Rumos e Proas na Navegação Básica: direções verdadeiras e magnéticas

Capítulo 4

Tempo estimado de leitura: 2 minutos

+ Exercício

Conceitos essenciais: rumo, proa, azimute e rumo de trajetória

Ao trabalhar com cartas aeronáuticas e náuticas, é comum ver termos parecidos que, na prática, descrevem coisas diferentes: a direção para a qual o veículo aponta, a direção para a qual ele se desloca e a direção medida entre dois pontos. Separar esses conceitos evita erros de navegação e de registro.

Rumo (Course)

Rumo é a direção planejada a ser seguida sobre a carta, normalmente expressa em graus a partir do Norte (0° a 360°), no sentido horário. Em navegação marítima, “rumo” costuma ser o valor que você pretende manter (por exemplo, no piloto automático) para ir de um ponto a outro, considerando a rota planejada.

  • Na carta: é a direção da linha traçada entre dois pontos (linha de rumo/rota).
  • No registro: aparece como RV (rumo verdadeiro) ou RM (rumo magnético), dependendo da referência usada.

Proa (Heading)

Proa é a direção para a qual a aeronave/embarcação está apontando (o “nariz” do veículo). Ela pode ser diferente do rumo/trajectória por causa de vento (aviação) ou corrente (marítimo), que empurram o veículo lateralmente.

  • Aviação: proa é o que você voa (heading) para compensar o vento e manter uma trajetória desejada.
  • Navegação marítima: proa é o ângulo do eixo do barco em relação ao Norte; pode diferir do rumo de trajetória por corrente e abatimento.

Azimute (Bearing)

Azimute

  • Azimute verdadeiro (AzV): medido em relação ao Norte verdadeiro.
  • Azimute magnético (AzM): medido em relação ao Norte magnético.

Rumo de trajetória (Track)

Rumo de trajetória (ou simplesmente trajetória, track) é a direção real do movimento sobre o solo/água (o caminho efetivo). É o que um GPS mostraria como “course over ground” (COG) ou “track”.

Continue em nosso aplicativo e ...
  • Ouça o áudio com a tela desligada
  • Ganhe Certificado após a conclusão
  • + de 5000 cursos para você explorar!
ou continue lendo abaixo...
Download App

Baixar o aplicativo

  • Aviação: trajetória (track) pode diferir da proa por vento.
  • Marítimo: trajetória pode diferir da proa por corrente e abatimento.
TermoO que descreve“Pergunta” que responde
ProaPara onde o veículo aponta“Para onde estou apontando?”
Rumo (planejado)Direção planejada na carta“Que direção eu quero seguir no plano?”
Trajetória (track)Direção real do deslocamento“Para onde estou realmente indo?”
AzimuteDireção de um ponto/objeto em relação a outro“Em que direção está o alvo/ponto?”

Direções verdadeiras e magnéticas: como a carta “fala” com a bússola

Direções podem ser referidas ao Norte verdadeiro (geográfico) ou ao Norte magnético (indicado pela bússola magnética, sujeito à variação magnética). Em cartas, você encontrará uma rosa dos ventos/diagrama (na náutica) ou informações de variação magnética (na aviação e náutica) que permitem converter entre verdadeiro e magnético.

Variação magnética (declinação): leitura e sinal

Variação magnética é o ângulo entre o Norte verdadeiro e o Norte magnético em uma região. Ela é indicada como E (leste) ou W (oeste) e pode vir acompanhada de uma taxa anual de mudança.

  • Variação Leste (E): o Norte magnético está a leste do Norte verdadeiro.
  • Variação Oeste (W): o Norte magnético está a oeste do Norte verdadeiro.

Regra prática de conversão (muito usada em navegação básica):

  • Para ir de Verdadeiro para Magnético: subtraia variação E e some variação W.
  • Para ir de Magnético para Verdadeiro: some variação E e subtraia variação W.

Em forma de fórmula (com sinal): considere variação Var positiva para E e negativa para W. Então:

Direção Magnética = Direção Verdadeira - Var

Exemplo: se Var = +7° (E), então M = T - 7°. Se Var = -10° (W), então M = T - (-10°) = T + 10°.

