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Redação para Concursos: Estrutura, Coesão e Repertório sem Enrolação

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12 páginas

Revisão final eficiente e checklist de correção

Capítulo 12

Tempo estimado de leitura: 0 minutos

+ Exercício

O que é revisão final eficiente (e o que ela não é)

Revisão final eficiente é o conjunto de checagens rápidas e objetivas feitas depois de o texto estar escrito, com o objetivo de eliminar falhas que custam pontos: deslizes gramaticais, incoerências pontuais, repetições, termos vagos, problemas de referência (quem/que/isso), pontuação que muda sentido, e pequenos “buracos” de clareza. Ela não é reescrever a redação inteira nem “melhorar ideias” do zero. A revisão final trabalha com o que já está no papel: ajusta forma, precisão e legibilidade sem alterar a estrutura central do texto.

Em concursos, o tempo é limitado e a ansiedade aumenta o risco de “cegueira de revisão”: você lê o que acha que escreveu, não o que realmente escreveu. Por isso, a revisão precisa ser um procedimento com ordem e critérios. Quando você segue um checklist, reduz decisões subjetivas e aumenta a chance de detectar erros repetitivos do seu próprio padrão.

Princípios da revisão final

  • Prioridade ao que mais pontua/mais derruba: clareza, norma-padrão, concordância, regência, pontuação, coesão referencial.
  • Correções pequenas e seguras: se uma mudança exige reescrever um parágrafo inteiro, é sinal de que não é revisão final; é replanejamento (e consome tempo).
  • Uma passada por vez: revisar tudo ao mesmo tempo faz você perder erros. Separe em camadas: sentido, coesão, gramática, estilo, formatação.
  • Evitar “embelezamento” arriscado: trocar palavras simples por “sinônimos sofisticados” na última hora costuma gerar impropriedade vocabular ou regência errada.

Quando revisar e quanto tempo reservar

O ideal é reservar um bloco fixo de tempo só para a revisão final. Em provas com tempo apertado, uma referência prática é 10 a 15 minutos para a revisão, dependendo do tamanho do texto e do seu ritmo de escrita. Se você costuma terminar em cima da hora, estabeleça uma regra: parar de escrever faltando X minutos para revisar, mesmo que você ache que “daria para melhorar mais um pouco”. Na prática, uma redação “boa e limpa” tende a pontuar mais do que uma redação “ambiciosa e suja”.

Se houver tempo, faça uma micro-pausa de 30 a 60 segundos antes de revisar (respirar, olhar para outro ponto). Essa quebra reduz a leitura automática e aumenta a percepção de falhas.

Passo a passo prático de revisão final (ordem recomendada)

Passo 1 — Leitura de sentido: o texto “se sustenta” sem você explicar por fora?

Leia o texto inteiro como se você fosse o corretor e não pudesse perguntar nada ao autor. O objetivo é verificar se cada frase é compreensível por si e se não há saltos de sentido. Nesta etapa, não corrija vírgulas ainda; marque mentalmente trechos que parecem “estranhos”.

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  • Perguntas-guia: “Entendi o ponto de cada parágrafo?” “Há alguma frase que parece incompleta?” “Existe alguma afirmação que ficou vaga (ex.: ‘isso’, ‘tal coisa’, ‘essa questão’) sem dizer o quê?”
  • Correções típicas: completar um termo omitido, trocar um pronome por um substantivo, inserir um aposto curto explicando um conceito, eliminar uma frase redundante.

Exemplo (clareza):

Antes: Isso precisa ser combatido com políticas públicas eficazes. (Isso = o quê?)
Depois: A desinformação nas redes sociais precisa ser combatida com políticas públicas eficazes.

Passo 2 — Coesão referencial: pronomes, retomadas e “quem faz o quê”

Agora, revise as retomadas: pronomes (ele/ela/isso/esse/essa), expressões como “tal cenário”, “essa realidade”, “o referido”, “o supracitado” (evite), e elipses (termos omitidos). O foco é impedir ambiguidades: o leitor precisa saber exatamente a que cada referência aponta.

