Redação do Zero: o que é um bom texto e como avaliar na prática

Capítulo 1

Tempo estimado de leitura: 8 minutos

+ Exercício

O que é um “bom texto” na prática

Um bom texto é aquele que cumpre sua função: comunica uma ideia com clareza, conduz o leitor por um raciocínio compreensível e termina com a sensação de “entendi o que você quis dizer”. Para avaliar isso com objetividade, use critérios observáveis (não “gosto/não gosto”). A seguir estão os critérios centrais e como identificá-los em textos curtos.

Critérios centrais de uma redação bem construída

1) Clareza

O que é: o leitor entende a mensagem na primeira leitura, sem precisar adivinhar o sentido.

Como identificar: frases diretas, termos definidos, pouca “neblina” (palavras vagas como “coisa”, “isso”, “de certa forma”).

  • Teste rápido: sublinhe pronomes (“isso”, “aquilo”, “essa questão”). Se não estiver óbvio a que se referem, há risco de falta de clareza.

2) Objetividade

O que é: foco no que importa para o objetivo do texto, sem rodeios nem excesso de informações laterais.

Como identificar: cada frase acrescenta algo necessário (definição, dado, exemplo, consequência, passo).

Continue em nosso aplicativo e ...
  • Ouça o áudio com a tela desligada
  • Ganhe Certificado após a conclusão
  • + de 5000 cursos para você explorar!
ou continue lendo abaixo...
Download App

Baixar o aplicativo

  • Teste rápido: corte 20% do texto. Se nada essencial se perde, havia excesso.

3) Adequação ao público e ao propósito

O que é: linguagem, exemplos e nível de detalhe compatíveis com quem vai ler e com a finalidade (informar, argumentar, orientar, solicitar).

Como identificar: vocabulário apropriado, explicação de termos técnicos quando necessário, tom coerente (formal/informal) e escolhas que respeitam o contexto.

  • Teste rápido: escreva em uma linha: “Meu leitor é ___ e precisa ___”. Se o texto não responde a isso, está desalinhado.

4) Coesão (ligações entre as partes)

O que é: as frases e parágrafos se conectam por meio de referências claras e conectivos adequados.

Como identificar: presença de conectores (“por isso”, “além disso”, “no entanto”), retomadas bem feitas (sem repetição excessiva) e progressão sem “saltos”.

  • Teste rápido: leia apenas as primeiras frases de cada parágrafo. Se parecerem “soltas”, falta coesão macro.

5) Coerência (sentido global)

O que é: o texto não se contradiz e mantém uma linha de raciocínio consistente do início ao fim.

Como identificar: ideias compatíveis entre si, exemplos que realmente provam o ponto, ausência de conclusões que não decorrem do que foi dito.

  • Teste rápido: transforme o texto em 3 a 5 tópicos. Se os tópicos não formarem uma sequência lógica, há problema de coerência.

6) Correção linguística

O que é: respeito às normas de ortografia, acentuação, concordância, regência e pontuação, sem “ruídos” que atrapalhem a leitura.

Como identificar: erros não recorrentes podem ser distração; erros repetidos indicam padrão a corrigir (por exemplo, vírgulas separando sujeito e verbo).

  • Teste rápido: leia em voz alta. Pontuação ruim e construções truncadas aparecem com facilidade.

Como avaliar um texto curto: método em 6 passos

Use este passo a passo em textos de 5 a 15 linhas (seus ou de terceiros). A ideia é diagnosticar com rapidez e precisão.

Passo 1 — Identifique o tema em uma frase

Escreva: “O texto trata de ___”. Se você não conseguir, o tema está amplo demais ou mal apresentado.

Passo 2 — Encontre a tese (a ideia central defendida)

Procure uma frase que responda: “O que o autor quer que eu acredite/entenda ao final?” Se não houver, o texto pode estar apenas “girando” em torno do assunto.

Passo 3 — Marque a estrutura mínima

Em um texto curto, normalmente você deve enxergar: apresentação do pontoexplicaçãoexemplo/justificativaconsequência/encaminhamento. Se uma dessas peças faltar, a leitura perde força.

Passo 4 — Verifique coesão com um “mapa de conectivos”

Sublinhe conectivos e pronomes de retomada (“isso”, “essa ideia”, “tal medida”). Pergunte: eles conectam de verdade ou só “enfeitam”?

Passo 5 — Procure frases vagas e substitua por termos concretos

Localize palavras genéricas (“coisa”, “muito”, “vários”, “melhor”, “ruim”) e pergunte: “melhor em quê?”, “ruim por quê?”, “vários quantos?”.

Passo 6 — Faça uma checagem de correção com foco

Em vez de tentar “caçar tudo”, procure 3 pontos: (1) concordância básica (sujeito-verbo), (2) pontuação em períodos longos, (3) ortografia de palavras repetidas (as que aparecem mais de uma vez).

Exemplos comparativos: confuso vs. claro

Exemplo 1 — Tema e tese

Texto confuso:

Hoje em dia a educação é muito importante e tem várias questões envolvidas. As pessoas falam disso o tempo todo e é algo que precisa melhorar, porque a sociedade muda e tudo acompanha. Então é necessário pensar mais sobre isso.

Problemas diagnosticáveis:

  • Tema amplo: “educação” sem recorte (qual nível? qual problema?).
  • Sem tese: não diz o que exatamente deve melhorar nem como.
  • Vaguidão: “várias questões”, “algo”, “isso”.

