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22 páginas

Segurança no Trabalho, Saúde Ocupacional e Gestão do Estresse

Capítulo 20

Tempo estimado de leitura: 10 minutos

+ Exercício

Segurança no Trabalho, Saúde Ocupacional e Gestão do Estresse

Na rotina da Guarda Municipal, segurança no trabalho e saúde ocupacional são práticas e medidas para reduzir riscos, prevenir acidentes e manter a aptidão física e mental do servidor. Gestão do estresse é o conjunto de estratégias para reconhecer sinais de sobrecarga e agir antes que o desempenho, a saúde e a tomada de decisão sejam comprometidos.

Conceitos essenciais aplicados ao serviço

Segurança no trabalho é a prevenção de acidentes e incidentes por meio de procedimentos, uso correto de equipamentos, organização do ambiente e comportamento seguro. Na prática, envolve desde a checagem de viatura e equipamentos até a forma de se posicionar em patrulhamento e em atendimentos.

Saúde ocupacional é a proteção e promoção da saúde do trabalhador considerando os riscos do cargo (físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e psicossociais). Inclui acompanhamento médico, vacinação quando indicada, prevenção de lesões por esforço, higiene do sono e hábitos que sustentem a capacidade operacional.

Gestão do estresse é identificar gatilhos (turnos, conflitos, exposição a violência, pressão por resultados), reconhecer sintomas (irritabilidade, insônia, lapsos de atenção, hipervigilância, uso aumentado de álcool/cafeína) e aplicar técnicas de regulação e recuperação.

Principais riscos ocupacionais na Guarda Municipal

  • Físicos: ruído, calor/frio, chuva, vibração (viatura), baixa iluminação, risco de quedas em terreno irregular.
  • Biológicos: contato com sangue e fluidos, perfurocortantes, ambientes insalubres, manejo de pessoas feridas.
  • Ergonômicos: longos períodos em pé ou sentado, colete e cinturão com carga, postura em condução de viatura, digitação e registros repetitivos.
  • Acidentais: colisões, atropelamentos, cortes, queimaduras, choque elétrico em áreas de risco, mordidas de animais.
  • Psicossociais: turnos noturnos, pressão, conflitos interpessoais, exposição a eventos críticos, assédio, fadiga.

Rotina de prevenção: passo a passo antes, durante e após o serviço

1) Antes do serviço: checklist de prontidão e segurança

Objetivo: reduzir falhas por pressa, esquecimento ou equipamento inadequado.

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  • Condição física e mental: avalie rapidamente sono (quantas horas), alimentação, hidratação e nível de irritação/ansiedade. Se houver sinais fortes de indisposição (tontura, febre, dor intensa, sonolência incapacitante), comunique a chefia conforme rotina interna.
  • Uniforme e EPI: verifique ajuste do colete, integridade de costuras/fechos, calçado em boas condições, luvas (quando aplicável), óculos de proteção para situações específicas, máscara em ambientes com poeira/odores fortes ou risco biológico.
  • Equipamentos de serviço: teste rádio e bateria, lanterna, algemas e chave, itens de sinalização, kit de primeiros socorros (quando disponível), e demais equipamentos previstos na escala.
  • Viatura (se aplicável): checar pneus, luzes, sirene, combustível, freios (teste leve), limpeza do para-brisa, presença de triângulo e itens obrigatórios. Ajuste banco e retrovisores para postura segura.
  • Planejamento rápido: revise área de patrulhamento, pontos críticos, rotas alternativas e locais de apoio (base, unidades de saúde, delegacia).

2) Durante o serviço: comportamento seguro e prevenção de incidentes

Objetivo: manter atenção situacional sem entrar em exaustão.

