O que são simulados e por que eles mudam seu desempenho
Simulado é um treino que reproduz, o mais fielmente possível, as condições reais da prova: tempo total, quantidade de questões, ordem das disciplinas, ambiente, pausas e regras. Ele serve para medir desempenho sob pressão, identificar gargalos de tempo e ajustar decisões durante a prova (quando acelerar, quando segurar, quando pular e quando voltar).
Em concursos da Polícia Militar, o simulado é especialmente útil porque a prova costuma exigir constância: muitas questões, leitura rápida, alternância de matérias e manutenção do foco por um período longo. O objetivo não é “acertar tudo no simulado”, e sim transformar o dia da prova em algo familiar.
Tipos de simulado (e quando usar)
- Simulado completo: replica a prova inteira. Use para treinar resistência, estratégia de tempo e controle emocional.
- Simulado por blocos: 30 a 60 minutos com um conjunto de matérias. Use para treinar ritmo e transições entre conteúdos.
- Simulado de velocidade: tempo reduzido (ex.: 80% do tempo real) para treinar agilidade e tomada de decisão.
- Simulado de precisão: tempo folgado, foco em reduzir erros por desatenção e melhorar consistência.
Como montar um simulado que realmente serve para a prova
Checklist de fidelidade (o que copiar do dia da prova)
- Tempo cronometrado do início ao fim, com controle de pausas.
- Ambiente sem interrupções (celular fora do alcance, notificações desligadas).
- Materiais semelhantes aos permitidos (caneta, água, lanche, relógio simples).
- Ordem das matérias parecida com a do edital/provas anteriores.
- Marcação do gabarito como na prova (treinar o ato de passar para o cartão/resposta).
Passo a passo prático: execução do simulado completo
1) Preparação (10–15 min antes)
- Defina o tempo total e anote o horário de início e término.
- Separe água e um lanche simples.
- Deixe um papel para “anotações de prova” (tempo por bloco, dúvidas, questões para revisar).
2) Primeira varredura (fase de ritmo)
- Comece com postura de prova: sem pausas longas e sem consultas.
- Adote uma regra de decisão rápida: se a questão não andar em pouco tempo, marque para voltar e siga.
3) Segunda varredura (fase de recuperação)
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- Volte nas questões marcadas, agora com mais calma.
- Priorize as que exigem menos tempo para destravar (as “quase certas”).
4) Gabarito e revisão final (fase de segurança)
- Reserve um tempo final para conferir marcações, numeração e questões com risco de erro bobo.
- Evite “caçar erro” em questões que você tem alta certeza: revise apenas o necessário.
5) Pós-simulado imediato (5–10 min)
- Anote: onde travou, onde acelerou demais, e em quais momentos a ansiedade subiu.
- Registre o tempo real gasto por bloco e o número de questões puladas.
Gestão do tempo: transformar minutos em pontos
Gestão do tempo em prova é decidir onde investir esforço para maximizar acertos. Não é fazer tudo rápido; é fazer o que dá mais retorno dentro do tempo disponível. O erro comum é “pagar caro” em uma questão difícil e perder várias fáceis depois.
Três métricas simples para controlar durante a prova
- Ritmo: questões por minuto (ou minutos por questão) que você consegue manter sem cair a precisão.
- Taxa de travamento: quantas vezes você fica “preso” e perde tempo sem avançar.
- Tempo de gabarito: quanto você precisa para passar respostas com segurança.
Passo a passo prático: planejamento de tempo por blocos
1) Descubra seu ritmo base
- Em um simulado, calcule: tempo total ÷ número de questões = média por questão.
- Identifique matérias em que você é mais lento e mais rápido.
2) Defina blocos com “teto de tempo”
- Separe a prova em 2 a 4 blocos (por matéria ou por sequência no caderno).
- Para cada bloco, defina um teto: “até X minutos eu avanço, mesmo que sobrem dúvidas”.
3) Use pontos de checagem
- Crie 2 ou 3 checagens no relógio: “até tal horário, preciso estar na questão Y”.
- Se estiver atrasado, aplique uma regra: pular mais rápido e reduzir o tempo de insistência.
4) Reserve tempo fixo para o gabarito
- Trate o gabarito como parte da prova, não como “resto de tempo”.