Versão clara:

A evasão escolar no ensino médio aumenta quando o aluno precisa trabalhar e não encontra apoio da escola. Para reduzir esse problema, é essencial oferecer horários mais flexíveis e acompanhamento pedagógico para quem tem jornada de trabalho.

O que melhorou:

  • Recorte: evasão no ensino médio.
  • Tese explícita: reduzir evasão exige flexibilidade e acompanhamento.
  • Concretude: causa e encaminhamento aparecem.

Exemplo 2 — Coesão e coerência

Texto confuso:

O trabalho remoto traz vantagens para empresas. As pessoas gostam de ficar em casa. A produtividade pode cair. Por isso, é importante ter reuniões. Além disso, o trânsito é ruim nas cidades.

Problemas diagnosticáveis:

  • Parágrafos/frases desconexas: “trânsito é ruim” aparece sem ligação com a tese.
  • Conectivo mal usado: “por isso” não explica a relação entre produtividade cair e “ter reuniões”.
  • Coerência fraca: mistura pontos sem hierarquia (vantagens, preferências, produtividade, trânsito).

Versão clara:

O trabalho remoto pode reduzir custos e tempo de deslocamento, mas exige gestão para manter a produtividade. Para evitar queda de desempenho, a empresa deve definir metas semanais e manter reuniões curtas de alinhamento. Assim, o benefício de não enfrentar o trânsito não se transforma em perda de organização.

O que melhorou:

  • Relações explícitas: “mas”, “para”, “assim”.
  • Ideias ordenadas: benefício → risco → medida → efeito.
  • Detalhe útil: “metas semanais” e “reuniões curtas”.

Lista de sinais de alerta (para diagnosticar rápido)

  • Tema mal delimitado: assunto amplo demais (“saúde”, “educação”, “tecnologia”) sem recorte.
  • Falta de tese: o texto descreve, mas não afirma uma ideia central defendida.
  • Parágrafos desconexos: cada parágrafo parece começar “do zero”, sem retomar o anterior.
  • Repetição sem função: mesmas palavras/ideias voltam sem acrescentar nuance, exemplo ou consequência.
  • Ambiguidades: pronomes sem referente claro (“isso”, “eles”), termos vagos (“melhor”, “adequado”, “eficiente”) sem critério.
  • Exemplos que não provam o ponto: ilustrações genéricas ou que poderiam servir para qualquer tese.
  • Saltos lógicos: conclusão aparece sem ponte (“logo”, “portanto”) mas sem justificativa suficiente.
  • Períodos longos demais: muitas vírgulas e ideias empilhadas, dificultando a leitura.

Miniroteiro de autoavaliação (antes de escrever)

Use este roteiro como checklist de 2 a 5 minutos. A ideia é entrar na escrita já com critérios claros.

1) Definição do foco

  • Meu tema em 1 frase é: __________
  • Meu recorte (tempo, lugar, grupo, situação) é: __________

2) Tese e objetivo

  • O que quero que o leitor entenda/aceite ao final? __________
  • Meu objetivo é (informar/argumentar/orientar/solicitar): __________

3) Público e linguagem

  • Quem vai ler? __________
  • Quais termos precisam de explicação? __________
  • Tom adequado (mais formal/mais direto/mais técnico): __________

4) Estrutura mínima do texto

  • Ideia central (tese): __________
  • 2 razões/argumentos: __________ | __________
  • 1 exemplo ou evidência para cada razão: __________ | __________
  • Encaminhamento (o que fazer/implicação): __________

5) Coesão planejada

  • Conectivos que pretendo usar (contraste, causa, conclusão): mas, porque, por isso, assim, além disso
  • Palavra-chave do tema que vou repetir com controle (sem sinônimos aleatórios): __________

6) Critérios de revisão já previstos

  • Vou evitar: pronomes soltos (“isso”), generalizações (“muito”, “vários”), períodos longos.
  • Vou checar: concordância básica, pontuação em frases longas, ortografia das palavras repetidas.

Quadro de avaliação rápida (para textos curtos)

CritérioPergunta de checagemNota (0-2)
ClarezaEntendi na 1ª leitura? Sei o que “isso” significa?__
ObjetividadeCada frase é necessária para o objetivo?__
AdequaçãoO tom e o vocabulário combinam com o leitor?__
CoesãoAs ideias estão ligadas por conectivos e retomadas claras?__
CoerênciaHá uma linha lógica sem contradições e sem saltos?__
CorreçãoErros atrapalham a leitura ou passam despercebidos?__

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao avaliar um texto curto, qual situação indica falta de clareza segundo os critérios apresentados?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

A clareza envolve o leitor entender na primeira leitura. Pronomes de retomada sem referente explícito (como “isso”/“aquilo”) criam ambiguidade e fazem o leitor “adivinhar” o sentido.

Próximo capitúlo

Redação do Zero: escolha e recorte de tema com foco e pertinência

Arrow Right Icon
Capa do Ebook gratuito Redação do Zero: Como Planejar, Escrever e Revisar um Texto
6%

Redação do Zero: Como Planejar, Escrever e Revisar um Texto

Novo curso

16 páginas

Baixe o app para ganhar Certificação grátis e ouvir os cursos em background, mesmo com a tela desligada.