Rejuntes cimentícios e epóxi: seleção, preparo e aplicação

Capítulo 11

Tempo estimado de leitura: 9 minutos

+ Exercício

O que é rejunte e por que a escolha importa

Rejunte é o material aplicado nas juntas entre as peças para preencher o vão, reduzir a entrada de água e sujeira, facilitar a limpeza e acomodar pequenas variações dimensionais. A escolha correta influencia diretamente a durabilidade do revestimento, o aspecto estético (cor uniforme, sem manchas) e a manutenção ao longo do tempo.

Rejunte cimentício x rejunte epóxi: diferenças práticas

CritérioCimentícioEpóxi
ComposiçãoCimento + cargas minerais + aditivos (pode ser comum ou aditivado)Resina epóxi + endurecedor + cargas
Absorção de águaMaior (mesmo aditivado, tende a absorver mais que epóxi)Muito baixa (alta impermeabilidade)
Resistência químicaModerada (pode manchar/ser atacado por produtos fortes)Alta (melhor contra detergentes, gorduras, ácidos leves e agentes de limpeza)
Resistência mecânicaBoa, porém mais sujeito a esfarelar/fissurar se mal preparado/aplicadoMuito alta (mais duro e resistente à abrasão)
Indicação em áreas molhadasAdequado em muitas situações, com atenção à manutenção e selagem quando aplicávelAltamente indicado (banheiros, boxes, cozinhas, lavanderias, áreas sujeitas a água e gordura)
Facilidade de aplicaçãoMais fácil e tolerante (tempo de trabalho maior)Mais exigente (mistura precisa, tempo de trabalho menor, limpeza crítica)
Facilidade de manutençãoBoa, mas pode escurecer/manchar com o tempo em áreas críticasExcelente (menor porosidade, menos manchas e fungos)
CustoMenorMaior

Como decidir rapidamente

  • Escolha epóxi quando a junta ficará muito exposta a água, gordura, produtos de limpeza e necessidade de baixa absorção (box, nichos, cozinhas, rodapés de áreas de serviço, bancadas, áreas comerciais).
  • Escolha cimentício quando busca custo menor, aplicação mais simples e a área tem menor agressividade química (paredes internas secas, ambientes com limpeza leve), desde que o preparo e a cura sejam bem executados.

Seleção do rejunte: largura de junta, cor e aditivos

Largura da junta (estreita x larga)

  • Juntas estreitas: exigem rejunte com granulometria fina e boa trabalhabilidade para preencher sem falhas. Em juntas muito finas, qualquer erro de consistência pode gerar “vazios” e manchamento.
  • Juntas mais largas: pedem rejunte indicado para maior espessura, com cargas adequadas para evitar retração e fissuras. Em juntas largas, o risco de trinca por retração aumenta se a mistura estiver muito “molhada”.

Regra prática: sempre respeite a faixa de largura indicada pelo fabricante na embalagem. Se a junta estiver fora da faixa, troque o produto (não “adapte” na água).

Cor do rejunte: estética e manutenção

  • Cores claras: evidenciam sujeira e podem manchar mais facilmente em áreas de uso intenso. Exigem limpeza mais frequente e cuidados na aplicação para não “queimar” (manchar) a superfície.
  • Cores escuras: disfarçam sujeira, mas podem apresentar variação de tonalidade se houver diferença de água na mistura, tempo de limpeza irregular ou excesso de lavagem.
  • Tom sobre tom (rejunte parecido com a peça): reduz a percepção de desalinhamentos e recortes.
  • Contraste: valoriza paginação, mas evidencia qualquer irregularidade de junta.

Aditivos e versões do produto

  • Rejunte cimentício aditivado: tende a ter melhor trabalhabilidade, menor absorção e melhor resistência a manchas do que o cimentício básico.
  • Seladores/protetores (quando recomendados): podem reduzir absorção e facilitar manutenção em rejuntes cimentícios. Aplique apenas após cura e conforme orientação do fabricante.
  • Evite “misturas caseiras” (cola, PVA, cimento extra, areia): alteram retração, aderência e cor, aumentando risco de fissuras e esfarelamento.

