SEO editorial no Jornalismo Digital: fundamentos aplicados à pauta e ao texto

Capítulo 4

Tempo estimado de leitura: 9 minutos

+ Exercício

O que é SEO editorial (e o que ele não é)

SEO editorial é o conjunto de decisões de pauta, apuração e escrita que ajuda um conteúdo jornalístico a ser encontrado por pessoas em mecanismos de busca, sem distorcer fatos, sem prometer o que não entrega e sem perder contexto. Na prática, ele conecta três coisas: como o público formula dúvidas, como o conteúdo responde e como a página sinaliza esse conteúdo (título, URL, descrição, subtítulos, links, dados estruturados quando houver).

SEO editorial não é “encher o texto de palavras-chave”, nem escolher ângulos só porque “dão tráfego”. É tornar o conteúdo compreensível e recuperável para quem busca e para o sistema que indexa.

Como pessoas buscam notícias e explicadores

Em jornalismo, a busca costuma aparecer em três padrões:

  • Busca por atualização: “o que aconteceu”, “últimas”, “agora”, “ao vivo”, “confirmado”.
  • Busca por entendimento: “o que é”, “por que”, “como funciona”, “entenda”, “impacto”, “consequências”.
  • Busca por serviço: “como fazer”, “passo a passo”, “prazo”, “documentos”, “quem tem direito”, “valor”, “calendário”.

O SEO editorial começa ao reconhecer qual desses padrões a sua pauta atende e como isso muda a estrutura do texto e a linguagem.

Breaking news vs evergreen: diferença de queries e impacto no texto

Queries de breaking news (curto prazo, alta volatilidade)

Em breaking news, as buscas tendem a ser curtas, com nomes próprios e termos do momento:

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  • [nome] preso”
  • [cidade] enchente hoje”
  • “queda de avião [local]
  • “resultado [time]

Implicações editoriais e de estrutura:

  • Atualização contínua: a página precisa refletir o estado mais recente (horário, o que mudou, o que foi confirmado).
  • Contexto mínimo, mas suficiente: inserir 1–2 parágrafos de “o que se sabe / o que falta apurar” e um bloco curto de antecedentes.
  • Entidades claras: nomes, cargos, locais, órgãos, datas e números devem aparecer cedo e de forma consistente.
  • Evitar termos vagos: “polêmica”, “bomba”, “chocante” não ajudam a busca e prejudicam precisão.

Queries evergreen (médio/longo prazo, intenção de aprender)

Em evergreen, as buscas são mais descritivas e orientadas a explicação/serviço:

  • “o que é [termo]
  • “como funciona [política pública]
  • “quem tem direito a [benefício]
  • “diferença entre [A] e [B]

Implicações editoriais e de estrutura:

  • Definição rápida: responder a pergunta central logo no início, com linguagem direta.
  • Organização por subtópicos: usar subtítulos que correspondam a dúvidas comuns (requisitos, prazos, etapas, exceções).
  • Exemplos e cenários: ajudam a cobrir sinônimos e variações de busca sem forçar palavras-chave.
  • Manutenção: indicar datas e condições (“válido até…”, “regra atual”) e revisar quando houver mudanças.

Pesquisa básica de palavras-chave (sem ferramentas complexas)

Pesquisa de palavras-chave, no contexto editorial, é identificar como o público nomeia o assunto e quais dúvidas aparecem com mais frequência. Você pode fazer isso com métodos simples e rápidos.

Passo a passo prático

  1. Defina a pergunta editorial principal (1 frase). Ex.: “Como funciona a nova regra de isenção do imposto X?”

  2. Liste termos obrigatórios (entidades e conceitos que não podem faltar). Ex.: nome oficial da lei, órgão responsável, público afetado, data de vigência.

  3. Levante variações de linguagem (como o público fala). Ex.: “isenção”, “não pagar”, “dispensa”, “desconto”, “alíquota zero”.

  4. Mapeie dúvidas recorrentes (formato pergunta). Ex.: “quem tem direito?”, “qual o prazo?”, “como solicitar?”, “quais documentos?”

  5. Cheque a SERP manualmente (página de resultados): pesquise 3–5 variações e observe:

    • quais termos aparecem nos títulos e snippets;
    • se os resultados são notícia, explicador, serviço ou opinião (isso revela a intenção);
    • se há blocos de “as pessoas também perguntam” (fontes de subtítulos).
  6. Escolha 1 termo principal e 3–6 termos de apoio. O termo principal deve ser o mais fiel ao conteúdo e ao jeito comum de buscar; os de apoio cobrem sinônimos, siglas, nomes oficiais e perguntas.

Exemplo de mapeamento rápido

ElementoExemplo (tema hipotético)
Termo principal“isenção imposto X”
Sinônimos / variações“não pagar imposto X”, “dispensa imposto X”, “alíquota zero imposto X”
Nome oficial“Lei nº YYYY/20ZZ”, “Instrução Normativa …”
Entidades“Receita”, “Ministério …”, “contribuinte”, “declaração”
Perguntas“quem tem direito”, “como solicitar”, “prazo”, “documentos”

Inserção natural de termos ao longo do texto (sem “keyword stuffing”)

O objetivo não é repetir, e sim cobrir o vocabulário do leitor com precisão. Uma boa regra: se você consegue ler em voz alta e o texto soa jornalístico, a inserção está natural.