  • Cheque: todo “isso/esse/essa” tem antecedente claro? há dois possíveis antecedentes na frase anterior? algum “que” ficou solto?
  • Correções típicas: substituir pronome por termo específico; repetir um substantivo-chave (sem medo) quando a clareza estiver em jogo; reorganizar a ordem da frase para aproximar referência e antecedente.

Exemplo (ambiguidade):

Antes: O governo deve fiscalizar as empresas, pois elas lucram com isso. (elas = empresas ou governo?)
Depois: O governo deve fiscalizar as empresas, pois muitas empresas lucram com práticas irregulares.

Passo 3 — Pontuação de segurança: vírgulas que mudam sentido

Nesta etapa, procure erros de pontuação que alteram sentido ou quebram a leitura. A revisão final não é o momento de “enfeitar” com períodos longos; é o momento de garantir que o leitor não tropece.

  • Alvos principais: vírgula entre sujeito e verbo; vírgula antes de “e” sem motivo; falta de vírgula em adjuntos adverbiais longos no início; uso confuso de dois-pontos e ponto e vírgula; períodos extensos sem pausa.
  • Estratégia rápida: leia em voz baixa (ou “com a boca”, sem som). Onde você naturalmente pausa, veja se a pontuação acompanha. Onde você fica sem ar, provavelmente o período está longo demais.

Exemplo (vírgula proibida):

Antes: A falta de investimento em educação, prejudica a mobilidade social.
Depois: A falta de investimento em educação prejudica a mobilidade social.

Exemplo (adjunto adverbial longo):

Antes: Nos grandes centros urbanos do país a desigualdade se intensifica.
Depois: Nos grandes centros urbanos do país, a desigualdade se intensifica.

Passo 4 — Concordância e regência: os erros que mais escapam

Concordância e regência são campeãs de erro em revisão rápida porque o cérebro “corrige” automaticamente durante a leitura. Aqui, o método é localizar estruturas de risco e checar uma por uma.

  • Concordância verbal: sujeito posposto; sujeito composto; expressões partitivas (“a maioria de”, “parte de”); “um dos que”.
  • Concordância nominal: adjetivo distante do substantivo; expressões com “meio”, “bastante”, “anexo”, “obrigado”.
  • Regência: verbos que exigem preposição (assistir a, visar a, implicar em/implicar, obedecer a, preferir X a Y); crase em “a/aquela/à”.

Mini-check de risco (prático): sublinhe mentalmente (ou com o dedo) os verbos principais de cada frase e pergunte: “Quem é o sujeito?” “O verbo pede preposição?”

Exemplos (concordância):

Antes: A maioria dos candidatos erraram na gestão do tempo.
Depois: A maioria dos candidatos errou na gestão do tempo.
Antes: Foi apresentado medidas para reduzir o problema.
Depois: Foram apresentadas medidas para reduzir o problema.

Passo 5 — Ortografia, acentuação e homônimos: varredura final

Com o sentido e a gramática “grossa” resolvidos, faça uma varredura de ortografia e acentuação. Aqui, o ganho é alto: um texto com poucos deslizes transmite domínio da norma-padrão.

  • Alvos comuns: “por que/porque/por quê/porquê”; “há/a”; “mas/mais”; “onde/aonde”; “mau/mal”; “em vez de/ao invés de”; “trás/atrás”; “sessão/seção/cessão”.
  • Acentos que escapam: “também”, “porém”, “além”, “país”, “saúde”, “público”, “econômico”, “política”, “técnica”.

Exemplo (há/a):

Antes: A anos o país enfrenta esse desafio.
Depois: Há anos o país enfrenta esse desafio.

Passo 6 — Estilo de prova: corte de excesso e troca de termos vagos

Agora, ajuste o texto para ficar mais direto e “com cara de prova”. O objetivo é reduzir enrolação, eliminar redundâncias e trocar palavras genéricas por termos específicos, sem inventar conteúdo novo.

  • Corte de redundâncias: “planejar previamente”, “consenso geral”, “fato real”, “surpresa inesperada”, “atualmente, nos dias de hoje”.
  • Troca de vagueza: “coisa”, “negócio”, “questão”, “problema” (sem especificar), “muito”, “vários”, “diversos” (sem delimitar).
  • Preferência por verbos fortes: “gera”, “amplia”, “reduz”, “dificulta”, “viabiliza”, “compromete”, “evidencia”.

