O que é SEO editorial (e o que ele não é)
SEO editorial é o conjunto de decisões de pauta, apuração e escrita que ajuda um conteúdo jornalístico a ser encontrado por pessoas em mecanismos de busca, sem distorcer fatos, sem prometer o que não entrega e sem perder contexto. Na prática, ele conecta três coisas: como o público formula dúvidas, como o conteúdo responde e como a página sinaliza esse conteúdo (título, URL, descrição, subtítulos, links, dados estruturados quando houver).
SEO editorial não é “encher o texto de palavras-chave”, nem escolher ângulos só porque “dão tráfego”. É tornar o conteúdo compreensível e recuperável para quem busca e para o sistema que indexa.
Como pessoas buscam notícias e explicadores
Em jornalismo, a busca costuma aparecer em três padrões:
- Busca por atualização: “o que aconteceu”, “últimas”, “agora”, “ao vivo”, “confirmado”.
- Busca por entendimento: “o que é”, “por que”, “como funciona”, “entenda”, “impacto”, “consequências”.
- Busca por serviço: “como fazer”, “passo a passo”, “prazo”, “documentos”, “quem tem direito”, “valor”, “calendário”.
O SEO editorial começa ao reconhecer qual desses padrões a sua pauta atende e como isso muda a estrutura do texto e a linguagem.
Breaking news vs evergreen: diferença de queries e impacto no texto
Queries de breaking news (curto prazo, alta volatilidade)
Em breaking news, as buscas tendem a ser curtas, com nomes próprios e termos do momento:
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- “[nome] preso”
- “[cidade] enchente hoje”
- “queda de avião [local]”
- “resultado [time]”
Implicações editoriais e de estrutura:
- Atualização contínua: a página precisa refletir o estado mais recente (horário, o que mudou, o que foi confirmado).
- Contexto mínimo, mas suficiente: inserir 1–2 parágrafos de “o que se sabe / o que falta apurar” e um bloco curto de antecedentes.
- Entidades claras: nomes, cargos, locais, órgãos, datas e números devem aparecer cedo e de forma consistente.
- Evitar termos vagos: “polêmica”, “bomba”, “chocante” não ajudam a busca e prejudicam precisão.
Queries evergreen (médio/longo prazo, intenção de aprender)
Em evergreen, as buscas são mais descritivas e orientadas a explicação/serviço:
- “o que é [termo]”
- “como funciona [política pública]”
- “quem tem direito a [benefício]”
- “diferença entre [A] e [B]”
Implicações editoriais e de estrutura:
- Definição rápida: responder a pergunta central logo no início, com linguagem direta.
- Organização por subtópicos: usar subtítulos que correspondam a dúvidas comuns (requisitos, prazos, etapas, exceções).
- Exemplos e cenários: ajudam a cobrir sinônimos e variações de busca sem forçar palavras-chave.
- Manutenção: indicar datas e condições (“válido até…”, “regra atual”) e revisar quando houver mudanças.
Pesquisa básica de palavras-chave (sem ferramentas complexas)
Pesquisa de palavras-chave, no contexto editorial, é identificar como o público nomeia o assunto e quais dúvidas aparecem com mais frequência. Você pode fazer isso com métodos simples e rápidos.
Passo a passo prático
Defina a pergunta editorial principal (1 frase). Ex.: “Como funciona a nova regra de isenção do imposto X?”
Liste termos obrigatórios (entidades e conceitos que não podem faltar). Ex.: nome oficial da lei, órgão responsável, público afetado, data de vigência.
Levante variações de linguagem (como o público fala). Ex.: “isenção”, “não pagar”, “dispensa”, “desconto”, “alíquota zero”.
Mapeie dúvidas recorrentes (formato pergunta). Ex.: “quem tem direito?”, “qual o prazo?”, “como solicitar?”, “quais documentos?”
Cheque a SERP manualmente (página de resultados): pesquise 3–5 variações e observe:
- quais termos aparecem nos títulos e snippets;
- se os resultados são notícia, explicador, serviço ou opinião (isso revela a intenção);
- se há blocos de “as pessoas também perguntam” (fontes de subtítulos).
Escolha 1 termo principal e 3–6 termos de apoio. O termo principal deve ser o mais fiel ao conteúdo e ao jeito comum de buscar; os de apoio cobrem sinônimos, siglas, nomes oficiais e perguntas.
Exemplo de mapeamento rápido
| Elemento | Exemplo (tema hipotético) |
|---|---|
| Termo principal | “isenção imposto X” |
| Sinônimos / variações | “não pagar imposto X”, “dispensa imposto X”, “alíquota zero imposto X” |
| Nome oficial | “Lei nº YYYY/20ZZ”, “Instrução Normativa …” |
| Entidades | “Receita”, “Ministério …”, “contribuinte”, “declaração” |
| Perguntas | “quem tem direito”, “como solicitar”, “prazo”, “documentos” |
Inserção natural de termos ao longo do texto (sem “keyword stuffing”)
O objetivo não é repetir, e sim cobrir o vocabulário do leitor com precisão. Uma boa regra: se você consegue ler em voz alta e o texto soa jornalístico, a inserção está natural.