Onde os termos entram com mais força

  • Primeiro parágrafo: inclua o termo principal e as entidades centrais (quem, o quê, onde, quando).
  • Subtítulos: transforme dúvidas em subtítulos (isso captura buscas em formato pergunta).
  • Primeiras frases de cada seção: retome o assunto com variação (sinônimo, sigla, nome oficial).
  • Legendas e alt text (quando houver imagem informativa): descreva o que a imagem mostra, sem exagero.
  • Links internos: use âncoras descritivas (“entenda a regra”, “veja o calendário”), evitando “clique aqui”.

Técnica prática: “termo + explicação + consequência”

Para evitar repetição mecânica, use um ciclo de redação que naturalmente amplia o campo semântico:

  • Termo: “A isenção do imposto X…”
  • Explicação: “…é a regra que dispensa o pagamento em situações Y…”
  • Consequência: “…o que muda o valor final para Z e exige o documento W.”

Assim, você cobre “isenção”, “dispensa”, “não pagar”, “valor”, “documento” sem forçar.

Checklist de naturalidade

  • O termo aparece porque é necessário para entender, não para “ranquear”.
  • Sinônimos são usados quando há diferença de nuance ou para refletir linguagem do público.
  • Siglas vêm com a forma por extenso na primeira menção.
  • Nomes oficiais entram quando ajudam a checagem (lei, órgão, portaria), sem transformar o texto em burocratês.

Elementos on-page alinhados ao conteúdo (URL, meta description e sinais de página)

URL: curta, descritiva e estável

A URL deve ajudar a identificar o assunto e permanecer válida mesmo com atualizações. Evite datas e detalhes que mudam, a menos que a estratégia editorial exija versões por dia.

Boas práticas:

  • Use palavras simples, separadas por hífen.
  • Evite stopwords em excesso (“de”, “a”, “o”) quando não forem necessárias.
  • Inclua o termo principal ou a entidade central.
  • Não prometa algo que o texto não entrega.
Bom: /economia/isencao-imposto-x-quem-tem-direito-como-solicitar/
Evitar: /economia/entenda-agora-tudo-sobre-a-super-nova-regra-que-mudou-tudo/

Meta description: resumo fiel que antecipa a resposta

A meta description não “faz milagre” sozinha, mas influencia a decisão do clique ao mostrar clareza e aderência à intenção. Ela deve resumir o conteúdo com precisão, incluindo 1–2 termos relevantes de forma natural.

Modelo prático (150–160 caracteres, quando possível):

[O que aconteceu / o que é] + [para quem] + [principal consequência] + [o que o texto explica]

Exemplo (tema hipotético):

Entenda como funciona a isenção do imposto X, quem tem direito, quais documentos são exigidos e quando a regra passa a valer.

Subtítulos e perguntas: cobertura de intenção

Em explicadores e serviço, subtítulos em forma de pergunta costumam alinhar bem com buscas:

  • “Quem tem direito à isenção do imposto X?”
  • “Como solicitar?”
  • “Quais documentos são necessários?”
  • “Quando começa a valer?”

Em breaking news, subtítulos podem organizar atualizações:

  • “O que aconteceu”
  • “O que se sabe até agora”
  • “O que falta esclarecer”
  • “Repercussão e próximos passos”

Links internos e externos: contexto e rastreabilidade

  • Internos: conecte a conteúdos de contexto (perfis, linhas do tempo, explicadores) para aumentar compreensão e reduzir ambiguidades.
  • Externos: aponte para documentos e fontes primárias quando relevante (leis, notas oficiais, bases públicas). Isso reforça confiança e facilita checagem pelo leitor.

Dados e entidades: consistência editorial que ajuda SEO

Mecanismos de busca “entendem” melhor páginas com entidades claras e consistentes. Isso é compatível com rigor jornalístico:

  • Escreva nomes completos na primeira menção (pessoa, órgão, programa).
  • Padronize grafias (não alternar “Ministério da Saúde” e “Ministério da Saude”).
  • Use datas e números com contexto (o que representam, período, base de comparação).

Fluxo rápido: aplicar SEO editorial na pauta e no texto

Passo a passo prático (checklist de produção)

  1. Antes de apurar: defina a intenção (atualização, entendimento, serviço) e escreva a pergunta central.

  2. Durante a apuração: colete termos usados por fontes e público (sinônimos, siglas, nomes oficiais) e anote dúvidas recorrentes.

  3. Antes de escrever: escolha termo principal + termos de apoio; desenhe 4–7 subtítulos que respondam às perguntas mais buscadas.

  4. Ao escrever: inclua o termo principal cedo; distribua variações ao longo das seções; mantenha entidades consistentes.

  5. Ao publicar: revise URL e meta description para refletirem exatamente o conteúdo; confira se subtítulos cobrem intenção e se links dão contexto.

  6. Após publicar: em breaking news, atualize com carimbo de horário e mudanças claras; em evergreen, revise quando regras/dados mudarem.

Erros comuns (e como evitar)

  • Prometer no snippet o que o texto não responde: alinhe meta description e abertura à entrega real.
  • Trocar termos ao acaso: variação é boa, mas mantenha um núcleo consistente (termo principal + entidade).
  • Omitir o nome “popular” do tema: inclua o jeito comum de buscar, mesmo que o nome oficial exista (com a devida precisão).
  • Atualizar breaking news sem transparência: registre o que mudou e quando, para não confundir leitor e indexação.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao planejar um conteúdo evergreen com foco em SEO editorial, qual estrutura tende a atender melhor a intenção de busca do público?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Em evergreen, a busca é mais descritiva e voltada a aprender/serviço. Por isso, a boa prática é definir rapidamente o assunto, estruturar por subtópicos em forma de dúvidas e manter o conteúdo atualizado quando houver mudanças.

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Arquitetura de matéria no Jornalismo Digital: links, contexto e navegação

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