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Guarda Municipal do Brasil: Guia de Preparação para Concursos Públicos

Novo curso

22 páginas

Resolução Comentada de Questões e Análise de Bancas

Capítulo 22

Tempo estimado de leitura: 8 minutos

+ Exercício

O que é “resolução comentada” e por que ela acelera a aprovação

Resolução comentada é o treino em que você não apenas marca uma alternativa, mas identifica o motivo de cada opção estar certa ou errada, registra o padrão de cobrança e transforma isso em ações de estudo. Em concursos de Guarda Municipal, ela serve para: (1) reconhecer “pegadinhas” recorrentes, (2) aprender a linguagem típica da banca, (3) priorizar conteúdos com maior incidência e (4) melhorar tempo e precisão sob pressão.

Na prática, cada questão vira uma mini-aula: você extrai a regra, o detalhe e o tipo de erro que você cometeu. O comentário pode ser seu (ideal) ou de um material de apoio; o ponto central é que você consiga justificar a alternativa correta e refutar as demais com base em regra, conceito ou procedimento.

Análise de bancas: o que observar (sem “achismo”)

1) Perfil de dificuldade e estilo de enunciado

Mapeie se a banca costuma usar enunciados longos (com cenário) ou diretos (definição/afirmação). Isso altera sua estratégia: em enunciados longos, você treina leitura seletiva; em enunciados diretos, treina precisão conceitual e atenção a palavras-chave.

2) Padrões de comando

Liste os comandos mais frequentes: “assinale a alternativa correta”, “incorreta”, “exceto”, “está de acordo”, “é vedado”, “é permitido”, “corresponde”. Muitos erros vêm de ignorar o comando. Na análise, conte quantas questões usam negativa (“incorreta”, “exceto”) e treine um protocolo específico para elas.

3) Distribuição de assuntos e subassuntos

Em vez de dizer “cai muito X”, quantifique: em um conjunto de provas da banca para cargos semelhantes, registre quantas questões por subtema. O objetivo é criar um “mapa de incidência” que guia seu treino de questões e revisões.

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4) Nível de literalidade vs. interpretação

Algumas bancas cobram mais literalidade (texto normativo/definições), outras cobram aplicação (casos práticos). Você identifica isso observando se as questões pedem: (a) conceito puro, (b) exceções e detalhes, (c) aplicação em cenário, (d) comparação entre institutos.

5) Tipos de pegadinha

Registre quais armadilhas aparecem: troca de termos (“pode” vs “deve”), generalizações (“sempre”, “nunca”), inversão de requisito, confusão entre competência e atribuição, prazos trocados, e alternativas “quase corretas” com um detalhe errado.

Passo a passo prático: como resolver questões de forma comentada (método em 7 etapas)

Etapa 1 — Leia o comando e reescreva em uma frase

Antes de ler tudo, destaque o que está sendo pedido. Exemplo prático: se o comando for “assinale a alternativa incorreta”, reescreva mentalmente: “vou procurar a errada”. Isso reduz o erro de marcar a correta por impulso.

Etapa 2 — Faça uma previsão da resposta (quando possível)

Se a questão for conceitual, tente lembrar a regra antes de ver as alternativas. Isso evita ser “puxado” por opções bem escritas. Mesmo que você não lembre, a tentativa já ativa o conteúdo.

Etapa 3 — Elimine alternativas com base em palavras-chave

Procure termos absolutos (“sempre”, “jamais”), condições (“somente se”), e exceções (“salvo”, “exceto”). Elimine o que conflita com a regra geral. Se restarem duas, vá para a etapa 4.

Etapa 4 — Justifique a correta e refute as demais

Escreva (ou fale em voz baixa) uma justificativa curta: “A é correta porque…”. Em seguida, para cada errada: “B é errada porque…”. Se você não consegue refutar uma errada, há lacuna de conteúdo ou de leitura.

Etapa 5 — Classifique o erro (quando errar)

Use uma taxonomia simples para não repetir o mesmo erro:

  • E1: Conteúdo — não sabia a regra/definição.
  • E2: Leitura — errou o comando, ignorou “exceto”, não viu um detalhe.
  • E3: Confusão entre conceitos — misturou institutos parecidos.
  • E4: Pressa/tempo — acertaria com mais calma, mas chutou.
  • E5: Pegadinha — caiu em termo absoluto, exceção, inversão.

Essa classificação é o que transforma “fiz questões” em “melhorei desempenho”.

Etapa 6 — Gere um “cartão de correção”

Para cada erro relevante, crie uma anotação de 1–3 linhas com a regra e o gatilho da pegadinha. Exemplo: “Se o comando for INCORRETA, marco a errada; sublinhar ‘exceto’ e conferir duas vezes antes de assinalar”.

Etapa 7 — Refaça a questão em 7 dias (e depois em 21)

Repetição espaçada com foco no erro: refaça sem olhar o gabarito. Se acertar com justificativa, a lacuna foi fechada; se errar de novo, o tema precisa de reforço.