Exemplo (enxugamento):

Antes: Atualmente, nos dias de hoje, é possível observar que existe um aumento crescente da violência.
Depois: Atualmente, observa-se aumento da violência.

Exemplo (especificidade):

Antes: Isso afeta muitas pessoas de várias formas.
Depois: Esse cenário afeta sobretudo jovens de baixa renda, ao reduzir acesso a estudo e emprego.

Passo 7 — Repetições e paralelismo: “ouvido” de texto

Repetição não é sempre erro: repetir termos-chave pode ser necessário para manter o foco. O problema é repetir palavras de apoio (“importante”, “necessário”, “além disso”, “dessa forma”) ou repetir a mesma estrutura frasal em sequência, deixando o texto monótono.

  • Cheque: duas frases seguidas começando igual; uso excessivo de “além disso”; repetição de “deve-se”; repetição de “é necessário que”.
  • Correções típicas: variar conectivos (sem exagero), fundir duas frases curtas, trocar uma estrutura por voz ativa, usar paralelismo em listas (mesma forma gramatical).

Exemplo (paralelismo em lista):

Antes: É preciso investir em escolas, a capacitação docente e que haja fiscalização.
Depois: É preciso investir em escolas, capacitar docentes e fiscalizar a execução das políticas.

Passo 8 — Formatação e legibilidade: apresentação conta

Mesmo quando a correção é por critérios de conteúdo e linguagem, a apresentação influencia a leitura. Garanta que o texto esteja visualmente limpo.

  • Parágrafos: recuo consistente (se aplicável), parágrafos com tamanho equilibrado, sem “blocos” gigantes.
  • Letra: legível, sem rasuras excessivas; se precisar corrigir, faça de modo limpo (um risco simples, reescrita clara).
  • Numeração/linhas: se a folha tiver linhas, mantenha alinhamento; evite escrever em cima da linha anterior.

Checklist de correção (para usar na prova)

A seguir, um checklist enxuto, pensado para ser aplicado em poucos minutos. A ideia é você passar item por item, marcando mentalmente “ok” e corrigindo apenas o necessário.

Checklist 1 — Clareza e sentido

  • Há alguma frase que eu mesmo teria de explicar oralmente para fazer sentido?
  • Existe “isso/essa questão/esse cenário” sem antecedente explícito?
  • Alguma informação ficou contraditória dentro do próprio texto (ex.: causa e efeito invertidos)?
  • Há termos absolutos sem base (“sempre”, “nunca”, “todo mundo”) que podem soar exagerados?

Checklist 2 — Coesão referencial

  • Cada pronome (“ele/ela/isso/esse”) retoma um termo único e claro?
  • Evitei “o mesmo” como pronome (“o mesmo foi feito”)?
  • Evitei “supracitado”, “conforme citado acima” e outras muletas formais?

Checklist 3 — Pontuação

  • Não há vírgula separando sujeito e verbo?
  • Adjuntos adverbiais longos no início estão bem pontuados?
  • Não há períodos longos demais que poderiam virar dois com ponto final?
  • Dois-pontos foram usados apenas quando realmente introduzem explicação/lista?

Checklist 4 — Concordância e regência

  • Verbo concorda com o núcleo do sujeito (especialmente em “a maioria de”, “um dos que”)?
  • Adjetivos concordam com o substantivo correto?
  • Regência de verbos comuns está correta (assistir a, obedecer a, preferir X a Y)?
  • Crase: usei “à” apenas quando há preposição + artigo feminino (e não por “estética”)?

Checklist 5 — Ortografia e acentuação

  • Revisei “por que/porque/por quê/porquê”, “há/a”, “mas/mais”, “mau/mal”?
  • Palavras frequentes do tema estão sem erros (acentos, hífen quando necessário)?
  • Evitei abreviações e informalidades?

Checklist 6 — Estilo e precisão

  • Cortei redundâncias e “enchimentos” (“vale ressaltar que”, “é de suma importância”)?
  • Troquei termos vagos por específicos quando isso não exige adicionar informação nova?
  • Evitei adjetivação excessiva e opinião sem base (“absurdo”, “ridículo”)?