  • Postura e ergonomia: alterne apoio de pernas quando em pé; em viatura, mantenha coluna apoiada, ombros relaxados e mãos em posição confortável. Ajuste o cinturão para distribuir peso e evitar compressão.
  • Hidratação e pausas: use micro-pausas (1 a 2 minutos) para alongar panturrilhas, lombar e ombros quando a rotina permitir. Pequenas pausas reduzem erros por fadiga.
  • Comunicação operacional: confirme informações críticas (endereço, características, riscos) e repita dados essenciais para evitar ruídos. Em situações tensas, fale curto e objetivo.
  • Segurança viária: mantenha distância de segurança, evite acelerações bruscas desnecessárias e redobre atenção em cruzamentos. A pressa é um fator recorrente de colisões.
  • Risco biológico: use luvas em contato com sangue/fluidos; evite tocar rosto; higienize mãos assim que possível. Se houver perfuração/corte, lave imediatamente e siga o protocolo interno de notificação e atendimento.

3) Após o serviço: recuperação e redução de desgaste

Objetivo: evitar acúmulo de estresse e lesões ao longo das semanas.

  • Descompressão curta: 5 a 10 minutos de respiração lenta e alongamento leve antes de ir para casa pode reduzir a “ativação” do corpo.
  • Higiene do sono: em escalas noturnas, priorize ambiente escuro e silencioso; evite telas e cafeína no período próximo ao sono.
  • Registro e lições aprendidas: anote mentalmente (ou em local apropriado) pontos de melhoria: equipamento que falhou, dor recorrente por postura, situação que gerou estresse intenso. Isso orienta ajustes na próxima escala.

Gestão do estresse: reconhecer sinais e agir cedo

Estresse não é apenas “nervosismo”; é uma resposta do organismo a demandas percebidas como altas. Em serviço, um nível moderado pode aumentar foco, mas excesso reduz memória de trabalho, aumenta impulsividade e piora a tomada de decisão.

Sinais de alerta (checklist rápido)

  • Cognitivos: esquecimento, dificuldade de concentração, confusão em tarefas simples, ruminação.
  • Emocionais: irritabilidade, explosões, apatia, sensação de ameaça constante.
  • Físicos: dor de cabeça, tensão muscular, taquicardia, desconforto gastrointestinal, fadiga persistente.
  • Comportamentais: isolamento, aumento de consumo de álcool/cigarro, conflitos frequentes, direção agressiva.

Técnicas práticas de autorregulação (passo a passo)

1) Respiração tática (1 a 3 minutos)

Quando usar: antes de uma ação que exige calma, após um pico de adrenalina, ou ao perceber tremor/taquicardia.

  • Inspire pelo nariz por 4 segundos.
  • Segure por 2 segundos.
  • Expire lentamente por 6 segundos.
  • Repita por 6 a 10 ciclos, mantendo ombros relaxados.

2) “Pausa de decisão” em situações de pressão (10 a 20 segundos)

Objetivo: reduzir impulsividade e evitar erros por pressa.

  • Identifique o que está acontecendo em uma frase curta: “Há risco de X”.
  • Defina a prioridade imediata: “Segurança da equipe e do público”.
  • Escolha a próxima ação simples e verificável: “Reposicionar, comunicar, aguardar apoio”.

3) Descompressão pós-evento (5 minutos)

Quando usar: após ocorrência crítica, discussão intensa ou atendimento com forte carga emocional.

  • Afaste-se para local seguro e autorizado.
  • Respire lentamente e solte a musculatura (mandíbula, ombros, mãos).
  • Hidrate-se.
  • Faça um “check corporal”: onde há tensão? alongue de forma leve.
  • Se necessário, comunique ao superior a necessidade de breve recomposição.

Fadiga e trabalho em turnos: como reduzir riscos

Fadiga aumenta tempo de reação e reduz atenção, elevando risco de acidentes, especialmente em condução de viatura e em decisões rápidas.

  • Antes do turno: se possível, cochilo de 20 a 30 minutos (evite mais que isso para não acordar “pesado”).
  • Durante: hidratação regular e alimentação leve (evite excesso de açúcar, que pode causar queda de energia).
  • Cafeína com estratégia: use em doses moderadas e evite nas horas finais antes do sono.
  • Após turno noturno: óculos escuros no trajeto (reduz estímulo de luz), banho morno e ambiente escuro para dormir.

