (crianças maiores).

Exemplo prático: bebê com diarreia que passa muitas horas sem molhar fralda e está com boca seca e sonolento.

10) Dor intensa ou dor que piora rapidamente

O que observar:

  • Dor que impede a criança de andar, mexer um membro, dormir ou se acalmar.
  • Dor abdominal forte com barriga endurecida, vômitos persistentes, sangue nas fezes, ou piora progressiva.

Exemplo prático: dor abdominal localizada que aumenta ao toque e a criança não deixa examinar.

11) Queimaduras extensas, profundas ou em áreas de risco

O que observar:

  • Bolhas grandes, pele esbranquiçada/escurecida, aspecto “couro” (sugere profundidade).
  • Queimaduras em face, pescoço, mãos, pés, genitais, articulações, ou por inalação de fumaça.
  • Queimadura extensa (área maior do que a palma da mão da própria criança) ou múltiplas áreas.

Exemplo prático: escaldadura no tronco com bolhas e dor intensa, ou queimadura no rosto com tosse e rouquidão.

12) Ferimentos profundos, sangramento que não cessa, ou suspeita de fratura

O que observar:

  • Corte profundo com bordas afastadas, exposição de gordura/tecido, ou objeto encravado.
  • Sangramento que não para após compressão contínua.
  • Deformidade, incapacidade de usar o membro, dor intensa ao toque.

Exemplo prático: queda com corte na testa que “abre” e sangra continuamente, ou braço com deformidade após queda.

13) Queda/trauma com alteração neurológica

O que observar:

  • Sonolência fora do habitual, confusão, irritabilidade extrema.
  • Vômitos repetidos após a queda.
  • Convulsão, desmaio, dor de cabeça intensa, dificuldade para andar, fraqueza em um lado, fala alterada.
  • Sangue ou líquido claro saindo do nariz/ouvido, hematoma grande no couro cabeludo (especialmente em bebês).

Exemplo prático: após cair, a criança vomita duas vezes e fica “estranha”, com olhar perdido e dificuldade para ficar em pé.

Quadro rápido: o que observar em bebês x crianças

AspectoBebês (especialmente < 1 ano)Crianças maiores
RespiraçãoPausa respiratória, gemido, batimento de asas do nariz, afundamento entre costelas; recusa de mamar por falta de arFala entrecortada, cansaço ao falar/brincar, postura inclinada para respirar, queixa de “falta de ar”
Cor da peleLábios/língua arroxeados, palidez súbita, extremidades friasRelato de tontura, palidez com suor frio, lábios arroxeados após esforço
Consciência e comportamentoMoleza, choro fraco, pouca reação ao toque/voz, irritabilidade inconsolávelConfusão, fala estranha, sonolência fora do padrão, desorientação
HidrataçãoFralda seca por tempo incomum, fontanela (moleira) muito funda, boca seca, poucas lágrimasUrina escura e pouca, tontura ao levantar, boca seca, cansaço importante
Vômitos/diarreiaMaior risco de desidratação rápida; atenção a recusa de líquidos e prostraçãoObservar frequência, presença de sangue, dor abdominal localizada e piora progressiva
TraumaQualquer queda com mudança de comportamento, vômitos repetidos, hematoma grande na cabeçaVômitos repetidos, dor de cabeça intensa, confusão, dificuldade para andar/falar

Como monitorar a evolução até chegar ao serviço de saúde

Quando você já decidiu procurar atendimento, monitorar bem ajuda a equipe a agir mais rápido e também permite perceber piora no caminho.

1) Registre tempo, frequência e intensidade (método TFI)

  • Tempo: quando começou e há quanto tempo dura (ex.: “febre começou às 14h”; “falta de ar piorou às 18h”).
  • Frequência: quantas vezes aconteceu (ex.: “vomitou 6 vezes em 3 horas”; “diarreia 8 episódios desde manhã”).
  • Intensidade: leve/moderada/intensa com exemplos observáveis (ex.: “não consegue mamar”, “não consegue andar”, “não responde ao nome”).

Dica prática: anote no celular em formato de lista com horários. Se houver convulsão, anote duração e como terminou.

2) Observe sinais-chave em intervalos curtos

Enquanto aguarda transporte ou na sala de espera, reavalie a cada 10–15 minutos (ou continuamente, se grave):

  • Respiração: está mais difícil? há pausas? há esforço visível?
  • Cor: ficou mais pálida/arroxeada?
  • Consciência: está mais sonolenta? responde menos?
  • Hidratação: conseguiu urinar? aceitou líquidos? boca está muito seca?
  • Dor: está aumentando? mudou de local? impede movimentos?

3) O que informar ao chegar (checklist rápido)

  • Idade e peso aproximado (se souber).
  • Queixa principal e início (horário).
  • O que você viu (sinais objetivos): cor, respiração, nível de consciência, número de vômitos/diarreias, presença de sangue.
  • Trauma: altura da queda, superfície, se houve desmaio, vômitos, mudança de comportamento.
  • Medicamentos já administrados e horário (se houver).

4) Sinais de piora no caminho: não espere

Se durante o deslocamento surgir qualquer um destes, trate como emergência imediata:

  • Respiração piorando, pausas, lábios arroxeados.
  • Rebaixamento de consciência, dificuldade para despertar, desmaio.
  • Convulsão.
  • Sangramento importante ou sinais de choque (palidez intensa, suor frio, fraqueza extrema).

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao observar uma criança com possível sinal de gravidade, qual conduta está mais alinhada com a ideia de que não é seguro “observar em casa” quando há risco de piora rápida?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Sinais de alerta indicam risco de piora rápida e comprometimento de funções vitais, portanto não é seguro apenas observar em casa. Deve-se procurar atendimento imediato e monitorar sinais-chave, registrando tempo, frequência e intensidade para informar à equipe.

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