Onde os termos entram com mais força
- Primeiro parágrafo: inclua o termo principal e as entidades centrais (quem, o quê, onde, quando).
- Subtítulos: transforme dúvidas em subtítulos (isso captura buscas em formato pergunta).
- Primeiras frases de cada seção: retome o assunto com variação (sinônimo, sigla, nome oficial).
- Legendas e alt text (quando houver imagem informativa): descreva o que a imagem mostra, sem exagero.
- Links internos: use âncoras descritivas (“entenda a regra”, “veja o calendário”), evitando “clique aqui”.
Técnica prática: “termo + explicação + consequência”
Para evitar repetição mecânica, use um ciclo de redação que naturalmente amplia o campo semântico:
- Termo: “A isenção do imposto X…”
- Explicação: “…é a regra que dispensa o pagamento em situações Y…”
- Consequência: “…o que muda o valor final para Z e exige o documento W.”
Assim, você cobre “isenção”, “dispensa”, “não pagar”, “valor”, “documento” sem forçar.
Checklist de naturalidade
- O termo aparece porque é necessário para entender, não para “ranquear”.
- Sinônimos são usados quando há diferença de nuance ou para refletir linguagem do público.
- Siglas vêm com a forma por extenso na primeira menção.
- Nomes oficiais entram quando ajudam a checagem (lei, órgão, portaria), sem transformar o texto em burocratês.
Elementos on-page alinhados ao conteúdo (URL, meta description e sinais de página)
URL: curta, descritiva e estável
A URL deve ajudar a identificar o assunto e permanecer válida mesmo com atualizações. Evite datas e detalhes que mudam, a menos que a estratégia editorial exija versões por dia.
Boas práticas:
- Use palavras simples, separadas por hífen.
- Evite stopwords em excesso (“de”, “a”, “o”) quando não forem necessárias.
- Inclua o termo principal ou a entidade central.
- Não prometa algo que o texto não entrega.
Bom: /economia/isencao-imposto-x-quem-tem-direito-como-solicitar/Evitar: /economia/entenda-agora-tudo-sobre-a-super-nova-regra-que-mudou-tudo/Meta description: resumo fiel que antecipa a resposta
A meta description não “faz milagre” sozinha, mas influencia a decisão do clique ao mostrar clareza e aderência à intenção. Ela deve resumir o conteúdo com precisão, incluindo 1–2 termos relevantes de forma natural.
Modelo prático (150–160 caracteres, quando possível):
[O que aconteceu / o que é] + [para quem] + [principal consequência] + [o que o texto explica]Exemplo (tema hipotético):
Entenda como funciona a isenção do imposto X, quem tem direito, quais documentos são exigidos e quando a regra passa a valer.Subtítulos e perguntas: cobertura de intenção
Em explicadores e serviço, subtítulos em forma de pergunta costumam alinhar bem com buscas:
- “Quem tem direito à isenção do imposto X?”
- “Como solicitar?”
- “Quais documentos são necessários?”
- “Quando começa a valer?”
Em breaking news, subtítulos podem organizar atualizações:
- “O que aconteceu”
- “O que se sabe até agora”
- “O que falta esclarecer”
- “Repercussão e próximos passos”
Links internos e externos: contexto e rastreabilidade
- Internos: conecte a conteúdos de contexto (perfis, linhas do tempo, explicadores) para aumentar compreensão e reduzir ambiguidades.
- Externos: aponte para documentos e fontes primárias quando relevante (leis, notas oficiais, bases públicas). Isso reforça confiança e facilita checagem pelo leitor.
Dados e entidades: consistência editorial que ajuda SEO
Mecanismos de busca “entendem” melhor páginas com entidades claras e consistentes. Isso é compatível com rigor jornalístico:
- Escreva nomes completos na primeira menção (pessoa, órgão, programa).
- Padronize grafias (não alternar “Ministério da Saúde” e “Ministério da Saude”).
- Use datas e números com contexto (o que representam, período, base de comparação).
Fluxo rápido: aplicar SEO editorial na pauta e no texto
Passo a passo prático (checklist de produção)
Antes de apurar: defina a intenção (atualização, entendimento, serviço) e escreva a pergunta central.
Durante a apuração: colete termos usados por fontes e público (sinônimos, siglas, nomes oficiais) e anote dúvidas recorrentes.
Antes de escrever: escolha termo principal + termos de apoio; desenhe 4–7 subtítulos que respondam às perguntas mais buscadas.
Ao escrever: inclua o termo principal cedo; distribua variações ao longo das seções; mantenha entidades consistentes.
Ao publicar: revise URL e meta description para refletirem exatamente o conteúdo; confira se subtítulos cobrem intenção e se links dão contexto.
Após publicar: em breaking news, atualize com carimbo de horário e mudanças claras; em evergreen, revise quando regras/dados mudarem.
Erros comuns (e como evitar)
- Prometer no snippet o que o texto não responde: alinhe meta description e abertura à entrega real.
- Trocar termos ao acaso: variação é boa, mas mantenha um núcleo consistente (termo principal + entidade).
- Omitir o nome “popular” do tema: inclua o jeito comum de buscar, mesmo que o nome oficial exista (com a devida precisão).
- Atualizar breaking news sem transparência: registre o que mudou e quando, para não confundir leitor e indexação.