Ferramentas e materiais essenciais

  • Desempenadeira de borracha (espátula de rejunte): para pressionar e preencher completamente as juntas.
  • Balde limpo e medidor: controle de água (cimentício) e proporção (epóxi).
  • Misturador (manual ou acoplado a furadeira em baixa rotação): para homogeneizar sem incorporar ar.
  • Esponja adequada (macia e de boa densidade) e panos de microfibra: para limpeza inicial e acabamento.
  • Luvas: indispensáveis no epóxi e recomendadas no cimentício.
  • Fita de proteção: útil em peças porosas, relevos e bordas sensíveis.

Preparo do rejunte cimentício: consistência e pontos críticos

Consistência correta

O rejunte cimentício deve ficar com consistência cremosa e firme, capaz de ser pressionado na junta sem escorrer. Mistura muito mole aumenta retração, causa fissuras, baixa resistência e variação de cor.

Passo a passo de preparo (cimentício)

  1. Dosagem: coloque no balde a quantidade de água indicada pelo fabricante e adicione o pó aos poucos (não faça “no olho”).
  2. Mistura: mexa até ficar homogêneo, sem grumos. Evite bater em alta rotação para não incorporar ar.
  3. Descanso (maturação): aguarde o tempo indicado (geralmente alguns minutos) para hidratar aditivos.
  4. Remistura: mexa novamente por curto tempo antes de aplicar.
  5. Não retemperar: se começar a endurecer, não adicione água para “reviver”. Descarte e prepare novo lote.

Aplicação do rejunte cimentício: preenchimento, pega e limpeza

Passo a passo de aplicação (cimentício)

  1. Conferir juntas: elas devem estar limpas, sem pó, sem restos de argamassa e com profundidade adequada para receber o rejunte. Qualquer resíduo vira ponto de falha e mancha.
  2. Aplicar com desempenadeira de borracha: espalhe o rejunte em movimentos diagonais às juntas, pressionando para preenchimento completo. Faça passadas cruzadas para eliminar vazios.
  3. Remover excesso: ainda com a borracha, raspe o excesso na diagonal, deixando o mínimo sobre a superfície.
  4. Tempo de pega (espera para limpeza): aguarde o “ponto” indicado pelo fabricante. Na prática, o rejunte deve começar a firmar sem grudar em excesso na esponja. Se limpar cedo demais, você “lava” o rejunte e cria rebaixamento e mancha; se tarde demais, fica difícil remover película.
  5. Limpeza inicial: use esponja levemente úmida (bem torcida). Passe de leve, em movimentos diagonais, enxaguando a esponja com frequência. Evite encharcar.
  6. Acabamento das juntas: após a limpeza inicial, faça uma passada suave para uniformizar o perfil (sem cavar).
  7. Limpeza final da película: depois de secar levemente, finalize com pano de microfibra seco para retirar névoa residual.

Cuidados para evitar fissuras e esfarelamento (cimentício)

  • Água na medida: excesso de água é a causa mais comum de rejunte fraco e esfarelando.
  • Preenchimento total: junta “oca” trinca e solta com facilidade.
  • Não “alisar” com água: passar dedo molhado ou esponja encharcada enfraquece a camada superficial e mancha.
  • Respeitar cura: evite lavagens pesadas e produtos químicos antes do tempo mínimo de cura indicado.

Preparo do rejunte epóxi: proporção, tempo de trabalho e estratégia

O epóxi normalmente vem em componentes (resina + endurecedor, e às vezes carga). O desempenho depende de proporção correta e mistura completa. Ele tem tempo de trabalho menor, então a estratégia é trabalhar em áreas pequenas e limpar no tempo certo.

Passo a passo de preparo (epóxi)

  1. Planejar área: separe trechos menores (ex.: 1 a 3 m², conforme temperatura e prática) para conseguir aplicar e limpar sem atrasar.
  2. Mistura completa: misture os componentes exatamente como indicado, raspando laterais e fundo do recipiente para não deixar partes sem catalisar.
  3. Não alterar proporção: não “divida no olho” nem adicione solventes/água. Proporção errada causa cura incompleta, pegajosidade e mancha.
  4. Observar o tempo de uso: após misturar, o produto começa a reagir; quanto mais quente o ambiente, mais rápido endurece.