Como montar um “caderno de questões” que realmente funciona

Estrutura mínima (para não virar bagunça)

Organize por banca e por assunto, mas registre também o tipo de erro. Uma estrutura simples:

  • Banca
  • Assunto/Subassunto
  • Data
  • Resultado (C/E)
  • Tipo de erro (E1–E5)
  • Cartão de correção (1–3 linhas)

Exemplo de registro (modelo)

Banca: (nome da banca) | Assunto: (subassunto) | Resultado: Errada | Erro: E2 (Leitura) | Correção: Em comandos negativos (incorreta/exceto), sublinhar a palavra e confirmar antes de marcar. Alternativas com “sempre/nunca” exigem checagem extra.

Leitura estratégica de enunciados longos (provas com casos)

Protocolo de 3 passagens

1ª passagem: leia o comando e identifique o que será julgado (correto/incorreto, melhor medida, exceção). 2ª passagem: leia o caso procurando só os fatos que respondem ao comando (quem, onde, quando, ação, consequência). 3ª passagem: vá às alternativas e compare com os fatos, eliminando as que acrescentam informação que não existe no enunciado.

Exemplo prático de armadilha

Em casos, a banca pode inserir alternativa que parece “boa prática”, mas não está sustentada pelos fatos narrados. Treino: marque no enunciado as informações objetivas e rejeite alternativas que dependam de suposições.

Como analisar uma prova anterior da banca (checklist prático)

Checklist em 10 itens

  • Quantas questões totais e por disciplina/tema?
  • Percentual de comandos negativos (“incorreta”, “exceto”)?
  • Quantas questões com cenário (caso) vs. diretas?
  • Incidência de alternativas com termos absolutos (“sempre/nunca”)?
  • Quantas questões exigem exceções/detalhes?
  • Quais assuntos aparecem em sequência (blocos temáticos)?
  • Há repetição de “modelos” de questão (mesma estrutura com tema diferente)?
  • Nível de cálculo/estimativa vs. interpretação textual (quando aplicável)?
  • Tempo médio por questão (simule com cronômetro)?
  • Principais causas dos seus erros (E1–E5) nessa prova?

Com esse checklist, você transforma uma prova antiga em um diagnóstico objetivo do que treinar.

Treino de tempo e tomada de decisão (sem sacrificar acerto)

Método “2 voltas”

1ª volta: resolva as questões que você sabe com alta confiança e marque as difíceis para voltar. 2ª volta: ataque as marcadas, agora com mais tempo e sem ansiedade de “não chegar ao fim”.

Regra prática para não travar

Se após uma leitura completa você não souber por onde começar, marque para a 2ª volta. Travar em uma questão custa várias outras.

Como usar erros para prever a próxima prova

Matriz de prioridade (incidência x erro)

Crie uma matriz simples:

  • Alta incidência + você erra muito: prioridade máxima (treino diário de questões).
  • Alta incidência + você erra pouco: manutenção (questões semanais).
  • Baixa incidência + você erra muito: correção pontual (cartões de correção + poucas questões).
  • Baixa incidência + você erra pouco: revisão leve.

Isso evita gastar energia em temas raros enquanto pontos frequentes continuam derrubando sua nota.

Questões “certo/errado” e “múltipla escolha”: ajustes de técnica

Quando for certo/errado

Treine leitura literal e atenção a exceções. Uma única palavra pode invalidar a assertiva. Técnica: procure o “ponto de ruptura” (o trecho que, se estiver errado, derruba tudo). Se encontrar um erro claro, não precisa “salvar” o restante.

Quando for múltipla escolha

Use eliminação ativa: tente provar que a alternativa está errada. A correta é a que resiste às refutações. Cuidado com alternativas “bonitas” e genéricas: elas parecem corretas por serem vagas.

Como criar comentários próprios (modelo rápido de 4 linhas)

Ao corrigir, escreva sempre no mesmo formato para ganhar velocidade:

1) Gabarito: (letra) — por quê? (regra/ideia central em 1 linha)
2) Pegadinha: (qual foi o detalhe)
3) Meu erro: (E1–E5)
4) Correção: (o que farei na próxima: sublinhar, checar comando, revisar exceção, etc.)

Mini-rotina prática de 30–40 minutos (treino focado em banca)

Roteiro

  • 5 min: separar 10–12 questões da banca (ou estilo semelhante) do mesmo assunto.
  • 20–25 min: resolver com cronômetro, aplicando “2 voltas”.
  • 10 min: corrigir e escrever comentários próprios nas erradas e nas “acertadas com dúvida”.
  • 5 min: transformar 1–3 erros em cartões de correção e agendar refação.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao montar um “caderno de questões” funcional para orientar o estudo, qual conjunto de registros é indispensável para evitar que ele vire apenas uma lista de acertos e erros sem diagnóstico?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

A estrutura mínima inclui identificar a banca e o tema, registrar o resultado e, principalmente, classificar o tipo de erro (E1–E5) e criar um cartão de correção. Isso transforma a prática em diagnóstico e ação de estudo.

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