Reconhecimento de fraturas: sinais evidentes e sinais sutis após quedas

Capítulo 4

Tempo estimado de leitura: 7 minutos

+ Exercício

O que é uma fratura e por que reconhecer cedo importa

Fratura é uma quebra parcial ou total do osso. Após uma queda, o corpo pode “avisar” de forma evidente (deformidade, incapacidade de usar o membro) ou sutil (dor localizada que piora com toque leve, inchaço rápido). Para leigos, o objetivo não é confirmar a fratura com testes, e sim suspeitar com base em sinais observáveis e, a partir disso, evitar manobras que aumentem a lesão e buscar avaliação médica.

Sinais evidentes de fratura (o que você pode observar sem mexer)

1) Deformidade visível

O membro parece “fora do lugar”, com ângulo anormal ou contorno diferente do outro lado. Pode ocorrer em punho, antebraço, tornozelo, clavícula e dedos.

2) Encurtamento e/ou rotação anormal

Um braço ou perna parece mais curto, ou o pé fica virado para dentro/fora de forma incomum. Esse sinal é mais preocupante em ossos longos (perna/coxa) e sugere que não se deve tentar alinhar.

3) Incapacidade de usar o membro (perda de função)

A pessoa não consegue apoiar o peso, segurar objetos, elevar o braço ou movimentar o segmento sem dor intensa. A perda de função após trauma é um dos sinais mais úteis para suspeitar de fratura.

4) Dor intensa ao toque leve (hipersensibilidade localizada)

Quando um toque muito leve na área causa dor desproporcional, especialmente em um ponto específico do osso, isso aumenta a suspeita de fratura. A orientação é não “apertar para testar”; basta notar a reação à palpação mínima, se já ocorreu naturalmente ao tentar ajudar.

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5) Inchaço rápido e progressivo

Inchaço que aparece em minutos e aumenta rapidamente após a queda pode indicar sangramento e lesão interna associada. Em punho e tornozelo é comum o edema aparecer cedo.

6) Crepitação (orientação: não procurar)

Crepitação é uma sensação/ruído de “areia” ou “estalos” ao movimentar a área, podendo ocorrer quando fragmentos ósseos se movem. Não tente provocar esse sinal. Se a pessoa relata que sentiu “estalar por dentro” ou você percebeu ao mover sem querer, trate como fratura e pare qualquer manipulação.

Sinais sutis: quando a fratura pode passar despercebida

Dor localizada que não melhora com repouso imediato

Algumas fraturas (principalmente pequenas ou sem desvio) não deformam o membro. A pista é dor bem localizada, que piora ao tentar usar a função (apertar, apoiar, girar) e não “solta” como uma dor muscular comum.

Função preservada parcialmente, mas com limitação clara

Às vezes a pessoa ainda consegue mexer um pouco ou dar alguns passos, mas com dor intensa e instabilidade. Isso não exclui fratura. O critério prático é: se usar o membro piora significativamente a dor ou parece inseguro, trate como suspeita de fratura.

Hematoma que surge após algum tempo

Manchas roxas podem aparecer minutos ou horas depois. Em clavícula e costelas, o hematoma pode ser discreto no início.

Fratura fechada x fratura aberta (como diferenciar sem exposição gráfica)

Fratura fechada

A pele está íntegra, sem ferida profunda no local do impacto. Pode haver inchaço, hematoma e deformidade, mas sem comunicação do osso com o exterior.

Fratura aberta

Existe uma ferida na região do trauma que pode estar associada à fratura. Nem sempre há algo “visível” além de um corte/ferimento, mas a combinação de trauma + ferida no local + dor intensa/deformidade deve ser tratada como possível fratura aberta.