Aplicação do rejunte epóxi: preenchimento e limpeza sem película

Passo a passo de aplicação (epóxi)

  1. Aplicar com desempenadeira de borracha: espalhe na diagonal, pressionando forte para preencher. O epóxi é mais “pegajoso”; a pressão ajuda a eliminar vazios.
  2. Remover excesso: raspe bem com a borracha para reduzir material sobre a peça (isso facilita a limpeza).
  3. Limpeza inicial no tempo certo: faça a primeira limpeza conforme orientação do fabricante (muitas vezes é mais cedo do que no cimentício). Use esponja apropriada e pouca água, trocando com frequência.
  4. Emulsão/limpador recomendado (quando aplicável): alguns sistemas pedem aditivo de limpeza específico para evitar película. Siga o kit do fabricante.
  5. Limpeza final: finalize com pano de microfibra para remover névoa. Se a película endurecer, a remoção fica muito difícil e pode exigir limpador específico.

Cuidados para evitar manchamento e “película epóxi”

  • Trabalhe por etapas pequenas: aplicar em área grande e tentar limpar depois é o erro mais comum.
  • Troque a água frequentemente: água suja espalha resina e aumenta névoa.
  • Evite excesso de água: pode espalhar resina e dificultar acabamento; siga o método do fabricante.
  • Proteja peças porosas/texturizadas: em porcelanatos muito rústicos, pedras e peças com microtextura, faça teste prévio e considere proteção superficial antes, se recomendado.

Problemas comuns e como prevenir (cimentício e epóxi)

Fissuras no rejunte

  • Causas frequentes: mistura muito mole (cimentício), junta larga com produto inadequado, preenchimento incompleto, limpeza agressiva cedo demais.
  • Prevenção: consistência firme, produto compatível com a largura, compactação com borracha e respeito ao tempo de pega.

Esfarelamento

  • Causas frequentes: excesso de água, retemperar com água, “lavar” o rejunte na limpeza inicial, cura insuficiente antes de uso.
  • Prevenção: dosagem correta, não retemperar, esponja bem torcida e aguardar cura.

Manchas e variação de cor (principalmente no cimentício)

  • Causas frequentes: variação na quantidade de água entre lotes, limpeza com muita água, tempo de espera irregular, água suja, contaminação por pó/argamassa.
  • Prevenção: padronize a dosagem, prepare lotes menores com mesma proporção, limpe com pouca água e mantenha juntas limpas antes de rejuntar.

Juntas rebaixadas ou “cavadas”

  • Causas frequentes: limpeza cedo demais, esponja encharcada, pressão excessiva na limpeza.
  • Prevenção: aguardar ponto correto e limpar com leveza, sem “escavar”.

Dicas de execução para resultado profissional

  • Faça um teste em área pequena para validar cor, tempo de limpeza e comportamento na superfície da peça.
  • Padronize lotes: use o mesmo fabricante e, se possível, mesmo lote de produção para evitar variação de tonalidade.
  • Controle de ambiente: calor acelera pega (especialmente epóxi) e frio retarda; ajuste o tamanho das etapas.
  • Proteja cantos e metais: perfis, ralos e acessórios podem manchar/riscar na limpeza; use fita quando necessário.
  • Use produtos de limpeza compatíveis: após cura, evite químicos agressivos em rejunte cimentício; no epóxi, ainda assim siga recomendações para não opacar a superfície.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao preparar o rejunte cimentício, qual prática ajuda a evitar fissuras, esfarelamento e variação de cor ao longo da aplicação?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Excesso de água e retemperar enfraquecem o rejunte, aumentam retração e favorecem manchas. A dosagem correta, consistência firme e descarte do lote que endureceu ajudam a manter resistência e cor mais uniforme.

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Limpeza pós-obra e proteção do revestimento: remoção de resíduos e entrega final

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