- Se você costuma errar na transcrição, aumente a reserva e faça em etapas (ex.: a cada 20 questões).
Regras de decisão (para não afundar em uma questão)
- Regra do progresso: se você não avançou (não montou caminho, não eliminou alternativas, não identificou o núcleo do enunciado), pare e pule.
- Regra do retorno: volte primeiro nas questões em que você já tem 50–70% do caminho feito.
- Regra do risco: se duas alternativas parecem muito próximas e você não tem critério objetivo, marque para revisar no fim.
Controle emocional: manter clareza sob pressão
Controle emocional em prova não é “não sentir ansiedade”; é conseguir executar apesar dela. A ansiedade tende a aparecer em três momentos: início (adaptação), meio (cansaço e comparação com o tempo) e final (medo de errar e pressa). O treino com simulados cria previsibilidade e reduz o impacto dessas ondas.
Sinais de descontrole emocional que derrubam pontos
- Leitura repetida do enunciado sem absorver.
- Pressa súbita e marcação impulsiva.
- Rigidez: insistir em uma questão para “não perder para ela”.
- Catastrofização: “se eu errar essa, acabou”.
Passo a passo prático: protocolo de 60–90 segundos para recuperar o foco
1) Pausa curta e consciente
- Tire os olhos da prova por alguns segundos e relaxe ombros e mandíbula.
2) Respiração com contagem
- Inspire pelo nariz contando 4, segure 2, solte contando 6. Repita 3 vezes.
3) Comando objetivo
- Diga mentalmente uma instrução simples: “próxima questão, um passo por vez”.
4) Retorno com tarefa pequena
- Volte por uma questão mais direta para recuperar ritmo e confiança.
Como lidar com “branco” e queda de desempenho
- Troque de alvo: pule a questão que travou e faça 2 ou 3 mais acessíveis para destravar o cérebro.
- Reduza a exigência: em vez de buscar a resposta completa, busque eliminar alternativas.
- Releitura estratégica: releia apenas o comando final e palavras-chave (o que pede, o que proíbe, condições).
Erros comuns em simulados (e como corrigir)
1) Fazer simulado “com interrupções”
Interromper para checar celular, levantar várias vezes ou pausar o cronômetro cria uma falsa sensação de desempenho. O ajuste é simples: simulado é evento fechado, com início e fim definidos.
2) Corrigir e seguir sem extrair dados
O valor do simulado está no diagnóstico. Após corrigir, registre pelo menos três coisas: quais matérias consumiram mais tempo, quais erros foram por desatenção e quais questões você pulou (e por quê).
3) Mudar estratégia a cada simulado
Trocar método toda semana impede comparar evolução. Mantenha uma estratégia por 2 a 3 simulados e ajuste apenas um elemento por vez (por exemplo: tempo de insistência, ordem de blocos, forma de gabaritar).
Modelo de registro pós-simulado (para evoluir rápido)
Use um registro curto e repetível. Exemplo de campos:
Data: __/__/____ Tipo: (completo/blocos/velocidade/precisão) Tempo total: __:__h Nota/Acertos: __/__/__ Ritmo médio: __ min/questão Questões puladas: __ Tempo de gabarito: __ min Erros por desatenção: __ Momentos de ansiedade: (início/meio/fim) Principal ajuste para o próximo simulado: ____________________Simulado como treino de prova: rotinas que aumentam consistência
Rotina de abertura (primeiros 5 minutos)
- Confirme tempo total e planeje 2 pontos de checagem no relógio.
- Faça uma varredura rápida do caderno para reconhecer a estrutura (sem resolver).
- Comece por onde você entra em ritmo mais rápido, sem “gastar energia” logo de cara.
Rotina de meio de prova (quando o cansaço aparece)
- Faça microajustes: postura, respiração e hidratação rápida.
- Se o ritmo cair, aplique a regra do progresso e pule mais cedo.
Rotina de fechamento (últimos 15–20 minutos)
- Priorize: (1) gabarito correto, (2) questões marcadas para revisão, (3) checagem de numeração.
- Evite reabrir questões já decididas com alta confiança, a menos que encontre um erro objetivo.