Onde encontrar a variação na carta

  • Carta náutica: normalmente há uma rosa dos ventos com anéis graduados (verdadeiro e magnético) e a indicação da variação (e ano de referência).
  • Carta aeronáutica: a variação pode aparecer em notas/margens, em isógonas (linhas de igual variação) ou em informações do produto cartográfico.

Ao usar a rosa/diagrama, confirme se o anel externo está em verdadeiro e o interno em magnético (ou vice-versa), pois isso varia conforme o padrão da carta.

Como medir e traçar direções na carta (passo a passo)

Ferramentas mais comuns

  • Transferidor/plotter: mede ângulos diretamente sobre a carta, alinhando com meridianos (linhas Norte–Sul).
  • Régua paralela: transfere uma direção (linha) até uma rosa dos ventos ou até um meridiano para leitura do ângulo.
  • Triângulos de navegação: alternativa à régua paralela; dois triângulos permitem “caminhar” uma direção até a borda/rosa para leitura.

Traçar um rumo entre dois pontos (linha de rumo)

Objetivo: desenhar a linha que liga o ponto A ao ponto B e obter o rumo verdadeiro (e depois o magnético).

  1. Marque os pontos A e B na carta (ex.: saída e destino, ou dois pontos de referência).

  2. Trace a linha A–B com lápis fino e régua (linha reta). Essa é a linha de rumo (rota planejada).

  3. Meça o ângulo em relação ao Norte verdadeiro:

    • Com plotter: alinhe a base do plotter com a linha A–B e gire até que as linhas de referência do plotter fiquem paralelas a um meridiano (N–S) próximo. Leia o ângulo.
    • Com régua paralela: alinhe a régua com a linha A–B; sem girar, “caminhe” com a régua até a rosa dos ventos (ou até um meridiano bem definido). Leia o ângulo no anel verdadeiro.
    • Com triângulos: alinhe um triângulo com a linha A–B, encoste o segundo para formar uma “ponte” e deslize o conjunto até a rosa/meridiano. Leia o ângulo.

  4. Registre o rumo verdadeiro como RV 123°T (ou 123°V, conforme seu padrão). Use sempre três dígitos (ex.: 005°, 090°, 275°).

  5. Converta para rumo magnético usando a variação da carta e registre como RM 116°M (ou 116°M).

Medir um azimute (direção de um ponto para um objeto)

Objetivo: obter a direção do ponto A para o ponto B (por exemplo, do seu ponto estimado até um farol/boia).

  1. Trace uma linha reta de A até B.

  2. Meça o ângulo dessa linha em relação ao Norte (verdadeiro ou magnético, conforme necessidade).

  3. Registre como AzV 045° ou AzM 038°. Se for relevante, acrescente “para” (TO) ou “de” (FROM) no seu caderno de navegação, pois a direção inversa difere em 180°.

Direção inversa (recíproca): útil em retornos e alinhamentos

Se você tem uma direção D, a direção recíproca é:

  • Se D < 180°, então Drec = D + 180°
  • Se D ≥ 180°, então Drec = D - 180°

Exemplo: 065° recíproco 245°. 210° recíproco 030°.

Registro padronizado: como anotar para evitar ambiguidade

Uma boa prática é registrar sempre: tipo de direção + valor + referência + (se aplicável) origem/destino.

  • RV 132°T (A→B)
  • RM 125°M (A→B)
  • ProaM 128°M (proa magnética)
  • TrajV 134°T (trajetória verdadeira)
  • AzV 040° (A→Farol X)

Padronização recomendada:

  • Use três dígitos (ex.: 007°, 090°).
  • Indique T (true/verdadeiro) ou M (magnetic/magnético).
  • Se estiver trabalhando com mais de uma direção no mesmo trecho, escreva explicitamente Proa, Rumo, Trajetória e Azimute.

Exemplos práticos de conversão: verdadeiro ↔ magnético

Exemplo 1: variação Leste (E)

Na rosa/diagrama da carta consta: Var 7°E.

  • Dado: RV = 120°T
  • Converter para magnético: RM = 120° - 7° = 113°M

Checagem rápida: com variação Leste, o valor magnético tende a ficar menor que o verdadeiro.