Checklist 7 — Repetição e fluidez

  • Repeti palavras de apoio em excesso (“além disso”, “dessa forma”)?
  • Há duas frases seguidas com a mesma estrutura?
  • As listas estão paralelas (mesma forma verbal/nominal)?

Checklist 8 — Apresentação

  • Parágrafos bem separados e legíveis?
  • Correções limpas, sem poluição visual?
  • Sem palavras cortadas ou ilegíveis no fim da linha?

Técnicas rápidas para revisar sob pressão

1) Revisão “de trás para frente” (para ortografia)

Para capturar erros de grafia e acentuação, uma técnica eficiente é ler frase por frase de baixo para cima (ou parágrafo por parágrafo de trás para frente). Isso quebra o fluxo do sentido e faz você enxergar a palavra como forma, não como ideia. Use apenas para ortografia/acentos, porque ela não serve para checar coerência.

2) Caça aos “pontos críticos” do seu padrão de erro

Quase todo candidato tem 3 a 5 erros recorrentes. Transforme isso em vantagem: inclua no seu checklist pessoal uma mini-lista fixa. Exemplos de padrões comuns:

  • Esquecer acento em “também/porém/além”.
  • Colocar vírgula entre sujeito e verbo.
  • Confundir “há” e “a”.
  • Usar “onde” para ideias abstratas (“onde a desigualdade…”).
  • Repetir “além disso” muitas vezes.

Na revisão final, procure primeiro esses erros. O retorno é alto porque você está atacando o que mais provavelmente está no seu texto.

3) Troca segura: simplificar para corrigir

Quando você encontra uma frase problemática e não tem certeza da correção “sofisticada”, prefira simplificar. Em prova, segurança vale mais do que complexidade.

Exemplo (simplificação):

Antes: Medidas as quais visam a mitigação do problema devem ser implementadas.
Depois: Medidas para reduzir o problema devem ser implementadas.

4) Regra do “não mexa no que está funcionando”

Se um período está claro e correto, não altere apenas para “variar”. Mudanças tardias geram erros novos: concordância quebrada, regência errada, referência perdida. Na revisão final, mexa apenas quando houver motivo objetivo (erro, ambiguidade, repetição gritante, frase truncada).

Exemplo aplicado: mini-revisão em camadas

Veja como a mesma passagem pode ser melhorada com correções pequenas e seguras, seguindo as camadas da revisão.

Versão inicial: Nos dias de hoje, a sociedade enfrenta muitos problemas, e isso é muito ruim, pois afeta a vida das pessoas, que acabam não tendo acesso a coisas importantes, como educação e saúde.

Camada 1 (clareza e especificidade): trocar “isso”, “muitos problemas”, “coisas importantes”.

Após camada 1: Atualmente, a sociedade enfrenta desigualdades que afetam a vida de parte da população, ao reduzir o acesso à educação e à saúde.

Camada 2 (pontuação e fluidez): ajustar ritmo, evitar excesso de “ao”.

Após camada 2: Atualmente, a sociedade enfrenta desigualdades que afetam parte da população e reduzem o acesso à educação e à saúde.

Camada 3 (estilo de prova): manter direto, sem adjetivação vazia.

Versão revisada final: Atualmente, a sociedade enfrenta desigualdades que afetam parte da população e reduzem o acesso à educação e à saúde.

Checklist pessoal (modelo para você adaptar)

Além do checklist geral, vale ter um checklist pessoal de 6 itens, baseado nos seus erros mais comuns. Um modelo pronto para adaptar:

  • Procure “isso/essa questão/esse cenário” e substitua por termo específico quando necessário.
  • Verifique se há vírgula entre sujeito e verbo.
  • Revise “há/a”, “mas/mais”, “por que/porque”.
  • Cheque concordância em “a maioria de”, “um dos que”, “foram apresentadas medidas”.
  • Conte quantos “além disso” existem; se houver mais de 2, varie ou corte.
  • Leia o texto em voz baixa para detectar períodos longos e pontuação confusa.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Qual conduta melhor caracteriza uma revisão final eficiente em uma redação de concurso?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

A revisão final eficiente foca em correções pequenas e seguras (clareza, coesão, pontuação e norma-padrão), aplicadas em passadas separadas, sem reescrever a redação nem tentar melhorar ideias do zero.

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