O que fazer e o que evitar em cada caso

SituaçãoO que fazerO que evitar
Suspeita de fratura fechadaManter o membro parado na posição encontrada; apoiar com talas improvisadas; aplicar frio envolto em pano por períodos curtos; procurar atendimento“Colocar no lugar”; testar amplitude; pedir para “ver se consegue” apoiar/pegar; massagear
Suspeita de fratura abertaCobrir a ferida com pano limpo/curativo sem pressionar excessivamente; manter imobilizado; buscar ajuda urgenteEmpurrar tecido para dentro; lavar profundamente; remover objetos presos; manipular para “alinhar”

Como interpretar dor e função sem manipular (método prático)

Passo a passo de observação segura

  • Compare lados sem mexer: observe simetria (forma, posição, comprimento aparente) do membro afetado em relação ao outro.
  • Observe a função espontânea: a pessoa consegue usar o membro naturalmente? Ex.: segurar o celular, apoiar o pé ao ficar em pé, elevar o braço para vestir uma roupa. Não peça para “testar”; apenas note o que ela já tenta fazer.
  • Localize a dor por relato: peça para apontar com um dedo onde dói mais. Dor muito localizada sobre o osso, após queda, aumenta suspeita.
  • Toque mínimo (se necessário): se for preciso ajudar a apoiar uma tala improvisada, faça contato leve e observe se há dor intensa ao toque suave. Se doer muito, pare e estabilize com menos contato.
  • Procure sinais de piora rápida: inchaço aumentando, dor crescendo, formigamento, palidez ou extremidade fria sugerem urgência maior e necessidade de imobilização cuidadosa e avaliação rápida.

Situações comuns após quedas e como suspeitar de fratura

1) Punho após queda com a mão estendida

É uma das situações mais frequentes. A pessoa cai e “se apoia” com a mão aberta. Pode ocorrer fratura no rádio (próximo ao punho) ou em ossos do carpo.

  • Sinais que favorecem fratura: dor forte no punho, inchaço rápido, dificuldade de girar a mão, incapacidade de segurar objetos, deformidade discreta ou evidente.
  • Interpretação sem manipular: se a pessoa evita usar a mão e mantém o punho imóvel, trate como fratura até prova em contrário.
  • O que evitar: não peça para “mexer os dedos para ver se quebrou” de forma insistente; movimentos podem aumentar dor e deslocamento.

2) Tornozelo após torção (entorse x fratura)

Uma torção pode causar entorse, mas também pode fraturar maléolos (ossos ao lado do tornozelo) ou outros ossos do pé.

  • Sinais que favorecem fratura: dor muito localizada no osso (nas “bolinhas” do tornozelo), incapacidade de apoiar o peso logo após o evento, inchaço rápido e importante, deformidade.
  • Interpretação sem manipular: se não consegue dar passos com segurança ou a dor é intensa ao menor apoio, trate como suspeita de fratura e imobilize.
  • O que evitar: não “puxe” o pé para alinhar, não force caminhada para “ver se melhora”.

3) Clavícula após impacto no ombro ou queda lateral

Quedas sobre o ombro ou impacto direto podem fraturar a clavícula. Muitas vezes a pessoa segura o braço junto ao corpo para diminuir a dor.

  • Sinais que favorecem fratura: dor na parte superior do tórax/ombro, dificuldade para levantar o braço, sensibilidade ao toque na clavícula, possível “degrau” no contorno do osso.
  • Interpretação sem manipular: se levantar o braço é muito doloroso e a pessoa mantém postura de proteção, suspeite de fratura.
  • O que evitar: não tente “endireitar o ombro” nem puxar o braço para trás.

Erros comuns que aumentam o risco de piora

  • Procurar crepitação: mexer para ouvir/sentir “estalos” pode deslocar fragmentos e agravar dor e sangramento.
  • Tentar alinhar: “colocar no lugar” pode lesar vasos, nervos e tecidos.
  • Testar força e amplitude: pedir para apertar forte, girar, apoiar ou levantar peso para “ver se quebrou” pode piorar a lesão.
  • Ignorar sinais sutis: ausência de deformidade não exclui fratura; dor localizada + perda de função são pistas importantes.

Checklist rápido de suspeita de fratura (para leigos)

Suspeite de fratura se houver 1 ou mais: deformidade, encurtamento/rotação anormal, dor intensa ao toque leve, incapacidade de usar o membro, inchaço rápido, crepitação percebida sem procurar. Se houver ferida no local do trauma, trate como possível fratura aberta.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Após uma queda, qual conduta está mais alinhada com o reconhecimento precoce de uma possível fratura e a prevenção de piora da lesão?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Para leigos, o objetivo é suspeitar pela observação (dor localizada, inchaço rápido, perda de função, deformidade) e evitar manipular, testar amplitude, alinhar ou procurar crepitação, reduzindo o risco de agravar a lesão.

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