Exemplo 2: variação Oeste (W)

Na carta consta: Var 10°W.

  • Dado: RV = 120°T
  • Como W equivale a variação negativa: Var = -10°
  • RM = 120° - (-10°) = 130°M

Checagem rápida: com variação Oeste, o valor magnético tende a ficar maior que o verdadeiro.

Exemplo 3: de magnético para verdadeiro

Na carta consta: Var 6°E.

  • Dado: RM = 084°M
  • Converter para verdadeiro: RV = RM + 6° = 090°T

Exemplo 4: normalização para 0–360

Na carta consta: Var 12°W. Dado RV = 355°T.

  • RM = 355° - (-12°) = 367°
  • Normalize: 367° - 360° = 007°M

Exercícios de traçado de linhas de rumo (com gabarito numérico)

Faça os exercícios em uma carta impressa (aeronáutica ou náutica) usando lápis e uma das ferramentas (plotter, régua paralela ou triângulos). Como os pontos variam conforme a carta que você tiver em mãos, os exercícios abaixo usam um modelo genérico: você criará dois pontos na sua carta e aplicará o método. O gabarito numérico refere-se à conversão (que independe do ponto), e não ao ângulo específico do seu traçado.

Exercício 1 — Traçar e registrar um rumo verdadeiro e magnético

  1. Escolha dois pontos visíveis na sua carta (A e B) separados por uma distância confortável (ex.: 10 a 30 milhas na náutica, ou um trecho curto na aeronáutica).

  2. Trace a linha A→B.

  3. Meça o rumo verdadeiro na carta e anote como RV ___°T (A→B).

  4. Leia a variação magnética indicada na carta (ex.: Var 8°E).

  5. Converta e registre RM ___°M (A→B).

Gabarito (conversão): se Var 8°E, então RM = RV - 8°. Se Var 8°W, então RM = RV + 8°.

Exercício 2 — Direção recíproca e dupla anotação

  1. Use o mesmo trecho A→B do exercício 1.

  2. Calcule a direção recíproca (B→A) em verdadeiro: RVrec.

  3. Converta também para magnético: RMrec.

  4. Registre em duas linhas:

    • RV ___°T (A→B) e RV ___°T (B→A)
    • RM ___°M (A→B) e RM ___°M (B→A)

Gabarito (recíproca): some/subtraia 180° e normalize para 0–360.

Exercício 3 — Azimute para um ponto de referência

  1. Marque um ponto A (sua posição estimada) e escolha um objeto/cartografia marcante B (ex.: farol/boia na náutica; um ponto notável/auxílio na aviação, se estiver na carta).

  2. Trace A→B e meça o azimute verdadeiro AzV.

  3. Converta para azimute magnético AzM usando a variação.

  4. Registre: AzV ___° (A→B) e AzM ___° (A→B).

Exercício 4 — Conferência por dois métodos (plotter vs. paralela/triângulos)

  1. Escolha um novo par de pontos C e D.

  2. Meça o rumo verdadeiro por um método (ex.: plotter) e anote.

  3. Meça novamente por outro método (ex.: régua paralela ou triângulos) e compare.

  4. Se houver diferença, verifique: alinhamento com meridiano, leitura do anel correto (T vs M), e se a régua “caminhou” sem girar.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao converter uma direção Verdadeira (T) para Magnética (M), qual procedimento está correto quando a variação magnética indicada na carta é Leste (E)?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Na conversão de Verdadeiro para Magnético, a regra prática é: com variação Leste (E), subtrai-se a variação do valor verdadeiro (M = T − Var).

Próximo capitúlo

Declinação Magnética e Variação: como aplicar correções sem depender de GPS

Arrow Right Icon
Capa do Ebook gratuito Cartas e Navegação Básica: Como Ler Mapas Aeronáuticos e Náuticos
31%

Cartas e Navegação Básica: Como Ler Mapas Aeronáuticos e Náuticos

Novo curso

13 páginas

Baixe o app para ganhar Certificação grátis e ouvir os cursos em background, mesmo com a tela desligada.