Ergonomia aplicada: colete, cinturão e postura

O conjunto colete + cinturão pode gerar sobrecarga em lombar, quadril e ombros. Pequenos ajustes reduzem dor e afastamentos.

  • Ajuste do cinturão: distribua itens mais pesados de forma equilibrada; evite concentrar peso de um lado.
  • Altura e firmeza: cinturão muito baixo aumenta tração lombar; muito apertado comprime e limita respiração.
  • Em viatura: aproxime o banco dos pedais para evitar esticar demais as pernas; mantenha joelhos levemente flexionados.
  • Alongamentos úteis (30 a 60 segundos cada): peitoral na parede, rotação torácica leve, alongamento de flexores do quadril, panturrilhas.

Prevenção de exposição a risco biológico: condutas básicas

Em atendimentos com feridos, objetos cortantes ou locais com sujeira orgânica, a prevenção depende de barreiras e de não improvisar.

  • Barreiras: luvas descartáveis quando houver possibilidade de contato com fluidos; proteção ocular em risco de respingos.
  • Perfurocortantes: nunca reencapar agulhas; não “tatear” bolsas/bolsos sem visibilidade; use iluminação e técnica segura.
  • Higienização: lavar mãos com água e sabão quando possível; álcool 70% quando não houver pia.
  • Exposição acidental: lavar o local, comunicar imediatamente e seguir o fluxo de atendimento e registro do órgão.

Saúde mental no serviço: fatores de proteção e quando buscar apoio

Fatores de proteção incluem rotina de sono minimamente estável, atividade física regular, alimentação adequada, rede de apoio e capacidade de falar sobre eventos críticos com pessoas de confiança ou suporte institucional.

Procure apoio profissional e institucional quando houver sintomas persistentes por semanas, como insônia contínua, crises de ansiedade, irritabilidade intensa, pensamentos intrusivos sobre ocorrências, abuso de substâncias, ou queda importante de desempenho. Buscar suporte é medida de segurança operacional, não fraqueza.

Exemplos práticos de aplicação no dia a dia

Exemplo 1 (viatura): ao iniciar o turno, o condutor ajusta banco e retrovisores, testa rádio e luzes, e combina com o patrulheiro sinais curtos de comunicação. Resultado: menos distração e menor risco de colisão por falha de coordenação.

Exemplo 2 (ocorrência com ferido): antes de aproximar, o agente coloca luvas, avalia o ambiente e evita contato direto com sangue. Após o atendimento, higieniza as mãos e registra qualquer exposição. Resultado: redução de risco biológico e rastreabilidade do evento.

Exemplo 3 (pico de estresse): após discussão intensa em via pública, o agente faz 2 minutos de respiração tática e retoma o patrulhamento com comunicação objetiva. Resultado: menor chance de resposta impulsiva em nova interação.

Checklist rápido para prova e para a prática

  • Segurança no trabalho = prevenção de acidentes por procedimentos, comportamento e equipamentos.
  • Saúde ocupacional = proteção da saúde considerando riscos físicos, biológicos, ergonômicos e psicossociais.
  • Estresse excessivo reduz tomada de decisão; técnicas simples (respiração, pausa de decisão, descompressão) ajudam a recuperar controle.
  • Fadiga e turnos exigem estratégia de sono, pausas e atenção à direção.
  • Ergonomia (cinturão/colete/postura) previne dor e afastamentos.
  • Exposição biológica: barreiras, higiene e comunicação imediata em caso de acidente.
Mini-rotina (3 minutos) para início de turno: 1) checar rádio/lanterna (30s) 2) ajustar colete/cinturão (30s) 3) respiração 4-2-6 (1min) 4) revisar mentalmente rota e pontos de apoio (1min)

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Em uma ocorrência que gerou pico de adrenalina e aumentou a chance de resposta impulsiva, qual conduta se alinha melhor à gestão do estresse para recuperar controle antes de agir?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Técnicas breves como respiração tática e pausa de decisão ajudam a reduzir impulsividade e melhorar a tomada de decisão sob pressão, antes que o estresse comprometa desempenho e segurança.

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